Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Da Novacap ao valerioduto I

Por Mauro Malin em 04/01/2006 | comentários

Ainda faltam muitos capítulos para a minissérie JK chegar à época da construção de Brasília, e dificilmente esta informação vai aparecer no seriado: a origem do Banco Rural, tornado nacionalmente famoso pelo empresário Marcos Valério de Souza, é uma empreiteira que participou da construção de Brasília, a Tratex, de Belo Horizonte. [Retificação: um leitor informa que a Tatex ainda não existia e da construção de Brasília participou a Construtora Rabello.]  


Como se sabe, Brasília foi construída a toque de caixa, sem licitação, sob a batuta da Novacap (Nova Capital), presidida por Israel Pinheiro, depois governador de Minas Gerais eleito em oposição à ditadura militar que um ano antes cassara Juscelino Kubitschek.


A Tratex [leia-se Construtora Rabello], comandada por Sabino Corrêa Rabello, ficou tão bem nutrida que comprou o controle de um banco do Rio de Janeiro, o Manoel de Carvalho. Daí nasceu o Banco Rural. Segundo informação do Estado de S. Paulo (16/7/1992), a Tratex foi uma das companhias que em 1992 fizeram pagamentos milionários à EPC, empresa de PC Farias. Outras foram a construtora Norberto Odebrecht, a empreiteira Andrade Gutierrez, dez empresas do Grupo Votorantim e a Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de Alagoas.


Existem elos discretos que ligam muita coisa na República brasileira.


Quem tiver mais informação de boa qualidade sobre esses nexos negligenciados, por favor mande carta para a redação. Quem sabe montamos um verbete sobre o tema para a Wikipedia?


Um adendo fruto de rápida pesquisa (em 4/1, 18h22). Da revista Encontro, novembro – 2004 – Ano III – nº 33.


Entrevista Com Kátia Rabello (atual presidente do Banco Rural), por Angela Drummond (“Banco de sete vidas”).


“(….)


Kátia – Meu avô, Jacques Correia Rabello, tinha uma construtora. A minha família vem dessa área de empreiteiros. Ele fez a Pampulha, era muito amigo de Juscelino, mas era inábil pra administrar as finanças. Não parava com dinheiro nas mãos. Gastava tudo. Meu pai viveu isso na infância e na juventude. Começou a trabalhar aos 16 anos. Montou um armazém, carregava sacos nas costas, mas trabalhou também um tempo ajudando no almoxarifado da empresa do pai, controlando compras e vendas. Aos poucos, meu avô conseguiu ficar mais ou menos estruturado. Meu pai conseguiu evitar que o desastre fosse tão grande, porque, afinal, o meu avô tinha quebrado duas vezes.


Encontro – E como surgiu o banco?


Kátia – Meu pai decidiu ter o próprio negócio, uma empreiteira que se chamou Rabello & Sabino. Ele era sócio do Antônio Sabino, irmão do Fernando Sabino, engenheiro. Essa empreiteira virou a Tratex, uma das maiores do país. Em 1962, ele teve a oferta para a compra da carta patente de um banco, com uma única agência. Era o Banco Manoel de Carvalho, português. Dois anos depois, mudou o nome desse banco para Rural. Era um negócio paralelo, sem peso relativo, já que a empreiteira era o grande negócio. Mas se você olhar a cronologia do banco, ele sempre cresceu, num ritmo lento. No primeiro ano abriu mais uma agência; no outro, duas; em outro não abriu nenhuma. Então, durante 22 anos foi um negócio que era meio tocado na paralela”.

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