Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Culpa do mensageiro – para variar

Por Luiz Weis em 17/08/2007 | comentários

O Globo até que deixou barato o ‘não disse isso’ do ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, ontem, na acareação com a diretora da Anac, Denise Abreu, na CPI do Senado sobre o apagão aéreo.

No último dia 6, o jornal atribuiu a Pereira o seguinte:

‘A Denise é terrível! Ela quer tirar da Infraero o controle do setor de cargas de Congonhas e Viracopos, para levar para o aeroporto de Ribeirão Preto, que pertence ao governo de São Paulo. O terminal de cargas nesse aeroporto já é dominado pelos amigos dela, pelo empresário Carlos Ernesto Campos. Isso é um negócio que movimenta R$ 400 milhões por ano.’

Denise reagiu com um processo contra ele. Na CPI, o brigadeiro como que se retratou – ‘amarelou’, no dizer dos senadores – e ela anunciou que desistiria da ação judicial.

Eles que são brancos que se entendam, mas o jornal apenas estaria honrando a confiança que deseja merecer dos seus leitores se fosse mais enfático em desmentir o desmentido do acusador. Afinal, dia sim, o outro também, com razão ou sem, a imprensa é acusada de pôr na boca de terceiros o que dela não teria saído.

Além disso, no caso específico, o brigadeiro ainda se permitiu declarar que não costuma ‘fazer calúnias de atos administrativos de servidores públicos’.

Se não costuma, ou o Globo inventou o que ele disse da servidora pública Denise Abreu, ou ele mudou de hábito no dia em que falou ao jornal.

No fim é o de sempre: em vez de renegar a mensagem, o seu autor arrependido culpa o mensageiro. A única diferença, agora, é que o desmentido foi um ostensivo jogo de cartas marcadas – e ficou tudo por isso mesmo.

P.S. A legenda enganadora

A Folha publica hoje na página 7 do caderno Brasil uma foto de bom tamanho, com a seguinte legenda: ‘Jovens distribuem panfletos do ´Cansei` em frente ao Teatro Municipal de São Paulo’.

Primeiro, ninguém está distribuindo coisa alguma. Os vinte e tantos moços e moças que aparecem sentados nas escadarias do teatro fazem pose para o fotógrafo Raimundo Paccó com material de propaganda do Cansei.

Mas isso ainda não é nada. O leitor que prestar atenção nos retratados verá na hora que eles não têm o fenotipo, por assim dizer, dos integrantes típicos do movimento.

E se por acaso esse mesmo leitor visitar depois a coluna Mônica Bergamo, no caderno Ilustrada, da mesma edição, verá confirmadas as suas suspeitas, ao ler:

‘Os organizadores do ´Cansei` contrataram rapazes para distribuir panfletos ontem, no centro de São Paulo, com as fotos de Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Regina Duarte e Ivete Sangalo chamando para a manifestação na Sé [marcada para o começo da tarde de hoje]. Eles ganhavam diária de R$ 19.’

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/08/2007 Eiquiti Toma

    Sobre a reportagem do Luiz Weis no Estadão de 22.08.2007, ‘A indignação seletiva’.
    Prezado Sr. Luiz Weis,
    Não sou politico ou profundo conhecedor dos problemas sociais do país. Entretanto, como leitor do Estadão, me senti indignado com sua colocação contrária e ofensiva ao movimento ‘Cansei’. É revoltante ver o que acontece nos meios políticos brasileiros e a falta de postura dos nossos orgãos judiciais que convalida com as mazelas dos nossos politicos, governantes e empresários curruptos. Eu sempre me questiono, o que podemos fazer para ter um pais mais decente onde a justiça e a moralidade superam a sede pela ganancia e poder. Qualquer ato pelo repudio à escandalosa situação atual é bem vinda e não pode ser taxada de ‘hipocrisia’ como o Sr. o faz. Simplesmente dizer que não devemos apontar ‘pecados’ nos outros se formos pecadores, é no mínimo uma visão míope de um educador. Provavelmente o Sr. não tem filhos, pois um verdadeiro pai educador, jamais dirá ao filho que ele deve ter as mesmas fraqueza que nós temos. Eu posso ter ‘defeitos e fraquezas’, mas quero um filho forte e virtuoso. Sr. Weis, a sua postura é lastimável e condescendente com a situação de descaso ético e moral pelo que passa o país.

  2. Comentou em 18/08/2007 José de Souza Castro

    Esse brigadeiro tem algo de político. O caso lembrou-me de Tancredo Neves. Quando governador de Minas, ele detestava dar entrevista a repórteres que estavam com um gravador na mão. Ficava mais difícil o desmentido. Político gosta de lançar balões de ensaio, para ver a reação do público. Os repórteres aprenderam a se defender, usando gravador, uma coisa que imagino impensável nos bons tempos de Joel Silveira. No Globo, lá pelo início da década de 90, tive que enviar ao Rio, por malote, as anotações de uma entrevista com um ministro do Supremo (ou do TST, já não me lembro qual) em Belo Horizonte que o jornal destacara com uma manchete de primeira página e que depois o ministro desmentiu, aproveitando-se de que os outros grandes jornais passaram batido. Por azar meu, a entrevista não fora gravada. Por sorte, as anotações estavam legíveis.

