Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Crise leva alguns jornais americanos a atropelar códigos de ética

Por Carlos Castilho em 11/06/2008 | comentários

A imprensa norte-americana começou a extrapolar em sua luta pela sobrevivência, ao usar recursos que ela sempre condenou enfaticamente. Três casos ocorridos nos últimos dias põem em evidência esta tendência que está deixando muito profissional de cabelos em pé, nos Estados Unidos.


 


O conglomerado Tribune (um dos três maiores dos EUA) acaba de anunciar que os jornais do grupo passarão a ser regidos pela “regra do meio a meio”, ou seja metade notícia e metade anúncios, contrariando a tradicional divisão 60 % informações-40% publicidade adotada pela industria de jornais do país há mais de 50 anos.


 


A decisão anunciada pelo polêmico executivo do grupo Tribune, Sam Zell, visa reequilibrar as finanças dos jornais do conglomerado que recentemente adotaram um formato menor para economizar papel.


 


Quase ao mesmo tempo, o jornal Los Angeles Times anunciou que o controle editorial de sua revista dominical será transferido da área jornalística para a área comercial.  É o primeiro grande jornal norte-americano a acabar com a separação entre informação e negócios na produção jornalística. O Los Angeles Times pertence ao grupo Tribune.


 


A revista dominical está sendo reformada já sob orientação do departamento comercial do jornal que pretende fazer o relançamento no final de junho com um exemplar tendo como capa Michelle Obama, a mulher do pré-candidato democrata à Casa Branca, Barak Obama.


 


Quase ao mesmo tempo, os jornais Philadelphia Inquirer e Phladelphia Daily News publicaram, há uma semana, um anúncio de uma empresa de aviação fictícia com o objetivo de testar a penetração da publicidade dos dois veículos.  A publicidade da Derrie Airlines, que se auto-proclamava a primeira empresa aérea verde dos Estados Unidos, prometia descontos segundo o peso dos passageiros e alegava que se tratava de uma iniciativa de apoio às campanhas contra a obesidade.


 


A propaganda enganosa foi inserida tanto na versão impressa como na online dos dois jornais, que registraram um índice quase 12 vezes maior de acessos, só na versão Web nos cinco dias em que os anúncios foram publicados.


 


A imprensa norte-americana, que ainda é considerada a melhor do mundo, começa a dar sinais de que a crise causada pela queda de vendas e pela migração da publicidade rumo à internet está minando compromissos éticos estabelecidos há décadas como a autonomia editorial das redações e o princípio de que o leitor não deve ser enganado.


 


O executivo Sam Zell, um homem que fez fortuna no ramo imobiliário, é o personagem mais polêmico nesta virada dos grandes grupos jornalísticos norte-americanos rumo à uma busca frenética pela lucratividade perdida. Zell, que muitos consideram uma espécie de Cavaleiro do Apocalipse da imprensa norte-americana, deixou claro que pretende levar a mesma política adotada na revista do Los Angeles Times às demais publicações do grupo Tribune.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/06/2008 Luis José Pereira Ariosto Silva

    eh, a gente sabe que nos EUA eh assim, dinheiro manda, duvido que agora eles estao fazendo isso, sempre fizeram, o povo estadunidense eh o mais burro do mundo, naum sabem dizer onde fica o pais deles, devem achar que buenos aires eh capital do brasil, ok, nao sabem de nada do mundo, ok, e tem gente no brasil que soh valoriza o que os estadunidenses fazem, naum valorizam as coisas brasileiras, os artesaums e a cultura popular, ok, tem que dar valor ao que eh nosso, os estadunidenses vaum mendigar petroleo do brasil logo, isso se o bush deixar o brasil continuar no caminho certo com o Lula, se nao dah um golpe militar para acabar com o governo do povo, ok, temos que prestar atencao.

  2. Comentou em 12/06/2008 Gustavo Gomes deMatos

    Nos Estados Unidos, a ética é uma questão de valores…financeiros. Enquanto essa mudanças não atingirem o New York Times tudo bem, é sinal de que a coisa não é tão séria assim. Como já disse nosso colega Nilson Laje: “Ética da informação, ética do jornalismo, ética do jornalista. Das três, a ética da informação é a mais abrangente, pois nela assenta a credibilidade do Estado, das instituições, das empresas, dos políticos e dos técnicos – além, é claro, dos veículos de comunicação e de quem neles trabalha. O jornalismo é a concessão de um serviço público, tem um dever a cumprir antes de visar o lucro: informar o cidadão com qualidade. No Brasil, esse tema deveria ser mais debatido, pois, aqui, a coisa ta acontecendo geral.

  3. Comentou em 12/06/2008 Toni Ferro Ferro

    Os jornais americanos atropelam o código de ética. E os brasileiros? como se classifica o comportamento, por exemplo, do jornal do brasil a respeito da manchete sobre os escândalos do governo do RS, mas disse que eram num governo do PT? E como se classifica a cobertura dada sobre a nova ‘crise’ envolvendo a venda da Varig e sua relação com o governo federal? E a cobertura sobre as denúncias de corrupção no metrô de São Paulo? Como todo partido sem futuro no Brasil, o PIG também terá que mudar de nome. Passará a se chamar PIC – Partido da Imprensa Canalha.

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