Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Crise dos partidos empurra imprensa para o protagonismo eleitoral

Por Carlos Castilho em 09/09/2009 | comentários

A transformação da mídia em partido político informal é um fenômeno em ascensão não apenas aqui no Brasil mas em boa parte do mundo. Não se trata de desvios de conduta deste ou daquele veículo, mas de uma conjuntura econômica e política que está levando a imprensa a exercer um papel que, estruturalmente, deveria ser dos partidos políticos. 


 


Além da sucessão diária de fatos e eventos que revelam de forma cada vez mais nítidas as simpatias eleitorais da imprensa brasileira, além fronteiras, as fidelidades e interesses da mídia também estão na agenda pública de países como Portugal, Itália e Rússia, só para citar os mais conhecidos. 


 


Em Portugal, um escândalo envolve políticos, financistas e jornalistas da emissora TVI, controlada pelo grupo espanhol Prisa. Tudo por conta dos interesses na construção de um mega shopping Center nos arredores de Lisboa, onde o suborno foi largamente usado para obter licenças ambientais e urbanísticas. É um escândalo complexo porque há espanhóis e ingleses também metidos no negócio, que é o grande tema da campanha para as eleições legislativas do dia 27 deste mês.


 


Na Rússia, o escândalo envolve a editora norte-americana Condé Nast que proibiu a publicação de um artigo com documentos e depoimentos mostrando o envolvimento primeiro ministro russo Vladimir Putin, numa série de atentados a bomba em Moscou, que causaram dezenas de mortos em 1999.


 


As explosões foram atribuídas aos separatistas chechenos, mas teriam sido provocadas para fortalecer o apoio à posição de Putin, então vice – primeiro ministro e  defensor da repressão aos dissidentes.


 


A decisão da Condé Nast, que edita cerca de 20 revistas em russo, foi no entanto desafiada pelo site Gawker que convocou blogueiros de todo mundo para fazer uma tradução coletiva do artigo escrito pelo veterano correspondente, Scott Anderson. O texto em russo foi distribuído pela Web e acessado por cerca de 200 mil pessoas.


 


O envolvimento da imprensa com questões político-partidárias não é novo mas está ganhando uma visibilidade crescente, especialmente aqui na América Latina com a polarização provocada pelos governos de Hugo Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia e Rafael Correa, no Equador. 


 


A maioria dos jornais latino-americanos perdeu a objetividade na hora de informar sobre o que acontece nestes três países, da mesma forma que a imprensa simpática a Chávez, Morales e Correa ignora as críticas aos respectivos governantes. A politização da informação pelos governos foi acompanhada com igual empenho pela imprensa, gerando uma situação em que todas as notícias ficam sob suspeita de responder a algum interesse oculto.


 


Este processo de identificação da imprensa com objetivos eleitorais acontece num momento em que os partidos estão cada vez mais descaracterizados e desprestigiados, ao mesmo tempo em que os jornais passam por um período de dificuldades financeiras provocadas pela migração de leitores e anunciantes para a Web.


 


O desgaste dos políticos é especialmente nítido na America Latina, onde os grandes lobbies corporativos, que antes se identificavam com os partidos conservadores, estão agora em aliança com a imprensa, aproveitando a difícil conjuntura vivida pela mídia regional, em especial pelos jornais impressos.


 


Fenômeno idêntico mas com motivos diferentes acontece no lado dos governos, onde os partidos de esquerda simplesmente foram devorados pela máquina política do Estado. Nos países onde a situação está mais radicalizada, é total a confusão entre os conceitos de liberdade de informação e liberdade de imprensa. Os jornais simplesmente transformaram as duas expressões em sinônimos, enquanto os governos usam a primeira contra a segunda.


 


Neste confronto, existe uma forte possibilidade de que ambos os lados acabem como perdedores. O impasse entre governos populistas e jornais conservadores pode provocar, de um lado, a ingovernabilidade e, do outro, seqüelas irreparáveis na credibilidade da imprensa, num momento em que a confiança do público é essencial para o êxito de novos modelos de negócio da mídia na era digital.


 


A irritação dos leitores de jornais é visível nos comentários postados neste Observatório da Imprensa e noutros sites de notícias sobre a imprensa. É difícil avaliar a magnitude deste criticismo mas não há duvidas de que suficientemente intenso para deixar no ar uma grande preocupação.


