Começou a corrida atrás da Nuvem Informativa | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Começou a corrida atrás da Nuvem Informativa

Por Carlos Castilho em 04/05/2008 | comentários

As empresas Google e IBM anunciaram a primeira grande ofensiva para controlar o que os especialistas chamam de nova fronteira da era digital, ou em termos técnicos, a Nuvem Informativa (Information Cloud).


 


Não é ficção científica não. É a mais pura realidade tecnológica que está deixando os laboratórios de pesquisa para ingressar no universo corporativo e pode pousar em breve nos computadores domésticos.


 


O conceito de nuvem surgiu nos anos 70 quando os cientistas perceberam que o desenvolvimento da internet e das redes de comunicação acabaria criando um espaço virtual sem dono e sem fronteiras onde circulariam softwares e informações que poderiam ser acessadas por qualquer usuário.


 


A primeira grande aposta corporativa no conceito de nuvem foi feita pela empresa Google que começou a desenvolver, em 2002, softwares de edição de textos, planilhas eletrônicas, correio eletrônico e agendas que não seriam baixados em computadores como acontece com os programas Word, Excel e o OutLook, da Microsoft, por exemplo.


 


Os programas colocados na nuvem computacional são grátis e capazes de serem acessados em qualquer lugar. Daí para o surgimento do conceito de nuvem informativa foi um passo. Informação disponível na rede, capaz de ser acessada em qualquer lugar e potencialmente livre de qualquer direito de propriedade.


 


Cientistas alemães começaram a estudar as conseqüências sociais e culturais da nuvem informativa ao desenvolver o modelo iClouds, que faz parte do projeto MUNDO (Móbile and Ubiquous Networking via Distributed Overlays – Rede Móvel e Ubíqua por meio de Camadas Distributivas).


 


A arquitetura informativa em nuvem explora as relações que as pessoas poderão estabelecer a partir do uso de sistemas pessoais de comunicação, chamados iClouds, muito semelhantes aos telefones celulares. O estudo feito na Universidade Tecnológica de Darmstadt, na Alemanha, afirma que estes aparelhos de comunicação pessoal dispensam o controle centralizado dos celulares e não dependem da internet.


 


A mais revolucionária de todas as idéias desenvolvidas pelo projeto Mundo é a de que a capacidade informativa de cada indivíduo cresce proporcionalmente ao número de pessoas ingressam na área de alcance do seu aparelhinho. Isto pode significar um novo e radical avanço na descentralização no fluxo de noticias, por exemplo.


 


O projeto Mundo ainda é um estudo inconcluso, mas a IBM e Google apostam juntas na idéia da nuvem e decidiram ocupar espaços estratégicos no ambiente virtual. O que as duas mega empresas estão costurando é uma rede planetária de computadores, do tipo servidor, capazes de rodar 90% dos aplicativos usualmente residentes no disco duro dos computadores.


 


Os usuários acessarão os aplicativos, realizarão todas as suas tarefas online e guardarão o material em arquivos digitais também na Web. Será um passo gigantesco no sentido da implantação do modelo tudo é de todos e ninguém é de ninguém.  Ou seja, a utopia socialista materializada na Web, pela mão de dois ícones do capitalismo mundial.


 


Ainda é muito cedo para saber se isto vai dar certo ou não. As coisas na internet são essencialmente fluidas e não dá para afirmar nada em caráter definitivo. Mas a corrida pela nuvem já começou nos bastidores da internet.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/10/2009 Antonio Carlos ferreira

    È saldavel pensar que a tecnologia vem facilitar nosso dia a dia,aproveitando 2 icones do capitalismo em um unico projeto
    temos que nos preparar para uma unica linguagem mundial,falada
    e escrita quem se abilita em deixar o mundo mais igual.

  2. Comentou em 14/07/2009 R Martins

    Trabalho a 23 anos com soluções computacionais e não acredito que empresas irão disponibilizar seus dados estratégicos de maneira simples, apesar dos benefícios que a tecnologia irá proporcionar. Acredito que isto deva realmente se tornar uma ‘tendência’, pois quem tem o ouro comanda, somos apenas participantes das novas regras do jogo.

  3. Comentou em 18/02/2009 Rodrigo Moreno Marques

    Prezado Carlos,
    Vou usar seu texto em minha dissertação de mestrado. Como diria Humberto Eco em seu livro Apocalipticos e Integrados, seus argumentos são dignos de um INTEGRADO do tipo radical. Sugiro uma visão mais crítica sobre as conquistas socias que advem da tecnologia, principalmente quando ela está a serviço do capital. Sugestões de leitura para você: Daniel Dantas, Sandra Braman, Antonella Corsani, Giuseppe Cocco, Marcos Cepik, Cesar Bolaño, Milton Santos. É preciso fugir do lugar comum. É preciso apontar as contradições existentes aí. Senão você continuará a repetir o discurso das empresas que buscam o controle do capital-informação. Um grande abraço.

  4. Comentou em 16/05/2008 Carlos Pacheco

    Não acredito que empresas capitalistas sejam capazes de fornecer gratuitamente os softwares necessários para os usuários é mais fácil que eles aumentem seu poder, invés de pagar pela licença do produto, o usuário irá pagar pelo uso do programa, como um aluguel. Empresas não desenvolvem tecnologia para beneficiar a humanidade, eles procuram enriquecer cada vez mais, isto seria o fim da pirataria dos softwares.

