Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº983
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Como se formam as ditaduras da maioria

Por Luiz Weis em 22/04/2008 | comentários

Do colunista Clóvis Rossi, na Folha de hoje:

“Não vejo nenhum capanga armado obrigando o telespectador (ou leitor) a ficar sintonizado nos programas policialescos ou, agora, no noticiário sobre a menina morta. Há público – e grande – para isso. Alguns são apenas portadores da normal curiosidade humana. Outros têm gosto de sangue na alma, não nos iludamos.”

Sim e não.

Sim para o gosto de sangue de tantos.

Não para a necessidade do capanga armado.

A tese – formalmente verdadeira – de que ninguém é obrigado a ver ou ler seja lá o que a mídia mostre ou escreva deixa de levar em conta os poderosos mecanismos de indução, na própria mídia e na sociedade, para que se veja ou leia o que a mídia e os formadores de opinião entre os espectadores e leitores consideram um imperativo social.

Desinteressar-se pelo noticiário sobre a menina morta acaba sendo visto nos ambientes em que o desinteressado frequenta e que lhe abrem as portas da integração social – família, trabalho, escola, vizinhança, círculo de amizades – como uma esquisitice, ou, pior, um desvio de caráter: que raio de pessoa é essa que não liga a mínima para tamanha monstruosidade?

Quem fica na contramão do interesse avassalador daqueles com os quais convive ou se relaciona passa a imagem de que “não é bom da cabeça ou doente do pé”. E muitíssimo poucos não se importam de ser vistos assim.

É como se formam e operam as pressões conformistas, germes das ditaduras da maioria, engendradas e sancionadas pela mídia.

Da mesma forma que na economia e ao contrário do que parece, não é a procura que cria a oferta, mas o contrário. Batendo quase o tempo todo numa mesma tecla – e quando essa tecla, o assassínio de uma criança, presumivelmente pelo pai, ressoa como raras outras que se possam imaginar -, o espetáculo de som e fúria da mídia de massa fabrica um mercado de consumo do qual só não se participa ao preço da reprovação social.

E a participação vai além de se manter antenado no caso. É engrossar a multidão que desde a primeira a hora foi convencida pela aliança espúria da polícia e da imprensa a acreditar que as coisas se passaram exatamente como a primeira diz e a segunda repassa.

”Foram eles”, berra a imprensa de esgoto. E quem ousará observar aos parentes, colegas, amigos e vizinhos: “Peraí. Vamos esperar o que a Justiça vai dizer”?

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/05/2008 jorge noreira

    Minha filosofia para a pressão social é: Se você quer, tome, tome, tome, tome, tome o que você quer.

    Portanto, vamos condenar, execrar, trucidar e falar mal dos suspeitos como assassinos. Que dane-se as formalidades da lei.

    Infeslizmente ‘assim caminha a humanidade’ , como diz Lulu Santos.

  2. Comentou em 08/05/2008 Virginia Maria Barbosa

    Concordo que fo crime foi barbaro, o vazio que fica e inesplicavel, mas, julgar e engrossar essa barbarie que estamos vendo por ai e inaceitavel. Principalmente a imprensa esta se portando como carrascos, pedindo sangue, viganca. Isso vindo de pessoas que acreditavamos esclarecidas e inaceitavel e lamentavel, estamos retroagindo seculos.

  3. Comentou em 30/04/2008 Luís Cáudio Souza

    É evidente que a polícia ‘blefou’ com relação ao sangue no carro e ao vômito na camisa de Alexandre, além de inúmeros outros artifícios para forçar uma confissão. Fossem verdadeiros tais indícios, os suspeitos já estariam presos preventivamente, sem dúvida. Quem compreende o exato sentido da presunção de inocência, consagrada na Constituição, sabe que este princípio é desrespeitado constantemente. Pode até ser que os suspeitos Alexandre e Ana C. Jatobá tenham mesmo cometido esta monstruosidade. Mas o prejulgamento (já consumado) é o caminho mais fácil para o Estado, mais rentável para a mídia, mais satisfatório para um povo ávido por sensacionalismo. Indignação e Comoção Nacional? Conversa! Pura esperteza retórica residual. De todos, de quase todos. A princípio, não é conhecida a motivação do suspeitos. Além disso, e se houver motivação, a execução foi no mínimo burra, pois trouxe a suspeita diretamente para eles. Tudo isso é dito com base no que foi ‘revelado’ até então. Algumas estranhezas, contudo, passam em branco: A pequena Izabella revelava o desejo de morar com o pai. Mesmo que não fosse algo sério, com certeza isso incomodava alguém. Alguém que provavelmente não estava bem resolvido com o passado (o que é mais que natural). Alguém que estranhamente estava nas proximidades do crime, no momento de sua execução. Dá pra pensar muita coisa, mas não é o caminho mais fácil.

