Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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As duas imprensas do presidente

Por Luiz Weis em 23/05/2008 | comentários

Como é mesmo?


Na terça, 20, o presidente Lula disse em discurso:


“Nem sempre a imprensa diz tudo o que está acontecendo no Brasil. Às vezes, se a gente quiser saber mais a gente lê a imprensa internacional, que fala bem. Nunca vi como a imprensa espanhola, alemã, americana, inglesa gosta tanto do Brasil. A nossa demora mais para enxergar.”


Nesse dia, o Estado noticiou:


“O governo brasileiro vai gastar R$ 15 milhões anuais para divulgar o país nos Estados Unidos, na União Européia e na Ásia. […] O governo pretende manter uma estrutura permanente de comunicação no exterior para fazer relações públicas do Brasil com a mídia local. […] Hoje, o corpo diplomático do Brasil já desempenha esse papel de relações públicas no exterior.”


Vai ver o Planalto acha pouco a imprensa internacional “falar bem” e “gostar tanto” do Brasil. Decerto precisa falar mais bem ainda e amar o país para, segundo a matéria do Estado, atrair investidores grandes, médios e pequenos, além dos fundos de pensão.


Como se esse pessoal, qualquer que seja o seu peso e tamanho, não lesse o que “a imprensa espanhola, alemã, americana, inglesa” publica sobre o país nas suas páginas econômicas – e é nelas que o presidente estava pensando. Mas passemos.


Importa registrar que, parecendo vestir a carapuça, a imprensa – a nossa, que “demora mais para enxergar” – se limitou a transcrever a crítica de Lula, não ajudando o leitor a enxergar o outro lado.


Por exemplo, as reportagens e artigos do exterior que expõem os fracassos da política ambiental brasileira nestes tempos de calamitosas mudanças climáticas ou focalizam aspectos da barbárie cotidiana em que estamos mergulhados.


Do ângulo do jornalismo, há outra questão ainda – ou pelo menos uma hipótese. Nos países de imprensa livre e competitiva, a mídia local tende a ser mais crítica dos governantes, no dia-a-dia, do que a estrangeira, que obviamente desse varejo não se ocupa.


No caso brasileiro, o presumível padrão se acentua por duas razões básicas que se combinam entre si.


A primeira, do lado de cá do balcão, é a aversão ideológica do baronato da comunicação pela nova elite do poder. É bom ressaltar, aliás, que a mudança da guarda em Brasília a contar de 2003 é a maior de que se tem memória – em termos das origens sociais dos estratos dirigentes e dos escalões superiores da burocracia – desde a Revolução de 1930.


A segunda razão, do lado de lá, é que o PT-governo e os seus aliados – com o que convencionaram chamar, no geral, “erros”, ou, no específico, “erros administrativos” – dão matéria-prima suficiente para justificar, a posteriori, a antipatia de parte da mídia.


A diferença entre o agora e o antes não vem necessariamente, nem principalmente, dos índices de malfeitorias dos poderosos de turno. Está na atitude de amplos setores da imprensa em face delas. Dito de outro modo: mesmo pelos motivos errados, a mídia está certa em ser dura com o atual governo; errada era a sua complacência com as gestões Fernando Henrique.


P.S.1 O IHT ‘furou’ o NYT


O New York Times deste sábado publica uma das tais matérias de encher os olhos do presidente Lula: ‘Boom times for Brazil´s consumers‘ (Tempos de bonança para os consumidores brasileiros).


Começa assim: ‘Os consumidores nos Estados Unidos estão apertando os seus cintos; os brasileiros estão gastando como se a palavra recessão não existisse em português.’


A matéria está nos sites noticiosos brasileiros do dia. Detalhe: ela já tinha saído duas semanas atrás numa das edições européias do International Herald Tribune. Sem problemas: o IHT, editado em Paris, pertence ao New York Times, que lhe repassa as matérias de sua equipe.


P.S.2 O problema não são as “idéias”


Na sua coluna de sexta na Folha, o ex-presidente José Sarney escreve que “a América profunda” não aceitará facilmente as “idéias” do provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama.


Idéias?


