Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Caminhos cruzados

Por Luiz Weis em 22/12/2007 | comentários

Quando se ocupam da sucessão presidencial nos Estados Unidos, os jornais brasileiros publicam religiosamente os resultados das pesquisas sobre a cotação dos potenciais candidatos democratas e republicanos, cujo destino – no primeiro caso – começa a ser jogado nas primárias de Iowa, em 3 de janeiro, e de New Hampshire, cinco dias depois. A ascensão de Barack Obama, ameaçando o favoritismo de Hillary Clinton, é a grande notícia da temporada.


Mas existem outras pesquisas – tanto ou mais reveladoras da vida americana – que, se chegam às redações nos despachos das agências, são arquivadas ou apagadas sem hesitação. Pena, porque permitiriam ao leitor enxergar as causas menos evidentes da desimigração brasileira da ‘terra da oportunidade’, outrora cantada em prova e verso. A incapacidade de continuar pagando as prestações da casa própria, com os juros nos cornos da lua, é o sintoma e não a raiz do abandono do sonho americano.


O problema é que o sonho está ficando cada vez mais isso – um sonho.


É o que deixa claro uma pesquisa divulgada no New York Times de hoje sobre as expectativas de ascensão social e econômica da população. A certeza, aparentemente inabalável como a Estátua da Liberdade, de que a geração seguinte viveria melhor do que a atual, sempre foi algo tão americano como a torta de maçã.


Agora, apenas 16% dos entrevistados numa sondagem nacional conservam essa crença. Quase a metade da população acredita que as crianças de hoje estarão em situação pior do que os seus pais quando chegar o tempo de entrar no mundo do trabalho e constituir família.


Na virada do século, apareceram na mídia americana as primeiras observações de que os Estados Unidos estavam se abrasileirando – no aumento da desigualdade de renda. Desde então, esse abrasileiramento só vem se acentuando.


Não custava nada um jornal dos nossos falar disso a propósito das primárias democratas do começo do ano. Mostrando, por exemplo, que desde 1980 o Índice Gini não cessa de aumentar nos Estados Unidos. Trata-se do conhecido indicador de desigualdade econômica, que varia de 0 (igualdade absoluta) a 1 (desigualdade absoluta). Estava em 0,403. Está em 0,469.


O Brasil ainda é um país mais desigual do que os EUA e um dos mais desiguais do mundo. A tendência no entanto é para melhor. Entre 2001 e 2005, o Gini brasileiro evoluiu de 0,594 para 0,567.


E decerto quase a metade dos brasileiros adultos não acha que os seus filhos terão uma vida mais difícil do que a deles.


P.S. Pausa de fim de ano


A todos, feliz 2008. Até janeiro.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/12/2007 MARCOS LEONEL LEONEL

    Os jornais, não divulgam, pois são amarrados aos interesses dos grandes grupo econômicos, e os jornalista escrevem é para atender os donos dos jornais, e não os leitores, as rev istas tem poucas exceções, que são Cartacapita e carosamigos, o resto é resto. A salvação são vocês da internet.

  2. Comentou em 25/12/2007 Maria Izabel L. Silva Silva

    Feliz 2008 prá você também Luis Weis. Tudo de bom prá você e sua família. Muita paz. Que o Verbo Solto continue sua trajetória de sucesso e de bons serviços prestados à democracia!

  3. Comentou em 23/12/2007 Marcelo Zapelini

    A cerca do comentário de Davi Wagner do Amaral Sales, concordo que sempre houve na história países que mantém certa liderança. E que a China não é um exemplo de respeito aos direitos humanos. Porém, cabe lembrar que os Estados Unidos da América, até recentemente tinha segregação racial, onde negros não podiam ir à Universidade e nem viajar junto de brancos nos ônibus, por exemplo. Além disso, ‘inventaram’ ainda mais recentemente uma guerra com inverdades e negando-se inclusive a se submeter a ONU. Só para citar dois exemplo, e lembrar não lá muito melhor que a China.

  4. Comentou em 22/12/2007 Dante Caleffi

    Conforme a tendência da mídia nacional,o país está ou numa ditadura,falido,sem perspectivas e corrupção malufiana por todos os lados.
    Pode também,estar ‘melhorando’,porém sem esquecer de creditar sua prosperidade, ao’ príncipe dos sociólogos’.
    Contudo, ainda que contrariados patrões e empregados(bem pagos)dos veículos que nos chegam às mãos,admitem que ‘nunca antes…’,os números foram tão favoráveis. Todos os índices que têm sido divulgados ao longo desse ano, são dúbios,confusos e contraditórios.
    Assim são exibidos, e assim procuram parecer.Trazer dúvidas,levantar desconfianças promover a indiferença. A contra -propaganda tem atingido seus objetivos.Exemplo ,é da CPMF:pessoas repetem o que
    ‘O GLOBO’,FOLHA e ESTADÃO,divulgam. Entidades de pesquisas obscuras, anônimos acadêmicos, adversários seculares da democracia,representantes tradicionais da empedernida sociedade conservadora e reacionários contumazes.

  5. Comentou em 22/12/2007 Jose de Almeida Bispo

    Ao caro Ibsen: Imagine o cenário. Metade das indústrias de todo o mundo estão na China e a Europa se arrasta pra manter-se unida contra o grande general amarelo. A Europa e as Américas, vivendo de apossentadorias e rendas rurais se juntam num bloco político tal como a própria Europa se juntou depois que Odoacro tomou Roma, ou seja, de mentira. As bombas atômicas e foguetes intercontinentais chineses dissuade qualquer contra ofensiva ocidental e, enquanto isso, a Opus Dei vitoriosa mantém cem por cento do controle da Igreja Católica, dos bens de informações (rádio, TV, livros, jornais, revistas e internet através das operadoras de telefonia), logo, também dos filhos de Cristo a lhes guiar para o Paraíso eterno enquanto uns poucos extra-numerários se apoderam do pouco que restou ao fim da racionalidade capitalista ocidental. É o medievalismo moderno. Claro, não custa nada voltar a queimar satânicos hereges. Mas a China tem gente demais e, como todas as nações que enriquecem resolve se desfazer dos excessos populacionais. Hordas aportam a partir de Vancouver (Canadá) até Valdívia (Chile) e, como em toda a invasão, a população local é novamente dizimada para dar lugar à numerosíssima outra que chega. Que admirável mundo novo esse. Acabaram a economia comunista totalitária russa e reinventaram a nacional-socialista na China. Isso é só devaneio pós-vinho.

  6. Comentou em 22/12/2007 marina chaves

    há muito mais coisas entre o céu e a terra que a imprensa nativa gosta de ocultar do seu leitor………. otimo natal e feliz 2008!

  7. Comentou em 22/12/2007 Davi Wagner do Amaral Sales

    Infelizmente Senhor Ibsen a História mostra que sempre há um país dominante. Acho que a bola da vez será a China, e isso é ruim pois a China não tem tradição alguma de respeito aos direitos de seus próprios cidadãos que dirá outros paises.

  8. Comentou em 22/12/2007 Ibsen Marques

    Luiz, creio que esse seja mais um forte indício de queda do imperialismo dos Estados Unidos ( me irrita a nomeação de América ou Norte Americanos, visto que são apenas um dos países do continete). Talvez eu e você não cheguemos a presenciar a completa decadência, mas há um prenúncio e um anúncio de que já começou a acontecer. Todos os impérios sucumbiram, até mesmo o romano. Gostaria de saber se algum dia a humanidade conseguirá viver de forma mais homogênea, sem a influência, muitas vezes nefasta desses grandes impérios.

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