 


Nós precisamos dos jornais porque, seja qual for o seu perfil futuro, eles necessariamente farão parte do leque de opções essenciais na tomada de decisões individuais.  A imprensa é importante demais para ser deixada apenas ao sabor do jogo eleitoral entre empresários e governos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/09/2009 Oswaldo Penteado

    A midia nunca foi isenta e desde que me conheço por gente toma partido deste ou daquele candidato. A diferença é que antigamente não havia outra midia para se informar a não ser o
    jornal

  2. Comentou em 12/09/2009 Cristiana Castro

    Eu insisto na pergunta. Pq não aparece nenhum, caraca, pelo menos UM jornalista, de qq jornal ou emissora para explicar a sociedade a quem ele serve? Não faz o menor sentido, nós mesmo ficarmos repetindo que trabalham para seus patrões ( eu mesma faço isso, toda hora ), se todos estão trabalhando para seus patrões e eles são diferentes, aos interesses de quem esses patrões estão vinculados? Mesmo assim, estariam TODOS, dispostos a lutar contra os próprios países? Por dinheiro, poder, ou sei lá o que, se destrói o próprio país? O lugar onde seus filhos e netos vão viver? Pq a imprensa não retrocede? Se eu pego um caminho ruim eu só me mantenho nele por dois motivos, ou sou teimosa ou já estou próxima demais do destino. Eu não acredito que por dinheiro estejamos passando por isso. Seria o mesmo que conceber que a OAB tenha convocado os advogados para condenar inocentes e todos os advogados aderissem. Ou ainda que os Conselhos de Medicina convocassem os médicos para adoecer a população e a categoria aceitasse. Não faz sentido. Pq os jornalistas não se manifestam? Pq não reagem? Não é possível que acreditem que a população os esteja perseguindo. Usem a Internet, façam um fake, denunciem, sei lá… Isso tá ficando muito esquisito. Conheço pessoas de direita que não leem ou assistem mais jornais, não é uma reação de esquerda ou de direita, já passou disso faz tempo.

  3. Comentou em 12/09/2009 Luciano Prado

    A força dessa mídia desonesta reside na aposta em discursar para incautos e desinformados. O contingente de “presas” ainda é grande, mas aos poucos num trabalho de formiguinha de internautas e blolgueiros honestos, comprometidos com a verdade e como os fatos, a conscientização vai se alastrando e a cidadania se fortalecendo. É óbvio que ainda falta muito. O desafio é não permitir a ditadura dessa imprensa. Conseguiremos? O caminho seria mais curto se jornalistas e profissionais da área cooperassem como faz o Carlos Castilho nesse artigo.

  4. Comentou em 12/09/2009 Ivan Moraes

    ‘Não se trata de desvios de conduta deste ou daquele veículo, mas de uma conjuntura econômica e política que está levando a imprensa a exercer um papel que, estruturalmente, deveria ser dos partidos políticos’: e vai ser com DINHEIRO PUBLICO que essa tralha vai querer fazer espionagem e sabotagem pagas? Nao vai nao. Alias, a ‘polarizacao’ de governos latinos aa qual voce se refere, Castilho, eh muitissimo bem planejada. Ela eh intencional e por ser intencional, eh evidente que as sucessivas, repetidas, exhaustivas tentativas de radicalizacao da populacao teem que suceder em algum lugar, exatamente no elo mais fraco. Que grande coincidencia que ela aconteceria exatamente com a Venezuela, que tem dinheiro caindo pelas orelhas. Mas nao eh a primeira vez… Angola tambem ja foi vitima e ainda tem milhares de vitimas fisicamente danificadas permanentemente, mas ninguem sabe aonde esta o dinheiro da Angola: la nao esta.

  5. Comentou em 12/09/2009 Cristiana Castro

    O problema não é a mídia de um mode geral, apoiar a oposição mas assumir o seu lugar, não vejo muito evidenciada, a não ser em alguns Blogs uma disputa entre PT e PSDB mas uma guerra declarada entre Governo e Imprensa. A oposição desapareceu, vez ou outra eles dão um pitaco, na maioria das vezes é a mídia com seus factóides e aí sim, a oposição vem para pedir uma CPI de alguma coisa. Que sempre foi assim a gente já sabe, mas as proporções que isso tomou não existem, tanto assim que outros países da AL estão tomando providências e o Brasil já deveria ter feito o mesmo. Eu não quero saber se quem vai ganhar a eleição é a Dilma ou o Serra ou a Marina mas a imprensa não vai levar. Ninguém se suja tanto por uma eleição, nem os políticos de oposição estão envolvidos a esse nível nessa guerra. Seria muito digno que algum profissional da imprensa viesse a público explicar para quem trabalha. Ninguém trabalha contra o país e contra a população, a esse nível, sem um objetivo muito claro. É muita insistência para ser reduzida a uma eleição. Eu espero, sinceramente,estar enganada, mas a população vai pagar um preço muito alto por estar permitindo esse jogo. Que pelo menos tenhamos memória suficiente para não atirarmos pedra no primeiro pato que a mídia encontrar para ser responsabilizado pelo que ela,a imprensa está armando pra cima da população.O projeto de poder, não é bem do Lula, não.

