Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Bolívia: deu no New York Times, mas não aqui

Por Luiz Weis em 09/05/2006 | comentários

De preferência nos fins de semana, os mais importantes jornais brasileiros, principalmente o Estado, transcrevem artigos e reportagens do New York Times sobre uma variedade de assuntos, americanos e internacionais.

Fazem muito bem. Alargam os horizontes do leitor com informações e pontos-de-vista que o noticiário cotidiano do exterior nem sempre tem espaço para acomodar.

Pena, portanto, que os jornalões do último domingo tenham ignorado o artigo “All smoke, no fire in Bolivia”, de William Powers, publicado na véspera na página de Opinião do Times.

O autor vive em La Paz. Em breve sairá o seu livro “Whispering in the Giant´s Ear: A Frontline Chronicle from Bolivia´s War on Globalization” [Murmurando ao ouvido do gigante: crônica da vanguarda da guerra da Bolívia à globalização].

O título deixa claro que Powers não é propriamente mais um analista convencional do país que estuda. Um ótimo motivo para ao menos passar os olhos pelas 777 palavras do seu artigo.

Os seus trechos principais:

“Ainda que possa parecer alarmante na superfície, [a nacionalização do gás e petróleo bolivianos], o ato contém pouca coisa, surpreendentemente, para preocupar os Estados Unidos e o Ocidente.

É simplesmente o modo como a democracia às vezes funciona. Mr. Morales, um agricultor indígena aimara, obteve uma vitória esmagadora em dezembro graças à sua promessa de nacionalizar a indústria do gás. Agora ele está cumprindo a promessa feita aos 9 milhões de eleitores do país.

E, da perspectiva boliviana, isso é menos uma nacionalização do que um retorno à constitucionalidade. Segundo a Constituição boliviana, os contratos [que se seguiram à privatização do setor, em meados dos anos 1990] deveriam ter sido aprovados pelo Congresso. Não foram.

Acrescente-se a longa história de maracutaias que acompanharam a privatização de recursos naturais do país [além do petróleo, ouro, prata e madeira], em benefício exclusivo de um punhado de prósperos bolivianos.

Nem essa é uma nacionalização clássica como os confiscos que ocorreram na região nos anos 1950 e 1970. Então por que Mr. Morales recorreu ao Exército [ocupando um campo explorado pela Petrobras? Numa palavra, política.

O anúncio dramático do decreto pela televisão era necessário para aplacar massas de bolivianos radicalizados que exigiam “confisco sem compensação” das companhias.

O que leva a maioria dos bolivianos a apoiar a nacionalização é a aguda frustração com duas décas de fracassadas políticas néo-liberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional, que vinculava a concessão de empréstimos desesperadamente necessários à privatização, redução da dívida e afrouxamento das leis trabalhistas.

Vinte anos depois, o boliviano médio está pior do que antes. As exportações diminuíram. Metade da população vive com menos de US$ 2 por dia.

Alega-se que a nova política só tornará as coisas piores ao afungentar futuros investimentos. Não parece ser verdade. As empresas [alcançadas pela nacionalização] continuarão a lucrar sob as novas regras. Continuarão a ganhar dinheiro.

O maior risco na Bolívia é Mr. Morales ir além do seu mandato democrático e dar uma guinada rumo a um nacionalismo mais extremado, hostil à democracia, que se propagaria entre os vizinhos bolivianos ricos em recursos energéticos. Mas o mundo só pode precipitar um desfecho desses tentando punir Mr. Morales.

O mundo, sendo o que é, precisa de gás e petróleo, e a Bolívia e os seus vizinhos precisamm vendê-los. A Bolívia está apenas batalhando para fazer os mercados funcionar”.

Para ler o artigo inteiro, no original, clique aqui

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 14/05/2006 ubirajara sousa

    Nada como um dia após o outro. Críticas precipitadas merecem reparos. Espero que os seus autores tenham a hombridade de realizá-las.

