Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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A webtv pode mudar rumos do debate sobre a TV pública

Por Carlos Castilho em 14/05/2007 | comentários


O debate sobre a TV Pública no Brasil passou ao largo de uma questão estratégica. Tudo indica que as diferenças entre internet e televisão digital tendem a diminuir cada vez mais e que boa parte da discussão atual pode ficar sem sentido muito antes da mudança de padrão técnico no sistema brasileiro de TV.


O novo padrão de televisão e a internet usam sinais digitais, portanto as imagens podem ser visualizadas tanto no aparelho da sala como no computador. A badalada interatividade, que dá ao usuário o poder de interferir na programação, é também idêntica tanto na TV como no PC, porque são sinais digitais enviados para o emissor usando o que os técnicos chamam de canal de retorno.


A briga pela alocação de canais no espectro digital tem a ver com o uso de faixas de transmissão, mais ou menos como é agora, só que com uma qualidade de imagem e amplitude de freqüências, muito maiores. Mas esta briga pode tornar-se inócua se os usuários decidirem ver televisão através de uma webtv, que é um site da internet que transmite programas de televisão. Qualquer um pode montar uma webtv sem ter que disputar uma freqüência concedida pelo governo.


Para ter acesso à televisão digital os usuários nas grandes cidades podem escolher o sinal aberto recebido via antena ou o sinal por cabo e telefone (banda larga) para visualização num monitor acoplado a um computador.


O usuário é que terá a palavra final sobre quando e onde vai sintonizar a TV digital. Pode então surgir uma situação curiosa e que não está sendo levada em conta nos debates sobre a nova TV.


O usuário poderá assistir à TV digital, na sua sala de estar, da mesma forma que utiliza o seu receptor analógico atual porque o que ele quer é entretenimento, quer ver novelas, um filme, uma partida de futebol, um show e por aí vai. Ele quer sentir-se num cinema, num teatro, num estádio ou num espaço musical. Este é o espaço onde a família e os amigos se reúnem para assistir juntos a um mesmo programa.


Quando o usuário desejar interatividade, muito provavelmente vai para o seu computador, onde ele adota uma postura diferente do sofá da sala. É natural, porque manipular um mouse e um teclado é muito mais cômodo numa cadeira ou poltrona de escritório. Além do mais, a interatividade é quase sempre uma atitude individual. Vai ser muito difícil alguém tentar acessar a conta bancária na TV da sala de jantar enquanto o resto da família quer ver novela, filme ou um jogo de futebol.


Quando se leva em conta todos estes fatores percebe-se que a discussão sobre canais digitais na verdade pode tornar-se inócua porque a ampliação da malha de banda larga para uso por computadores pode resultar tão ou mais importante do que toda a complicada divisão de freqüências entre emissoras de TV, grupos de comunicação, organizações da sociedade civil e governos.


Se o mesmo sinal que serve para fluxo de dados também pode ser usado para transmitir imagens de vídeo, então é preferível ampliar a rede de banda larga porque ela é estrategicamente mais importante na medida em que é uma alavanca de crescimento econômico.


Uma internet rápida, democrática e barata é essencial para a indústria, comércio, agricultura, ensino, pesquisa e setor de serviços. Mais ainda quando se sabe que a tendência no universo da comunicação é a convergência de meios, na qual a televisão acabará se combinando com a comunicação textual, com o rádio e com os sistemas interativos.


Ao pensar na televisão pública, não se pode deixar de lado este contexto, porque são grandes as possibilidades de que muitos dos pontos que hoje dividem opiniões tornem-se obsoletos com o avanço das tecnologias e a redefinição dos comportamentos do público.


Enquanto brigamos por freqüências, as empresas de telecomunicações e os conglomerados de comunicações monopolizam a rede de banda larga da internet e freiam a democratização deste espaço que é muito mais estratégico para o desenvolvimento do país e de todos nós.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/06/2008 Wilson Esprag

    Há um grande erro de raciocínio nesta matéria:
    Um transmissor de TV Digital pode transmitir um sinal para milhões de receptores simultâneamente sem qualquer perda de aficiência.
    Já um servidor de internet possui grandes limitações com relação ao número de equipamentos que podem conectar ao mesmo tempo.
    Torna-se quase impossível a existência de muitas emissoras de TV na Internet com milhões de pessoas assistindo, fora o tráfego normal da rede que já está chegando ao limite.
    Uma prova disso são os últimos dias do prazo da declaração de imposto de renda em que o site fica tão conjestionado que até ‘trava’ imagine então se fossem sinais de vídeo então.
    A solução seria um aumento brutal da velocidade da internet da ordem de muitos milhares de vezes (talvez daqui à 50 anos quem sabe…).

