Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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As veias abertas do Tesouro Nacional

Por Luiz Weis em 10/05/2006 | comentários

Destaque nos jornais do dia, as denúncias de Maria da Penha Lino, funcionária do Ministério da Saúde presa em Mato Grosso, são mais importantes pelo que revelam do esquema do sanguessugão do que pelo número de parlamentares e prefeitos envolvidos na mamata – 170 deputados segundo ela.


É possível que ela tenha inflacionado o QC – quociente de corrupção – da Câmara para valorizar a sua colaboração com a Polícia Federal, tirando proveito máximo do arranjo da delação premiada, que lhe proporcionará uma condenação menos pesada do que de outro modo.


Seja como for, 170 são 33% dos excelentíssimos integrantes daquela casa do Congresso. Um em cada três deputados.


A PF, antes disso, tinha vazado 62 nomes [mais o de um suplente e do senador paraibano Ney Suassuna]. É gente de todos os partidos – menos do PT, PC do B e do Prona [cuja bancada se limita a 2]. E de todos os Estados – menos, vá se sabe por que, Rio Grande do Norte.


Os números mostram uma coisa mais óbvia e outra menos.


A primeira é o alcance da disseminação da praga.


A segunda é facilidade com que se arromba o Tesouro quando se juntam os apetites de políticos federais e municipais, funcionários do Legislativo e do Executivo e, naturalmente, negociantes-bandidos [empresários é uma palavra muito solene para eles].


Porque, se fosse difícil, abrir as veias da União seria coisa para poucos – e bons no ramo.


É por isso que insisto em que o desvendamento dos detalhes da engrenagem que lhes permitiu passar a mão em pelo menos R$ 110 milhões tem mais utilidade pública do que apenas a identificação dos quadrilheiros.


Mesmo porque, como escreve hoje na Folha o colunista Fernando Rodrigues, depois de dar uma geral no esquema:


“É complicado? Complicadíssimo. Mas é por aí que se fabricam as maracutaias.”


Agora, Câmara e Senado, para trancar a porta depois de arrombada, parecem propensos a mudar a forma como tramita no Congresso o Orçamento da União, por onde se dá a lambança.


Fala-se em reduzir os poderes e o tamanho da Comissão do Orçamento. Hoje são 81 os seus membros [3 por Estado, mais o Distrito Federal]. Passariam a ser 27. E, principalmente, acabariam as chamadas emendas coletivas, o abre-te Sésamo para a esbórnia.


Só para registro: da reunião em que essas mudanças foram sugeridas, participou o citado senador Ney Suassuna. À Polícia Federal, a funcionária Maria da Penha Lino informou que ele mantinha contatos diretos com ela.


Como diria o Millôr, pano rápido.


P.S.


Da série ‘Vox populi’:


Entreouvido no boteco: ‘Não deve ser verdade que o Garotinho já emagreceu 7 quilos. Vai ver estão roubando no peso.’


***


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