Sábado, 21 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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A semana da “grande degola’ na imprensa norte-americana

Por Carlos Castilho em 03/07/2008 | comentários

A última semana de junho vai entrar para a história dos Estados Unidos como o período do pior massacre de empregos desde que Benjamin Harris publicou o  Publick Ocurrences, o primeiro jornal norte-americano, em 1690.


 


Cerca de mil jornalistas foram demitidos de jornais como The Baltimore Sun, The Boston Globe e  San Jose Mercury News, publicações de primeira linha na imprensa norte-americana.  Em pouco mais de uma semana a crise na indústria dos jornais fez mais vítimas do que nos três últimos anos.


 


O clima de pessimismo, que já era grande, ficou ainda mais pesado nas redações, porque os profissionais começam a perder a perspectiva do que ainda pode acontecer. Timothy Eggan, ex-redator estrela do The New York Times, prêmio Pulitzer e autor de cinco livros, comparou a cobertura das dificuldades na imprensa norte-americana à “leitura de uma coluna de obituários”.


 


No Brasil crescem a cada dia os rumores sobre a venda dos jornais do grupo O Estado de S.Paulo, um dos ícones da imprensa brasileira e cuja sobrevivência estaria ameaçada a médio prazo, segundo informações que circulam no mercado financeiro.


 


A intensificação da incerteza no meio jornalístico tornam necessárias duas iniciativas inadiáveis:


 


1)     Esclarecer que a crise é das empresas jornalísticas e não do jornalismo como atividade;


2)     Acabar de uma vez por todas com a ingênua atitude de achar que a transparência na imprensa é uma ameaça à sobrevivência dos jornais.


 


A indústria do jornal impresso está em crise porque o surgimento da internet como veículo de comunicação sacudiu um negócio que perdeu agilidade e a confiança dos grandes investidores, após anos de lucros considerados estratosféricos.


 


Isto tudo ocorre, paradoxalmente, num momento em que o consumo de notícias  bate recordes históricos. Também nunca se produziu tanta informação na história da humanidade como agora.


 


A sobrevivência do jornalismo como atividade não está ameaçada. Muito pelo contrário, as oportunidades começam a pipocar de forma cada vez mais intensa, como as criadas pela convergência multimídia e pela incorporação dos usuários na produção de informações.


 


A salvação da indústria da impressão de jornais é uma questão complicada porque depende de uma improvável combinação de fatores como egos, compromissos políticos, agilidade empresarial, criatividade financeira  e visão social.


 


Já para os profissionais do jornalismo, a sobrevivência é bem mais simples, desde que seja rompida a dependência em relação aos seus patrões atuais. Os dois principais desafios são a reciclagem tecnológica para adquirir habilidades e competências na era digital, e entender as exigências da nova ecologia informativa moldada pela computação eletrônica e pela internet.


 


São desafios enormes num momento em que as variáveis são cada vez mais numerosas. A situação se complica pela fluidez das receitas disponíveis, o que provoca uma incerteza permanente.


 


É cada vez maior a sensação de que não existirá uma formula mágica para resolver todos os problemas criados com a crise da indústria dos jornais e o crescimento da internet. Mas num ponto há consenso: as soluções inevitavelmente surgirão da troca de idéias e conhecimentos, o que significa transparência numa indústria cuja principal característica é a opacidade, especialmente no Brasil.


 


É lamentável, mas há muita gente que prefere perder tudo a abrir a caixa preta dos negócios na indústria dos jornais. 


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 14/07/2008 ana félix

    olá sempre q posso passo por aqui.
    Equipe honda hornet.
    http://www.hondahornet.com.br

  2. Comentou em 07/07/2008 Roberto Ribeiro

    Durante muito tempo a preocupação central dos jornalistas, pelo menos no Brasil, era se agarrar ao jornal e expulsar todos os que ameaçassem seu feudo. Nunca ninguém conseguiu explicar pq um crítico literário não poderia publicar crítica literária regularmente em um jornal se não tivesse registro de jornalismo, ou pq para escrever horóscopos era preciso ser jornalista formado, ou pq um ator não poderia ler notícias na televisão quando não são feitos comentários. Ser jornalista era um bom emprego. Ganhavam-se passagens, descontos, entradas grátis… Semeou-se, agora colhe-se.

