Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Da Novacap ao valerioduto II

Por Mauro Malin em 04/01/2006 | comentários

Um leitor escreveu:


‘Não ficou muito clara qual a intenção do autor da matéria em querer estabelecer um vínculo entre o Banco Rural e Brasília, ou entre a instituição e o governo de JK. Pode ser que eu esteja enganado, porém parece ter havido uma intenção obscura em querer dizer que o que ocorre hoje em dia não é novidade e que tudo deve ter começado com a construção de Brasília. Talvez devesse ter havido licitação ou, quem sabe, um projeto para ser votado no congresso estabelecendo como se daria o processo de construção da cidade. Aí teríamos mensalão para aprovar o projeto, propina para favorecimento de alguma empreiteira, recursos não contabilizados para cobrir despesas de parlamentares com a vinda para a futura cidade e coisas assim. Parece incrível, porém ainda há gente querendo atribuir à construção de Brasília as mazelas que ocorrem hoje em dia na política brasileira. Querem por que querem esconder a verdade, ou seja que essas coisas acontecem devido à péssima qualidade desses parlamentares que mandam para cá.“


Essas indagações merecem esclarecimento.


Gosto de Brasília. Embora eu hoje tenda a achar que sua criação produziu mais problemas do que soluções. O meu Rio de Janeiro natal ficou sem sua função administrativa federal, que só não era tão importante quanto é hoje em Brasília porque havia, para não ir mais longe, o segundo maior setor industrial do Brasil, o porto, ferrovias e grandes jornais e emissoras de rádio. Estudiosos dizem que o Brasil passou a conviver com inflação elevada. A ditadura demorou mais a cair, como dizem ter ironicamente constatado o ex-ministro da ditadura Delfim Netto (no Rio o tranco oposicionista era maior).


Gosto da figura política de Juscelino Kubitschek, o que, udenismo ou lacerdismo à parte, não é nada raro na minha geração.


A intenção do tópico foi mostrar que no Brasil a ligação entre determinado tipo de empresa e governos é fortíssima, carnal, como diria Carlos Menem. Isso não começou com Brasília. Há mais ou menos vinte anos ouvi um relato sobre relação irregular com empreiteiras durante o governo de Lucas Nogueira Garcez em São Paulo (1951-55). Quem quiser pode remontar à Intendência do Exército na Guerra do Paraguai. O que foi a colonização do Brasil por Portugal?


Voltemos à construção de Brasília.


Primeiro, a Novacap foi criada por lei aprovada no Congresso Nacional. A oposição deu combate, mas perdeu. Quais eram os métodos de relacionamento entre Executivo e Legislativo eu não saberia dizer agora, mas é algo que pode ser pesquisado. 


Segundo, as denúncias. Reproduzo trecho do verbete “Israel Pinheiro” do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro 1930-1983: “Nesse período [início de 1961], o governo de Jânio Quadros criou diversas comissões de sindicância para investigar a administração de vários órgãos na gestão anterior. A Novacap foi um dos mais visados, sendo constatado um desvio total de 60 milhões de cruzeiros [segundo o site do Banco Central, em valores corrigidos pelo IGP-DI da FGV esse valor corresponde a 5.030.568 reais de novembro de 2005; na escala do valerioduto, fica até tímido]. Essa e outras conclusões foram veementemente atacadas pelo deputado pessedista José Maria Alckmin, o qual, em vários discursos na Câmara, afirmou que aquelas comissões não tinham por finalidade o saneamento da máquina administrativa, como o novo governo apregoava, e sim a perseguição de adversários políticos”.


Há outros verbetes para consultar, mas provisoriamente fico por aqui.

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