  4. Comentou em 30/04/2008 tarcisio motta

    por que tanta indignação, isto é o papel da imprensa, informar, entreter e criar fatos (ou factóides como diria o luxemburgo) para preencher o vazio existencial do dia a dia da população e a cota obrigatória de números do ibope. fico triste pois o circo instalado para dentro de alguns dias ser esquecido atrapalhou o destaque da final do paulistão para podermos torcer para a macaca como todos os secadores de plantão do xico sá e cia. fico triste por isabela por seus pais pela raça humana pelo desamor pela intolerância pela violência cotidiana indiscrimanada e inconsequente pelo ‘a que ponto chegamos’ mas fico mais triste pelas marias pelas aninhas pelos zezinhos pelos pedrinhos…crianças… mortos nas favelas nas periferias nos morros, jogados em córregos, vítimas de balas perdidas, espancados por famílias destruídas, esplorados nos semáforos, sem destino e sem infância…crianças anônimas e esquecidas sem objetivas zooms e lentes angulares apontadas para elas ou míseras linhas mal traçadas sobre suas estórias.
    por que tanta indignação, num mês sem final de novela, escândalos políticos relevantes ou morte de um grande ídolo num acidente trágico, é preciso criar assunto para se sentir indignado ou gerar conversa em mesas de bar.

  5. Comentou em 29/04/2008 Fernando Antonio Moreira Marques

    Já comprei uma cadeira para ‘esperar o que a Justiça vai dizer’! Mas nesta altura do campeonato existe alguém, ainda, com um mínimo de esperança de que não foi o casal ‘monstro’? Estamos agora mais interessados em compreender que tipo de desagregação familiar e desamor pessoal leva alguém, num acesso de fúria, a cometer esta barbaridade. O avô advogado, tardiamente, tenta vender para a mídia a imagem de uma família unida e amorosa. Sai prá lá Satanás…

  6. Comentou em 29/04/2008 Fernando Antonio Moreira Marques

    Não sei porque a imprensa gasta tantas linhas com este caso! Atirar filhas pela janela do sexto andar é tão corriqueiro! Já vimos tanto! Realmente uma perda de tempo escrever alguma coisa sobre isto… Ninguém parará para ler…

  7. Comentou em 28/04/2008 Ivonete Sertanejo

    Achei lindo seu comentário infeliz sobre este caso e particularmente eu acredito que a polícia e a mídia estão fazendo muito bem feito o seu trabalho e quanto à repercução do caso, as pessoas querem acompanhar para saber se ainda haverá justiça para os filhinhos de papai ou será mais um jeitinho brasileiro neste caso.
    Estamos todos revoltados e com sede de justiça. É só isso, nada mais. A ditadura existe para os pobres.

  8. Comentou em 27/04/2008 Luís Carlos Carpim

    No calor do debate, acusar a mídia de estimular o … debate, sob uma variação envergonhada e ultrapassada da ‘teoria da conspiração’, não chega a ser novidade. Isso já foi falado em outros episódios, nem todos relacionados a assunto policial. Talvez o novo seja a intensidade com que esse tipo de crítica retorne. E assim como a avalancha de informações sobre o crime é consumida por parcela de um público ávido, outra parcela consome, quem sabe se com a mesma avidez?, a crítica contra a avalancha. Retornemos ao ponto de partida. Por que um crime específico ocupa tanto espaço na mídia e igualmente encontra tanto público disposto a consumir o que a mídia produz? E por outro lado, por que uma parcela do público se sente nauseada e passa a consumir a crítica contra a mídia, crítica esta que é produzida … pela própria mídia? Talvez seja oportuno investigar o que cada público viu no crime em pauta, e o que cada público esperava como desfecho. E talvez as expectativas de uns e de outros não fossem muito diferentes. E ambos lavariam as mãos: uns dão seu veredito porque ignoram ou desprezam (com ou sem razão) a justiça estatal, e outros entregam à justiça estatal a responsabilidade de dar um veredito num episódio que também não podem suportar. Num ponto as ditaduras de opinião, sejam de maiorias ou de minorias, coincidem: ambas querem prevalecer. E isso não as torna melhores.

