Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Bolívia: deu no New York Times, mas não aqui

Por Luiz Weis em 09/05/2006 | comentários

De preferência nos fins de semana, os mais importantes jornais brasileiros, principalmente o Estado, transcrevem artigos e reportagens do New York Times sobre uma variedade de assuntos, americanos e internacionais.

Fazem muito bem. Alargam os horizontes do leitor com informações e pontos-de-vista que o noticiário cotidiano do exterior nem sempre tem espaço para acomodar.

Pena, portanto, que os jornalões do último domingo tenham ignorado o artigo “All smoke, no fire in Bolivia”, de William Powers, publicado na véspera na página de Opinião do Times.

O autor vive em La Paz. Em breve sairá o seu livro “Whispering in the Giant´s Ear: A Frontline Chronicle from Bolivia´s War on Globalization” [Murmurando ao ouvido do gigante: crônica da vanguarda da guerra da Bolívia à globalização].

O título deixa claro que Powers não é propriamente mais um analista convencional do país que estuda. Um ótimo motivo para ao menos passar os olhos pelas 777 palavras do seu artigo.

Os seus trechos principais:

“Ainda que possa parecer alarmante na superfície, [a nacionalização do gás e petróleo bolivianos], o ato contém pouca coisa, surpreendentemente, para preocupar os Estados Unidos e o Ocidente.

É simplesmente o modo como a democracia às vezes funciona. Mr. Morales, um agricultor indígena aimara, obteve uma vitória esmagadora em dezembro graças à sua promessa de nacionalizar a indústria do gás. Agora ele está cumprindo a promessa feita aos 9 milhões de eleitores do país.

E, da perspectiva boliviana, isso é menos uma nacionalização do que um retorno à constitucionalidade. Segundo a Constituição boliviana, os contratos [que se seguiram à privatização do setor, em meados dos anos 1990] deveriam ter sido aprovados pelo Congresso. Não foram.

Acrescente-se a longa história de maracutaias que acompanharam a privatização de recursos naturais do país [além do petróleo, ouro, prata e madeira], em benefício exclusivo de um punhado de prósperos bolivianos.

Nem essa é uma nacionalização clássica como os confiscos que ocorreram na região nos anos 1950 e 1970. Então por que Mr. Morales recorreu ao Exército [ocupando um campo explorado pela Petrobras? Numa palavra, política.

O anúncio dramático do decreto pela televisão era necessário para aplacar massas de bolivianos radicalizados que exigiam “confisco sem compensação” das companhias.

O que leva a maioria dos bolivianos a apoiar a nacionalização é a aguda frustração com duas décas de fracassadas políticas néo-liberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional, que vinculava a concessão de empréstimos desesperadamente necessários à privatização, redução da dívida e afrouxamento das leis trabalhistas.

Vinte anos depois, o boliviano médio está pior do que antes. As exportações diminuíram. Metade da população vive com menos de US$ 2 por dia.

Alega-se que a nova política só tornará as coisas piores ao afungentar futuros investimentos. Não parece ser verdade. As empresas [alcançadas pela nacionalização] continuarão a lucrar sob as novas regras. Continuarão a ganhar dinheiro.

O maior risco na Bolívia é Mr. Morales ir além do seu mandato democrático e dar uma guinada rumo a um nacionalismo mais extremado, hostil à democracia, que se propagaria entre os vizinhos bolivianos ricos em recursos energéticos. Mas o mundo só pode precipitar um desfecho desses tentando punir Mr. Morales.

O mundo, sendo o que é, precisa de gás e petróleo, e a Bolívia e os seus vizinhos precisamm vendê-los. A Bolívia está apenas batalhando para fazer os mercados funcionar”.

Para ler o artigo inteiro, no original, clique aqui

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