Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Arigatô, Fernandoro

Por Luiz Weis em 28/05/2005 | comentários

E ainda falam mal do “off”!


 


Não fosse(m) a(s) inconfidência(s) sem identificação do(s) inconfidente(s), o repórter-colunista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, não teria podido emplacar o que mais vale a pena ler nos jornais de hoje.


 


Sob o título “Quando Lula fala”, o enviado especial à Coréia e ao Japão conta e comenta no seu espaço na página 2 afirmações do presidente em um “jantar toquiota”,  na casa do embaixador, ontem. Era um jantar só para brasileiros – e por isso “Lula se soltou”.


 


Solto, porém pesado, o presidente falou palavrões e palavras chulas, uma delas lançada em direção ao governo chileno, outras mais “leves” sobre a Argentina, apurou Fernandoro, ex-correspondente da Folha em Tóquio.


 


Ainda segundo ele, o presidente “atacou pelas costas pelo menos um jornalista”. Não foi a primeira nem será a última vez. E estou para conhecer presidente, governador, prefeito e outros menos votados que nunca o tenham feito. De um deles, ouvi sobre Fernandoro o mais agressivo dos xingamentos.


 


O pior, do ângulo do seu desdém pelo dever de se comunicar com o país, respondendo a perguntas de jornalistas, foi a confissão de Lula de que não estava com vontade de ser sabatinado pelos repórteres que o acomapanham. “Amanhã, se eu estiver com vontade, eu falo”, teria dito, segundo Fernandoro apurou junto a comensais (deputados e outros).


 


OK. Lula provavelmente estava cansado da viagem, talvez ainda sob os efeitos do jet-leg e com toda a certeza estressado pelo ippon sofrido por seu governo no caso da CPI dos Correios. Vai ver também que havia mais do que água mineral na mesa do ágape. Seria apenas de rigueur servir ao excelentíssimo senhor presidente da República o melhor saquê que a verba de representação da embaixada pudesse comprar.


 


Mas é o tal negócio: quem fala o que quer acaba lendo o que não quer. Lula já tem idade – e janela política – para saber disso.


 


E o leitor, que raramente tem ocasião de saber o que os poderosos falam quando imaginam que a conversa ficará só entre eles, deve curvar ligeiramente o tronco e dizer: Arigatô, Fernandoro.

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