  6. Comentou em 11/09/2009 Herman Fulfaro

    Por falar em mau jornalismo, acho que nada se compara ao Jornal da Manhã da rádio Bandeirantes. É um festival da direita, uma pancadaria sem fim em cima do MST ou de qualquer pessoa (ou coisa!) de esquerda, da atualidade ou do passado. Uma verdadeira sucursal da UDR. Acho que nem o Ademar de Barros, que entregou a Bandeirantes ao seu genro Saad, conseguiria agüentar tanta discriminação, tanta baboseira, tanta informação tendenciosa disparada diariamente pelos Srs. Joelmir Betting, José Paulo de Andrade, e Salomão Esper. É de embrulhar o estomago. Hoje, só pra variar, junto com o ex porta-voz e amigo pessoal de Fernando Collor, Cláudio Humberto, desceram o cacete pra valer no Tarso Genro, por ele ter dito, em entrevista, que o voto do Peluso, no caso Battisti, teria sido “ideológico”, ao que, entre adjetivos do tipo assassino, facínora, sanguinário, etc, com visível ódio e desdémquestionavam se o dele, Tarso, por acaso também não teria sido ideológico. Oras, o voto do Min. Tarso não só foi ideológico, como se tratou de uma decisão política conforme ele nunca ocultou, até porque nada o impedia de fazê-lo. O problema é que um juiz, um sujeito que se diz magistrado, não pode se dar ao mesmo luxo. Na hora de julgar não pode ser político nem sentenciar em atenção a esta ou aquela ideologia. Juiz, até a minha sobrinha de 8 anos sabe disso, tem que ser absolutamente imparcial.

  7. Comentou em 11/09/2009 Moacir Moreira

    Olá, amigos observadores da imprensa,

    Tenho percebido que o debate democrático está reduzido entre PT e PSDB e respectivas alianças.

    A entrada de Marina Silva na competição apenas serve para polarizar ainda mais as atenções na parceria pt-demo-tucanato.

    Será que em um país tão grande como o Brasil não há outras opções além dessas nulidades que a imprensa, seja a dos empresários, seja a dos bloqueiros, nos empurra goela abaixo todos os dias?

    Abraços

  8. Comentou em 11/09/2009 Ibsen Marques

    Luiz Roberto, vou aproveitar seu comentário e fazer a seguinte pergunta sobre a regioão de Bauru.: A imprensa e o MP compactuam com o cartel formado por postos de combustíveis? O que justificaria o GNV custar R$ 2,399 contra R$ 1,499 em São paulo ou a média de 1,569 no Vale do Paraíba e região de Campinas e Piracicaba. Dessa vez até que a gasolina estava competitiva, mas esse momento é uma excessão.
    Sobre o artigo, a imparcialidade e isenção da imprensa são condições utópicas em qualquer país, em qualquer época e em qualquer circunstância. Como podemos querer que um ser estritamente político (o homem) haja e escreva de forma imparcial só porque é jornalista ou juiz? O problema está em que aqui no Brasil a imprensa não expõe os dois lados ou mais da notícia nem assume clara e abertamente suas posições e a que tipo de ideologia se vinculam. Ao contrário, vivem nos fazendo querer crer que são isentos e éticos (Jornal Nacional 40 anos). Verdadeira piada. A internet faz sucesso porque é irreverente, informal, normalmente assume mais claramente suas posições e a um único toque você tem acesso a diversas visões de uma mesma notiícia.

