Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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A terceira pergunta sobre a crise

Por Luiz Weis em 30/03/2009 | comentários

Nesta semana de reunião dos líderes dos países que formam o G-20, na quinta-feira, em Londres, parece mais oportuno do que nunca perguntar se os nossos jornais têm sido capazes de aproximar a crise econômica do leitor que não frequenta os cadernos de economia.


A pergunta não tem propriamente a ver com a qualidade da cobertura da crise, mas com o que parece ser a dificuldade da imprensa de traduzir para a maioria do leitorado as questões em jogo quando se discutem, como no G-20, as alternativas (ou falta de) para resgatar a economia mundial do abismo em que o colapso do sistema financeiro americano a mergulhou.


Não se trata de cobrar da imprensa que mastigue o assunto pelo leitor – mesmo num jornal, nem tudo pode ser reduzido a uma papa, e o leitor também tem que fazer a sua parte. Mas toda história pode ser contada em textos com graus diferentes de complexidade. Material não falta para que, numa mesma edição, um jornal fale das saídas da crise para diferentes públicos.


No domingo, 29, por exemplo o caderno “Aliás” do Estado de S.Paulo deu uma página inteira para o excelente artigo “Estamos à deriva?”, sobre o risco de não sair nada do G-20, do renomado economista inglês John Gray. É um texto claro, livre do jargão acadêmico, mas, ainda assim, exigente, a começar do tamanho – 2.200 palavras [confira aqui].


Pois bem. Seria um ganho para todos aqueles leitores que não quisessem enfrentá-lo se pudessem encontrar em outro caderno, sob a forma de reportagem, um apanhado do leque de questões políticas de que trata o artigo.


De preferência, do ângulo brasileiro – não como um ritual, mas porque tem tudo a ver com os reflexos da crise no país e já não bastasse a participação do presidente Lula na reunião de Londres.


A propósito, ele tem dito sobre os descaminhos da economia coisas mais densas, mas não tão temperadas para o paladar da mídia, do que culpar “gente branca de olhos azuis” pela crise.


Por exemplo, a ideia de que a saída passa por um “Estado forte”, como afirmou semana passada numa conferência de chefes de governo “progressistas” em Viña del Mar. Esse é um assunto que está no centro do debate internacional do momento, mas a imprensa brasileira não o tem traduzido a ponto de o leitor leigo poder dizer: “Ah, entendi.”


Jornais, costumava-se resumir, existem para responder a duas perguntas: o que e por que. E hoje em dia só se ouve dizer que, por causa da internet, a imprensa tem de investir pesadamente no porquê das coisas, na análise dos fatos, muito mais do que em qualquer outro período de sua história, quando ela detinha o monopólio da notícia em estado bruto, no ‘o que’.


Sem dúvida. Mas há uma terceira pergunta tão importante quanto, que se aplica em tempo integral à cobertura das políticas de combate à crise e que não está sendo devidamente respondida pelos nossos jornais: ‘Como é mesmo?’

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