  3. Comentou em 18/08/2007 José Paulo Badaro

    Desde que a CPI e as caixas pretas deixaram claro que o avião pousou com uma turbina dando reverso, enquanto a outra acelerava, fiquei pensando com os meus botões como é que ainda tem gente, não falo dos parentes da vítimas que, fragilizados, estão sendo visivelmente usados, ainda insistem em culpar o governo.

    Por mais que não existam evidencias de culpa do governo, do aeroporto, da pista ou do grooving, continuam disparando palavras de ordem contra o Lula, a exemplo do que se viu no final do fracassado movimento CANSEI, cujas patronesses juraram tratar-se de um movimento apolítico.

    Não bastasse isso a Globo agora a noite (18.08), fez enorme alarido por causa de uma resolução da ANAC que teria ou não teria validade, mas que a despeito disso teria sido apresentada para a juíza que, no início do ano, ordenou o fechamento de Congonhas em dias de chuva!

    Embora o inquérito militar ainda não esteja concluído, já não é mais do que sabido que um avião que tocou o chão a 250 km p/h e que bateu a 175, com um motor em reverso e o outro acelerando, não conseguiria parar nem que a pista de Congonhas terminasse no Parque do Ibirapuera?!? – A semana que entra promete! Essa cochilada da ANAC, se verdadeira, vai ser explorada pela mídia golpista e reacionária até não poder mais… Aguardem!!!

  4. Comentou em 17/08/2007 antonio carvalho

    Sr jornalista quer dizer que os ‘mandados’ do PT hoje são ideológicos ? Quer dizer que a turma que fez a campanha da Marta em SP não recebeu nada ? Os sujos estão falando dos mal-lavados. O tempo das vestais acabou, caro jornalista, o discurso que essa turma é diferente, não cola mais. Até o povo que recebe o bolsa-miséria já desconfia da ‘proteção’. Acorda moço….

  5. Comentou em 17/08/2007 antonio filho

    o movimento dos cansei de ganhar dinheiro disse que o foco principal , o carro chefe , estaria vinculado com o acidente da Tam. Só que os únicos que não subiram no palco foram os parentes das vítimas, acreditem, ficaram de foram da festa. Cansamos desta hipocrisia. O fato é que o empresariado de SP perdeu a eleição e não aceita a realidade, quer que quer antecipar as eleições municipais, base para 2010.

  6. Comentou em 17/08/2007 MILTON SACRAMENTO

    É bem feito. O brigadeiro fala que fala contra a honra alheia. Mas, com sói acontecer, o jornal não ouve a outra parte. Publica só uma versão. Mesmo que seja inverossímel, uma vez que sempre se prefere o sensacionalismo. A honra e a imagem dos acusados não contam. Mas, o Brigadeiro fez bem em desistir do caso. Um tenente brigadeiro da reserva responder processo de calúnia? Era só o que faltava. É mais um prato feito no circo de horrores em que virou esse já tão desgastado ‘causo’ aéreo.
    Quem aposta sempre no pior merece ficar com esses micos.
    Em tempo, não dá para vs. pedirem desculpas ao Valdir Pires, o qual é demitido sem ter qq nexo causal com o acidente.
    Ora, ide plantar batatas.

  7. Comentou em 17/08/2007 Dante Caleffi

    Participar ativamente de movimentos populares, cansa. Logo, se conclui,que o movimento dos’ cansados’, é composto por ‘laranjas’.
    Mais irônico, impossível.

  8. Comentou em 17/08/2007 JOSE ORAIR Silva

    Afinal um resultado positivo do ‘Cansei’, na forma de uma graninha para os rapazes… Ou alguém estava esperando que os cansados fossem distribuir o material?

  9. Comentou em 17/08/2007 Marco Antônio Leite

    Estou fadigado desse jogo violento que às pseudas ‘toridades’ estão fazendo em campo. O Brigadeiro(que não é aquele que a molecada gosta) na concentração estava com a língua acima do peso e levemente contundida quando falou cobras e lagartos sobre a senhora Denise Abreu. Ontem, num jogo de cadeiras marcadas, o técnico do Brigadeiro passou a instrução para que ele jogasse machucado e fora de seu peso ideal, mas de forma cavalheiresca, sem chutar a medalhinha da oponente. Quem tem juízo obedece o chefe, o Brigadeiro como é obediente, fez o jogo que interessava a todos, porém no decorrer do campeonato ainda vai sobrar para o gandula.

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