Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Crise leva alguns jornais americanos a atropelar códigos de ética

Por Carlos Castilho em 11/06/2008 | comentários

A imprensa norte-americana começou a extrapolar em sua luta pela sobrevivência, ao usar recursos que ela sempre condenou enfaticamente. Três casos ocorridos nos últimos dias põem em evidência esta tendência que está deixando muito profissional de cabelos em pé, nos Estados Unidos.


 


O conglomerado Tribune (um dos três maiores dos EUA) acaba de anunciar que os jornais do grupo passarão a ser regidos pela “regra do meio a meio”, ou seja metade notícia e metade anúncios, contrariando a tradicional divisão 60 % informações-40% publicidade adotada pela industria de jornais do país há mais de 50 anos.


 


A decisão anunciada pelo polêmico executivo do grupo Tribune, Sam Zell, visa reequilibrar as finanças dos jornais do conglomerado que recentemente adotaram um formato menor para economizar papel.


 


Quase ao mesmo tempo, o jornal Los Angeles Times anunciou que o controle editorial de sua revista dominical será transferido da área jornalística para a área comercial.  É o primeiro grande jornal norte-americano a acabar com a separação entre informação e negócios na produção jornalística. O Los Angeles Times pertence ao grupo Tribune.


 


A revista dominical está sendo reformada já sob orientação do departamento comercial do jornal que pretende fazer o relançamento no final de junho com um exemplar tendo como capa Michelle Obama, a mulher do pré-candidato democrata à Casa Branca, Barak Obama.


 


Quase ao mesmo tempo, os jornais Philadelphia Inquirer e Phladelphia Daily News publicaram, há uma semana, um anúncio de uma empresa de aviação fictícia com o objetivo de testar a penetração da publicidade dos dois veículos.  A publicidade da Derrie Airlines, que se auto-proclamava a primeira empresa aérea verde dos Estados Unidos, prometia descontos segundo o peso dos passageiros e alegava que se tratava de uma iniciativa de apoio às campanhas contra a obesidade.


 


A propaganda enganosa foi inserida tanto na versão impressa como na online dos dois jornais, que registraram um índice quase 12 vezes maior de acessos, só na versão Web nos cinco dias em que os anúncios foram publicados.


 


A imprensa norte-americana, que ainda é considerada a melhor do mundo, começa a dar sinais de que a crise causada pela queda de vendas e pela migração da publicidade rumo à internet está minando compromissos éticos estabelecidos há décadas como a autonomia editorial das redações e o princípio de que o leitor não deve ser enganado.


 


O executivo Sam Zell, um homem que fez fortuna no ramo imobiliário, é o personagem mais polêmico nesta virada dos grandes grupos jornalísticos norte-americanos rumo à uma busca frenética pela lucratividade perdida. Zell, que muitos consideram uma espécie de Cavaleiro do Apocalipse da imprensa norte-americana, deixou claro que pretende levar a mesma política adotada na revista do Los Angeles Times às demais publicações do grupo Tribune.


 

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