Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Completa três anos o primeiro sistema de certificação de qualidade jornalística na Web

Por Carlos Castilho em 19/10/2008 | comentários

Um dos grandes problemas da internet é separar o joio do trigo no meio da avalancha informativa gerada pelos 120 milhões de weblogs e pela multiplicação de páginas informativas com noticiário fornecido por empresas jornalísticas.


 


Os métodos tradicionais, baseados na certificação de qualidade informativa a partir do trabalho de profissionais qualificados começam enfrentar dificuldades cada vez maiores por conta do crescimento anual de 30% dos conteúdos informativos publicados na Web.


 


O projeto NewsTrust, lançado em 2005, por uma ONG californiana conseguiu finalmente obter reconhecimento internacional para o trabalho de três anos no desenvolvimento de um sistema colaborativo para avaliação da qualidade de notícias, artigos e reportagens publicadas na grande imprensa e em publicações alternativas.


 


Ao receber financiamentos externos para continuar seu trabalho, o projeto mostra a crescente preocupação com o desenvolvimento de novos sistemas baseados em recomendações de leitores para servir de parâmetro para os internautas inseguros com as conseqüências da avalancha informativa online.


 


Até o final do ano de 2008, estima-se que serão publicados na Web documentos digitais que equivalem ao conteúdo de 70 mil novas bibliotecas do Congresso Norte-americano, a maior do mundo com um acervo de 17 milhões de livros cadastrados. Estes novos documentos, adicionados ao longo dos últimos 12 meses, somam um total de 18,5 exabytes de conteúdos digitais em texto, áudio e imagens[1].


 


Tão perturbadora quanto os números desta escalada informativa é a perspectiva de mudança nos valores que orientam a nossa confiabilidade em relação à novas noticias, dados e informações. Até agora o que valia era a opinião de pessoas consideradas de “notório” saber.


 


A experiência do NewsTrust mostra que passaremos a depender mais da matemática para avaliarmos o que é melhor ou mais confiável. O projeto combina recomendações pessoais feitas por uma comunidade de 7.400 jornalistas[2], intelectuais, profissionais liberais e pessoas sem nível superior, com cálculos probabilísticos para fixar tendências.


 


Na certificação feita com base no parecer de pessoas de notório saber, o resultado é caracterização por valores absolutos: certo ou errado, bom ou ruim. Já no critério da avaliação colaborativa e das formulas matemáticas, não há erro e nem acerto absolutos. O resultado é sempre relativo, ou seja, maior ou menor probabilidade de confiança ou qualidade informativa.


 


Isto implica algumas mudanças bem radicais no nosso comportamento diário. Se não há verdade e nem erro absolutos, também não há donos da verdade, logo quem discorda de nós pode ter algum grau de razão. Logo o que ele pensa ou sabe pode ter alguma importância e isto significa que é necessário leva-lo em conta.


 


O grande problema do sistema desenvolvido pelo NewsTrust está no número de participantes na avaliação. Quanto maior o numero maior a probabilidade de que o resultado final seja mais ou menos fidedigno.  Por isto a sobrevivência de um projeto é algo essencial para que possam ser testados na prática.






[1] Estimativas feitas com base nos dados da pesquisa How Much Information, organizada pelos professores Hal Varian e Peter Lyman, da School of Information Management and Systems, na Califórnia.  



[2] Esclarecimento – Eu integro esta comunidade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/10/2008 Elcio Machado

    Carlos Castilho, integra a comunidade, desde junho de 2007, mas, ao que parece, não participa muito. Dados do próprio site indicam que sua última visita (logada) foi em agosto de 2007. Por que seria?

  2. Comentou em 21/10/2008 Jose de Almeida Bispo

    É interessante ver os empresários da comunicação, depois do imenso poderio e lucros, terem de migrar pra outros ramos de comércio. Parece que restarão os jornalistas. Sobre qualquer tipo de controle na web, parece questionável que alguém se julgue capaz de avaliar tantas e tantas informações ao mesmo tempo.

  3. Comentou em 20/10/2008 Bruno Poppe

    Mais uma empresa americana controlando os veículos e o teor de informações. Quanto tempo
    será necessário para não confiarmos no que vem dos EUA, seus mecanismos de dominação e
    persuasão? As informações estão aí pra quem quiser ver, não nos meios convencionais, claro.

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