  2. Comentou em 11/07/2007 gilberto 1234

    e as novas web tv e que podem ser captadas em canal aberto
    ja assisti tv alltv em canal aberto
    acho que alguem conectou o computador em algum transmissor
    de vhf

  3. Comentou em 09/06/2007 Marcelo Schneider

    Prezado Jornalista, é com muita satisfação que anuncio a mais nova mídia do Estado de Pernambuco e do MUNDO. Trata-se efetivamente da primeira TV via internet deste estado e do Nordeste, a qual está ‘no ar’ há aproximadamente 15 meses. A http://www.tvpernambuco.com conta com uma programação própria, variada e também com hospedagem de programas externos, bem como curta-metragens. É importante salientar que vencemos muitas barreiras tecnológicas, apesar dos meus 26 anos de experiência em tecnologia e também com a falta de provedores de internet ditos ‘decentes’ em Pernambuco . Além dessas barreiras, estamos conseguindo aos poucos, patrocínios em nossa grade de programação, bem como comerciais, vencendo muitas dificuldades de entendimento por parte das mídias convencionais, as quais nos enxergam como ‘concorrentes’, e não como parceiros, pois já atingimos o patamar de 20.000 visitas ao dia, sem que os principais jornais deste Estado permitissem a publicação de sequer uma linha, paga ou não, de publicidade e, tendo participado de várias reuniões e congressos onde se discutem a mesmície e a insatisfação do meio por as ‘vendas estarem caindo’ ou ‘por que será que ninguém nos houve?’, claro que sem levar em conta as mudanças mundiais desses últimos 10 anos. Gostaria de poder divulgar as minhas experiências, pois dessa maneira, poderemos ser enxergados como mais uma crescente e fortíssima t

  4. Comentou em 09/06/2007 Marcelo Schneider

    Prezado Jornalista, é com muita satisfação que anuncio a mais nova mídia do Estado de Pernambuco e do MUNDO. Trata-se efetivamente da primeira TV via internet deste estado e do Nordeste, a qual está ‘no ar’ há aproximadamente 15 meses.

  5. Comentou em 18/05/2007 Clovis Segundo

    É muito mais fácil obtermos a democratização do acesso a internet do que democratizar as conceções de rádio e TV. Explico.

    O serviço de internet é menos regulamentado do que o uso de radiofrenquencias, qualquer empresario pode abrir um Provedor de internet e ofertar serviços com tecnologia que pode ser comprada no Mercado Livre (ML). Acredite, no ML vende Kit Provedor de Internet.

    Já as conceções publicas de radio frequencias não são vendidas no ML…

  6. Comentou em 17/05/2007 Cíntya Feitosa

    Prezado Castilho,
    Muito boas as suas colocações. Realmente os projetos de TV pública e de TV digital deixam várias questões sem resposta. Além da questão de uma atividade que, ao meu ver, é pirataria, fica no ar a dúvida sobre a democratização dos meios de comunicação. Num país em que milhares de pessoas sequer foram convidadas a participarem do mundo digital, como implantar algo tão inovador?

  7. Comentou em 17/05/2007 Rogério Kreidlow

    Castilhos, uma reflexão indispensável a sua. E que, penso, talvez só os ‘grandes’ (governo, empresas de telecomunicação, etc.) – os que insistem em achar que Web é coisa de adolescente nerd – não querem adotar. Infelizmente, somos reféns de linhas telefônicas de má qualidade, conexões que caem constantemente em diversos pontos do país (e vai reclamar com o monopólio de uma Brasil Telecom, haja paciência…), com a falta de acessos à banda larga (às vezes, até ao telefone e, pior ainda, à energia elétrica, em várias localidades). Talvez o caminho não seja discutir TV Digital, mas sim MEIOS digitais de transmissão de informação – porque, como dizes, cada vez mais tendemos a um hidridismo (num blog já é possível linkar um arquivo de áudio, um vídeo do Youtube, uma foto do Flickr, até algum tipo de vídeo streaming, ao vivo, de maneira muito fácil). O fato é que nem os serviços da Receita Federal – um dos mais acessados do país – são melhorados. Prover maior largura de banda e um servidor melhor para serviços públicos deste tipo já seria um começo… Em último caso, vamos aprendendo com os erros: primeiro os mandantes adotam a TV Digital (enchem os bolsos de companhias japoneses) e depois percebem que falta linha telefônica de melhor qualidade (e aí enchem, mais uma vez, os bolsos de japoneses, espanhóis, italianos ou quem fizer o melhor negócio)…

