Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Chutando o balde do macjornalismo

Por Luiz Weis em 25/05/2006 | comentários

Não é todo dia que se lê na imprensa o que escreve hoje na Folha o colunista Demétrio Magnoli.

Primeiro porque raríssimos são os colaboradores de um períodico a criticar o próprio, nas suas próprias páginas.

Segundo porque ele chama a atenção para uma situação que vai de mal a pior no setor da comunicação e que pode ser resumida numa palavra:

Macjornalismo.

Consiste não só na padronização de forma e conteúdo na mídia impressa, mas principalmente na criação de um produto feito para ser consumido o mais depressa possível, partindo da premissa de que de outro modo perderá consumidores.

Com isso a indústria da informação corre o risco de afundar cada vez mais na crise da qual pretende sair recorrendo ao macjornalismo, à tabloidização – no pior sentido do termo – e ao infotainment, como dizem os americanos para designar a simbiose entre informação e entretimento.

Mas afinal o que escreveu Magnoli?

Ao seu primeiro artigo depois da mudança gráfica da Folha – a sua coluna semanal sai às quintas – ele acrescentou este P.S.:

Por conta da reforma gráfica, essa coluna perdeu quase um quinto do seu espaço. De que serve opinião sem fato ou contexto histórico?

Vejam bem. Ele não está chutando o balde porque gosta de ouvir o som das suas próprias tecladas e ficou amuado ao saber que lhe subtraíram duas de cada 10 palavras que costumava teclar para saírem na página 2 da Folha.

Ele pôs o dedo na ferida em um dos principais males do que passa nos jornais e revistas de hoje por jornalismo de idéias – o encolhimento do espaço para comunicá-las de modo a fazerem sentido para o público.

No fundo, ao perguntar de que serve opinião sem fato ou contexto histórico, o geógrafo Magnoli dá uma demonstração de respeito pela inteligência alheia.

Presume – e tomara que tenha razão – que o leitor não se dá por satisfeito com o achismo a que acabam reduzidas as opiniões publicadas, quando quem as emite não tem o espaço minimamente necessário para calça-las em fatos e contexto histórico.

Que maravilha seria se os publishers e editores de diários e semanários tivessem pelos seus leitores o mesmo apreço que o professor Demétrio acaba de demonstrar.

P.S.

A professora Renata Silva, de Belo Horizonte, lembra [ver comentários] que Demétrio Magnoli não foi o primeiro a criticar, na Folha, o novo padrão gráfico do jornal. Ele foi antecedido pelo colunista Janio de Freitas.

O texto de Janio tinha me escapado.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 26/05/2006 Conrado Giacomini

    O Demétrio tem toda a razão. O novo projeto gráfico da Folha tolhe o desenvolvimento de um artigo. E a tal Ação Afirmativa é uma bobagem sem tamanho.

  2. Comentou em 26/05/2006 Swamoro Songhay

    Janio de Freitas, Magnoli e na sexta-feira, 26/05/2006, Barbara Gancia.

  3. Comentou em 25/05/2006 Ediane Battistuz

    É triste ver (e esta tendência não é recente) que os veículos estão padronizando tanto e tudo. Já se fala há muito, muito tempo que ‘jornalismo é um produto à venda’, mas alguns proprietários de veículos estão, realmente, levando essa máxima a sério. Infelizmente.

  4. Comentou em 25/05/2006 Eduardo Guimarães

    Qualquer um que escreva o mínimo de português (como é meu caso) faria miséria com o espaço de que dispõe Magnoli na Folha. A menos que pretenda enrolar o leitor, tentando vender-lhe teorias trabalhosas de serem construídas, como a de que políticas contra o racismo são, elas mesmas, ‘racistas’. Esse tipo de conversa mole precisa mesmo de muito espaço para ter chance de colar.

  5. Comentou em 25/05/2006 Baltazar Tavares

    Deve-se acrescentar, o como exemplo o Jornal ‘O liberal’, que afirma ser o maior do Norte e Nordeste e, mesmo com a modernização de seu parque gráfico, segue na inanição de idéias

  6. Comentou em 25/05/2006 Wagner Lima

    Os meios de comuniação estão tratando a noticia com total banalização. Em relação aos seus leitores é uma falta de respeito pois publicam informações sem fontes seguras e dignas. A única situação que é levado em consideração por parte dos meios de comunicação é saber se aquela noticia é ‘boa’ o bastante para que as vendas sejam significantes. Credibilidade e ética são comportamentos que devem sempre ser levados a sèrio em qualquer profissão, principalmente no jornalismo, que tem responsabilidade de informar o cidadão.

  7. Comentou em 25/05/2006 wilson oda

    Eu não vejo prejuízo algum para os leitores da folha, já que os colunistas do jornal são todos manipulados pelo chefe da redação.
    Basta ler algumas linhas dos artigos para ver que tudo converge para uma única direção. Aliás, misture o estadão e a folha. É farinha do mesmo saco.

  8. Comentou em 25/05/2006 renata silva

    Luiz Weis, não foi só o Demétrio Magnoli que deu uma leve estocada na reforma gráfica da Folha. O Janio de Freitas tb escreveu um artigo sobre essa mudança e criticou o fato de que a coluna dele terá tamanho fixo, contrariando acordo anterior de dar ao texto o tamanho que a análise crítica suscitava. OU seja, a Folha força o Janio de Freitas a escrever sobre o nada para preencher espaço. Aliás, essa reforma gráfica só fez o jornal ficar mais parecido com o Estadão (o padrão fosco da cor é o mesmo) e as letras maiores nos artigos lembram o padrão usado para demarcar matéria paga. É o regime de perfumaria que pauta o jornalismo de mercado.

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