  2. Comentou em 12/05/2006 JOSE VALMIR ANDRADE

    EU GOSTARIA DE SABER O QUE SE CHAMOU DE EMOCIONALISMO. FOI O QUE OCORREU DESDE 1492, QUANDO, A PARTIR DE ENTÃO, UM GRUPO MOVIDO POR PHATOS (PAIXÃO, EMOÇÃO) INVADIU A AMERICA E ELIMINOU CERCA DE 909 MILHÕES DE NATIVOS?

  3. Comentou em 11/05/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Prezada Claudia, não sei a que suposta literatura você se refere. A verdade é que ao longo de todo esses anos, as tais reformas pró-mercado não tem apresentado resultados satisfatórios no que tange ao atendimento dos direitos básicos das populações despossuídas da América Latina, a não ser que você considere a elevação de São Paulo à posição de nova meca mundial do consumo conspícuo como sendo algo digno do país se sentir orgulhoso, e por favor não me venha com aquelas cosméticas melhoras infinitesimais em índices sociais que volta e meia pipocam na mídia nacional, com o fito de iludir-nos com a falsa idéia de que o país está progredindo em sua luta contra a desigualdade. Tá tudo muito ruim e a chapa tá ficando cada dia mais quente, tá ligada?

    Por outro lado, quando dos sucessivos aumentos das tarifas de energia elétrica praticados pelos governos alinhados com as reformas neoliberais, foi-se dito como uma das razões, a necessidade de se alinhar os preços internos vigentes com os do mercado internacional. Não é muito diferente do que os bolivianos querem não? Podem ter cometido alguns histriônicos excessos, mas nada que um bom e honesto diálogo não possa resolver.

  4. Comentou em 10/05/2006 Claudia Rodrigues

    Será que vc tem idéia do que está falando, Antonio Carlos? Tem noção do quanto o país investiu na Bolívia? Então, para vc, acordos internacionais podem ser descumpridos a hora que uma das partes da negociação simplesmente ‘mudar de idéia’ ou colocar no comando um cocaleiro tentando garantir sua popularidade à custa da exaltação das massas?
    Entenda: ninguém sugeriu que o Brasil declarasse guerra, como fez os EUA em relação ao Iraque, nem invadisse em princípio a Bolívia com tropas militares, como fizeram os bolivianos em relação à unidade brasileira da Petrobras. Ninguém está também questionando o direito de os bolivianos renegociar os valores de venda do gás.
    Sugiro que busque ao menos conhecer e entender o conteúdo da crítica antes de criticá-la.

  5. Comentou em 10/05/2006 Antonio Carlos Tortura

    Desde a privatização das companhias pertroliferas pelo governo de
    Evo Morales ,muita coisa foi dita pela imprensa e pelos blogs a respeito dessa atitude,desde o apoio a medida até a invasão de La Paz-feita por alguns radicais-para tomar o ´´patrimônio nacional´´.
    Ora,o Brasil não é os EUA,nem a Bolívia é o Iraque,até porque não houve agressão territorial ao solo brasileiro,e sim uma expropiação-um ato de soberania boliviana-de uma empresa como outras,que explora petroleo e gás.
    Oque o governo Brasileiro deve fazer é retirar a Petrobrás(como qualquer empresa capitalista faria em caso de estatização)do país,caso as condições para o Brasil não sejam favoraveis.
    ANTONIO CARLOS TORTURA

  6. Comentou em 10/05/2006 Claudia Rodrigues

    Conheço bem o tipo de literatura que inspira essa sua lógica, Mario, mas as massas bolivianas não ‘perderam o juízo’ coisa nenhuma. Não se trata de uma ‘reinvindicação’ do povo, como sugere, e sim de uma atitude do mandatário da nação boliviana para encantar, seduzir as massas e garantir o apoio a seu governo. O movimento não partiu das massas e sim de um governante que encontrou na ação de invadir a Petrobras com tropas militares um apelo às emoções populares para elevar sua popularidade.

