Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Cross-media,a narrativa jornalística do futuro

Por Carlos Castilho em 07/02/2006 | comentários


O professor italiano Max Giovagnoli, um especialista em textos online, acaba de publicar um livro no qual desenvolve o conceito de cross-media como a forma mais integrada de desenvolvimento de narrativas permitindo que se passe de uma mídia para outra, sem solução de continuidade.


O livro Fare Cross Media (Fazer Cross Media) é uma das primeiras experiências de análise do complexo sistema de produção integrada de conteúdos em ambiente multimídia online.


Max Giovagnoli já publicou três livros sobre produção de textos na web, foi redator chefe do Big Brother italiano e tem um blog chamado Proiettiliperscrittori (sem atualização desde 11/2005) onde discute técnicas desenvolvimento de conteúdos nas várias mídias.


Trocando em miudos, numa narrativa cross media (mídias interconectadas) texto, imagens (estaticas e animadas), sons e interatividade alternam-se segundo uma ordem sugerida pelo autor ou escolhida pelo usuário.


Existe uma certa confusão entre as expressões multimídia e cross media. Tratam-se de conceitos muito novos e ainda não consolidados. Mas de maneira geral, a expressão multimidia é mais usada para definir a existência de mais de uma mídia numa mesma narrativa, enquanto é a cross media é um conceito mais dinâmico porque se vincula específicamente ao processo de transição de uma mídia para outra.


Ela é considerada a forma ideal de narrativa para a web porque o sistema de hiperlinks permite a passagem de uma mídia para outra sem interrupções ou necessidade de mudar de equipamento.


Assim uma pessoa poderá, por exemplo, captar emoções transmitidas visualmente ou oralmente e que perdem boa parte de seu impacto num texto escrito. Poderá examinar uma imagem estática, como um quadro, para conhecer detalhes não perceptíveis num vídeo ou filme. Poderá ainda tirar dúvidas em tempo real com o autor da obra ou sentir as reações de outros navegadores, coisa impossível num jornal, livro, filme, programa de televisão ou de rádio.


Uma das aplicações mais revolucionárias deste novo formato de narrativa é na produção de material jornalístico. A notícia deixa de ser algo estático e distante para tornar-se dinâmica e personalizada, porque será possível conhecê-la, sentí-la e analisá-la através de quase todos os enfoques possíveis.


As ferramentas para que isto seja possível já estão disponíveis e o que falta são profissionais capacitados a usá-las no ambiente jornalistico. É esta carência de pessoal que está atrasando o desenvolvimento do chamado jornalismo de imersão, onde as pessoas poderá vivenciar a notícia de uma forma totalmente diferente da atual, graças a narrativa cross media.


A rapidez com que este novo sistema seja adotado pelos veículos de comunicação jornalística vai influenciar decisivamente no desfecho da crise enfrentada pelos jornais e na solução do problema do desemprego de profissionais do jornalismo.


Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/02/2006 Viviane Pironelli Silveira

    Caríssimo Castilho!
    Não consegui entender a diferença disso com os hiper links que já temos no jornalismo de Web… Ah, gostaria de saber também se Cross- media é uma tendência, e quando foi que surgiu.
    Obrigada pela paciência.

  2. Comentou em 09/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Após ter alguma dificuldade e usar terminologia inadequada para expressar minhas dúvidas entendi, finalmente. Sou-lhe especialmente grato pela paciência. Agora é esperar a novidade chegar para experimentá-la. Melhor, acho que vou vasculhar uns websites americanos para ver a novidade já mesmo.

  3. Comentou em 09/02/2006 Nara

    Oi, Castilho,
    Em SP, há alguns cursos de especialização em novas mídias no Senac, na USP, na PUC, na Metodista. As salas estão lotadas de alunos e, entre eles, muitos jornalistas. Não vejo, nos sites de notícias, espaço para experimentação em cross-media. Quando iniciei minha especialização em novas mídias havia mais de 60 candidatos para 15 vagas. Mais da metade era jornalista, mas nenhum transformava a teoria em prática no mercado de trabalho. Não sei se os estudantes não encontram as vagas dessa demanda, se os editores estão procurando nos profissionais nos lugares errados ou se, como disse, o jornalismo brasileiro ainda não investe em experimentalismo com esses novos conceitos… Um abraço!

  4. Comentou em 09/02/2006 Nara Alves

    ‘É esta carência de pessoal que está atrasando o desenvolvimento do chamado jornalismo de imersão’. Falta mão-de-obra ou falta vontade dos veículos em investir em um jornalismo em que ‘a notícia deixa de ser algo estático e distante para tornar-se dinâmica e personalizada, porque será possível conhecê-la, sentí-la e analisá-la através de quase todos os enfoques possíveis’? Onde, no Brasil, falta mão-de-obra qualificada para este jornalismo?

  5. Comentou em 09/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Grato pela digressão. Se entendi bem o cross-media é uma tecnica de superposição de informações (textuais, visuais e auditivas) mais ágil que o hipertexto. Ao hipertexto já me acostumei e confesso que às vezes acabo perdido, pois ao pular de página em página acabo perdendo o foco inicial que motivava a pesquisa. Isto ocorreria no cross-média ou a diferença entre ambos é justamente a impossibilidade de perder o foco?

  6. Comentou em 08/02/2006 José Antonio Meira da Rocha

    Teoricamente é muito bonito. Mas quem vai pagar pela produção crossmedia? Isso é caro e demorado para fazer…

  7. Comentou em 08/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Não sei se entendi muito bem o inovação. A crooss media seria uma espécie de ‘presentificação virtual’, em que o leitor, pode, por exemplo, ler o texto jornalistico, ver fotos, filmes e o próprio autor da reportágem produzindo-a ou referindo-se a ela ou a temas correlatos? Se for isto o jornalismo se tornaria uma espécie de show e a interpretação uma matéria obrigatória no curso de jornalismo. Não sei não, me parece que arte e jornalismo são duas coisas bastante distintias. A estetização da notícia e da vida em sociedade foi uma das caracteristicas fundamentais do nazismo. Um webnazismo estaria sendo gestado?

  8. Comentou em 07/02/2006 Joao Carlos

    Utilizar todos os meios disponíveis para a comunicação se apresenta como interesse principal da mídia na divulgação de um produto e porque não da notícia jornalística.
    Max Giovagnoli evidencia o uso em Marketing através da veiculação pela mídia móvel (celulares) e/ou internet.
    Sem dúvida é a publicidade que a princípio vem utilizando este novo conceito de comunicação, onde cross-média serve como seu outdoor nos meios eletrônicos.
    No entanto, videos disponíveis em celulares e na internet trariam a informação a uma nova dimensão dentro da notícia. Teríamos os acontecimentos narrados e vistos em tempo real.
    Paralelamente ao que houve na guerra do Golfo em que a CNN apresentou aos nossos aparelhos de TV as ações em tempo real via transmissão de dados através de satélites, teríamos não só emissores móveis como neste caso, mas receptores móveis também.
    A viabilidade só é perfeita com o casamento financeiro dos veículos de comunicação jornalística com as mídias recentes ao tempo em que há a especialização dos jornalistas na edição da notícia; no que se refere ao texto, imagem e som; de interesse do público.

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