  8. Comentou em 17/05/2007 Erik Stein Bernardes

    Completamente pertinentes os comentários dos colegas que questionam a qualidade e quantidade do acesso a internet banda larga. Porém uma dúvida surgiu ao ler o texto e os comentários relacionados. Isso não abre precedente para supostas acusações de pirataria, como o que ocorre nas rádios que funcionam sem concessão?

  9. Comentou em 16/05/2007 manifeste -se

    Caro Carlos Castilho,
    esta tarde tomamos a liberdade de publicar parte de seu texto (com seu nome e link para esta sua pagina-fonte) no blog do projeto ‘MANIFESTE-SE…’ (www.manifesto21.com.br), pois toca em questões muito relacionadas ao desenvolvimento técnico e conceitual deste trabalho que é o embrião de uma possível web-tv civil (pública, livre e independente), há um ano existente, com transmissões das ruas de São Paulo para a internet.
    Agradecemos então a escrita precisa deste seu artigo e dos comentários que dialogam mto com questões que temos apresentado nas atividades educativas complementares ao projeto.

  10. Comentou em 15/05/2007 Pedro Moura

    Se o governo está atrasado em matéria de tv pública convencional, muito mais em relação à webtv. Mas concordo com o fato de que a banda larga não é um realidade para a maioria da população e que uma poliítica de inclusão nesse sentido é importante, o que não impediria de já termos um programa de acesso a conteúdo nacional das fontes de produção independente, cuja plataforma poderia advir do braço online da Rede Pública de TV. Questão que pode suscitar novo Fórum…

  11. Comentou em 15/05/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Gostaria de ser tão otimista. A realidade, entretanto, não o permite. O número de brasileiros conectados à Internet ainda é pequeno. Dentre os conectados os que tem uma conecção de banda larga (indispensável para assistir TV na rede) são a minoria. Quando baratear o custo das conecções de banda larga e os computadores estiverem definitivamente nos lares dos brasileiros teremos o que comemorar. Antes disto, só podemos especular. Ontem no consultório do meu dentista ví uma estatistica que revela a triste realidade deste mundão brasílico: 85 milhões de brasileiros não usam escovas de dentes. Quantos dentre estes mesmos 85 milhões usam compuradores ou tem conecção de banda larga?

  12. Comentou em 15/05/2007 Victor Hugo Pereira Gonçalves

    Prezado Carlos Castilho,

    Há anos que defendemos esta tese na ABUSAR (www.abusar.org), Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido. Nós lutamos pela difusão a todos os rincões deste país de acesso à internet via banda larga em todas as suas variáveis tecnológicas. Contudo, sofremos com a falta de regulamentação pela ANATEL e pelo abuso de posição dominante por parte das empresas de telecomunicações, que impingem os usuários com preços exorbitantes para serviços de péssima qualidade. Aproveito o ensejo para cumprimentá-lo pelo texto e pedir uma autorização sua para publicá-lo no sítio da ABUSAR, o qual temos mais de 18,5 milhões de acessos em menos de 4 anos.

    Um grande abraço,

    Victor Hugo Pereira Gonçalves

  13. Comentou em 15/05/2007 Carioca moreira

    Castilho, você tocou no ponto que eu acho decisivo nessa história e que o governo parece não querer ver: o consumidor. Ele vai querer ver essa TV? Na discussão da TV pública o representante do MinC (Juca Ferreira) colocou muito bem a sua opinião mostrando que a opção pela internet é muito boa mas precisamos produzir o conteúdo com olhar brasileiro e fala brasileira. Eu tiro por mim, as horas que eu passava na frente da TV foram substituídas 80% pela WebTV (Youtube, portal Globo.com, e agora temos o Joost com uma qualidade de imagem do nível de uma TV). Mas, ainda falta na web produções em Português. Se o conteúdo da TV pública ou mesmo das TVs privadas migrar pro formato web, aí sim poderemos ter opções de escolha em nossa língua.

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