  7. Comentou em 10/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Sim, José Valmir, ninguém está questionando o direito da Bolívia renegociar os preços da venda de seus recursos naturais. O que se questiona é o direito de invadir nossa estatal e expropriar seus bens. Aliás, é muito estranha a postura daqueles que antes se mostravam nacionalistas fanáticos, agora simplesmente aceitar que a decisão em favor da Bolívia negligencie por completo nossos interesses. Depois, o povo boliviando não apenas teve seus recursos naturais ‘saqueados’ como se beneficiou dos empregos gerados pela Petrobras. Só que nada disso conta quando se trata de panfletismo emocionalista. Essa é a miséria de nosso país. Estamos condenados ao atraso, até pq a informação que visa fazer um contraponto com as forças dominantes é marcada pelo fanatismo, pelo emocionalismo exacerbado, pela parcialidade absoluta, não expõe os fatos em toda sua abrangência. O que ainda é agravado pela resistência de parcela da população ao acesso a outras fontes de informação, se não mais isentas, ao menos mais matizadas. Não estamos avançando no caminho do progressismo e sim nos tornando um país dominado pelo populismo.

  8. Comentou em 10/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Recuperamos que atraso Haenkel, no governo Lula? Todos os investimentos em exportação de que este atual governo se beneficiou foram feitos na gestão FHC e estão agora indo pro saco. Isso, sim, é que é herança maldita, a que Lula deixará para o futuro. O que está ocorrendo é que o PT fez uma grossa campanha para se firmar no imaginário das pessoas como o único partido de esquerda e que, portanto, pode fazer alguma coisa pelo povo. Contra essa imagem, não há fatos e argumentos realistas que contem. Tudo se resume a emocionalismos, como o que o move a dizer que o governo atual está conquistando nosso lugar de liderança no ranking mundial das nações mais desenvolvidas sem ter idéia do que está dizendo. O Brasil é um dos países que menos crescem em todo o mundo. É muito preocupante a situação em que nos encontramos. O PT estigmatizou seu maior adversário como se representante da ‘direita conservadora’ e assumiu o monopólio do poder no país com um discurso rasteiro de que é o único governo efetivamente popular. O grave em tudo isso é que, por mais falcatruas em que se meta, será sempre considerado uma força em ‘oposição às elites’. Fomos seqüestrados pelo populismo. A partir daí a realidade, os fatos, as realizações são o que menos passam a contar, infelizmente. Pobre Brasil.

  9. Comentou em 10/05/2006 JOSE VALMIR ANDRADE

    Ao ler ‘As Veias Abertas da America Latina’ de Eduardo GAleano, pudi ver o quanto a AL foi saqueada de seus recursos naturais. O pior, os paises que foram mais saquedos, sao os que vivem em maior atraso. A Bolivia foi uma das nacoes mais saqueaadas. Potezi, foi um foico de extação de recursos naturais.
    Acho que é justo a nacionalizacao de seus recurssos natturais. A direita do PFL, já acha que temos que fazer à Bolivia, o mesmo que fizemos com o Paraguai em 1856. O presidente do PFL disse: temos que que tomar uma decisao energica para com a Balivia. O que ele quis dizer com isso?

