Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Consolidação dos jornais grátis na Web fortalece o conceito de notícia como bem público

Por Carlos Castilho em 20/09/2007 | comentários

O jornal norte-americano The New York Times desativou esta semana o seu serviço Times Select, pondo fim a uma experiência de dois anos de cobrança pelo acesso às versões online de artigos de sua equipe de colunistas. Logo em seguida, dois outros ícones da imprensa mundial admitiram que estão estudando, também, o fim o acesso pago nas suas versões na internet.


 


O velho debate sobre a gratuidade dos jornais online está chegando a um desfecho determinado por questões eminentemente práticas, mas deixa no ar uma questão que ainda provoca curto circuitos na cabeça de donos de jornais e especialistas em imprensa: o da gratuidade da notícia.


 


O The New York Times investiu US$ 10 milhões no Times Select e resolveu jogar a toalha depois que ter conseguido apenas 227 mil assinantes pagos (outros 887 mil ganharam assinaturas grátis). Pior do que isto, foi a insatisfação dos colunistas que ficaram por trás do muro da cobrança e que perderam milhares de leitores ao redor do mundo.


 


O blogueiro e consultor de Web Jeff Darvis admitiu que deixou de ser um leitor habitual de estrelas do colunismo como Thomas Friedman e Maureen Dowd porque não assinou o Times Select e acabou descobrindo que ambos não faziam tanta falta assim.


 


A grande maioria dos demais jornais na Web não cobra nada pelo acesso ou exige apenas cadastramento do leitor. Aqui no Brasil, a Folha de S.Paulo e O Globo cobram acesso ao seu conteudo online, enquanto O Estado de S.Paulo limita a quantidade de notícias publicadas na Web.


 


O balanço financeiro da experiência do Times Select ainda não é conhecido, mas os jornais The Wall Street Journal (norte-americano) e Financial Times (inglês) já admitiram formalmente que podem deixar de cobrar acesso à suas versões online. Os jornais econômicos oferecem um conteúdo especializado e não enfrentaram grandes resistências da clientela formada por empresários e corporações na hora de pagar a conta.


 


Se até eles estão dispostos a aderir à gratuidade é que porque o buraco é mais embaixo. A verdadeira questão é a facilidade de opções na Web. Usando um mecanismo de buscas o leitor pode facilmente obter gratuitamente a mesma informação que alguns jornais cobram. Este é talvez o grande argumento por trás da meia volta dos grandes jornais em matéria de assinatura online paga.


 


A mesma linha de raciocínio vale para as versões em papel. Por que vou comprar um jornal impresso se posso ter o mesmo conteúdo na Web, sem pagar nada? É claro que isto não é uma sentença de morte dos jornais impressos, mas as suas tiragens cairão, ainda mais, se eles não buscarem novos nichos informativos.


 


Isto comprova uma possibilidade levantada desde o início da avalancha informativa na Web sobre a transformação da notícia num bem público. Depois de ser um produto — ou, como dizem os economistas, uma commodity com preço variável — a notícia perde valor monetário e ganha relevância social.


 


As implicações desta mudança ainda não foram exaustivamente estudadas pelos teóricos da comunicação, mas os jornais, rádios, emissoras de TV e revistas já começaram a sentir os seus efeitos práticos. A imprensa está vendo a sua principal matéria-prima perder valor, o que muda a natureza do seu negócio.


 


Os jornais não terão outra alternativa senão trocar o noticiário de atualidade pelas reportagens investigativas e textos analíticos, se quiserem sobreviver.


 


Conversa com o leitor


A primeira versão do post continha um erro. Originalmente foi publicada a frase: ‘a Folha de S.Paulo é o único dos três grandes jornais nacionais a cobrar acesso online para o noticiário completo’. A informação estava incorreta e foi substituida pela versão atual.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/09/2007 Luiz Alacarini

    Pago pro provedor de banda larga, pago pro provedor de acesso e ainda tenho que pagar para ler jonal? Até pouco tempo eu lia diariamente uma coluna do Globo Ancelmo Gois e semanalmente do Artur Xexeu só isso… Eles vendem assinatura, na banca, anuncios, etc e ainda querem ganhar por acesso na web… Que já vem cheio de anuncios é muita ganancia querem ganhar de todos os lados eu não pago.

