Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Aumento dos canais públicos de comunicação reduz o papel da imprensa na mediação entre governo e cidadãos

Por Carlos Castilho em 12/09/2009 | comentários

O recém lançado Blog do Planalto tem pouco de um blog verdadeiro e muito de Blog do Planalto - Home Pageum canal direto de comunicação com o público, diminuindo ainda mais o papel da imprensa como mediador entre governantes e os cidadãos.


 


Na verdade de blog ele só tem o nome e a sistema cronológico inverso de publicação de notícias. De resto é quase como uma agência online de notícias oficiais, portanto não dá para analisá-lo como um blog.


 


O teor das informações, o estilo de texto marcado pelo formalismo jornalístico  e a ausência de comentários de leitores conferem ao Blog do Planalto quase todas as características de um jornal online convencional.


 


Um blog é caracterizado pela linguagem coloquial e informal, pelo enfoque personalizado das notícias e principalmente pelos comentários postados por visitantes, gerando uma interatividade entre autor e leitor que está na origem da formação das redes de troca de informação.


 


O Blog do Planalto  deve ser analisado na perspectiva da presença cada vez maior de canais governamentais de comunicação  direta com o público, a exemplo do que fez a Blog da PetrobrásPetrobrás com o seu blog Fatos e Dados.


 


Não se trata de nenhuma manobra maquiavélica visando a estatização dos meios de comunicação mas a pura e simples utilização dos recursos oferecidos pela Web em matéria de diversificação de fontes informativas. Este é um fenômeno que tende a se ampliar, na esteira de outros projetos como as TVs de órgãos legislativos e dos tribunais de justiça.


 


No passado , a imprensa tradicionalmente assumiu o papel de guardiã da diversidade informativa, dada a pouca disponibilidade de canais de comunicação e ao fato de que o publico deseja noticias isentas e independentes. Acontece que tudo isto mudou depois do surgimento da internet.


 


A diversidade passou a ter sua expressão máxima na rede e não mais na imprensa, que por sua vez passou também a ser questionada em sua isenção, credibilidade e objetividade. Isto reduziu a importância da mídia convencional como instrumento essencial na formação da agenda de debates do público.


 


Este deslocamento do eixo da diversidade informativa gera conseqüências ainda não estudadas pela academia e dissimuladas pelos conglomerados empresariais da mídia. A principal delas é o fenômeno da avalancha noticiosa, criada pela multiplicação exponencial de canais de informação, da qual os blogs são o exemplo mais conhecido.


 


A avalancha noticiosa gerou uma oferta informativa muito maior do que a capacidade das pessoas absorverem estes conteúdos. É o que os especialistas chamam de excedente ou superávit informativo, responsável pela queda espetacular no valor econômico da noticia, seguindo a lei capitalista da relação entre oferta e procura. Os jornais foram os que mais sentiram o preço deste excedente de informação.


 


O excedente informativo gerou não só a valorização de questões novas como a gerência do tempo e da atenção, como abriu espaços para novas estruturas noticiosas, como os agregadores de informação , mecanismos que selecionam, depuram e organizam o conteúdo caótico da avalancha informativa na Web. Também aqui a imprensa convencional perdeu poder e passou a ter que conviver com novos parceiros.


 

A presença cada vez maior dos governos, poderes legislativos e dos tribunais na área noticiosa incomoda a imprensa. Para o cidadão, é mais uma fonte de informações o que gera benefícios, como a diversidade de fontes que permite comparações, e um complicador: mais uma fonte de notícias que exige um posicionamento crítico, já que tanto quanto a mídia convencional, os poderes públicos têm interesses próprios.

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