  10. Comentou em 10/05/2006 Hélcio Lunes

    O problema é de atitude. Governantes tem que ter postura. O gesto dos tres mais um pondo a mãozinha uma em cima da outra, e os tapinhas nas costas, são de revolver o estômago!
    O Presidente Lula mais uma vez mostra o seu despreparo para estar aonde esta. A ignorância do que sejam as relações entre países, a ideologização de atitudes que deveriam ser técnicas, e a confiança de que ‘conversando’, ‘com jeitinho’, tudo se resolve, esconde a incompetência do presidente e o despreparo dos encarregados de assessora-lo na área externa. O Brasil teve uma propriedade sua, e não do povo boliviano invadida pelo exercito daquele país como se os que trabalham nas refinarias (brasileiras e não bolivianas) fossem bandidos, e não existissem contratos a serem respeitados entre países! A reação brasileira foi tíbia e irresponsável, pois o estado deve zelar pelo patrimônio de cidadãos, e empresas, legalmente constituidas naquele país! É revoltante ver os bolivarianos de sempre defendendo a agressão ao Brasil, em nome ‘do sofrido povo boliviano’, esquecendo-se que a Petrobrás pertence ao ‘sofrido povo brasileiro’ e não a meia dúzia de governantes incompetentes e despreparados!

  11. Comentou em 09/05/2006 Julio Pedro

    Em seu surto autista, a Veja dessa semana induz o público a acreditar que a Petrobrás foi expropriada da Bolívia. Do mesmo modo procedeu a Globo, cujos comentaristas estiveram a um passo de exigir a invasão de La Paz. Figuras como Miriam Leitão e Arnaldo Jabor, historicamente defensores intransigentes da entrega do patrimônio público brasileiro, de repente aparecem criticando a diplomacia brasileira por não ser mais firme na defesa do interesse nacional. Hipócritas, não dizem que Fernando Henrique vendeu 59,7% das ações da Petrobrás, sendo 40% para o imperialismo via Bolsa de Valores de Nova York. Não dizem que a dependência do gás boliviano foi criada pelo governo do PSDB. Não dizem que o petróleo brasileiro está sendo leiloado desde o governo anterior até o atual. Não dizem que o preço pago pelas multinacionais pelo gás boliviano é aviltante (US$ 3 por BTU contra US$ 8 no mercado internacional).

  12. Comentou em 09/05/2006 IORGEON HAENKEL

    PAULO AZEVEDO, NO MUNDO EXISTEM 193 PAÍSES, NÓS SOMOS A 11 ECONOMIA DO MUNDO, ÉRAMOS A 8º, MAS O FHC FEZ TANTA CAGADA QUE CÍMOS PARA A 15º E SÓ AGORA NO GOVERNO LULA CONSEGUIMOS RECUPERAR UM POUCO ESTE ATRASO. PORTANTO, CHAMAR O NOSSO PAÍS DE UMA TITICA EM RELAÇÃO ÀS GRANDES POTÊNCIAS, OU É UM QUADRO PATOLÓGICO DE FRACASSOMANIA AGUDA OU MIOPIA CRÔNICA. FRENTE A BOLÍVIA, NÓS É QUE SOMOS UMA SUPER-POTÊNCIA, ALIÁS, SOMOS A GRANDE POTÊNCIA DA AMÉRICA LATINA.

  13. Comentou em 09/05/2006 Iorgeon Haenkel

    Isso só mostra mais uma vez o quanto nossa mídia é maniqueísta. Demonstra também que a postura do governo brasileiro foi mais do que correta, aliás, bastante elogiada pelos jornais espanhóis. Aqui no Brasil grande parte da mídia prossegue com manchetes semelhantes aos discussos da oposição. Muitos propondo até retaliações à Bolivia, corte de relações, o não envio de m noco diplomata à Bolívia. Que me perdoem a franqueza, de uma mediocridade imensurável. Será que daqui há alguns tempos teremos que recorrer a jornais estrangeiros para termos uma noção do que realmente está ocorrendo em nosso país?

  14. Comentou em 09/05/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Fazendo isso, êle vai meramente repetir o que FHC fez quando de sua reeleição, mantendo artificialmente a cotação do real, para fins eleitoreiros. Nada de novo no front.

  15. Comentou em 09/05/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    A meu ver os que criticam os ‘maus modos’ boliviano, partem da presunçosa suposição de que a parte explorada tem que se comportar de acordo com o que o explorador arbitra como sendo a conduta ‘responsável’. Estão acostumados com o que se faz passar por democracia aqui, o país do manda quem pode, obedece quem tem juízo. Pois bem, as massas bolivianas perderam o ‘juízo’ e vocalizaram inequívocamente que índio agora quer mais do que apito.

