Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Conversa com os leitores sobre o caso Nardoni

Por Carlos Castilho em 31/03/2010 | comentários

A série de comentários publicados por leitores do Código , a propósito do post sobre o caso Nardoni, vale uma reflexão porque mostrou como o público está ocupando seu lugar na produção coletiva de conhecimentos.


 


A primeira constatação é a de que está crescendo rapidamente a freqüência de discussões entre leitores. Antes, predominava a confrontação de opiniões, o popular bate-boca. Agora, aumenta a preocupação em entender a contraparte para poder discutir melhor. É um comportamento diferente da tradicional atitude de ouvir para descobrir os pontos fracos, como se ambas as partes estivessem numa luta livre.


 


A outra constatação é a de que o autor do post já não é a referência única. Isto também é um avanço importante porque diversifica as opiniões submetidas ao debate e enriquece a experiência de cada um. Quanto mais diversificadas forem as opiniões, maior o ganho de cada participante porque ele terá mais elementos para tomar a sua decisão.


 


É importante levar em conta que a formação de uma opinião pessoal não é sinônimo de imposição desta mesma opinião sobre as demais pessoas. Nós temos o hábito de procurar “ganhar” discussões, ou seja, fazer com que o nosso ponto de vista predomine. Só que esta é uma falsa sensação de “vitória”  porque, no final das contas, cada interlocutor vive numa realidade específica e vai acabar tomando a sua própria decisão, seja ela ou não concordante com a nossa.


 


Outra observação. Não se trata de avaliar resultados, mas sim de acompanhar a participação dos leitores. Os resultados não podem ser medidos pela “vitória” de uma ou outra opinião, mas pelo impacto que a troca de idéias terá na vida de cada um. Assim, o resultado é muito pessoal e difícil de ser medido no desfecho da discussão.


 


Finalmente, o aumento da participação e da qualidade das intervenções fortalece o processo de formação de redes de leitores e usuários. Esta é a função de um blog. Não é servir de púlpito para “discursos” do autor, mas de “banquinho” para ele começar uma conversa. Qualquer coisa a mais do que isto é mera pretensão, já que os leitores têm hoje cada vez mais o controle desta “mesa de boteco” surgida em torno da área de comentários do Código.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/04/2010 Carlos Fradique Mendes

    Prezado Castilho,
    Certamente este blog contribui para a construção de um espaço público discursivo em que diversos atores, de forma intersubjetiva, podem convergir e confrontar na arena virtual. Parabéns pela publicação do texto.

  2. Comentou em 02/04/2010 Wallace Lima

    Continuação: …do que pelo fato de normalmente não terem acesso a boas escolas, bons livros, boa formação, não disporem de recursos para viajar e ter contato com outras culturas etc. (Negar a importância desses fatores evidentes é, intencionalmente ou não, compactuar com aquela ideia hipócrita, bem conveniente aos manipuladores, de que os pobres, apesar de todas e todas as suas carências, sempre sabem das coisas, sabem bem o que querem!) Para concluir, se todas as classes sociais tivessem o seu crescimento intelectual predominantemente embasado em jornais impressos e telejornais da TV paga, bem sabemos que haveria uma infinidade de lacunas, teríamos inevitavelmente uma visão de mundo para lá de estreita, o que significa dizer que seríamos todos muito pobres, independentemente de níveis socioeconômicos.

  3. Comentou em 02/04/2010 Wallace Lima

    Prezado Carlos Castilho, a sensação que tive não poucas vezes com relação à atitude de alguns comentadores daqui do Observatório é semelhante não à de uma ‘luta livre’, como você falou, mas de um ‘pega’, é assim como se a pessoa estivesse provocando os outros como quem pisa no acelerador e ‘canta pneu’ convidando pra um ‘pega’ na avenida. E, o que é lamentável, quantas ideias proveitosas dos contendores são então desperdiçadas por eles próprios no meio dessa fumaça hostil e estéril, quando não se consegue resistir ao convite insolente! Nessas horas, procuro não ser veloz nem furioso, acho melhor ficar esperando toda a poeira assentar para poder ligar o meu motor com relativa serenidade e dar a partida. Redigi um comentário para o artigo ‘O caso Nardoni e o novo fenômeno midiático da classe C’. Acho que não tem problema se postá-lo aqui: Acho que as classes mais pobres, em relação às outras, estão perigosamente mais sujeitas à manipulação política, político-midiática (rádio e TV aberta) e a quaisquer outras forças simpáticas capazes de hipnotizá-las, forças estas que podem levá-las a ‘tomar decisões acerca de questões complexas’ que verdadeiramente só favoreçam aqueles que as manipulam. E penso que essa disparidade se dá muito menos pelo fato de que os mais pobres não têm acesso a determinados veículos jornalísticos (jornal impresso e telejornal da TV paga)… (continua)