  9. Comentou em 24/04/2008 Sergio Eduardo da Silva Nascimento Nascimento

    Ora ora ora, desde quando a midia e a imprensa julga antecipadamente, vamos buscar um pouco só um pouco na memoria, lembram do caso Fernando Collor, a midia e impreensa foi fundamental para cassar um presidente fazendo disso tambem a ditadura da maioria, este Presidente deveria ser cassado? Tenho duvidas hoje, a justiça não condenou em nada, pois o que presenciamos alguns meses atrás com escandalo dos correios, da area de comunicação do governo, casa civil do governo, dos dolares na cueca e hoje ainda sobre mau uso dos cartões corporativos e comicios em fora de epoca, o que falta para caçar este presidente hoje. Pois eu falo a impreensa apesar de ser uma grande formadora de opnião e com isso fazer a ditadura da maioria, sabe aonde pisa, com os altos indices de popularidade do presidente Lula sabe que seria dificil explicar para um povo que vive de bolsa familia o que está acontecendo, o grande desperdicio de dinheiro público, com certeza muito maior do que possa se identificar hoje, talvez quem sabe um dia saberemos, mas o que importa para impreensa buscar noticia que simplemente venda, e garanta sua existencia, até surgir algo que possa faturar outra vez. Infelismente a impreensa tambem está corrumpida, mostrando o seu poder em casos isolados mas que com certeza terá um apelo emocional grande.

  10. Comentou em 24/04/2008 Sergio Eduardo da Silva Nascimento Nascimento

    Capanga armado obrigando telespctador não, mas que os donos da midia devem ficar para os seus jornalistas com certeza. Em todos os jornais um pouco menos nos dias de hoje, mas mesmo assim todos ainda dão cobertura para este assunto macabro. Cabe termos coragem de responder o porque dessa ditadura sim da informação. Será por causa da audiencia e com a ganancia de copitar mais anunciantes para o horario nobre, fica facil de dizer que existe o bode na sala mais quem tira ele para fora. Negar que o interesse da televisão é tão comercial como a importancia da informação é dizer como o pai daquele anjo que enciste em dizer que havia uma terceira pessoa na cena do crime.

  11. Comentou em 24/04/2008 Cid Elias

    Weis, dois senões às questões abordadas: 1- ‘a tese -formalmente verdadeira- que ninguém é obrigado a ver…’ Aos que conhecem um pouco mais do Brasil desconhecido, norte e nordeste principalmente, não soa como verdade inquestionável. Convicção de quem viu, há muitos, mas muuuiiitos ‘interiores’, nas mais diversas regiões, onde a única opção de lazer/informação/desinformação/alienação existente, é o sinal da grobo. A excessão do ciclo junino e meia dúzia de festas religiosas, inexistem alternativas, o que, de certa forma, acaba obrigando às pessoas destes lugares a ficarem expostas às ondas marrons das organizações golpe, ôps, globo. Outro senão ‘que raios de pessoa é essa…’ Eu não vejo, não leio, não ouço NADA relacionado ao caso, não me interesso na desgraça da moda. Talvez por ser pai de três meninas, talvez por ter certeza que, à mídia só interessa vender, está c..ando e andando pros sentimentos. Em todos os lugares onde vejo pessoas hipnotizadas por este drama amplificado, que em nada lhes diz respeito, ‘SOLTO O VERBO’! Digo o que penso sobre a fábrica mídio-assassinática. Ninguém me contestou até agora. Pergunto logo: o quê têm(ou tens) a ver com esta tragédia? Por que perder tempo acompanhando uma coisa que não trará nada de bom à vida de quem quer que seja? Acredite se quiser, se me perguntarem o sobrenome da menina, não saberei responder. Sou doente?

