Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Chauí fez escola

Por Mauro Malin em 21/11/2005 | comentários

A professora Marilena Chauí fez escola. O presidente Lula desfechou hoje (21/11) uma crítica à mídia em novo patamar. Ela seria responsável pelos danos à imagem do Brasil. Prejudicaria a percepção do país por empresários que apesar disso se mostram dispostos a invetir na economia brasileira graças à genial política do governo. O problema não é com fatos, é com algum desígnio malévolo dos inimigos da pátria.


No horário obrigatório ocupado pelo PT paulista, a mídia foi a grande vilã. Acusada frontalmente pelas desventuras do partido. O presidente estadual, Paulo Frateschi, chegou a dizer que não defende a censura, apesar da posição empedernida dos “donos de jornais”. Como se os jornalistas fossem cãezinhos amestrados. Mas quem falou em censura, Sr. Frateschi?


Uma atriz que monotonamente encarnou diferentes personagens – a falta de Delúbio Soares, Marcos Valério e Duda Mendonça ficou patente – repetia a cada quadro que a imprensa, o rádio, a televisão, a internet só tratam da crise do “mensalão” e não denunciam problemas dos governos do PSDB no estado e na cidade de São Paulo. Mas os ataques da propaganda petista foram todos baseados em recortes de jornais. Antigamente o nome disso era oportunismo.


Onde falta transparência


Outra mania que surgiu nos últimos dias consiste em atribuir à mídia a invenção das hesitações do presidente Lula em relação à política econômica. A mídia exagera, gosta de maniqueísmo, inventa factóides, mas talvez esteja até se atrasando para perceber o tamanho da guinada que dorme nas dobras do futuro imediato.


Fala-se das interpretações da mídia como se elas fossem o ponto principal, e não a falta de transparência da mensagem presidencial. Como se não houvesse a tentação de abrir os cofres em ano eleitoral. Como se isso não representasse uma ameaça séria a um esforço de estabilização econômica que é patrimônio principalmente das grandes massas pobres. Como se não houvesse interesses poderosos por trás da expectativa de relaxamento do tripé macroeconômico: austeridade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. Como se não houvesse essa brecha que é a fragilidade da posição do ministro Antonio Palocci.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/11/2005 francisco chagas

    O que a midia comentava a favor ou contra a construção de Brasília? O que a mídia comentava contra ou a favor da posse de Jango? O que a mídia comentava a favor ou contra a renúncia de Jânio? O que a mídia comentava a favor ou contra o impedimento de Collor? O que a mídia comentava a favor ou contra a venda das estatais? Poderia fazer mais de dezenas indagações semelhantes. Sabe qual era um dos comentários sobre a corrupção na construção de Brasília? Que Oscar Niemyer projetou os prédios de Brasília com exagerada utlilizaçao do vidro para beneficiar a CIV (Companhia Industrial de Vidros), de propriedade de Sebastião Paes de Almeida, grande amigo de Juscelino. Será que a mídia toparia fazer um levantamento isento sobre o assunto abordado compreendendo o período de Juscelino até Lula?

  2. Comentou em 22/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    Então tá…

    Só me explica uma coisa. Porquê então os jornais SÓ ‘falam isso e aquilo outro’? Quer dizer, por que percebemos que há uma avalanche de informaçãoes unilaterais todos os dias na grande imprensa? você mesmo respondeu: ‘Os jornalistas estão DEFENDENDO seus empregos.’
    Ou o jornalista não responde a nenhum editor? Se assim, pra que a existência de um espaço crítico e salutar como o observatório da imprensa?

  3. Comentou em 22/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    Caro Sr. Mauro Malin. Como não tenho acesso às fontes necessárias gostaria de lhe perguntar quantos veículos de imprensa foram empastelados pelo Hugo Chavez na Venezuela. Obrigado