O que a América profunda não aceita é a idéia de um presidente negro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/06/2008 acreucho nascimento

    Meu Caro Weis, recebi uns comentários mal educados de alguns de seus ‘educados’ leitores e comentaristas, só pude lê-los hoje, não me importo com suas críticas, pois, vêm de pessoas que não tem cacife pra criticar ninguém. São apoiadores e certamente cabideiros desse desgoverno que aí está.
    Minha resposta é a seguinte: Pra povo do PT, nem perco meu tempo respondendo nada…por favor senhores, abstenham-se de ler as coisas que escrevo, são para pessoas inteligentes…

  2. Comentou em 31/05/2008 Luiz Domingos de Luna Domingos de Luna

    O Poder
    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaurora.com

    Força de ação
    Do bem ou do mal
    Ponto temporal
    Sociedade –Ligação

    Da visão conjunta
    O desenvolvimento
    Luz do talento
    Liga que betuma

    Da visão individual
    Dor que atormenta
    A sociedade lamenta
    O cheiro do mal

    Sem o deslumbre
    Compromisso na mão
    Povo, cidade, nação
    Sol, luz, vaga-lume

    Quando o ego se projeta
    Nasce o tirano
    Não existe humano
    Cinza que inquieta

    A sociedade agonizada
    Ferida cambaleante
    A certeza do errante
    Civilização estagnada

    O poder é entre
    Espaço tempo
    Luta a todo O Momento
    Entre, saia, sempre.

  3. Comentou em 25/05/2008 Lucrécio Rocha

    Prezado Luiz Weis,

    Sinceramente eu acredito que você não estava com o raciocínio lógico, quando escreveu este post. Para mim Weis, já antes das eleições se percebia os ataques. E após a posse não houve um dia de trégua. Não quero me alongar. Mas esta sua frase ‘…mesmo pelos motivos errados, a mídia está certa em ser dura com o atual governo; errada era a sua complacência com as gestões Fernando Henrique’, deixo-me em estado de estupefação. Se eu entendi ‘mesmo pelos motivos errados, a mídia está certa em ser dura com o atual governo. Sinceramente, no dia que você escreveu este texto, estavas em outro planeta. Abraços!

  4. Comentou em 25/05/2008 Eduardo Guimarães

    Pior do que a complascência com FHC é a complascência com Serra, Alckmin e Kassab. O caso Alstom deveria estar nas principais manchetes dos jornais todos os dias. São centenas de milhões de dólares. Os tucanos de São Paulo deveriam ser chamados a dar explicações diuturnamente sobre as polpudas doações da multinacional às suas campanhas. A Folha me sai com uma doação de 8 mil reais à campanha de Lula por uma subsidiária da Alstom, doação a um político que não teve poder de lhe facilitar os ‘negócios’ E a ‘matéria-prima’ a que você alude, na maior parte das vezes é inventada. O tal dossiê não existe. É uma armação de tucanos. O vazador, Álvaro Dias, é tratado como herói. Enquanto o Brasil consegue o que nunca conseguiu, um crescimento sustentado, diminuição drástica da pobreza, dizem que o mérito é de FHC, que quebrou o país, endividando-o em dezenas de bilhões de dólares, gerando desemprego, desespero, miséria. A mídia brasileira é um partido político. E a mídia estrangeira apenas registra o que a nossa esconde. Aliás, estive na Bolívia há uns dias e descobri coisas sobre o país NA TEVÊ que a mídia daqui esconde. Não precisei nem de reportagem. Foi só ver tevê. Está tudo no blog Cidadania. Se quiser, leia e espante-se como é possível coisas como aquelas , num país vizinho, ficarem escondidas. Cuidado com a credibilidade.

  5. Comentou em 25/05/2008 José Orair Silva

    Segundo o comentarista Acreucho Nascimento ‘todos os trabalhadores, fazem o que seus patrões mandam…não seria excessão para a imprensa internacional.’ Devo então acreditar que os trabalhadores da imprensa nacional também fazem o que seus patrões mandam ou, no caso, deles, deveriamos admitir uma excessão?…

  6. Comentou em 25/05/2008 Marco Antônio Leite

    Senhor Nascimento, saber ler ou não é apenas um detalhe! O Lulla é presidente do Brasil, e o senhor o que é? Não seja preconceituoso a ponto de acreditar que analfabeto não ganho jogo, ganha sim senhor. Basta ver alguns empresários de grande porte que pouco foram à escola, porém ganham muito dinheiro com pessoas ingênuas como o senhor.