  12. Comentou em 23/04/2008 Eduardo V

    Interessante a análise do sr. Max. A polícia foi prudente? Por isso não lacrou o apartamento até após a sétima perícia? Bem feito? Por não ter revistado todos os apartamentos sob alegação de que não teve acesso as chaves? Criterioso? Por isso não obedeceu a determinação inicial da justiça em manter sigilo? Profissional? Por isso tem soltado informações em conta-gotas sobre as suas restritas hipóteses? O sr. já conhece as conclusões da perícia? Como, se ate agora não foram oficialmente publicizadas? Aliás, gostaria de ler um laudo pericial que seja capaz de AFIRMAR CATEGORICAMENTE que em qualquer cena do crime não havia outra pessoa. O máximo que um laudo pode afirmar e que não existem vestígios de outro indivíduo, o que é totalmente diferente. Não sei se os suspeitos são ou não culpados, mas de uma coissa eu tenho certeza: o BBB da Izabella já atingiu seu objetivo de saber quem na opinião dos abutres são os culpados. Só espero que este não seja mais um caso como da Escola Base.

  13. Comentou em 23/04/2008 acreucho jorge nascimento

    De maneira alguma, deixaria alguém ou algo, dirigir minha cabeça, estou acompanhando o caso, com interesse cívico, de filho, pai e avô.
    A polícia está fazendo um trabalho primoroso de investigação, envolvendo diversos setores, que quando reunidos, nos apresentam um quadro no qual, dificilmente, alguma coisa poderá ser mudada, a não ser que houvesse uma revolta de 360 graus, o que é práticamente improvável, dado ao elevado conteúdo pericial até agora apresentado.
    Para não ser manipulado por ninguém, tenho assistido a todos os jornais em todas as emissoras e consultado a Internet, para que não pairem dúvidas quanto as minhas convicções, não da mídia sensacionalista, mas de provas e relatórios apresentados.

    Se quiser saber as minhas deduções
    http://www.blogdoacreucho.blogspot.com

  14. Comentou em 22/04/2008 Gustavo Gomes

    ‘Da mesma forma que na economia e ao contrário do que parece, não é a procura que cria a oferta, mas o contrário.’

    Bela metáfora Weis… mas uma reflexão: acredito que, especialmente no caso da mídia, os operadores captam um desejo latente (procura) acerca do qual podem capitalizar.

  15. Comentou em 22/04/2008 Angelo Pace

    Brilhante artigo. Escrito, certamente, por um brasileiro de caráter, algo cada vez mais raro hoje em dia. Predominam os ‘artigos’ e ‘opiniões’ de qualquer um, à revelia do bom-sendo, do conhecimento e da prudência. Se o casal é culpado, que seja punido pela Justiça, não pela mesma turba que absolveu Barrabás e matou Jesus Cristo.

  16. Comentou em 22/04/2008 Fernando Meiras

    Baseados apenas nos conteúdos de nossa imprensa, comentaristas aqui presentes, qualificam-se portadores de certeza do que ocorreu bem antes do término dos depoimentos e conclusão das investigações, no caso Isabella. É a voz do povo que brada pela justiça que lhe falta, e lhe causa um bem estar similar a uma catarse de sentimentos de cidadania, digno de uma análise que Saramago se deleitaria. É de admirar a escola que faz nossa imprensa na mente dessas pessoas. Daí espera-se que estas, um dia, tenham condições de pensar sobre si mesmas sob esse enfoque. Coisa impossível para tão pouco tempo de vida do ser humano. O povo oprimido e miserável, sem ter o que fazer, acampa, acompanha, quer ver, comenta, aponta, julga e condena…e emburrece.

  17. Comentou em 22/04/2008 Marcelo Louro Silvério

    Muito bem esplanada a formação da opinião pública por parte da mídia, gostei mesmo! Não entendi como não tendo me esforçado saber sobre esse crime pude estar tão ciente do que ocorreu, o senhor explicou direitinho, o pouco que vira fora suficientemente plantado de forma a me subsidiar especulações confirmadas a cada folha capa de jornal que passava na rua ou cadatroca de canal acidental que assistia. Lamentável esse crime assim como tantos que não teêm como ser encaixados na caixinha luminosa da imprensa. Isabelas foram e virão assim como aquele… como era mesmo o nome? arrastado até a morte? Pior, Somos todos cúmplices desses crimes, alimentando o dragão da estupidez na grade televisiva. Por favor, alguém sabe como foi que a imprensa ($$$) soube tanto das perícias antes do inquérito ser encerrado? Por favor respeitem a polícia, pois ela tem que responder a todos quando ocorre algo errado no Sistema pra depois ser tratada como a Geni. Viva a Perícia e seus Servidores realmente mal remunerados!