  3. Comentou em 05/07/2008 Luan Campos

    Enquanto a mídia continuar praticando esse jornalismo voltado para os anunciantes, a perspectiva do futuro da profissão continuará desanimadora…

  4. Comentou em 05/07/2008 José Anderson Sandes

    No início do século – com novas rotativas (as marinonis da vida) o jornalismo ganhou grande impulso no Brasil. A burguesia crescia e com ela os jornalões. A Gazeta de Notícias – para lembrar João do Rio – unia literatura, notícias, amenidades. Tempos de mudanças. Mudanças que tomaram novos rumos nos anos 50/60 com a influência norte-americana chegandos aos jornais brasileiros (a era do Lead que até hoje nos inferniza). Os jornais ganharam dinheiro nas duas ditaduras – a getulista e a militar. Agora, novo cenário. O que fazer? Concordo. Não é o fim do jornalismo. Talvez, dos jornais opacos, obscuros do ponto de vista da informação. Mas e aí? Tantas universidades jorrando anualmente centenas de novos jornalistas despreprados para os ‘tempos modernos’ num mercado de ficção?. Sou da geração dos meados dos anos 80, da auto-censura e do fim da ditadura. Quer dizer, tenho ainda uma grande estrada pela frente. Pelo menos, meia estrada. É bom que nós, jornalistas, universidades, entidades ligadas ao setor (acorda Fenarj) começemos a discutir o futuro. Existe sim luz no fim do túnel. Mas ninguém ainda a acendeu. A crise de identidade não é só dos jornais. Mas também dos jornalistas. De uma profissão colocada em xeque. Não adianta manuais, teorias, sociologia. Mas sim ação.

  5. Comentou em 05/07/2008 jose simoes simões

    Senhores;

    Meu slogan: Não leiam jornal, selecionem o noticiário da internet.
    Aos jovens jornalistas, e aos que estão em cursos, um lembrete.
    Suas profissões estão com os dias contados, e não venham me dizer que é os jornais que estão morrendo e não o jornalismo. Eu perguntaria: o que farão os jornalistas sem os jornais, que é onde se emprega lmais profissionais.
    Outra coisa que precisa mudar urgentemente são estes oligopólios na imprenssa. Basta de 4 ou 5 famílias no Brasil, deterem todos os meios de comunicação. A era de Sarney Presidente e Antônio Carlos Magalhães Ministro das Comunicações acabou.
    É pagar para ver. Os tempos são outros, e quem não se ajustar, irá desaparecer.
    Um abraço.
    José Simões

  6. Comentou em 05/07/2008 marcilene brandão

    gostei muito da matéria sobre a histíria do jornalismo,assunto muito discutido,pelos estudantes,valendo frizar a onde e até que ponto vai a história do jornal orincipalmente no brasil,onde as pessoas tem pouco acesso a internet sendo que assim muitos irãop deixar de ler jornais porque são analfabetos técnologicos. portanto se acabar o jornal impreso muitos irão ficar sem informaçôes precisas do que acontece em nossa sociedade.

  7. Comentou em 04/07/2008 Suhelen Almeida

    Há muito tempo diz-se que o jornal impressos teria um fim após o surgimento da Internet. Da mesma forma que julgaram que o Rádio acabaria com o desenvolvimento da TV. O caso é: há lugar para todas as mídias, sobretudo, quando se trata de níveis sociais. O que ocorre hoje é que a inclusão digital ultrapassou até os limites sociais. Dessa forma, mediante ä correria do dia-a-dia, o imdediato desejo de saber de tudo em pouco tempo, aumenta o rpetígio do meio de comunicação que proporciona interação até mesmo no trabalho.

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