  7. Comentou em 25/05/2008 nelson perez de oliveira jr

    Acreucho(????) é o q meu Chará Rodrigues chamava de cretino fundamental. O rapaz q se diz autônomo, deve ser um autômato, se pergunte autonomamente se o homem q inventou a roda leu isto em algum lugar. Sua (do acreucho) noção de cultura e conhecimento é tão estreita que deveria ser medida em angstrons. O senhor deveria saber q existe uma leitura do mundo e até do comportamento das pessoas. Meu amigo, as maiores empresas do mundo foram criadas por homens q não foram à escola para aprender a administrar e fazer negócios e não podem ser considerados incultos. Eu posso garantir q LULA é muito mais culto, educado e tolerante q acreucho e de quebra é PRESIDENTE DO BRASIL, a INVEJA É UMA M……

  8. Comentou em 24/05/2008 Jose de Almeida Bispo

    Complacencia com as gestões FHC, não meu caro Weis, o baronato da mídia ainda continua como se o presidente fosse FHC (que quebrou o país três vezes e quebrou parte deles também) e o Lula fosse um impostor que não perde por esperar a hora de ser escorraçado. É impressionante o ranço de velha escravocracia desse pessoal. É o PIG, Partido da Imprensa Golpista, algo meio surreal, senão pardoxal, mas que é, é! Quanto às declarações presidenciais, nem sapo aguenta tanta pancada sem dar um pio. Ninguém é de ferro. Quanto aos despeitados, como se diz no meu Nordeste, é dos inchados que o urubus gostam.

  9. Comentou em 24/05/2008 acreucho nascimento

    Será difícil para o Lula ler as notícias publicadas nos jornais internacionais, ele mal lê Portugues, imaginem em Ingles, Alemão, Frances, Italiano, Espanhol…
    Dizer que os jornais internacionais, ‘falam bem do Brasil’, isso é do interesse deles e de suas economias e são pagos para isso, como os jornais nacionais, que vivem das espensas governamentais, os que nada ou pouco recebem, falam mal…
    Aqui no Acre, por exemplo, só se consegue comentar as coisas erradas do governo, na Internet, nos jornais diários, não sai nada, só elogio…todos os trabalhadores, fazem o que seus patrões mandam…não seria excessão para a imprensa internacional.

  10. Comentou em 24/05/2008 Ary Nunes

    Porque esse observatório não muda o nome para observatório do presidente? Pelamordedeus,com tantas patacoadas acontecendo na nossa imprensa,em plena luz do dia,e o nobre jornalista se ocupa de pegar no pé do presidente? Globonews e a falsa notícia sobre a queda de uma aeronave; a Folha abaixando as calças para o presidente eleito José Serra e o demoníaco Kassab,elogiando um obra que criticava duramente a tres anos atrás,na maior cara de pau;A atuação mísera do ombudsmann sobre episódio,conforme relatou Eduardo Guimaraes em seu blog,etc e etc…

  11. Comentou em 24/05/2008 Gersier Lima

    Weis, por curiosidade procure saber quanto FHC gastou na mídia do exterior. Não sou contra porque a divulgação do País para atrair turistas e investidores não deve ser considerado como gastos mas sim como investimentos.
    Tem mais a mídia tupiniquim faz questão de ignorar as coisas boas que estão acontecendo no País,se apegam a sua pequenez,a insinuações.Transformam planilhas em dossiês,tapetes incendiados em aviões que caem em cima de prédios,bio-combustível em vilão da inflação ignorando a elevação record do barril de petróleo.Teve até um que teve o descaramento de escrever taxando a Ministra Dilma de nervozinha só porque ela enfrentou a altura aqueles que acharam que ela fosse se intimidar com suas picuinhas.
    Outro exemplo vergonhoso. Quem viu as matérias sobre o falecimento do Senador Jefferson nas emissoras de TV nos noticiários noturnos viram a diferença.Enquanto a Rede Record mostrava a sua coerência, a Band e a Globo fizeram questão de mostrar ele falando sobre políticos do PT.Desrespeitosamente usaram a morte do ilustre Senador tentando atingir mais uma vez o Governo.
    Esconderam que ele apoiava a CPMF. Esconderam a fala em disse que alguns eleitores enviaram e-mails ameaçando não votar mais nele por sua posição.A esses, respondeu ele, “dispenso seus votos porque ele estava preocupado era com o Brasil.

  12. Comentou em 24/05/2008 Marcos Chaves

    Em relação a mídia: a) ela é elitista e interesseira (publicidade); b) se o governo, seja ele quem for não os adular, certamente terá esse meio de informação como adversário por conveniência; c) até onde sei, o setor de comunicações (mídia de um modo geral) é concessão do Estado, portando é público, apesar de no Brasil o público se confundir com o particulara/privado. Seria interessante termos uma mídia independente, imparcial, informativa, formadora efetiva de opinião, mas infelizmente não é a nossa realidade. Temos jornalistas, blogueiros, articulistas, ensaísta chapa A, B ou C, quando o momento lhes aprouve. Do meu ponto de vista o governo não precisaria gastar milhões com publicidade aqui ou acolá. Quando faz isso desagrada a um dos lados e por isso, pau nele (no governo).
    Quanto ao candidato democrata americano, suas idéias serão díficeis de serem aceitas pela elite racista mundial, como é o próprio exemplo tupiniquim: o Lula, nordestino, pobre e analfabeto. Barak Obama tem um registro a mais: a cor negra. Lamentável sociedade mundial que não está preparada para diferente, apesar de não sermos tão diferentes assim. Em relação ao democrata, basta ver a cobertura que é feita sobre a campanha do candidato. Ele é colocado em segundo plano mesmo liderando a corrida pela indicação.

