Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Aspas ocultam poder mediúnico da imprensa

Por Alceu Nader em 28/11/2005 | comentários

No post do dia 23 passado, esse blog observou que ‘fontes não identificadas esquentam noticiário e iludem leitor’. O assunto reverberou no espaço do ombudsman da Folha de S.Paulo de ontem, com considerações contra e a favor do uso de fontes anônimas e resvalou sobre certo ‘jornalismo mediúnico’, que traz para a imprensa frases inteiras de autoridades ou personagens de escândalos em ambientes reservadíssimos.

Um truque bastante usado – e que os leitores podem seguir – é que o repórter que revela a intimidade sempre sai de cena, deixando a repercussão da bomba para colegas que não participaram da sessão espírita. É só observar, principalmente no jornalismo político produzido em Brasília.

Uma prova desse exagero pode ser encontrada na revista Veja desta semana, onde as aspas atribuídas ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, durante reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, são diferentes.

Na página 39, na seção ‘Veja essa’, a revista diz que Palocci afirmou:

‘Não aceito ser fritado publicamente. Não serei outro José Dirceu, que foi se esvaindo em sangue, perdeu o poder, o cargo e agora pode perder o mandato’.

Cinco páginas depois, a dramaticidade muda de tom, mas as aspas continuam as mesmas. Disse Palocci, conforme se lê na página 44:

‘Virei o centro das atenções. Administro crise de partido, de governo, de economia, de Ribeirão Preto, tudo publicamente. É demais. Não posso ser fritado. Se for pára virar um José Dirceu, eu saio’.

Fica a dúvida e a escolha múltipla para os leitores saberem qual é a verdadeira frase:

Opção 1: Palocci disse as duas frases reproduzidas na revista. Neste caso, abre-se uma nova frente para futura investigação: sua fixação pelo deputado José Dirceu.

Opção 2: Palocci disse apenas a primeira frase num apelo dramático ao presidente da República, tudo para não ‘virar um José Dirceu’.

Opção 3. Palocci disse a primeira frase, mas depois viu que não pegava bem a expressão ‘esvair-se em sangue’, trágica demais, e tentou aliviar a carga trágica produzindo a segunda versão da frase. Afinal, um médico diria ‘hemorragia’ no lugar de ‘esvair-se em sangue’.

Opção 4. Nenhuma das anteriores. As diferentes versões são resultado de interferências externas ocorridas durante a transmissão mediúnica.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/11/2005 Haroldo M. Cunha

    Chamem o Edir Macedo! Uma boa sessão descarrego poderar exorcisar esses espíritos malígnos. Já ouço aquela frase aos berros: SAAAI DESSE CORPO QUE NÃO LHE PERTENCE!
    O saudoso Chico Xavier, grande alma, poderia checar a autenticidade dessas manifestações e o Padre Quevedo vaticinaria: Esso no ecxiste e posso probar! Gnomos, salamandras, feitiçarias são cosas da imaginacion!

  2. Comentou em 28/11/2005 Jose Ronaldo Gonçalves

    Hum! Hum! Sai prá lá Zifio!!! Deixa o probre do Cabôco fora disso!
    O que as ‘!Veja’ qué é tacar fogo no milharal prá comer milho assado!!!
    Uma coisa é certa: Passarinho que voa com morcego amanhece de cabeça prá baixo…
    Certas manifestações no entorno (e no centro)desta crise indicam um certo comprometimento entre os membros da infantaria. Em suma, todo mundo acha que o Governo já acabou. Móoorreu. Se não me engano a esta hora o butim já está dividido. Quem vai ficar com o quê.
    Torço para istoi não ocorra. Primeiro para eles terminem o que já está bem encaminhado.
    Segundo, só prá ver a cara de alguns artilheiros…

    Saudações

  3. Comentou em 28/11/2005 Jedeão Carneiro

    Liga não, Veja/Abril. Em breve cê vai matar dois coelhos com uma cajadada só. Vende tuas ‘estórias’ prá Globo fazer novela das 7 e saem ambas do atoleiro das dívidas.
    Já tô imaginando:
    ‘O dollar encubado’
    ‘Dim dim d´Angola’
    ‘As FARCatrua’
    ‘A volta dos que não foram’ (ops! este é velho!)

  4. Comentou em 28/11/2005 Paulo de Tarso Neves Junior

    Faltou a opção 5. A frase foi relatada à Veja por um ‘amigo petista’, companheiro desde a infância de Palocci e quase irmão de Dirceu. Ele resolveu contar à Veja porque, como todos sabem, a revista só quer o bem para a dupla.

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