Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Bush volta a defender o álcool

Por Bruno Blecher em 24/01/2007 | comentários

Andam falando de efeito estufa nas tocas, becos, botecos e, principalmente, nos elevadores.
‘O senhor viu? Que tempo, hein? Em pleno verão, e um frio desses! É, estão mexendo com o Planeta’. Até o presidente George W. Bush, que desde o berço foi um ‘maria gasolina’, resolveu se preocupar com as mudanças climáticas. Menos: na verdade, Bush quer reduzir a dependência americana de petróleo importado, que representa hoje 65% do total consumido nos EUA. Por isso é que ele propôs, no chamado ‘O Estado da União’, a redução do consumo de gasolina em 20% em dez anos e investimentos em novos métodos para se produzir etanol. Como o discurso começou às 21h01 em Washington, os jornais daqui não conseguiram analisar com precisão as consequências dos projetos do presidente americano.


O apoio aos combustíveis alternativos vai beneficiar os agricultores de milho do Meio-Oeste americano e, a médio prazo, também os usineiros brasileiros. Esta foi a conclusão de Sérgio D´Ávila, correspondente da Folha em Washington. É verdade. Com incentivo federal e estímulos estaduais, o milho é a commodity agrícola mais beneficiada pela na Farm Bill. O lobby do milho nos EUA é poderoso. Apenas em 2005, para neutralizar riscos de preço e viabilizar mercados, os produtores milho receberam em subvenções US$ 8,7 bilhões. ‘A área cultivada de milho cresce e a produção é gigantesca, mesmo com preços inferiores aos custos de produção e em baixa´´, destaca Luiz Antonio Pinazza, na revista Agroanalysis deste mês.
Os americanos buscam novas matérias-primas para produção de combustível, já prevendo uma elevação dos preços dos alimentos, caso o milho venha a ser utilizado para abastecer os automóveis. No ano passado, foram destinados US$ 160 milhões para pesquisa e desenvolvimento do etanol celulósico, a partir de resíduos descartados (folhas que cobrem as espigas e a palha do arroz).


Mais alguns dados importantes que estão na Agroanalysis deste mês.


Em 2005, a produção americana de etanol atingiu 16,2 bilhões de litros, para um consumo de 14 bilhões de litros, ou menos de 3% do mercado de gasolina (530 bilhões de litros).


As importações foram de 820 milhões de litros e, as exportações, de 340 milhões. O Brasil é o principal fornecedor, com mais de 60% do total.


Mas o etanol brasileiro paga caro para entrar nos EUA. A tarifa de importação é de US$ 0,54 por galão (US$ 0,14 por litro). Culpa do lobby do milho. Os caipiras do Corn Belt americano tentam impedir a entrada do álcool brasileiro nos EUA, enquanto os estados consumidores (costas Leste e Oeste) são favoráveis à importação de etanol.
Com 200 milhões de automóveis, a frota norte-americana queima 11% da produção mundial de petróleo. Adotar motores mais econômicos seria uma atitude recomendável não apenas para o bolso dos americanos, mas principalmente à saúde.
Na tentativa de reduzir as emissões de gases poluentes responsáveis pelo efeito-estufa, 141 países assinaram o Protocolo de Kyoto. Entre 2008 e 2012, os signatários do acordo têm como meta reduzir a emissão de gases como dióxido de carbono em 5,2% em relação aos níveis de 1990. Maior poluidor do planeta, viciados em petróleo, os EUA não assinaram o acordo.

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