  18. Comentou em 22/04/2008 João da Luz

    Oh pessoal!!!!
    Vamos mudar de assunto???!!!

  19. Comentou em 22/04/2008 Marco Antonio antonio

    ¨É como se formam e operam as pressões conformistas, germes das ditaduras da maioria, engendradas e sancionadas pela mídia¨
    Sr Weis, o que é mesmo uma ditadura das maiorias?
    Vamos esperar o que a Justiça vai dizer”?
    Essa afirmaçao sua vale para tudo que se trata de justiça¨NO SENTIDO DE JUDICIARIO¨ou somente para o caso em questão?
    Jornalista tem que tomar cuidado senão são desmascarados quando comparamos a sequencia de seus artigos.

  20. Comentou em 22/04/2008 maria de fátima araujo de morais

    Senhor Weis, eu prefiro ter fama de ‘ruim da cabeça’, alienada e mais outros tantos adjetivos, do que estar na companhia desse populacho.
    Autorizo a publicação.

  21. Comentou em 22/04/2008 Marco Antônio Leite

    Ninguém gosta de sangue e nem necessita de capanga para assistir a sujidade televisiva. São poucos os que têm condição econômica para realizar o que bem entende no dia-a-dia, como também ter o privilégio de escolher o tipo de lazer que cabe no seu bolso. Porém, a maioria do povo não tem esse privilegio se vê na obrigação de assistir uma televisão que só apresenta programas policialescos, ou não? Infelizmente o trabalhador é induzido a acreditar que no Brasil existe somente gente ruim. Esse caso por se tratar de uma família classe média decadente e a vítima ser uma frágil garota os meios de comunicação, para faturar uns trocos a mais, correram e escancaram suas câmaras para mostrar um casal de índole duvidoso para todo o país. Com certeza se tivesse ocorrido esse fato o seio de uma família pobre, o assunto se resumiria num roda pé de um desses jornalecos da vida! Ou não?

  22. Comentou em 22/04/2008 Lucas Carlos de Oliveira Silva

    No Agora Sâo Paulo de hoje veicula a notícia de que um garoto de foi morto, aparentemente sem explicação, na porta de casa.

    Segundo testemunhas, duas pessoas o chamaram para fora de casa e, assim que ele saiu, levou um tiro.

    O tio estranha a atitude pois o garoto nem saía de casa por conta de um video game que tinha ganhado recentemente.

    Fico me perguntando: qual será a serventia para a mídia de saber as causas da morte de uma garoto negro, da periferia, que foi morto aparentemente sem motivo algum.

    Muitos diram ‘deviam ser um traficantezinho qualquer devendo’, informação contestada pelo tio e um vizinho, já que nestes locais impera a lei do ‘ninguém sabe, ninguém viu’.

    E o que será desse garoto? Mais uma criança a compor a estatística de violência nos anuários ou farão dele também um espetáculo digno de uma arena romana?

    Sinceramente, duvido que a segunda opção ocorra.

  23. Comentou em 22/04/2008 Patrícia Paz

    Weis, eu concordo em partes, sim e não para seu texto.
    Ousar ficar na contramão do interesse da massa é um comportamento de poucos. Passei por isso em todas as edições de realitys shows que foram mostrados no Brasil. Não gosto, não curto, não assisto e em época de BBB sou criticada. Sou eletista, metida a intelectual. “Não é boa da cabeça ou doente do pé”.
    O interesse da imprensa no caso em questão vai além do compromisso da informação. Concordo também, mas não vejo uma aliança para determinar culpados ou inocentes. Isso discordo completamente.
    O que vejo de negativo na exploração do caso é o famoso cinco minutos de fama. A ênfase do crime hediondo, cometido por quem quer que seja, como forma de estrelato. isso me enoja, mas não o fato de anunciarem um culpado antes de provas e evidências. Nesse caso, até acredito que estejam com bastante ressalva para determinar um ´culpado´. Até cheguei a brincar com meu círculo de relacionamentos, dizendo que sabiam o nome, só faltava o sobrenome. E, antes de ser condenada aqui, não estava acusando ninguém, somente ironizando os 99% do caso resolvido, tão anunciado pela polícia.
    Observei falhas nas investigações, na cobertura, nos comentários especializados. Só não vi falha no crime, quem matou a menina, pai, madrasta, desconhecidos ou irmãos, elaborou um crime perfeito, se exitisse isso.