  4. Comentou em 22/11/2005 Edson Pessoa

    Desde que o governo Lula assumiu, antes mesmo dos resultados positivos da sua política econômica, tanto o PT, como a pessoa do presidente foram insistentemente escrachadas para a opinião pública através da mídia. Lembram-se daquele repórter do NYT que publicou uma infeliz e desrespeitosa matéria sobre a pessoa do presidente da nação brasileira? Nos dias seguintes, diversos veículos da mídia brasileira, através de colunistas, analistas políticos, charges, etc. exploraram o tema, partindo do pressuposto de que as acusações maliciosas contra o nosso presidente eram verdadeiras. Nunca tinha visto coisa igual. Quando o governo anunciou a perspectiva do ‘espetáculo do crescimento’ os mesmos veículos de comunicação, através dos mesmos agentes, trataram de plantar a dúvida e a incredulidade na opinião pública. Alegavam que o juro alto levaria o país ao fracasso político-econômico. Depois dos resultados, creditaram ao governo FHC os trunfos da vitória. Minimizaram sempre a política externa do governo Lula, cujos resultados podem ser sentidos nos contínuos recordes de superávit da balança comercial. Como disse, nunca assisti tamanho bloqueio às ações de um governo como agora. Os políticos da oposição, em uníssono com aqueles veículos de comunicação, promovem verdadeiro ‘reality show’ que assistimos diariamente. Acusações de toda ordem, denúncias vazias, chacotas desrespeitosas e tudo mais… Quanta tristeza… Os métodos de enfrentamento político são questionáveis – sem dúvidas. Independentemente de quem esteja no poder, não se justifica todo esse cenário de intrigas e ódio. Como cidadão brasileiro sinto-me indignado e constrangido com tanto disperdício de energia e de recursos públicos.

  5. Comentou em 22/11/2005 ruy colamarino

    Já estão falando que os jornais são o grande vilão de toda essa crise que o PT enfrenta. Caros visitantes deste blog; o Chaves fez exatamente isso na Venezuela. Atacou jornais, convenceu a população e tomou conta da mídia, promovendo uma revolução branca, tomando o poder. ‘Se’ não tomarmos cuidado acabaremos numa vala comum, lendo somente notícias de futebol. Temos que dar um basta. Não agüentamos mais ouvir mentiras e mentiras de um governo que não é capaz.

  6. Comentou em 22/11/2005 Lucinei Lucena

    Cada um enxerga o que é capaz de enxergar e fala o que tem vontade de falar. A sociedade (não estou dizendo a ‘alta sociedade’), principalmente os mais pobres, está amadurecida o suficiente para entender quem fala, o quê fala, de onde fala e para quem fala. Os jornalistas estão defendendo seus empregos. Para finalizar, sugiro atenção para o fato de que os jornalistas não são pagos para falar isso ou aquilo outro. Não. Eles são pagos porque FALAM isso e aquilo outro.

  7. Comentou em 22/11/2005 milton milton

    Chegou a hora de alguns jornalistas cai na real,pois encontro varios alunos nos corredores da faculdade, nas ruas, e todos comentam a mesmo coisa, ‘ A MIDIA ESTA VENDIDA’ acho que isto ninguém mas muda, é ruim para esta classe. Sabemos que são poucos jornalistas que pensam diferente, mas CHAUI esta com toda a razão. Parabéns CHAUÍ a verdade nos libertara.

  8. Comentou em 22/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    Finalmente! Quem sabe agora veremos um pouco de debate sobre o caráter histórico de golpes antidemocráticos perpetrados pela imprensa brasileira!!! Já consigo imaginar o furor de indignação desta inteligentzia liberal da mídia frente à possibilidade de ver seus ‘valores democráticos’ postos em cheque, quando os seus interesses corporativos subirem à tona. Que caia a ‘censura DA imprensa!!!’ P.S.: Nenhum comentário na mídia sobre a autorização dada pelo Serra para que as companhias de ônibus tirem 712 veículos de circulação na rede de transportes paulistana. O COLUNISTA DA FOLHA TEM LÁ OS SEUS ADEPTOS!!!

  9. Comentou em 22/11/2005 Afonso Faro

    No Brasil já existe um número enorme de pessoas que não se engana fácilmente, com notícias distorcidas e que tem interesse discordante da verdade. Tomara chegue o dia que jornalista mentirosos passem um bom tempo de suas vidas na cadeia, pois se existe classe desonrada é a dos que manipulam as notícias, cedo ou tarde serão alcançados e enjaulados……..

  10. Comentou em 22/11/2005 Pedro Tardelli

    Ousar questionar a imprensa, sem ser da imprensa, é um problema sério neste país. A ditadura do quarto poder impera!

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