Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Cesar Maia critica telejornais

Por Mauro Malin em 13/02/2006 | comentários

Eis o primeiro e sugestivo tópico de hoje da newsletter por correio eletrônico (Informação e Opinião Cesar Maia, IOCM) em que se transformou o blog do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. A conclamação final, a faculdades e sindicatos, já é respondida há quase dez anos, desde sua criação, por este Observatório da Imprensa.


“Os últimos fatos relativos à queda de audiência do JN, e da clonagem do mesmo pelo Jornal da Record, devem impor reflexões sobre jornalismo e ética. Se, na medida em que a novela da Record absorveu a queda de audiência do JN (o ovo e a galinha: quem veio primeiro?), o JN muda sua metodologia – primeiro bloco de quase 30 minutos, uma overdose de câmeras ocultas e matérias que caberiam muito mais no Globo Repórter ou no Fantástico, e paralelamente o JR clona na forma e na metodologia o JN, ambos em busca de audiência, a pergunta que se faz obrigatoriamente é : isso é fazer jornalismo/noticiário? A lógica do jornalismo não abre espaço para a lógica publicitária da audiência? E se for assim, as pessoas estão sendo iludidas na medida que a busca de noticias/ informações é respondida com a lógica da audiência/publicidade?

Curiosa situação em que os detentores primários das boas matérias com câmera oculta são as polícias e o MP. Na medida em que delegados, coronéis e promotores brilham nos JN e JR, isto pode induzi-los a focalizar seu trabalho por esta lógica – prejudicando tantas investigações que não produzirão imagens tão boas. É provável que tenha ocorrido uma troca de noticias/jornalismo por puro entretenimento – novela…

Se foi assim, do ponto de vista da ética jornalística e do respeito às pessoas não teria sido melhor reduzir o tempo do Jornal e aumentar o do entretenimento sem mudar o caráter jornalístico do noticiário? E quem sabe ter inserções jornalísticas curtas – como comerciais – durante a noite (como faz a TVG com Cidade)? Com a rejeição à política – aliás, um processo de longo curso – como se deve cobrir um fato político Como novela? Como entretenimento (relembre Michael Deaver que assessorou Reagan)?

O fato é que se [vingar] essa nova lógica – produzir a competição pela audiência naqueles espaços de noticias – estaremos num perigoso processo de desinformação ou negativa de informação. Aguarda-se que as faculdades e sindicatos entrem no tema.’

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