Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A rebelião na blogosfera por causa de um código secreto

Por Carlos Castilho em 03/05/2007 | comentários


O site Digg, de notícias comentadas e recomendadas por usuários, tornou-se o epicentro da primeira grande revolta de internautas contra uma norma legal.


Desde abril está circulando na internet um código de 32 letras e números que rompe o bloqueio criado pelas gravadoras de DVDs, para impedir a copia ilegal de filmes e músicas.


Mas o assunto só virou notícia de jornal depois que os responsáveis pelo Digg resolveram eliminar os comentários e sugestões em torno do código, o que provocou uma revolta de centenas de usuários, que em represália transformaram a divulgação do número secreto numa questão de honra.


Milhares de cópias do código foram espalhadas pela Web num aberto desafio às leis de direitos autorais defendidas pelas grandes empresas cinematográficas e gravadoras musicais norte-americanas.


O resultado é que da noite para o dia, elas ficaram vulneráveis à pirataria e milhões de dólares gastos na tentativa de proteger direitos autorais, viraram fumaça.


Kevin Rose, o fundador do bem sucedido Digg, censurou os comentários procurando evitar um processo judicial contra o site. Mas depois de dois dias de pressão dos usuários, ele acabou jogando a toalha e deixou que os internautas decidissem o que seria publicado ou não, seguindo a proposta original do site, considerado um dos paradigmas da Web 2.0 ou web social, onde o público tem tem a última palavra na definição dos conteúdos.


A rebelião na blogosfera foi noticiada por quase todos os grandes jornais americanos porque acionou imediatamente as sirenes de alarme das empresas que dependem do pagamento de direitos autorais, como a Microsoft.


Trouxe também para as primeiras páginas o debate sobre o alcance e os limites da democracia online, um apanágio da Web 2.0 e base de uma série de prósperos empreendimentos online como a Wikipédia .

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/05/2007 Patrícia Valiño

    Interessante mesmo essa questão à cerca do jornalismo colaborativo, afinal, como identificar e responsabilizar milhares de pessoas distribuindo um código secreto? E quem divulgou o tal código afinal? Talve fosse o caso de apontar a própria indústria como culpada, tendo sido negligente com a segurança de sua informação vital.
    Mas calma aí, gente, não é pra tanto: já vêm vindo ao mercado os novíssimos blue-ray discs, um formato especial que acomoda muito mais informação em um único disquinho… Novo padrão, novas codificações, novos níveis de proteção.

  2. Comentou em 05/05/2007 Marcelo Ramos

    A discussão me ins-pirou. Nossa evolução se dá em uma espécie de tensão entre a busca de liberdade e algumas poucas regras para limitá-la. Que nem a corda do violão: se esticar demais, arrebenta, se ficar muito frouxa não toca. Tem sido assim desde muito antes dos 10 mandamentos. Todas as sociedades tem essas regras, tácitas ou explícitas. Por outro lado, todas as sociedade sempre foram heterogêneas. Existiram os ‘que vão na frente’ da boiada e os que estão mais atrás ou no meio. Nossa civilização tem descoberto que democracia -e interdependência. para acrescentar um conceito do Dalai Lama- é o respeito ao ritmo dos que estão mais atrás. O anarquismo prescinde do governo porque as pessoas já estão em um nível de compreensão da vida. Mas o anarquismo aplicado a uma sociedade heterogenea pode ser entendido, pelos que estão mais atrás da boiada, como ‘liberdade para passar a mão na bunda do guarda’. Regras precisam ser modificadas e as pressões estão acontecendo. Vamos lá.

  3. Comentou em 05/05/2007 Dante Caleffi

    Bakunin, de onde estiver,deve estar dando sonoras gargalhadas.O anarquismo,está se desenhando em comunidades virtuais,situação jamais
    pensada,pelos fundadores do movimento.Esperemos que essa saudável insurgência , se propague além da gigantesca ‘teia’.

  4. Comentou em 04/05/2007 Bernardo Peres

    Bem, para mim isso é mais uma demonstração do grande descompasso da grande indústria do conteúdo diante da nova ordem virtual.
    A internet e a tecnologia provocaram a ‘desmaterialização’ do conteúdo, seja música, vídeo ou texto. Com isso é necessário descobrir novos paradigmas de negócio, que não os baseados na venda de plástico e celulose. Coisa que as jurácicas corporações tem preguiça de fazer.
    Outra coisa que a internet e a tecnologia trouxeram para o usuário foi a liberdade de escolha. Hoje é possível buscar o que se deseja em qualquer lugar do mundo, sem a interferência das grandes no gosto – ou mal gosto – alheio. imagino que isso deve ser terrivel para aqueles dinossauros…

    em tempo:
    alguém aí conseguiu o tal código?

  5. Comentou em 04/05/2007 Dalton de Barros Santos

    Castilho: Faz rempo que o nosso cotidiano é uma interessante Corrida de Obstáculos onde as barreiras são as Leis bastantes ao nosso conforto social. Também faz tempo que ancestral pirataria marítima ganhou as águas legislativas, onde a estrela da vwz é a Tributação. A Anarquia Controlada vem do Caos Administrativo presente há décadas, no entanto o elemento anárquico se porta como o elétron energizado que ganha visibilidade, sobe ao nível quântico superior e cai em forma de Luz ao inferior original. De fato, tudo o que sobe cai. C.Q.D. (como queríamos desconfiar)

  6. Comentou em 04/05/2007 Jose de Almeida Bispo

    Meu caro Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado, você já prestou atenção no que ocorre com as gotas de orvalho sobre um capô de carro pela manhã? Já prestou atenção do como elas tendem a se juntar e formar grandes gotas e, por fim, despencarem? Uma coisa é a liberdade, essa necessidade diuturna que temos; outra seria a baderna, o caos. A natureza, que se nutre do caos para se recriar somente o tolera em níveis baixos. Toda a natureza, inclusive a humana. Governo sempre serão necessários. Basta ler um pouco sobre a Lei de Gravitação Universal.

  7. Comentou em 04/05/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Pois é meu caro… As leis de direitos autorais terão que ser revistas. Os costumes censórios terão que ser abolidos. Se não forem a legislação em vigor será desprezada e o Estado se tornará irrelevante. Com a irrelevância do Estado seus agentes (especialmente os de toga) se tornarão DISPENSÁVEIS. Não deve demorar para a população começar a se perguntar porque pagar os salários e aposentadorias de tanta gente desnecessária. Assim seja…

  8. Comentou em 03/05/2007 Ivan Moraes

    ‘aberto desafio às leis de direitos autorais defendidas pelas grandes empresas cinematográficas e gravadoras musicais norte-americanas’: Vixe, ja nao tenho mais lencois na minha casa pra enxugar minhas lagrimas! Coitadas! Nesse meio tempo porque eh que se paga no Brasil os mesmos precos dos EUA por musica, software, cds ou dvds? E gasolina e ethanol? E livros? E tv a cabo? E teatro? E a energia eletrica comparada aos precos internacionais subiu ou desceu nos ultimos 10 anos? E tarifas telefonicas e bancarias? Como eh que fica o brasileiro quando precos sao cartelizados fora do Brasil?

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