    Rolei no chão de tanto rir lendo um artigo de um jornalista de tendência tucana que vaticinou que a Bolívia vai ter dificuldades na captação de novos investimentos na área do gás. Basta o Brasil tirar o time de campo e a fila de pretendentes ao espólio deverá estar dando volta no quarteirão do Ministério dos Hidrocarbonetos em La Paz, China comandando o pelotão.

  16. Comentou em 09/05/2006 L. Paulo Azevedo

    É evidente que Lula vai garantir o preço do gás sem aumento até as eleições. Curioso como tem uma certa parcela do eleitorado que vive a demonstrar excesso de ingenuidade pra umas coisas e excesso de malícia em outras.

  17. Comentou em 09/05/2006 L. Paulo Azevedo

    É simplesmente inacreditável que algumas pessoas estejam insistindo em levar a questão para o lado das negociações ainda, a esta altura do campeonato, depois da questão já ter sido tão discutida na mídia. Sei que isso é uma ofensa inominável para a maioria esmagadora dos leitores do Observatório e sei que reagem a esse tipo de ofensa alegando que se trata de uma atitude preconceituosa das elites, mas ainda assim observo: isso é que é ideologismo burro! Taí a falta que faz deixar os bons jornais, entender a questão sem as inúmeras considerações matizadas possibilitadas pelo acesso à informação completa sobre esse assunto. EM NENHUM MOMENTO SE ESTÁ CRITICANDO O DIREITO DE A BOLÍVIA NEGOCIAR O PREÇO DO GÁS. SERÁ QUE ISSO AINDA NÃO ESTÁ CLARO? LEIAM OS JORNAIS! OS BONS JORNAIS! AQUELES QUE OS BOICOTAM ESTÃO PRECISANDO SE INTEIRAR DOS FATOS EM VEZ DE REPETIR DISCURSO, REBATER (DA MENEIRA ERRADA) CRÍTICAS QUE SEQUER ESTÃO SENDO FEITAS.

  18. Comentou em 09/05/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    É, a senzala (no caso a aldeia indígena) tem o desconcertante hábito de, quando faz valer seus direitos, chocar as refinadas sensibilidades dos poderosos acostumados a obter tudo a preço de banana. É consenso na imprensa mundial que os contratos estão com os preços bem abaixo da média internacional. Me faz lembrar de quando Reagan aumentou a taxa de juros dos títulos do tesouro americano fazendo com que o tamanho da nossa dívida externa dobrasse e ninguém aqui deu um pio.

  19. Comentou em 09/05/2006 tony knopp

    Louie – well done – read the article and assumed it would play in the Brasilian press – the question is why not? – be well, be vigilant and be righteous – Tony

  20. Comentou em 09/05/2006 Maria Izabel L. Silva Silva

    OK! Valeu! Interessante!
    Hoje o chanceler Celso Amorim foi ao Senado! Todos os senadores da oposição fizeram as mesmas perguntas, em inissono, alinhadas com a imagem que a grande imprensa golpista quer fazer o povo brasileiro engolir.Foi hilário! A repetição da mesma cantilena desprovida de substancia permitiu que o chanceler nadasse de braçada! Os senadores Saturnino Braga, Pedro Simon e Cristovão Buarque o ajudaram a desarmar o espírito ‘guerreiro’ dos que exigiam um tratamento mais ‘duro’! Duro como cara pálida? Todos viraram ‘nacionalistas’ compungidos de repente como se estivessemos perdendo uma partida de futebol. Perguntem aos empresários paulistas, catarinenses, paranaenses e gauchos e eles dirão o que querem. É só ouvi-los. Eles querem sim o gás subsidiado, e a continuidade das NEGOCIAÇÕES. A vida continua. E nessa, a oposição caiu do cavalo!