  24. Comentou em 22/04/2008 Eloísa Klein

    Basta assistir a um dia de programação de particularmente três emissoras de televisão, que direcionaram todos os seus programas de variedades para a ‘cobertura’ do caso Isabella para ter noção do que implica a afirmação ‘foram eles’ (acompanho o caso por interesse de observação empírica). Segunda-feira, dia 21 de abril, uma rede conseguiu repetir, numa mesma seqüência de ‘notícia’, sem cortes, cinco vezes a mesma cena. A mesma. Sem tirar, nem pôr. Era a cena da saída de Alexandre e Anna Carolina para a delegacia e o tumulto que ocorreu então. Foram cinco vezes. Até achei que tivesse mudado o canal sem querer. Como se explica isso? Interesse público? Respeito à investigação policial? E mais, usando a própria cena: o que leva a um ataque de leões à presa como o fizeram os jornalistas ao carro do pai de Alexandre, que tentava levar os suspeitos para seu depoimento?

  25. Comentou em 22/04/2008 JULIO CELESTINO

    Brilhantes as observações do jornalista acerca da maneira como têm sido reportado os acontecimentos envolvendo a morte da menina. Não entendo como um homicídio – brutal, é certo; mas não menos insidioso como os tantos outros que sucedem por esse Brasil – pode tomar tanto tempo assim na grande mídia. E para finalizar, quem não se lembra do caso da Escola Base de São Paulo? Também é certo que a Imprensa (pessoa jurídica) não é o Judiciário (não julga), mas está, como qualquer cidadão, submetida à lei, a mesma lei que garante a todos o direito a um julgamento justo, juntamente com o respeito à dignidade e à moral. É lastimável o modo como a Imprensa tem levado a cabo a cobertura desse fato. “Pode ser que até que se arrependesse de nos ter denunciado; e na verdade, por que denunciar-nos? Em que é que lhe tirávamos alguma coisa?”
    Machado de Assis, Conto de Escola.

  26. Comentou em 22/04/2008 MARIO MARTINS DE LIMA Martins de Lima

    Quem pode dizer que a justiça também não faz e diz barbaridades? Quem não conhece que a justiça tb. proteje os mais ricos e como diria o antigo Rango: é igual gelo, pesa menos em que tem as costas quentes.
    Gostaria mesmo é de ver artigos discutidono as 520 mil crianças assassinadas pelos pais, nos últimos 12 anos, segundo reportagem que vi na TV? E porque os pais sempre mataram e, em certas épocas, tiveram a prerrogativa de matar impunimente seus filhos! Porque imprensa, acadêmicos, as pessoas comuns calmam-se sobre isso?
    E ainda, se a imprensa inteira, promove todo este show é porque a imprensa está podre. Será que ha recuperação? Não creio.
    Se a Rede Globo se presta a promover teses da defesa? Como definier Isso? Picaretagem, estelionato?
    Qual a esperança se mesmo a crítica é muito frágil?

  27. Comentou em 22/04/2008 Marcelo Cosi

    De fato,

    ‘Foram Eles’ é um dano irreparável.

  28. Comentou em 22/04/2008 Max Suel

    Um momento senhor Luiz Weis: ‘… aliança espúria da polícia e da imprensa …’ O que é isto ? Quando ? Onde ? Como ? Por que? um raciocínio lógico é sempre bem-vindo. O trabalho da polícia (o termo deve ser entendido no seu sentido mais amplo) foi prudente, bem feito, criterioso, profissional em todos os sentidos. O que resultou deste trabalho ? um rol de eventos que esmagam qualquer ponto da versão apresentada pelo pai e sua esposa. As conclusões das perícias apontam para a ação crimonosa do pai e da esposa. Lógico que devem ser cumpridos os trâmites legais, mas a justiça brasileira (espero que ainda existam juízes no Brasil) certamente dará abrigo ao indiciamento dos dois, e após julgamento (formal) dará o veredicto que todos aguardam; e não aguardamos porque somos todos ‘chutadores’, mas porque as evidências clamam , gritam, pela culpabilidade do pai e sua esposa.

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