  9. Comentou em 11/09/2009 Ana Maria Arrigoni Vigano

    A Band como alguém aqui já disse, já passou dos limites há muito tempo. Ela está insuportável! Criminaliza todos os movimentos sociais, apresenta editoriais irados contra a reforma agrária, contra as cotas raciais, contra rádios comunitárias, contra políticas ambientais et caterva. Ela resolveu mesmo botar as uinhas de fora porque não se conforma de ficar à sombra das outras famiglias. Sem falar que aluga enormes espaços da concessão pública que recebeu do Estado Brasileiro a pastores evangélicos que enriquecem pedindo dinheiro sem qualquer pudor como este R.R. Soares. O Boris Casoy, Deus nos livre do veneno do rancor que ele destila contra qualquer questão que envolva movimentos sociais. Vocês precisam ver quando ele recita o esquete antiLula com a Dora Kramer… Os editoriais do Boechat às 7 horas da manhã – Minha Nossa! A gente necessitando de saber do tráfego, do tempo, e ele só falando sandices. É preciso discutir as concessoes dos meios de comunicação. Avante Confecom.

  10. Comentou em 11/09/2009 Julio Cesar Montenegro

    A imprensa só está ficando é mais desmascarada. Ele sempre defendeu os interesses de donos, anunciantes, patrocinadores. A peculiaridade latino americanabrasileira é que, desde a colônia, os dominantes são de fora. Por isso o povo, quando escolhe politicos menos subservientes ao ‘Primeiro Mundo’ dos sabidos, é tachado de ignorante. Enquanto o politico dificil de agradar aos colonizadores de sempre sofre campanhas. Quem lembra da nossa imprensa livremente derrubando Getulio, preparando o golpe de 64,elegendo Collor e FHC contra Lula, levando Alkimin até a queda no 2º ? Como a chilena preparou o golpe de 73 no Chile. E tantos outros. Aliás basta ver os ódios impressos contra bolsa-familia e o amor oculto às especulações na Bolsa. É muita classe!

  11. Comentou em 11/09/2009 Luciano Prado

    Ninguém suporta mais a politização desmedida da imprensa. É óbvio e até aceitável que a imprensa não consiga ser totalmente imparcial. Mas o que se verifica entre nós e nos países vizinhos é de uma afronta a cidadania de dar medo. O ocorrido na Argentina com a fiscalização pelo Fisco ao jornal Clarín é sintomático. Ninguém em sã consciência diria que o casal Kirchner se enquadra no rol dos políticos autoritários. Mas chegou-se a esse quadro. A própria imprensa trata o jornal como “grupo de mídia de oposição”. Isso é possível? A imprensa tornar-se um partido político “não-formal”? E utilizar-se de métodos ilícitos, ou no mínimo imorais, para impor sua vontade sob o manto da liberdade de imprensa, sigilo da fonte e outros direitos que deveriam lhes assegurar a prática do jornalismo saudável, onde a verdade e os fatos fossem o objetivo?
    Aonde essa gente quer chegar? Ao poder a qualquer custo, dispensando eleições democráticas? Grande parte da responsabilidade cabe aos profissionais da área que silenciam diante dessa grave quadra.

  12. Comentou em 11/09/2009 carlos anselmo

    salve, castilho,

    só fiquei frustrado porque o articulista faltou dizer que sete famílias, praticamente, são proprietárias da mídia nesse país. o que torna o problema mais grave ainda de que em outros lugares.
    será que foi por falta de espaço ou o objetivo do post era dá uma visão geral da imprensa mundial?

    abçs

  13. Comentou em 11/09/2009 Túlio Villaça

    Articulista, aceite a sugestão de tratar da Rede Bandeirantes, em seu telejornal noturno, apresentado por Noblat e Beting. Pelo menos uma vez por semana, é veiculada uma matéria sobre a questão da terra, sempre tomando unilateralmente o ponto de vista das associações de agricultores, políticos da bancada ruralista, latifundiários, inclusive com depoimentos dos diretores da Band, presentes em eventos destas associações! Ou então manifestações do MST, mesmo absolutamente pacíficas, com entrevistas a motoristas atrazados na estrada, mas nunca os representantes do movimento. Uma parcialidade inacreditável, que constrange até os apresentadores, ficando claro que é imposta ‘de cima para baixo’. Um uso vergonhoso do Quarto Poder se convertendo em Quarto Interesse.