  21. Comentou em 09/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Outra coisa que me chama a atenção, agora entrando no mérito das questões bolivianas, com as quais, a meu ver, o governo brasileiro não deveria se envolver da maneira tíbia como fez, causando até a errada noção de que somos um país rico explorando uma Bolívia esmagada por nosso suposto imperialismo, quando somos uma titica de país perto das grandes potências mundiais, é o seguinte. O povo boliviano evidentemente é pobre, ainda que o povo brasileiro também seja, só que os bolivianos se beneficiaram dos investimentos do Brasil naquele país. São inúmeros os bolivianos empregados da Petrobras, cujo padrão de vida contrasta com o dos bolivianos que vivem nas regiões mais pobres, esmagados, isto sim, pelo desemprego. Isso tudo passa batido pela análise da maioria, que só vê um lado da situação, a dos pobres bolivianos, sem se lembrar que nosso país também é pobre e fez investimentos pesados que reverteram em benefícios para o povo daquele país. Negociar o preço do gás é uma coisa. Já o que ocorreu e a maneira como o Brsail lidou com a situação é surreal.

  22. Comentou em 09/05/2006 Sérgio Prado

    Caro Marco Antonio,
    A promessa de Evo e a constituição boliviana não são opiniões, são fatos; os 50 km da fronteira para propriedades rurais também estão na lei, e vários proprietários brasileiros sabiam do risco ao se estabelecerem lá.
    Opinião é o que você escreveu, e não estou a desqualificando ou desmerecendo. Mas opinião e fato não são a mesma coisa, e esse é o grande problema do jornalismo, particularmente no Brasil.

  23. Comentou em 09/05/2006 Marco Antonio Rocha

    Isso é o que Powers ‘acha’, meu caro. E é uma opinião de peso, sem dúvida. Mas, essa coisa de ‘aplacar as massas’ tem o seu crescendo próprio e é um caminho sem volta. Morales agora já parte para a reforma agrária (pela ducentésima vez talvez, na Bolivia), depois será a nacionalização dos bancos? das propriedades urbanas? a formação das ‘milicias populares’ e o desarmamento do Exercito, como também já houve na Bolivia? Será um filme eletrizante…

  24. Comentou em 09/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Bom, o sentimetno de culpa dos ‘Casa Grande’ é bem maior do que se vêem na ‘senzala’ supõem. Bem-entendido, eu não defendo interesses dos ‘yankees’, mas que eles têm uma classe intelectual notadamente esquerdista que produz muita besteira, assim como intelectuais republicanos tb soltam lá suas pérolas, disso não tenho dúvidas.Sobre esse artigo em particular,se eu de fato acordei, devo estar com os neurônios paralizados, pois achei nitidamente confuso. O fato é que a Bolívia tem direito a reivindicar seus interesses, contudo a maneira como agiram não foi absolutamente amistosa, seja para atender a necessidades de Evo Morales ou não. A reação do Brasil, por sua vez, beirou o ridículo, não pela disposição de negociar, que isso praticamente questiona. Por isso é incompreensível o desperdício de espaço com tantos artigos para justificar atitudes que sequer foram condenads por alguém. O que se condena é a ânsia em defender os interesses de países vizinhos superar a ponderação de nossos próprios direitos. A questão vai além dos direitos de exploração de recursos naturais, do gás boliviando, e avança para a expropriação de bens. Da maneira como certos articulistas tratam o tema, vira tudo uma confusão só e se parte para posições extremistas que só conseguem enxergar o probelma sob a polaridade ‘invadir a Bolívia e massacar os ´pobres´ ou virarmos um país satélite dentro da Am. Latina.

  25. Comentou em 09/05/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Já que a casa grande se pronunciou, é possível agora que Miriam Leitão, Jabor e outras preciosidades da nossa imprensa baixem um pouco mais a bola e fiquem mais calminhos. Quem sabe?

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