  2. Comentou em 25/09/2007 Márcio Faustino

    Eu vejo positivamentetodo esse movimento. Como diz o próprio texto, os jornais serão obrigados a serem mais investigativos e analíticos se quiserem continuar sobrevivendo no mundo impresso.

    Os jornais têm tido a tendência de encurtarem os textos e limitarem a informação, para ocuparem menos espaço e atraírem o máximo de público possível. Elesnão se tocaram que é justamente isso que tem derrubado os jornais.

    Os jornais impressos nunca vão morrer. Ler um jornal é muito mais prazeroso, podendo ler em qualquer lugar e aqualquer hora, como também, lercom mais conforto. Ler no tícias na internet é desconfortânte, não posso ler na faculdade, no parque, na sala de casa. Posso passar 1h lendo jornal, mas não aguento ficar 20 minutos lendo notícias na internet.

  3. Comentou em 24/09/2007 ubirajara sousa

    Não entendi, ainda, por que o acesso aos jornais na web não possem ser gratuitos. A televisão aberta está aí para iluminar a mente de quem pensa que algum trabalho dos poderosos é um ato de benevolência. Patrocínios senhores, essa é a válvula de escape. E eles sabem disso. Alguns observadores, porém, parece que estão ainda sonolentos. Como se sustenta o OI? Com recuros do Dines, do Weis, do Castilho? É só observar bem o site que a resposta será encontrada.

  4. Comentou em 24/09/2007 Felipe Faria

    A noticia é um bem público na medida em que a água é um bem público. É de quem pegar, digrátis, mas se vocë quiser encanada em casa, tem que pagar alguém para fazer isso, ou então vá de balde até o rio.

  5. Comentou em 23/09/2007 Clovis Geyer

    A imprensa tem que se dar conta que a informação na web é digital, não existe papel, fotolito, chapa, impressora, circulação, distribuidores, encalhe…
    Mesmo num jornal a circulação nunca teve um significado grande no custo da manutenção do produto, mas sim a verba publicitária, que é a base financeira da notícia na internet. Os tempos realmente mudaram, eu já assinei Veja, intercalando com a Isto É, o Estadão, FSP, DC, revistas técnicas. Hoje tenho todas as informações que preciso gratuitamente na Internet. Na área técnica com muito mais volume e qualidade, livros técnicos praticamente não compro mais, pois já saem desatualizados. Os jornais, como se apresentam, estão mortos. O futuro esta nos jornais populares, a classe média (que comprava jornais) perdeu poder aquisitivo nos últimos anos. Mesmo se quisesse, não tenho mais recursos para assinar uma revista, imagina os três jornais diários que assinava e as revistas semanais e mensais, e quer saber? Agora leio apenas o que me interessa, filtro a informação que desejo através de sites especializados, de blogs inteligentes, pois de tudo que assinava, não lia mais do que 30% o que já era muito.
    A Veja cobra para disponibilizar seus conteúdos, não leio e não me faz falta e eles perdem um clique a mais em suas pageviews, provavelmente também não faço falta pra eles.
    Pra que gastar com papel? Apenas se for por nostalgia.

  6. Comentou em 23/09/2007 Tiago Samejima

    Bom essa mensagem não tem muito haver com o tema,mas peço que repassem….
    Eu no momento estou residindo no Japão, hoje me deparei com um video na internet que me deixou um pouco tanto intrigado,vejam este video onde a bandeira brasileira esta servindo de tapete para japoneses,eu como brasileiro morando fora do pais nao aceitei ao ver tal cena, se passa no minuto 2:18 ———-> http://br.youtube.com/watch?v=w6c0LuFEMME&mode=related&search=

  7. Comentou em 22/09/2007 Erivan Augusto Santana

    Convém lembrar que para um jornal ter boa qualidade, inclusive de navegação na internet, é necessário ter investimento. Portanto, uma vez atendido esse quesito, vale a pena pagar.
    Os jornais tb podem se associar aos provedores de internet, o que pode ser uma saída.

  8. Comentou em 22/09/2007 Paulo Bandarra

    Como não existe almoço de graça, nem na natureza, a grande questão é como sustentar o ‘de graça’!

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