Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Buraco no caminho

Por Bruno Blecher em 22/01/2007 | comentários

Às vésperas da colheita de grãos, a Folha desta segunda-feira (22/01/07) traz uma péssima notícia para os produtores rurais brasileiros, principalmente os do Centro-Oeste. As rodovias de pelo menos 12 Estados do país estão esburacadas, mesmo depois de o governo enterrar R$ 77 milhões no programa emergencial ‘tapa-burraco’. Levantamento do Dnit mostra que há buracos em 4.356 km de estradas.


Resultado: como sempre, os agricultores brasileiros do Brasil Central vão ter que pagar caro para escoar a sua produção para os portos brasileiros. E os caminhoneiros correm o risco de ficar na estrada, além das despesas extras com pneus, amortecedores etc e tal. Mais: o Brasil perde em competitividade e desperdiça alimento. Com os solavancos provocados pela buraqueira, parte dos grãos colhidos ficam na pista. A reportagem da Folha (pág. A-4 de Brasil) passa longe dos problemas de logística do agronegócio, embora seja assinada por um repórter do interior do país (Campo Grande-MS). Só no box, o repórter cita a soja em apenas três linhas.


Põe na pauta


Os jornalistas de economia e de agronegócio precisam ficar atentos a dois grandes congressos que envolvem alimentação animal (e conseqüentemente humana), programados para esse primeiro semestre. Em abril acontece o Congresso Internacional da Carne, em São Paulo, patrocinado pela OPIC, organização com sede em Paris. O Congresso reúne agentes do negócio de carnes de todo o mundo. Um dos principais temas é o bem-estar animal, uma exigência importante no comércio mundial da carne, que hoje é liderado pelo Brasil. O fato de o país conseguir produzir carne de todos os tipos para todos os gostos, seja orgânica, de cruza industrial ou de zebu, transforma o Brasil no mais importante player do mercado internacional. Mas é preciso resolver problemas crônicos, como a febre aftosa Feed & Food


Ração saudável


Também em abril, São Paulo sedia o Global Feed & Food Congress, patrocinado pela FAO (ONU) e pela IFIF (International Feed Industry Federation). O grande do cardápio será a sustentabilidade: como produzir para o bem-estar de todos com qualidade, segurança, responsabilidade, preservando o meio-ambiente. Quem organiza o congresso é o Sindirações. Mario Sergio Cutait, presidente da entidade, diz que a produção de alimentos seguros e a adoção de boas práticas de fabricação, respeitando o meio ambiente, reduz o desperdício, aumenta a rastreabilidade e pode garantir a certificação e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. O objetivo também é o de reduzir o preço dos alimentos, gerar mais empregos e aumentar a demanda interna e externa.


Em entrevista a revista Agroanalysis de janeiro, que já está no Correio, Cutait destacou a importância da sustentabilidade. ‘É uma preocupação de todo o planeta. Há uma previsão de que a população mundial cresça mais de 50% até meados deste século, chegando a 9 bilhões de pessoas. Quem vai alimentar toda esta gente? O Brasil é o terceiro país produtor de alimentos para animais – são 47 milhões de toneladas por ano. Só perdemos para os EUA e para a China. Com população superior a 186 milhões, o Brasil tem hoje um dos maiores mercados consumidores do mundo. Aproximadamente 80% da produção brasileira de alimentos são consumidos internamente e apenas 20% são exportados para mais de 209 países.


Saída pelo Pacífico


‘Encomendamos um grande projeto sobre a viabilidade de o Brasil escoar parte de sua produção pelo oceano Pacífico, mas infelizmente o governo e a iniciativa privada não se interessaram em tocar este plano. Forças ocultas impediram o País de ganhar uma alternativa para reduzir os custos das exportações à China’


Manoel Felix Cintra Neto, presidente da BM&F, em entrevista coletiva realizada no dia 17/01/2007

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/01/2007 Sandra Sabella

    PÔ, meu, eu já estava morrendo de saudades de seus comentários e informações sobre essa área fundamental na vida da gente.

  2. Comentou em 22/01/2007 Marco Costa Costa

    O grande buraco encontra-se no bolso do povo carente. Os agricultores ganham muito dinheiro explorando o trabalhador brasileiro. Portanto, eles tem pôr obrigação de remendar os buracos que eles mesmos provocam.

  3. Comentou em 22/01/2007 carmen silvia fusquine

    Assino embaixo o seu comentário, entra ano, passa ano e o choro é o mesmo dos pecuaristas e grandes agricultores aqui do RS, tivemos prejuízo portanto precisamos de subsídiosa do governo federal para poder plantar e investir em equipamentos. Acontece que nos anos de lucro – 99% – a população que paga a conta dos benefícios não ve a cor do dinheiro. Sugiro que usem o mesmo peso, quando tiverem lucro – 50% – devem voltar aos cofres públicos – Banco do Brasil, Banrisul, etc. – pois o prejuízo nós pagamos SEMPRE. O prejuízo não se estende a compra de coberturas de luxo, viagens ao exterior, frota de carros importados, etc. etc., para isso nunca falta mas para pagar o financiamento…

  4. Comentou em 22/01/2007 Marnei Fernando

    E antes da operação tapa buracos (deixados como herança pelo PSDB) haviam centenas de milhares de buracos nos meios dos caminhos todos do Brasil… Os agricultores tem que cobrar melhorias sim… mas também têm que trabalhar duro para pagar seus impréstimos ao banco do Brasil… Acabou o tempo que se tomava dinheiro emprestado e nunca pagavam… Agora o Brasil tem governo..

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