Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1012
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Cobertura local é a alternativa para a sobrevivência dos jornais impressos

Por Carlos Castilho em 27/09/2008 | comentários

Quem diz isto é nada mais nada menos que o professor Philip Meyer, autor do livro Os Jornais Podem Desaparecer? , num artigo que acaba de sair publicado na American Journalism Review no qual ele revisa as previsões feitas sobre o fim da imprensa escrita e faz uma autocrítica sobre a análise que fez da internet.


 


Meyer, hoje com 80 anos, admite que sua previsão de que o último jornal impresso nos Estados Unidos circularia em abril de 2043 foi feita com base numa projeção matemática e que na realidade o fim poderia ser antecipado, caso seja mantida a atual tendência de queda nas tiragens e na receita de publicidade.


 


Mas o velho professor, considerado um ícone da pesquisa jornalística no seu país, acha que não se trata de uma morte inevitável e recomenda que os executivos de jornais, mais do que nunca, estudem a internet para identificar em que áreas a informação impressa tem mais condições de sobreviver à avalancha informativa na internet.


 


“Eu ainda credito que o mais importante produto de um jornal, o produto menos vulnerável à substituição (pela internet) é a presença comunitária. É onde o jornal ganha toda a sua credibilidade ao produzir localmente noticias, análises e jornalismo investigativo sobre questões de interesse público”, diz Phil Meyer no artigo.


 


Ele também desmente a afirmação de que a democracia estará ameaçada pela crise no modelo de negócios dos jornais, lembrando a velha teoria das duas etapas, desenvolvida em 1940 pelo sociólogo Paul Lazarfeld segundo a qual a mensagem dos líderes e opinião chega ao publico de duas maneiras: em conversas com amigos e por meio de leituras na imprensa. “A internet criou um sistema de múltiplas etapas e o problema agora não é mais de fluxo, mas sim de credibilidade” diz.


 


A presença comunitária dos jornais, depois de ser menosprezada durante várias décadas, é hoje considerada uma questão estratégica e que de alguma forma ressuscita a proposta de jornalismo cívico, lançada nos primeiros anos da década de 90 pelo professor Jay Rosen, hoje diretor da escola de jornalismo da Universidade de Nova Iorque, e pelo Pew Center for the People and the Press.


 


A idéia, que na época provocou uma apaixonada polêmica na imprensa norte-americana, partia do princípio de que os jornais e os jornalistas não são meros observadores do que acontece na sociedade, mas devem envolver-se nas questões comunitárias.


 


A estratégia comunitária pode ser uma opção viável para os jornais impressos caso eles, além de mudarem a postura, também alterarem o foco editorial que ainda hoje está fortemente influenciado pela cobertura de escândalos, crimes, violência, sexo, corrupção e manipulação política nas questões locais.


 

Outro fator que pode influenciar a criação de um novo relacionamento entre jornais e comunidades é o envolvimento destas na produção de notícias. Isto seria não só uma questão política, mas também econômica, porque as empresas jornalísticas não tem mais recursos financeiros para montar grandes equipes de reportagem para cobrir dezenas de bairros em cidades médias e grandes.

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