  5. Comentou em 12/05/2008 Jeff Bras

    Caros colegas,

    Para o que se interessam pelo tema, a Radio Suica Internacional publicou uma interessante entrevista com um importante funcionário da Google e ex-funcionário da IBM.

    ‘A missão da Google é organizar toda a informação do mundo’

    http://www.swissinfo.ch/por/swissinfo.html?siteSect=105&sid=8925048

  6. Comentou em 07/05/2008 Fernando Meiras

    Estaou cansado dessa onda de semi-informação que a web trás. Os cérebros que a contatam, continuam sem capacidade de abstração e formação de juízo, perante o que lêem. Não compreendem o que lêem, nem conseguem levantar dúvidas a respeito da veracidade dessa semi-informação. Essa semi-informação é atrelada a interesses comerciais e ideológicos.

  7. Comentou em 07/05/2008 Wendell Bento Geraldes

    A idéia da ‘nuvem informativa’, acessar um aplicativo e trabalhar sem que haja necessidade de fazer o download em meu computador, além do que não há necessidade de comprar a licença para utilizá-lo. Mas o que me preocupa é com relação a segurança e a privacidade destas informações, quem garante que tais registros não poderão ser utilizados para fins comerciais ou outras finalidades?

  8. Comentou em 07/05/2008 Mario Abramo

    Caro Carlos,
    Seu artigo me fez lembrar o ‘Tudo que é sólido desmancha no ar’:
    ‘A sociedade burguesa, através de seu insaciável impulso de destruição e desenvolvimento e de sua necessidade de satisfazer às insaciáveis necessidades por ela criadas, produz inevitavelmente idéias e movimentos radicais que almejam destruí-la. Mas sua própria necessidade de desenvolvimento habilita-a a negar suas negações internas: ela se nutre e se revigora daquilo que se opõe, tornando-se mais forte em meio a pressões e crises do que em tepos de paz, transforma inimizade e detratores em aliados involuntários.’

    Marshall Berman

  9. Comentou em 06/05/2008 Jose Leitao Neto

    Antes que eu me esqueça, nem todo soft gratuito tem dono, os softs abertos são produzidos pela colaboração de centenas de pessoas espalhadas pela web e se houver propriedade será coletiva, todo usuário é informado que não deve pagar pelo uso ou instalação, no máximo é colocada uma maneira de fazer doações que serão usadas para melhorar a operacionalização e base de distribuição dos mesmos.
    Isso é pura tecnologia e não uma luta de classes.

  10. Comentou em 06/05/2008 Jose Leitao Neto

    Acho na minha opinião, que estas empresas estão tentando uma maneira de concorrer com o soft aberto, pois assim elas forneceriam o serviço, mas não perderiam o controle dos direitos de propriedade.
    Quanto à pirataria, já dá para se montar um bom serviço com softs abertos ou gratuítos. De qualquer forma se a iniciativa trouxer barateamento, para este tipo de serviço, que venha.
    Isso não é socializar, é democratizar.

  11. Comentou em 06/05/2008 mozer rrr

    O texto é claro e simples, como um texto deve ser se quiser ser lido pelo público, afinal de contas o assunto não interessa somente aos experts. Está direcionado a quem interessa, o usuário. Quanto aos objetivos e expectativas dessa nova tecnologia também estão no texto, porém o impacto e as consequências, só se saberá depois.
    Em relação a utopia social, diria que isso mostra, de certo modo, como caminha a humanidade; idéas antigas que se pensavam ultrapassadas de repente ressurgem e, paradoxalmente, através de quem as combateu ou assim pensávamos.

  12. Comentou em 06/05/2008 silvia ambrósio nogueira de sá

    A web como plataforma é uma das principais caracteristica desse meio, no entanto, fica limitada aos interesses das grandes empresas, que ainda não sabem como disponibilizar esta tecnologia sem perder sua fonte de lucro.

  13. Comentou em 06/05/2008 Bruno Cruz

    Não sei, mas acho que esse tipo de ferramente só ajuda as empresas, porque a partir do momento em que isso fizer sucesso, as empresas poderão cobrar pelo serviço e será impossível usar programas piratas como muitas pessoas fazem hoje. Eu sei que quem cria os programas merece ser remunerado por isso, mas acredito que crackear alguns programas as vezes é até necessário. Com esse sistema as empresas vão lucrar e impedir que os seus programas saiam do seu controle.

  14. Comentou em 05/05/2008 Júlio Guimarães

    O texto está muito bem redigido. Uma visão geral do assunto que não é fácil de ser abordado e tão pouco explicado.

  15. Comentou em 05/05/2008 Marcelo Thompson

    Me desculpe Carlos, mas me pareceu uma matéria feita por um leigo, que, no final das contas, não soube focar no que essa ‘nova tecnologia’ pode fazer pelo jornalismo em si (acho que esse é o foco do Observatório, não?). Ah, e não existe almoço grátis. Isso é uma ilusão…

  16. Comentou em 05/05/2008 Thiago Conceição

    ‘Ou seja, a utopia socialista materializada na Web, pela mão de dois ícones do capitalismo mundial.’ Meu Deus do céu, quando essas viúvas do muro de Berlin se darão conta que isso já está morto e enterrado? O que tem a ver duas empresas que visam o lucro em qualquer empreendimento com uma ‘utopia socialista’? Além do mais, software que não é cobrado para ser usado AINDA TEM DONO! Não é apenas porque você pode acessá-lo de graça que ele automaticamente passa a ser seu.

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