Quarta-feira, 18 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A propósito de Obama

Por Carlos Castilho em 18/07/2008 | comentários

O post anterior sobre a capa da revista New Yorker deixou no ar algumas questões que merecem ser retomadas, para aprofundar o diálogo tanto entre autor e leitores, como entre os próprios leitores:


 


1)     Os erros na postagem anterior – Os leitores Bruno e Marcos assinalaram, muito corretamente, dois erros cometidos por mim no post sobre a charge publicada pela New Yorker. Foram erros causados por revisão deficiente, uma velha falha minha. A correção de erros deveria ser uma atividade normal porque todo mundo sabe que não existe perfeição em matéria de texto. Acontece que a longa convivência com uma relação unidirecional entre jornalistas e leitores provocou duas distorções: a do profissional que encara a correção por outros como uma ameaça a sua competência ou um arranhão no seu ego, e a dos leitores que transformam a identificação do erro num libelo contra o jornalista. A era da interatividade na comunicação está nos mostrando que nenhuma e nem outra atitudes ajudam a resolver o problema principal que é a ocorrência de erros na informação. Erros sempre existiram e continuarão a existir. São inevitáveis e esta constatação não serve como desculpa. Mas já que é assim, devemos nos preocupar ainda mais com a correção. A colaboração e interação parecem ser as ferramentas mais adequadas para melhorar a qualidade informativa em todos os canais de comunicação.


2)     Relação autor/leitor – Aqui no Observatório como na esmagadora maioria dos blogs e sites jornalísticos, prevalece o hábito de selecionar o material publicado pelo seu caráter noticioso, ou seja, pelo que ele tem de novo, original ou relevante, usando como parâmetro o que se convencionou chamar de agenda ou pauta da mídia. Acontece que no momento em que o leitor começa a se incorporar no processo de produção informativa, o esquema provoca um curto circuito na cabeça dos jornalistas. Por formação, somos (eu sou um deles) levados sempre a priorizar a preocupação com a novidade. Se a matéria, ou a postagem, não contiver algo novo, suas chances de publicação caem. Mas são cada dia mais freqüentes, especialmente nos blogs, situações onde o diálogo entre leitores e autores é mais relevante do que a notícia porque ajuda a remover ruídos na interação entre ambos. Para muitos surge a dúvida: dá-se ou não destaque a um material como este?  Pela rotina das redações não, mas pela lógica da incorporação do leitor, a resposta é sim. Na minha opinião, os jornalistas terão cada vez mais que considerar a segunda alternativa, porque tudo indica que a interação entre profissionais e o público parece ser a melhor ferramenta para a correção de erros tanto factuais como os de percepção (muito mais freqüentes) em conteúdos noticiosos textuais e audiovisuais.


 


Esta “pensata” é uma quebra na rotina de postagens aqui no Código.  É uma tentativa de repensar não só a relação do jornalista com o erro informativo, mas principalmente uma pausa na correria diária para ver como está a nossa relação com o público.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/07/2008 Roberto Ribeiro

    Pois é, é a especificidade do meio. Internet não é televisão nem jornal. Ela tem uma dinâmica própria, uma linguagem própria. O blog jornalístico deveria ter como objetivo provocar uma discussão e fornecer subsídios para ela. O jornalista pode, a partir das dúvidas dos leitores, investigar pontos que ficaram nebulosos. O leitor comum não é um Homer Simpson, o papel do jornalista não é mastigar a notícia, como se prega, mas o papel do jornalista é investigar. Eu tenho interesse, digamos, no caso Obama, mas não tenho tempo ou vontade de investigar a fundo. O jornalista tem esse tempo porque esse é o seu trabalho. Então se eu pergunto, por exemplo ‘ e qual a repercussão dessa capa no mundo islâmico?’ O jornalista poderá ir verificar em noticiosos do Islã, traduzir textos, fazer resenhas, coisa que eu não tenho absolutamente tempo ou vontade de fazer. Pensar eu penso por mim mesmo, não é o jornalista que vai ‘formar’ minha opinião, embora a interação entre as várias subjetividades no blog certamente vá influenciar meu pensamento, mas como uma via de mão-dupla.

  2. Comentou em 18/07/2008 Pedro Doria

    É duro mesmo esse nosso aprendizado, mestre Castilho. E, às vezes, nossos leitores podiam pegar um pouco mais leve com nossos pobres egos =)

  3. Comentou em 18/07/2008 Wanderley Neves Neto

    Pois é, o editor até falou que a capa não visava criticar Obama, mas os seus adversários que utilizam a sua origem mulçumana, o seu cumprimento com a esposa e até o seu nome (Ob(s)ama) como ferramenta da ‘política do medo’ pós-9/11

  4. Comentou em 18/07/2008 Ivan Moraes

    Mas, Castilho, ainda nao foi explicado que o NY´er NAO ‘pegou contra’ Obama! E a capa do beijo na boca entre o hassidico e uma africana, era ‘pegar contra’ judeus?! Altamente provocativo, e nada mais.

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