  13. Comentou em 24/05/2008 Evandro Trigueiro Tavares

    E aquela história de que o Governo Lula nunca tinha passado por uma crise internacional? E aí, como é que fica?

  14. Comentou em 24/05/2008 alfredo sternheim

    ‘Nem sempre a imprensa diz tudo o que está acontecendo no Brasil’ . E não diz mesmo. Há um evidente partidarismo nos principais veículos de comunicação. A complacência com as 2 gestões FHC que Weis aponta, agora prossegue com os opositores ao governo Lula, enquanto este e alguns de seus ministros são agredidos sistematicamente. Leiam o artigo de Renato Rovai neste Observatório referindo-se a postura do Estadão quanto ao assunto tortura de Dilma. Haja grossura na carta publicada pelo jornal. Já outros poderes, são blindados, geram pouca ou nenhuma indignação. Caso da gastança que ocorre no senado, que tem 129 jornalistas, além de gabinestes inchados e caros, e com funcionário fantasma (filho de ministro do governo Lula) no gabinete de um senador do PSDB que em 4 anos não o conheceu. Haja leviandade. Mas não houve bronca contra o partido. E a ponte que leva o nome do jornalista Frias de Oliveira em SP? Os mesmos jornais que apoiaram o ex-prefeito Serra quando anulou sua construção concebida na gestão Marta, agora derramam elogios. O que era desnecessário virou necessário. Basta puxar o saco dos poderosos da mídia. Se era para mostrar o outro lado, Weis, é preciso mostrar o que nossa imprensa deixa de noticiar sobre o que está acontecendo no Brasil. Regente ganhando salário astronômico do estado de SP, enfim não os erros federais, mas os acertos e erros estaduais e municipais

  15. Comentou em 24/05/2008 ubirajara sousa

    ‘Dito de outro modo: mesmo pelos motivos errados, a mídia está certa em ser dura com o atual governo; errada era a sua complacência com as gestões Fernando Henrique.’
    Ah, ah, ah, ah, ah!

  16. Comentou em 24/05/2008 Ivan Bispo

    E pensar que depois de 200 anos, nossa mídia ainda não assimilou a discursão de política ambiental, por simplesmente faltar-lhe capacidade, profissionais, para inserir a causa.

  17. Comentou em 24/05/2008 Marco Antônio Leite

    Esses países citados pelo escriba, se é que falam bem do governo Lulla, isso cheira interesse econômico. O capitalismo não usa a bajulação como meio de vida, mas sim procura elogiar com o objetivo de ganhar muito dinheiro através de especulação financeira e venda de produtos de consumo imediato de origem duvidosa. Já no Brasil a imprensa não fala sobre as poucas coisas que esse governo tem feito mais especificamente a bolsa-esmola e a cesta-básica bichada, pois se trata de uma imprensa tucana, isso explica o porquê de tantas criticas até certo ponto injusta, contra o Lulla e seus sequazes. O que falta de verdade para essa imprensa ser menos ruim é ter seriedade naquilo que pública, não vale somente pegar o Lulla como boi de piranha.

  18. Comentou em 24/05/2008 José Queiroz

    Entende-se ,ou quer que se passe a entender, que os milhões de reais que o governo está gastando no exterior para divulgar o Brasil, possa ser responsável por tanta notícia boa na mídia internacional.Quanto será que o governo gasta com publicidade aqui no Brasil.Com certeza muito mais.Não tem nada a ver.

  19. Comentou em 23/05/2008 cid elias

    De novo o weis deixa de observar álvaros, alstons, barrigas de globos, folhas e estadões para reencarnar o lamentável papel de observador do Lula. Que coisa…sobre o resultado evidenciando quem foram os responsáveis pela farsa do tal dossiê? nadicas. Sobre o escândalo internacional de corrupção, Alstom/propinas tucanas? nananinanão. Sobre a barriga dantesca da imprensa nativa e sua nova tragédia do avião? pitibiribas. Pelo visto, não só o o weis, mas todos observadores da casa acharam por bem apresentar um ‘desinteresse coletivo’ pelos temas citados, afinal de contas NOS seus discursos anti-Governo Lula e pró-imprensa a qual deveriam observar, não haveria como encaixá-los(os temas), né mesmo?

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