  4. Comentou em 01/04/2010 José Albino

    Caro Castilho, nós leitores gostamos muito dessa sua posição chamando a todos à participação e debate de assuntos diversos. Vemos nessa oportunidade um raro oásis na web de troca de opiniões e idéias. Realmente, no caso da garota Isabella e do julgamento dos acusados, percebi pelas leituras de artigos, incluindo o seu, que sem dúvida há duas únicas grandes vítimas: a garota e sua mãe Ana Carolina Oliveira. Não posso nem sequer imaginar o que é a perda de um filho. Mas percebi que houve um uso geral e deliberado da imagem da garota e de sua mãe e de seu sofrimento, por todos os setores da sociedade. A igreja, explorando a fé da mãe e expondo-a como um troféu de seguidora e adepta exemplar, sofredora, entre os fiéis. A promotoria, para conseguir seu intento de condenação, baseado na comoção social e conseqüente pressão popular. A mídia, para conseguir vender espaço comercial em horários nobres e nada mais. E triste que nada disso pode trazer a Isabella de volta, e também triste que nada disso ( nem condenação, nem igreja, nem exploração da mídia) é capaz de consertar os problemas crônicos de nossa sociedade. Os debates promovidos por artigos como o seu e que lançam visões de reflexão sobre os temas podem se tornar terapêuticos a todos, e talvez mitigar os processos de disrupção ética na sociedade. Obrigado por sua sempre boa vontade de promover debates.

  5. Comentou em 01/04/2010 Cristiana Castro

    ( cont. ) Por outro lado, a gente ( comentarista) acaba se achando em outros sites e é muito legal. Como tb é tudo de bom, ler em outros sites os textos que a gente leu e comentou aqui, parece que o teto entrou em outro planeta pq são outros comentários e outros comentaristas. A rede é uma revolução e os jornalistas sairam na frente. O pessoal anti-governo ( e aqui não estou militando) quer se matar, mas a verdade é que os sites mais badalados são os sites jornalísticos e isso é uma clara indicação de que as pessoas procuravam informação limpa. Isso não tem nada a ver com o Lula é uma tendência e a explosão da web, coincidiu, aqui, com o governo dele. Teve a ver sim, com o uso da web, na época do tal de mensalão, pq era o único canal que a gente tinha, mas depois… Ih, já falei demais, vou deixar um espaço para o Ibsen, que é o maior entusiasta do Código. ( Vc já se deu conta que é o único blog não moderado da web? Colei do Ibsen ) Isso aí vc pode contar para seus filhos, netos, bisnetos, tataranetos…. Vc é o único!

  6. Comentou em 01/04/2010 Cristiana Castro

    Eu concordo com vc, Castilho. Há um tempo atrás houve uma discussão dessas lá no Azenha pq oa ânimos andavam exaltados. Ponderei que era uma questão de tempo, muitas vozes caladas por muito tempo, de repente saem gritando mesmo e coisas que parecem atuais, por conta da rede, já estavam, há décadas, entaladas na garganta das pessoas. Acho mesmo que, agora, depois de tantos gritos de um lado e ouvidos cheios de outro, estamos conseguindo um equilíbrio. E, olha, que eu sou uma das desequilibradas. A gente vai se dando conta disso, qdo acaba se acostumando com um nome e esse nome vai ganhando forma de gente, sem querer qq um acaba percebendo que do outro lado tem alguém. Qdo eu comecei a ‘ visualizar’ os nomes que eu lia, achei que era hora de fazer um rodízio pq não seria bom humanizar o nome, que isso significaria perda política, na medida em que o objetivo é passar a idéia e a ‘ existência’ real do outro, faz com que a gente pense antes de responder e daí a força da idéia acaba comprometida. a droga é que a gente se acostuma e sente falta até dos que a gente achava ‘ chatos’ pq , sem eles, fica tudo meio preto- e-branco, não tem graça. Tenho absoluta convicção, que essa experiência da rede, re-inaugura ( sei lá como se escreve isso ) o jornalismo, de verdade. A gente vai poder, ver, ler e ouvir vcs e dizer, caraca, é o Castilho, é o Dines, o PHA, o Bucci, o Azenha… ( cont. )

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