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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Além das notícias, é essencial avaliar também a agenda da imprensa

Por Carlos Castilho em 12/11/2005 | comentários


A crise da imprensa não se limita à as dificuldades enfrentadas pelo atual modelo editorial e comercial dos jornais. É também uma crise de agenda informativa, algo que só uns poucos jornalistas e nenhum jornal se deram ao trabalho de analisar.


A construção da agenda dos jornais, ou seja, a relação de temas que são cobertos pelos repórteres e comentaristas, está intimamemente ligada ao jogo do poder político e econômico, há muito tempo. É uma relação tão estreita que chega a parecer simbiótica, tal a dificuldade dos profissionais assumirem a necessária distância para avaliar o tema, com um mínimo de objetividade.


Se formos analisar a agenda da imprensa brasileira a partir de junho deste ano veremos que a crise do mensalão e seus escândalos correlatos foi o prato diário servido compulsoriamente aos leitores, ouvintes, espectadores e internatuas por quase todos os jornais, revistas, emissoras de radio, televisão e os blogs na internet, no país.


A crise é de inegável importância porque alterou os destinos de um governo federal e consequentemente afetou também os interesses da opinião pública. O problema não está aí mas sim na obsessão da imprensa em analisar a questão pelo ângulo dos interesses político-partidários e não pelas consequências para os cidadãos comuns, relegados a condição de expectadores.


A internet contribuiu muito para pôr em evidência esta dicotomia porque deu voz a um segmento (ainda ínfimo) da população brasileira como se pode ver nos comentários de internautas aos textos postados nos weblogs de profissionais e de amadores que trabalham com informações politicas.


A questão da agenda da imprensa já é há anos um assunto estudado por investigadores acadêmicos, especialmente nos Estados Unidos onde é o Agenda Setting Process é muito popular nas escolas de jornalismo.


Atualmente a crítica da mídia concentra-se basicamente nos processos utilizados pelos profissionais da informação para os temas em destaque. Mas a forma como os temas são selecionados para a cobertura, a chamada agenda ou pauta, passou a ser tão ou mais importante do que a avaliação do produto final publicado.


A análise da agenda ou pauta revela interesses, beneficiados, prejudicados, causas e consequências. É a chamada contextualização da notícia, o processo que ganhou uma relevância enorme diante da avalancha informativa deslanchada pela internet. É tanta notícia que, na falta de contextualização, elas acabam perdendo relevância.


Por isto a preocupação com a agenda passou a ser um item essencial para o cidadão comum, porque só assim ele consegue vislumbrar quais são os interêsses dos vários lados envolvidos numa crise como a do mensalão. Como a imprensa está mais preocupada com os atores políticos na briga pelo poder em Brasília, o leitor,ouvinte, espectador ou internauta sente-se abandonado e perde a confiança nos jornais, revistas e emissoras de televisão.


Esta não é a única causa do descrédito, mas fenômenos como o comportamento dos eleitores no recente referendo sobre comercialização de armas mostram como as pessoas passsaram a ignorar a agenda da mídia, dos partidos, do governo e até dos formadores de opinião.


A questão da agenda da imprensa passou a ser importante demais para ser discutida apenas pelos acadêmicos.


 Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 14/11/2005 David Alves da Silva Silva

    É lamentável!!!!!

    Código de Processo Penal brasileiro está sendo rasgado pelas rixas políticas dos nossos representantes e com aval de algumas instituições do nosso pais.

    Ao assistir as oitivas das CPIS, a gente fica perplexo com as mesquinharias de alguns parlamentares que se põem acima as suas vaidades pessoais transformando as coisas sérias em deboches, com piadas de mau gosto e pré-julgamentos autoritários com a falta de respeito confundindo o povo sobre o juízo de valores morais e éticos.

    Pelo o que estou vendo é uma barbaridade, parlamentares que agridem cidadãos com um rompante de que ele é mais importante do que os outros por ter as suas prerrogativas de imunidade parlamentares de falar e abusar com qualquer que seja o indiciado. Esse filme já vi 30 anos atrás na minha região, onde um promotor usava esses mesmos métodos e cujo o seu destino foi sentar-se ao lado direito do Rei e dos Príncipes das trevas.
    Do jeito que está a tendência é piorar.

    A imprensa irresponsável também tem culpa no cartório, são instituições que visão somente o lucro, não importa as consequencias.

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