  14. Comentou em 11/09/2009 Marcelo Ramos

    Prezado Carlos Castilho, no teor concordo com seu texto, mas acho
    que você ‘pegou leve’ demais. Não sei se há uma palavra mais fore
    mas não creio que há apenas uma partidarização. Existe uma
    escancarada defesa de(a) (o)posição. Conforme citado por uma
    jornalista abaixo, o caos de São Paulo é um parâmetro recente de
    comparação. Chegou-se à conclusão que a culpa é da chuva., ou dos
    pontos de alagamento, não da administração ruim. E digo mais. A
    mídia, ao mostrar como são feitas a política e as salsichas, poderia
    fazer isso com um viés positivo, porque o ato de negociar é implicito
    ao ato político. PELO MENOS, a mídia, se tivesse um mínimo de
    intenção de esclarecer os leitores, daria voz a qualquer cientista
    político para dizer isso. Mas o que a mídia quer mesmo – e eu acho
    que por isso o caso no Brasil é mais grave – é desgastar o governo,
    direta ou indiretamente. Mesmo considerando as diferenças culturais,
    a coisa também está ruim nos USA. Como o estilo lá acaba
    repercutindo aqui, o andar da carruagem lá logo vai deixar claras as
    consequências desse excesso de ‘protagonismo’ da mídia. Nesse
    momento, nos USA, prolifera uma campanha venenosa da direita,
    dizendo que Obama não nasceu nos USA. É semelhante às
    manifestações de certos articulistas do Brasil, que vocalizaram o
    preconceito de classe mais arraigado contra o Lula, em 2004 e 2005.

  15. Comentou em 11/09/2009 romildo santor

    Olha aí! É a imprensa sendo adaptada às questões de mercado e o premio nobel de ecomomia ganhará fácil quem alinhar os conceitos éticos dentro desta visão.

  16. Comentou em 10/09/2009 Jose de Almeida Bispo

    Primeiro, os jornalistas perderam o ‘timing’ ao não perceber no jornal um negócio; depois os donos de jornais (‘investidores’ ou ganhadores de dinheiro) perderam o ‘timing’ ao ignorar que nem só de dinheiro vive a sociedade; aí, pra não perder de ganhar dinheiro eles investiram em ser monocratas; mandar, monocraticamente no poder constituído. A internet derrotou-os. Quem juntará os cacos?
    A imprensa é importante demais para deixar de existir, assim como a sociedade sempre necessitará do ponto de convergência que a imprensa oferece. Todavia, nunca foi tão difícil mentir o quanto está hoje. Nunca a imprensa foi tão colocada em cheque para ser aquilo que ela sempre se disse ser: livre, séria, e ética. Verdadeira.

  17. Comentou em 10/09/2009 Luciano Prado

    O artigo presta um excelente serviço ao jornalismo, à imprensa. Pena que o suicida já esteja decidido. Lendo os jornais também se lê a “carta do suicida”.

  18. Comentou em 10/09/2009 Cristian Korny

    a imprensa deu um golpe, pois os políticos estão desprestigiados por causa das campanhas midiáticas em que não adotaram uma postura analítica, mas sim demonizadora, então, nesse processo, a imprensa tomou o lugar dos políticos na representação da sociedade, um golpe, diminuir o poder dos políticos para tomar para si esse mesmo poder. Ainda salvam a parcela da imprensa que ainda tem compromisso com a democracia, além dos próprios interesses, de outra forma este artigo não teria sido publicado. Enfim, graças a Deus, a hegemonia está ameaçada, mas para defender a hegemonia a mídia corporativa tomou o lugar dos políticos temerários.

  19. Comentou em 10/09/2009 Luis Roberto Tizoco

    Olá Dines e comentaristas. Sou Jornalista e me sinto muito a vontade para falar deste assunto. O problema todo não está no fato de a mídia ter prefência política. Está na maneira tendenciosa como os assuntos são tratados. Pegue o caso das enchentes em São Paulo e a cobertura da FSP. Até outro dia esses fatos tinham nome e sobrenome. Hoje, os representantes dos governos estadual e municipal não são citados… Quando muito eles aparecem como ‘comentaristas’ do Jornal. Acredito que o que deixa indignados os leitos e blogueiros que vc citou é o fato de todos os dias os jornalões tentarem pregar na testa deles o carimbo de ‘idiotas’. São crises fabricadas todos os dias, factóides dos mais ridículos etc etc… Isso tudo para defender suas posições de partidos políticos nos quais têm interesses. Veja bem: Não seria mais fácil deixar claro aos leitores que apito o jornal toca e dar a ele o direito de se armar na hora da leitura. O DIREITO DE ESCOLHER PARTIDO OU IDEOLOGIA É DE TODOS NUMA DEMOCRACIA… O QUE NÃO VALE É TENTAR ESCONDER ESSA ESCOLHA SOB UMA FRAUDE CHAMADA IMPARCIALIDADE.

