Domingo, 28 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

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Crítica ao sensacionalismo

Por Mauro Malin em 26/03/2007 | comentários

Fernando de Barros e Silva faz hoje na Folha uma crítica pertinente ao sensacionalismo que marca o tratamento dado pela televisão, TV Globo à frente, aos casos de violência que se sucedem no país. Diz que há no ar (e na TV) um clima de “justiça justiceira”.


Polícia politizada


O presidente da Federação de Policiais Civis do Centro-Oeste e do Norte, Divinato Ferreira, afirma hoje no Globo que a “megaoperação” das polícias civis na sexta-feira faz parte de um conjunto de ações de delegados contrários ao projeto de lei orgânica das polícias em discussão na Secretaria Nacional de Segurança Pública.


Presos e foragidos


A manchete do Globo de hoje é combustível para o sensacionalismo: ‘Número de foragidos já é maior do que o de presos’. Todos esses números precisariam ser qualificados, processo que resultaria em desinflá-los.


A maior parte das sentenças, em execução ou não, refere-se a crimes de menor potencial ofensivo. São sobretudo crimes contra o patrimônio, que uma Justiça menos insensata puniria com multas proporcionais ao poder aquisitivo do condenado.


Nas cadeias há uma quantidade considerável de indivíduos que já cumpriram pena e não conseguem alvará de soltura.


Seria necessário saber quantos indivíduos objeto de mandados de captura já morreram.


Foi reeditado em dezembro de 2006 o livro A Justiça a serviço do crime, do juiz e editorialista do Estadão Dácio de Arruda Campos. Foi escrito há mais de 50 anos. No prefácio, o advogado Sabatini Giampietro Netto afirma:


Em termos gerais, sustenta Arruda Campos que nosso Direito, a partir do século XIX, praticamente criou vida própria e tornou-se um fim em si mesmo: o aparato judiciário não pune todos os atos ofensivos à sociedade, mas apenas os que ofendem a lei, mesmo que não sejam anti-sociais (….) A sociedade, concomitantemente à produção de leis para moldar e disciplinar o comportamento de seus integrantes, organizou também um aparelho destinado a coercitivamente impor esses comportamentos ideais, pois sem coerção as leis seriam ineficazes. Esse aparelho, denominado Judiciário, foi desde o nascedouro autolimitado pelo princípio de que não há transgressão punível se o ato não feriu uma lei específica que assim a defina. Isto, afirma Arruda Campos, abriu horizonte para a injustiça (punem-se atos de pouca ou nenhuma nocividade social) e a impunidade de certos grupos de poder – cujos atos, embora socialmente danosos, não podem ser punidos. Viciado na origem, o sistema termina por gerar uma autêntica máquina de moer carne humana, e sua vítima preferencial são os grupos sociais desprotegidos‘.


Todo noticiário que sugere estar a sociedade diante de um problema de proporções avassaladoras tende a provocar inércia. Se a solução é impossível, nada vale a pena. O sensacionalismo anda de mãos dadas com a impotência política. Ou com soluções políticas autoritárias.


E não custa lembrar que o Esquadrão da Morte paulista nasceu há quase quarenta anos para aumentar o cacife da Polícia Civil, como relata o promotor aposentado e ex-deputado federal Hélio Bicudo. (Clique aqui para ler entrevista de Bicudo.)


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Quando Brasil é Brasília


O ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, fez ontem, entre outras, duas críticas certeiras à cobertura do jornal, baseado numa avaliação estatística de palavras-chave. Primeiro, disse que na política Brasil é Brasília: falta cobertura da política paulista e do território nacional. Segundo, que 72% dos textos que falavam sobre favela a associavam a morte, violência, assassinato, tráfico e outros crimes.


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Os heróis e o MST


A polêmica dos usineiros heróis segue hoje na coluna de Mônica Bérgamo, na Folha. Stedile, do MST, diz que a frase do presidente Lula foi infeliz, uma ofensa a milhões de assalariados rurais. Rubens Ometto, usineiro bilionário, diz que Lula é um amigo dos empresários da cana-de-açúcar.


Todos os comentários

  1. Comentou em 26/03/2007 Paulo Bandarra

    No caso em questão, caro Marco Costa Costa, não é na Rede Globo de televisão, correto? Nada parecido existe na TV Globo! Mas o grande responsável pelo seu sucesso chama-se audiência!

  2. Comentou em 26/03/2007 Marco Costa Costa

    Existe um animador de auditório de crimes vinculado a um canal de televisão, o qual faz da notícia puro entretenimento, inclusive mostra cenas externas, as quais não se vê absolutamente nada, apenas para segurar o telespectador na expectativa, de que algo de fato esta ocorrendo. Este tipo de programa deveria ser censurado ou então obrigá-lo a passar após a zero hora. Justamente estas aberrações é que induz o telespectador acreditar que vivemos numa nação somente de bandidos e criminosos de alta periculosidade. Em suma, o falastrão desse animador só fala em crimes de pequena monta.

  3. Comentou em 26/03/2007 Paulo Bandarra

    Seria uma apelo para que não se informe o telespectador dos crimes para que só fiquem entre as vítimas e os algozes? Não seria aquela máxima do jornalismo que ela não inventa, mas os fatos que ocorrem e são noticiados? O desejo que as vítimas logo sumam da presença e permaneçam apenas o facínora transformado agora em vítima!

  4. Comentou em 26/03/2007 Marco Costa Costa

    A rede Globo de Televisão é useira e vezeira em denegrir a imagem do país. Da forma como expõe os crimes ocorridos no cotidiano, a rede em questão faz apologia da criminalidade indiscriminadamente, dando ênfase a um país somente de criminosos. O Brasil tem muita gente honesta e de conduta correta, do que o número de marginais. Marginais criados pelo sistema Neoliberal. Sistema que trata o trabalhador com total desprezo.

  5. Comentou em 26/03/2007 janes salete pretto

    Inclusive o apagão aéreo está bem determinado: São Paulo. Tem que ser muito ingênuo para não perceber que tudo ocorre exatamente em São Paulo. Percebe-se nitidamente que algo está no ar.

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