Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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A terceirização será a tendência predominante na grande imprensa em 2008

Por Carlos Castilho em 24/12/2007 | comentários

Um relatório do Deutsche Bank acaba de confirmar aquilo que já era considerado quase certo nos corredores dos grandes jornais norte-americanos. O banco entrevistou 15 altos executivos da imprensa do Tio Sam e todos eles confirmaram que vão transferir para terceiros muitos dos servidos burocráticos e editorais atualmente executados por seus funcionários.


 Sacramento Bee


Na  primeira semana de dezembro, o jornal Sacramento Bee, o mais importante veiculo da rede McClatchy anunciou que seu sistema de assinaturas e vários departamentos burocráticos serão terceirizados para empresas na Índia.


 


Mas o projeto que está causando mais celeuma é o da terceirização do noticiário local das versões online de vários jornais norte-americanos para o site de notícias Topix. O site desenvolveu uma plataforma eletrônica que permite a participação de leitores na produção de notícias locais, mesmo em pequenas cidades.


 


Jornais como o Sun Sentinel e o Indy Star já estão negociando com a Topix a montagem de sistemas eletrônicos de coleta e edição de notícias locais. O sistema foi desenvolvido pelo site a partir da experiência que ele acumulou com a produção automática de notícias, por meio da varredura de páginas informativas.


 


A tendência à terceirizar o relacionamento com os leitores vem desde 2005, quando os jornais fracassaram na tentativa de impor, às redações, a responsabilidade na administração dos comentários feitos sobre matérias publicadas. A maioria simplesmente eliminou a cláusula dos comentários, mas o pessoal do marketing continuou insistindo que o relacionamento era essencial para manter a fidelidade do público.


 


Com a plataforma desenvolvida pelo site Topix surgiu uma alternativa técnica e o debate passou então para a essência da questão. Vários jornalistas de renome, como Howard Owens, se insurgiram contra a terceirização acusando os jornais de abrir mão da última coisa que os diferencia de uma fábrica de sapatos.


 


Mas os dados recolhidos pelo Deutsche Bank não deixam margem de dúvida. Quase todos os executivos consultados admitem que os jornais terão que terceirizar vários segmentos de sua cadeia de produção para reduzir ainda mais os custos operacionais.


 


A terceirização pode ser uma alternativa atraente para jornais conturbados pela crise da transição de um modelo de negócios analógico para outro baseado na digitalização da informação. Mas põe dramaticamente em evidência o conflito cada vez maior entre interesses comerciais e a produção de informações de caráter público.


 


 


Conversa com os leitores (1)


O leitor Fabio Ribeiro mandou por email as seguintes observações sobre o seu comentário a respeito do projeto Debatepedia (ver post anterior). Vou publicá-las para este blog tornar-se cada vez mais uma mesa redonda e menos um pódio. Ai vai o texto do Fabio onde ele compara o site brasileiro Jornal de Debates com o projeto Debatepedia:
O Jornal de Debates do IG tem um ano e pouco. Participo do JD desde o início. Trata-se de um espaço  em que a produção do conhecimento é aberto, dinâmico coletivo e desprovida de censura (prévia ou postuma). Os temas são definidos pelos responsáveis pelo JD, dentre os quais se destaca o jornalista Paulo Markun. Os temas também podem ser proposto pelos participantes. 
Qualquer pessoa pode participar do JD mediante simples cadastro, em que devem ser especificados nome e outros dados pessoais, bem como um perfil do participante (opcional). O acesso ao JD é feito pelo e-mail e senha do participante. Uma vez logado, o participante pode publicar seu texto, replicar  ou apenas comentar um texto já publicado por outro participante. Às vezes o debate esquenta, mas raramente tenho visto ofensas pessoais de baixo calão.
Caso tenha publicado algo no JD o participante não pode mudar o que publicou, a não ser através de contato com os responsáveis pelo mesmo. Todas as vezes que precisei fazer retificações nos meus textos (erros de ortografia, concordância, períodos ambiguos, etc…)  fui atendido pela jornalista Vanessa Decicino que se prontificou a fazer a correção rapidamente.


 O formado do JD é diferente da tal Debatepédia. Pelo que entendi da sua exposição, no Debatepédia só pode-se ser contra ou a favor de algo. No JD podemos desviar do assunto proposto, relacioná-lo a outros temas e fazer ligações que a mídia normalmente não faz por razões que ignoro. 


A arquitetura do JD está anos luz à frente da tal Debatepédia, mas posso estar enganado.


 


Conversa (2)


Para todos vocês um Feliz Natal. Muito obrigado por terem visitado este blog ao longo do ano e por terem participado desta troca de idéias, que ainda é pequena, mas seguramente crescerá muito mais em 2008. É tudo o que espero. Na última semana de 2007 e na primeira de 2008 eu vou tirar uns dias de férias, porque ninguém é de ferro. Mas vou postar algumas vezes. Um abraço. 

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/01/2008 Mario Radovich

    Há tempos, já existe um tipo de terceirização na mídia, os sites de informação publicam material disponibilizado pelas agências, como a Reuters, de maneira automatizada. Há muito tempo, os jornais já trabalham com material fornecido pelas agências, mas esse material passava pelo crivo de um editor humano. No modo tradicional, provavelmente, não veríamos frases como a abaixo, que apareceu no site do Estadão (http://www.estadao.com.br/economia/not_eco105379,0.htm), hoje, dia 7/1/08:
    ‘Mas o objetivo da China no longo prazo é construir jatos com mais de 150 lugares (o ARJ21-700 possui 90) ou cargueiros capazes de levar mais de 100 toneladas de carga, para se projetar no mercado aviário global.’
    Sinceramente, de ‘mercado aeronáutico’ para ‘mercado aviário’, é o ´fim-da-picada’!

  2. Comentou em 26/12/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você fechou seu texto com a seguinte frase ‘…põe dramaticamente em evidência o conflito cada vez maior entre interesses comerciais e a produção de informações de caráter público.’ Entretanto, no corpo do texto você deixou bem claro que os jornais americanos aos quais se referiu já optaram pelo LUCRO. Quais os jornais americanos que ainda optam pela NOTÍCIA? E aqui no Brasil, o que vai predominar: a NOTÍCIA ou o LUCRO?

  3. Comentou em 24/12/2007 soldadonofront no front

    Parece que a falência de um tipo de jornalismo de aluguel esta chegando ao fim.

    !! Muito Bom !!

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