Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Culpa do mensageiro – para variar

Por Luiz Weis em 17/08/2007 | comentários

O Globo até que deixou barato o ‘não disse isso’ do ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, ontem, na acareação com a diretora da Anac, Denise Abreu, na CPI do Senado sobre o apagão aéreo.

No último dia 6, o jornal atribuiu a Pereira o seguinte:

‘A Denise é terrível! Ela quer tirar da Infraero o controle do setor de cargas de Congonhas e Viracopos, para levar para o aeroporto de Ribeirão Preto, que pertence ao governo de São Paulo. O terminal de cargas nesse aeroporto já é dominado pelos amigos dela, pelo empresário Carlos Ernesto Campos. Isso é um negócio que movimenta R$ 400 milhões por ano.’

Denise reagiu com um processo contra ele. Na CPI, o brigadeiro como que se retratou – ‘amarelou’, no dizer dos senadores – e ela anunciou que desistiria da ação judicial.

Eles que são brancos que se entendam, mas o jornal apenas estaria honrando a confiança que deseja merecer dos seus leitores se fosse mais enfático em desmentir o desmentido do acusador. Afinal, dia sim, o outro também, com razão ou sem, a imprensa é acusada de pôr na boca de terceiros o que dela não teria saído.

Além disso, no caso específico, o brigadeiro ainda se permitiu declarar que não costuma ‘fazer calúnias de atos administrativos de servidores públicos’.

Se não costuma, ou o Globo inventou o que ele disse da servidora pública Denise Abreu, ou ele mudou de hábito no dia em que falou ao jornal.

No fim é o de sempre: em vez de renegar a mensagem, o seu autor arrependido culpa o mensageiro. A única diferença, agora, é que o desmentido foi um ostensivo jogo de cartas marcadas – e ficou tudo por isso mesmo.

P.S. A legenda enganadora

A Folha publica hoje na página 7 do caderno Brasil uma foto de bom tamanho, com a seguinte legenda: ‘Jovens distribuem panfletos do ´Cansei` em frente ao Teatro Municipal de São Paulo’.

Primeiro, ninguém está distribuindo coisa alguma. Os vinte e tantos moços e moças que aparecem sentados nas escadarias do teatro fazem pose para o fotógrafo Raimundo Paccó com material de propaganda do Cansei.

Mas isso ainda não é nada. O leitor que prestar atenção nos retratados verá na hora que eles não têm o fenotipo, por assim dizer, dos integrantes típicos do movimento.

E se por acaso esse mesmo leitor visitar depois a coluna Mônica Bergamo, no caderno Ilustrada, da mesma edição, verá confirmadas as suas suspeitas, ao ler:

‘Os organizadores do ´Cansei` contrataram rapazes para distribuir panfletos ontem, no centro de São Paulo, com as fotos de Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Regina Duarte e Ivete Sangalo chamando para a manifestação na Sé [marcada para o começo da tarde de hoje]. Eles ganhavam diária de R$ 19.’

***

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