Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Cursos de jornalismo na mira do MEC em 2009

Por Carlos Castilho em 11/12/2008 | comentários

Depois de fazer um pente fino nos cursos de medicina e direito, o Ministério da Educação vai colocar sob a lupa os cursos de comunicação e jornalismo de todo o país, numa operação que seguramente vai provocar muita polêmica.


 


Não apenas por conta da avaliação dos padrões de ensino, mas também porque a proposta do MEC envolve a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, bem como coloca na mesa a discussão sobre o papel da comunicação no mundo atual.


 


Embora o ministério ainda não tenha dito claramente o que quer e como vai implementar as mudanças, é voz corrente que o ministro Fernando Haddad deseja transformar o curso de comunicação numa espécie de complemento da graduação. Os médicos, engenheiros e advogados, por exemplo, poderiam ter um diploma de comunicação cursando apenas mais dois anos.


 


Este é o esquema que prevalece nas universidades norte-americanas, onde o jornalismo é uma especialização e não um curso completo de graduação, de quatro anos.


 


Uma mudança como essa já está gerando uma enorme polêmica concentrada especialmente em torno da questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a atividade.


 


As queixas de que a mudança baixará os padrões de qualidade na formação dos comunicadores esbarram no fato de que em vez de quatro será de seis anos o tempo mínimo para que um estudante consiga um diploma para exercer o jornalismo. Teoricamente, isso significa maiores exigências para qualificação, mas essa suposta melhoria depende do que for ensinado nos dois anos de especialização.


 


Se for mantida a base do currículo atual, a reforma não servirá para nada porque a universidade continuará formando graduados que terão enormes dificuldades para conseguir emprego porque sua qualificação está aquém das exigências do mercado.


 


É necessário levar em conta todas as mudanças em curso na área da informação e da comunicação, especialmente o papel que a internet está jogando nesse campo. O jornalismo está cada vez mais condicionado pelas novas tecnologias digitais, que estão introduzindo novos comportamentos, rotinas e principalmente novos valores no exercício da comunicação.


 


O protagonismo inédito do público na produção e publicação de notícias, a autoria coletiva, a nuvem informativa e a mudança dos padrões de certificação de credibilidade são algumas das novas rotinas que estão gerando novos comportamentos, que por sua vez mexem com valores há muito arraigados na pratica do jornalismo.


 


Se o MEC está achando que a mudança vai promover apenas um expurgo dos cursos sem qualificação mínima, o ministro estará dando um tiro no pé. A questão é muito mais complexa do que a burocracia brasiliense, aparentemente, imagina.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/01/2009 Marcelle de Paula

    Quanto absurdo! Eu estudava em Brasília e voltei para Minas quando reduziram o curso para 3 anos, segundo uma nova portaria do Mec. Chegando em Minas, me deparo com jornais feitos por estagiários do 1º ano de curso. Como se não bastasse, os jornalistas formados ganham tão mau como os estagiários. Daí, juntam suas trouxas e vão rumo as capitais que já estão superlotadas e também formam milhares de pessoas a cada semestre, aí fica aquele tanto de recém-formados trabalhando por migalhas em veículos de 5ª que só querem o dinheiro da publicidade. O erro está em todos os lugares. Vamos ordenar: 1º deveria ver a qualidade do ensino de perto, por que o Enade não basta! Tenho um professor de Jornalismo Digital que deve ser o pior do Brasil. E lá vem ele novamente no próximo período. Gente, eu disse DI-GI-TAL!!! A nova tendência em comunicação. E a culpa é minha? Não! Eu sou vítima da falta de fiscalização no ensino. Depois o piso salarial é um isulto, e pra piorar, não respeitado! Nas faculdades, deveria haver para todos os cursos uma peneira que começava pelos professores, logo para os alunos. Aí vamos ver se estudamos 2,3,4 ou 6 anos. Por que a verdade é que no último ano, como é o meu caso, a mensalidade aumenta 20% o valor e a carga horária diminui em 20%. Não entendo! Os cursos devem ser condensados, e os estágios exigidos para a formação, depois, o exame que clasifica ou não.

  2. Comentou em 19/12/2008 Armando Nascimento de Jesus

    Prezado Ivo, poço adivinhar o erro?

    Não seria ‘[…] aos cursos’?

    Como fasso para escrever melhor?

  3. Comentou em 18/12/2008 Fátima Ribeiro

    Conteúdo perfeito, com ênfase à conclusão do autor: a questão, sem dúvida, é complexa. Tomara que as decisões sejam acertadas e o ministro não confunda alhos com bugalhos. Tomara!
    Estamos na torcida e na expectativa de que o jornalismo se mantenha como uma graduação, adequada às exigências, naturais à revolução tecnológica, digital e até editorial!

  4. Comentou em 17/12/2008 Ivo A. Auerbach

    Você tem razão Raiany, mas acho que você cometeu um pequeno erro de concordância. Veja se você descobre. Fica como um exercício.

  5. Comentou em 17/12/2008 Ana Rodrigues

    O grande problema não está no tempo de duração do curso mas na qualidade do ensino que está sendo aplicado nas instituições. O curso de jornalismo precisa ser encarado como todos os outros, que obrigatoriamente, em sua grande maioria, são de quatro anos de duração. Também não dá para querer transformá-lo em um curso técnico de dois anos, há pessoas que estão pagando (e caro) para ter um diploma em quatro anos e querem com isso reconhecimento profissional. Está na hora de encarar a profissão de forma mais séria. Valores antigos devem ser levados em conta, mas também os novos que estão surgindo. Sou totalmente a favor da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, pois acredito de forma absoluta que somente após essa decisão a profissão passará a ser respeitada como deve ser.

  6. Comentou em 16/12/2008 Raiany Guimarães

    Concordo plenamente com a Luciana. Acho que deveria ser feito igual os cursos de direito ou medicina, deveria ter um exame depois do curso para avaliar se o bacharelado está aprto ou não para exercer a função. Pois querendo ou não lidamos com vidas, e podemos destrui-las com algumas palavras.

  7. Comentou em 16/12/2008 Antonio Queiroga

    Concordo com o tom geral do texto do Castilho. Há uma revolução acontecendo na relação entre informação e sociedade. Nela, o papel do jornalista tradicional está em discussão. Muita coisa está mudando, e muitos valores estão em jogo. Isso, claro, precisa ter um reflexo na formação dos jornalistas. Acho produtivo o debate, só não sei para onde ele vai nos levar. Isso vai depender dos agnetes que estarão sentados na mesa de discussão com o governo, e os interesses que vão se confrontar. Em especial, vejo alguns pontos: a questão do diploma, a questão da qualidade dos cursos e a atualização das capacitações dos futuros profissionais. Acredito que uma espécie de qualificação profissional pode ser bem vinda com uma abertura maior nos caminhos para alcançar a profissão. É isso.

  8. Comentou em 14/12/2008 Luciana Bastos

    Primeiro irão transformar o curso em uma ‘especialização’, depois vão querer mudar para um curso técnico. Essa mania de copiar os EUA, porque não é aplicada na segurança? E outra, por lá, o ensino de base é garantido, tem qualidade. Não serão 6 anos de formação em comunicação. Se em quatro a coisa já está aquem, imagin em 2. A saída pode ser bem mais simples, uma espécie de exame de ordem, pronto. Jornalista que quer ter seu registro tem que fazer uma prova, seja ele formado ou não. Tem muita gente que sai da faculdade com diploma na mão e não sabe escrever. Mas não… vamos deixar em apenas 2 anos, Vai ser uma beleza, as faculdades particures vão se esbaldar, ai eu quero ver o pente fino do MEC.

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