Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Amadores usam incêndios na Califórnia para marcar presença na mídia

Por Carlos Castilho em 25/10/2007 | comentários

Os incêndios florestais que estão atingindo o sul da Califórnia acabaram se transformando num laboratório para a aplicação das mais modernas técnicas de comunicação jornalística.


 


Os jornalistas independentes e os cidadãos comuns surgiram como os grandes protagonistas de uma avalancha de informações sobre um problema anual, mas que este ano se transformou numa tragédia de grandes proporções por conta de uma seca prolongada e calor intenso.


 


As grandes estrelas do noticiário sobre os incêndios foram o Twiter, ou blog instantâneo, e os mapas personalizados, também conhecidos como mash ups, com base em imagens do Google Earth.


 


Várias emissoras de televisão, como a KPBS  e páginas noticiosas online da Califórnia atualizam permanentemente as informações sobre o avanço do fogo usando informações curtas (de no máximo 150 caracteres) enviadas por usuários do sistema Twiter. O material pode ser enviado por computador ou por mensagens via telefone celular.


 


Já o sistema dos mapas é mais sofisticado e permite que pessoas mais criativas produzam trabalhos como o de Bruce Henderson, residente em Ruby Valley, cujo blog And I Still Persist , oferece uma coleção de mapas onde é possível ter uma visão panorâmica do incêndio na região. Este tipo de material é essencial para as autoridades, porque a fumaça impede fotos aéreas. 


 


A página de jornalismo colaborativo NowPublic criou um seção especifica sobre o fogo no sul da Califórnia, contando com material produzido pelos próprios moradores, enquanto o site Flickr recebe uma avalancha diária de quase 200 fotografias publicadas por amadores e profissionais.


 


Segundo a critica de mídia Amy Gahram quase 300 blogs pessoas surgiram desde o inicio dos incêndios florestais no sul da Califórnia, há duas semanas. Alguns destes blogs, como o produzido por Michael Barboni chegam a ter 50 mil visitantes diários.


A ânsia por publicar informações contagiou até os profissionais que além da cobertura para jornais, rádios e televisões criaram blogs pessoais como foi o caso do repórter, Adam Housley , da rede FoxNews.


 


As emissoras de televisão acabaram tendo problemas com a sobre oferta de informações e tiveram que rejeitar muito material por falta de espaço na programação. A alternativa foi desviar boa parte do material para suas páginas na internet, como foi o caso da FoxNews.


 


O jornal San Diego Tribune desenvolveu um blog especial só para ajudar as pessoas a trocar informações sobre ajuda mútua no caso dos desabrigados. O mesmo jornal criou um canal de rádio via Web para que as pessoas busquem notícias sobre parentes e amigos que tiveram que abandonar suas casas.


 


A cada nova grande tragédia fica claro como a informação passou a ser uma das ferramentas cruciais em matéria de socorro à vitimas. Outro fato novo ficou evidente agora na Califórnia e que não ocorreu no caso do furacão Katrina, é a crescente descentralização da ajuda às vitimas.


 


Usando ferramentas de comunicação, as comunidades passam a desenvolver suas próprias soluções em matéria de socorro, evitando a dependência do auxílio governamental.

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  1. Comentou em 26/10/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Em seu livro JORNALISMO E DESINFORMAÇÃO, que tive a oportunidade de resenhar aqui no OI, o jornalista Leão Serva refere-se à imprensa com uma expressão mais ou menos assim ‘esta necrofila sedenta por cadáveres’. Não tenho o livro aqui comigo, mas me parece que ele usou esta expressão em razão da violência e a tragédia estarem no âmago do trabalho jornalistico (certamente porque vendem jornais). Você disse que os amadores fizeram a cobertura do incêndio para se destacar na mídia. Devo concluir, portanto, que os amadores estão aprendendo o ofício dos jornalistas. Me pergunto, então: Isto não vai empobrecer a riquesa de sua colaboração no contexto da web? Afinal, os jornalistas já fazem jornalismo e os amadores deveriam fazer algo diferente. Se os amadores quiserem se diferenciar dos jornalistas se igualando em jornalismo me parece que perdem sua própria identidade. Ponto para os jornalistas, que certamente preferem a concorência de outros jornalistas do que o incomodo provodado pelos amadores.

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