Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Ataque à ‘massa de mentiras’

Por Luiz Weis em 18/05/2005 | comentários

Políticos e jornalistas americanos não se lembram de coisa igual. Suspeito de
participar das multimilionárias fraudes do programa Petróleo por Alimentos, da
ONU, criado para aliviar as sanções econômicas impostas ao Iraque de Saddam
Hussein, o deputado britânico George Galloway, depondo ontem no Congresso dos
Estados Unidos, fez mais do que desafiar rudemente os senadores que o inquiriam
a provar o seu envolvimento no esquema — o que ele nega com toda a ênfase.


Como se estivesse numa manifestação de rua em Londres, desancou de alto a
baixo a política americana em relação ao Iraque e a “massa de mentiras” em que
se baseou a decisão do governo Bush de invadir o país.


A desconcertante agressividade de Galloway — que abandonou o Partido
Trabalhista em protesto contra o apoio do primeiro-ministro Tony Blair à guerra
e fundou uma nova agremiação chamada Partido do Respeito, pelo qual acabou de se
reeleger para a Câmara dos Comuns — deixou boquiaberto o público que lotava a
ampla sala de audiências da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado
americano.


Ele disse serem “falsificações” os documentos que o incriminam, liberados
pelo “governo títere” de Bagdá e divulgados na imprensa americana. Dirigindo-se
ao senador republicano Norm Coleman que presidia os trabalhos, disse que a
investigação era a “mãe de todas as cortinas de fumaça” para “desviar as
atenções dos crimes que vocês apoiaram”.


E investiu: “O que conta não são nomes numa folha de papel. O que conta é
onde está o dinheiro. Quem me pagou centenas de milhares de dólares? A resposta
é ninguém. E se você soubesse de alguém que teria me pago um centavo, você o
teria apresentado hoje aqui.”


Sobre seus contatos com Saddam, foi de uma contundência atroz. “Estivesse só
duas vezes (com ele). Assim como (o secretário de Defesa) Donald Rumsfeld. A
diferença é que Rumsfeld se encontrou com ele para vender armas e eu, para
tentar pôr fim às sanções, ao sofrimento e à guerrra.”


O New York Times qualificou o depoimento como “dramático”. É o mínimo que se
pode dizer de quem foi para cima de Coleman com as seguintesw palavras:
“Senador, confirmou-se que eu estava certo em tudo que disse sobre o Iraque, e
você estava errado. Cem mil pessoas pagaram com suas vidas, 1.600 delas soldados
americanos.”


No Brasil, o Globo e a Folha de hoje ignoraram o evento. Salvou-se o Estado,
que lhe deu título de página inteira, com foto e frases destacadas.


Nos Estados Unidos, o vídeo com as falas mais hostís de Galloway circula a
toda pela Internet.


Está disponível no endereço http://www.washingtonpost.com/wpdyn/content/
video/2005/05/17/VI2005051700710.html?referrer=emaillink
.


É imperdível.

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