    abs

  20. Comentou em 10/09/2009 Thogo Lemos Santos

    Queria muito acreditar que o problema com a imprensa/mídia possa ser resumido à questão da briga de mentirinha entre PT-PSDB. Só a paixão cega da ideologia adolescente pode fazer crer que os dois estejam de lados opostos. ‘A imprensa é importante demais’. Concordo, mas será que tanta importância justifique o fato absurdo de esta ser a única instituição nacional a não ser investigada pelo principal agente de esclarecimento, a própria mídia? É patético só vermos a mídia investigar a si própria quando um grupo passa a ameaçar o outro, como ocorreu recentemente entre a Globo e a Record. Ou será que a descoberta do ‘modus-operandi’ do pastor-empresário é recente? Que tal informar ao público quem financia, atualmente, a mídia, sejam as pequenas como rádios e jornais locais ou as grandes empresas, globais ou não? Para a mídia, toda classe profissional é corporativista. Menos, é claro, ela própria. Aceita placidamente o controle de seus patrões, que pagam a conta, mas reagem a qualquer ameaça de controle ‘externo’. Temos muito a caminhar. Ou então, continuar a torcer, apaixonadamente, na gincana PT-PSDB.

  21. Comentou em 10/09/2009 armando duarte

    A impensa tinha a aua importância quando apresentava a verdade factual , verdadeira e deixava aos leitores a liberdade de explicitá-la. Hoje a imprensa apresenta a ‘sua verdade’, virtual representando para todos os dois lados a possibilidade de confronto. Por isso também a imprensa deixou de ser importamnte. Acredito que todos nós ,leitores e instruidos, damos mais valor a uma internet do que a uma imprensa.

  22. Comentou em 10/09/2009 Herman Fulfaro

    ‘A irritação dos leitores de jornais é visível nos comentários postados neste Observatório da Imprensa e noutros sites de notícias sobre a imprensa.’ – E isso seguramente irá se agravar ainda mais quando realmente começar a campanha eleitoral em 2010. Está mais do que evidente que a candidata (o) da situação não terá pela frente apenas um adversário de oposição, mas um candidato de oposição+imprensa, o que obviamente acaba compelindo o governo ao uso da máquina estatal (como se isso já não fora uma tendência natural de quem está no poder), expediente ilegal e reprovável, mas que acaba se constituindo no único recurso para enfrentar uma mídia sacana e irresponsável. Em última instância o que deverá prevalecer mesmo, tirante o carisma ou antipatia pessoal dos candidatos, é o poder da imprensa versus o poder da máquina estatal, cabendo ao TSE, de vez em quando, dar uma chinelada daqui e dali, com que o ringue do vale-tudo estará definitivamente armado. No mais, se depender da capacidade de bater vence a Dilma; se depender do jogo sujo vence o Serra, especialista em jogadas eleitorais de impacto, dentro e fora do seu partido.

  23. Comentou em 10/09/2009 Fábio de Oliveira Ribeiro

    ‘A transformação da mídia em partido político informal é um fenômeno
    em ascensão não apenas aqui no Brasil…’

    Discordo desta sua frase. A mídia sempre foi um Partido Político. Foi
    a mídia carioca que clamou para o Exército Brasileiro destruir
    Canudos. Foi a mídia brasileira que clamou pela deposição de
    Washington Luis, clamou pela deposição de Getulio Vargas, clamou
    pela deposição de João Goulart, clamou pela deposição de Collor e
    clama de maneira envergonhada pela deposição de Lula há oito anos.

    O problema da mídia no Brasil é claro. Sem censura ela abusa para
    que os ‘outros’ (aqueles que não tem contas gordas e sobrenomes
    tradicionais) sejam rigidamente censurados. Não é a toa que eu
    sempre digo: ‘Durma com um jornalista brasileiro e acorde com um
    ditador militar na sala.’

  24. Comentou em 10/09/2009 Eduardo Lamarck Ligório

    Sr. redator, é preciso que se fique claro de que lado a imprensa está. A meu ver, deve noticiar a verdade de forma imparcial, porém, em certos casos (que não são poucos), deve, sim, apontar drásticamente quando os fatos são tendenciosos, principalmente quando subrepticiamente favorecem a classe política decadente.

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