Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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Blogueiros consomem mais notícias que público comum

Por Carlos Castilho em 20/07/2006 | comentários


Quem diz isto é ninguém menos que o influente Pew Internet & American Life Project numa pesquisa de quase um ano sobre os hábitos de internautas e blogueiros norte-americanos e que foi publicada nesta quarta feira (19/7).


Nada menos que 95% dos 250 autores de blogs entrevistados afirmaram que lêem regularmente notícias online, um percentual muito mais elevado do que a população comum e quase 20% maior do que o dos internautas.


O interessante da pesquisa é que a maioria dos que visitam blogs rotineiramente criaram seu próprio cardápio noticioso, onde os sites de grandes jornais e redes de televisão formam apenas uma metade. A outra metade é formada por outros blogs e páginas de informação alternativa.


Os resultados da investigação mostram também dados não menos surpreendentes, como o fato a juventude dos blogueiros ( 54% tem menos de 30 anos), de não haver grandes diferenças entre sexos e nem entre grupos étnicos. É claro que estamos falando apenas dos Estados Unidos.


Outro elemento que vai alimentar muitas especulações é o fato de nada menos de 77% dos donos de blogs entrevistados produzirem regularmente textos que são publicados como uma forma de realização pessoal, sem preocupação com exibicionismo ou desejo de ganhar dinheiro.


Perguntados se encaravam a sua atividade como uma variante de jornalismo, 35% disseram que sim, e 65% não, indicando que a grande maioria tem claro as diferenças que existem entre estilos de narração. A pesquisa mostrou que 1/3 dos entrevistados admitiu usar técnicas jornalísticas como checagem de informação e diversidade de fontes, na hora de produzir um texto, mesmo nos casos em que de autores de diários e autobiografias.


A pesquisa é riquissima em informações e dados sobre o perfil desta nova geração de produtores de conteudo na web. Uma geração que começa a revolucionar a forma como nos relacionamos com a informação e com os veículos de informação.


Se somarmos o fato de que já existem cerca de 49 milhões de blogs ( ver detalhes no site Technorati) em todo o mundo e que este tipo de página pessoal se multiplica ao ritmo de aproximadamente uma nova a cada segundo, estamos diante de um fenômeno cujo potencial revolucionário em matéria de comunicação não pode ser desprezado.


Não há mais muitas dúvidas de que os weblogs estão configurando uma das marcas registradas dos tempos em que estamos vivendo. Tempos em que pela primeira vez na história da humanidade, as pessoas comum conquistam o poder de publicar, acabando com um monopólio de cinco séculos da imprensa convencional.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/08/2006 Ruy Acquaviva

    Caro Senhor Carlos, O que o Observatório da Imprensa pode dizer de um jornalista que apaga as notícias que divulga. Autocensura ou censura externa? O jornalista Josias de Souza em seu blog na Folha postou uma pequena notinha sobre as fotos do José Serra entregando ambulâncias para sanguessugas (mesmo após ter dito que não havia entregue ambulância alguma). Depois, em uma atitude inédita em blogs de jornalistas, APAGOU o post (que inclusive tratava de outros assuntos) e não comentou mais nada. É como se nunca tivesse existido o post. O Sr. apagaria uma publicação sua sem dar a mínima satisfação a seus leitores, como se não existisse nenhum compromisso com a própria palavra, com os leitores nem com a ética profissional??? Esse assunto é importantíssimo e pertinente ao foco do Observatório da imprensa. Pode um jornalista apagar o que disse sem satisfação alguma aos leitores? Isso não representa desrespeito ao público e falta de ética profissional? O jornalista pode esconder informações já publicadas, como se nunca as houvesse escrito??? Acho que é um fato novo com gravíssimas implicações.

  2. Comentou em 21/07/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Se entendi bem, a pesquisa por você referida revela:- diversificação de fontes, ausência de hierarquia entre fontes tradicionais e alternativas e, por conseqüencia, uma redução da credibilidade das megacorporações de mídia. A tendência revelada na pesquisa é exatamente oposta àquela que se tornou objeto de preocupação dos autores do livro ELEMENTOS DO JORNALISMO ( http://www.midiaindependente.org/es/red/2006/07/357298.shtml ). Em razão disto podemos formular duas hipóteses:- 1º está ocorrendo uma reinvenção do jornalismo e/ou 2º como as as megacorporações de mídia transformaram o jornalismo em marketing e atrelaram a produção e divulgação de notícias aos interesses comerciais, criou-se um vácuo jornalistico que está sendo preenchido pelos ardorosos e verdadeiros defensores do jornalismo (produtores e consumidores de conteúdo).

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