Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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A semana da “grande degola’ na imprensa norte-americana

Por Carlos Castilho em 03/07/2008 | comentários

A última semana de junho vai entrar para a história dos Estados Unidos como o período do pior massacre de empregos desde que Benjamin Harris publicou o  Publick Ocurrences, o primeiro jornal norte-americano, em 1690.


 


Cerca de mil jornalistas foram demitidos de jornais como The Baltimore Sun, The Boston Globe e  San Jose Mercury News, publicações de primeira linha na imprensa norte-americana.  Em pouco mais de uma semana a crise na indústria dos jornais fez mais vítimas do que nos três últimos anos.


 


O clima de pessimismo, que já era grande, ficou ainda mais pesado nas redações, porque os profissionais começam a perder a perspectiva do que ainda pode acontecer. Timothy Eggan, ex-redator estrela do The New York Times, prêmio Pulitzer e autor de cinco livros, comparou a cobertura das dificuldades na imprensa norte-americana à “leitura de uma coluna de obituários”.


 


No Brasil crescem a cada dia os rumores sobre a venda dos jornais do grupo O Estado de S.Paulo, um dos ícones da imprensa brasileira e cuja sobrevivência estaria ameaçada a médio prazo, segundo informações que circulam no mercado financeiro.


 


A intensificação da incerteza no meio jornalístico tornam necessárias duas iniciativas inadiáveis:


 


1)     Esclarecer que a crise é das empresas jornalísticas e não do jornalismo como atividade;


2)     Acabar de uma vez por todas com a ingênua atitude de achar que a transparência na imprensa é uma ameaça à sobrevivência dos jornais.


 


A indústria do jornal impresso está em crise porque o surgimento da internet como veículo de comunicação sacudiu um negócio que perdeu agilidade e a confiança dos grandes investidores, após anos de lucros considerados estratosféricos.


 


Isto tudo ocorre, paradoxalmente, num momento em que o consumo de notícias  bate recordes históricos. Também nunca se produziu tanta informação na história da humanidade como agora.


 


A sobrevivência do jornalismo como atividade não está ameaçada. Muito pelo contrário, as oportunidades começam a pipocar de forma cada vez mais intensa, como as criadas pela convergência multimídia e pela incorporação dos usuários na produção de informações.


 


A salvação da indústria da impressão de jornais é uma questão complicada porque depende de uma improvável combinação de fatores como egos, compromissos políticos, agilidade empresarial, criatividade financeira  e visão social.


 


Já para os profissionais do jornalismo, a sobrevivência é bem mais simples, desde que seja rompida a dependência em relação aos seus patrões atuais. Os dois principais desafios são a reciclagem tecnológica para adquirir habilidades e competências na era digital, e entender as exigências da nova ecologia informativa moldada pela computação eletrônica e pela internet.


 


São desafios enormes num momento em que as variáveis são cada vez mais numerosas. A situação se complica pela fluidez das receitas disponíveis, o que provoca uma incerteza permanente.


 


É cada vez maior a sensação de que não existirá uma formula mágica para resolver todos os problemas criados com a crise da indústria dos jornais e o crescimento da internet. Mas num ponto há consenso: as soluções inevitavelmente surgirão da troca de idéias e conhecimentos, o que significa transparência numa indústria cuja principal característica é a opacidade, especialmente no Brasil.


 


É lamentável, mas há muita gente que prefere perder tudo a abrir a caixa preta dos negócios na indústria dos jornais. 


 

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