Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Crise das agências complica a busca de um novo modelo de negócios para o fotojornalismo

Por Carlos Castilho em 31/07/2009 | comentários

A crise no fotojornalismo mundial parece ser ainda mais grave e complexa que a dos jornais . Esta semana, a agência francesa Gamma, um ícone de fotojornalismo mundial há quase meio século, admitiu que pode fechar por conta de graves dificuldades financeiras.


 


É mais uma das grandes agências que dominaram o mercado da fotografia jornalística desde o final da Segunda Guerra Mundial a reconhecer sua incapacidade de enfrentar a combinação mortal de internet e crise nos jornais. 


 


O pior de tudo é que as iniciativas de distribuir fotografias digitais feitas por pessoas comuns também fracassaram, deixando o mercado totalmente inseguro sobre o futuro desta área do jornalismo visual.


 


As dificuldades de agências como a Gamma são compreensíveis na medida em que elas cresceram num mercado dominado por poucas empresas. Quando a internet permitiu a distribuição ampla e irrestrita de fotos tiradas com câmeras digitais, a situação mudou radicalmente.


 


O primeiro susto das grandes agências aconteceu pouco depois da virada do século com o surgimento do site iStockPhoto, que criou o primeiro banco online de imagens com material fornecido por amadores. Eram imagens pouco sofisticadas, vendidas a baixo preço mas que atendiam as necessidades da publicidade barata.


 


Como as agências dominavam o mercado de fotos de alta qualidade, o impacto inicial não chegou a ser violento. Mas logo em seguida começou a crise nos jornais e revistas dos Estados Unidos e a situação ficou ainda pior, quando em 2005 , fotógrafos profissionais independentes começaram a montar suas próprias agências, operando pela internet.


 


Três agências online, a Scoopt, Spy Media e a Cell Journalist foram as primeiras a explorar este nicho do mercado, em 2006. Duas delas não duraram mais do que dois anos e a única sobrevivente, a Cell, mudou de ramo. Todas apostaram na possibilidade de adaptar o modelo iStockPhoto para fotos jornalísticas, uma idéia que ainda seduz muita gente mas que não se provou viável financeiramente.


 


A mais nova experiência no ramo de fotos jornalísticas produzidas pelo publico é a Demotix, criada em janeiro de 2009 e que acaba de conseguir o que nenhuma de suas antecessoras alcançou: a ambicionada primeira página do The New York Times. A grande cartada da agência, que se proclama uma combinação de ativismo e jornalismo, foi conseguir contatos com a oposição iraniana — o que lhe valeu material exclusivo das manifestações antigovernamentais em Teerã.


 


A Demotix tem hoje cerca de 6.700 colaboradores espalhados por 110 países e que recebem metade do preço cobrado pela agência a seus clientes. Nos seus sete meses de existência, ela ainda não deu um centavo de lucro. Mark Glaser, editor de mídia da rede publica de televisão (PBS) dos Estados Unidos, publicou um texto onde se mostra cauteloso na avaliação do futuro da agência.


 


O modelo de agenciamento de fotos produzidas por pessoas comuns assim como o chamado jornalismo cidadão já provaram que funcionam como geradores de redes de colaboradores capazes de produzir excelente material jornalístico, mas até agora não provaram que são sustentáveis economicamente no médio e longo prazos.


 


A incorporação de milhões de fotógrafos digitais amadores espalhados pelo mundo como fornecedores potenciais de imagens jornalísticas já está produzindo uma avalancha de material visual disponibilizado na web. O que não foi descoberto até agora é se haverá algum tipo de intermediário entre a produção e a publicação de fotos.


 


O drama da agência Gamma e a insegurança sobre o futuro da Demotix mostram que a definição desta função será mais complicada e demorada do que imaginavam os fotógrafos, principalmente os profissionais.  

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