Da redação 'fortaleza' à redação de vidro | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Da redação ‘fortaleza’ à redação de vidro

Por Carlos Castilho em 25/11/2005 | comentários


O debate ainda não chegou até as redações de jornais brasileiros, mas nos Estados Unidos ele já contaminou não apenas os locais de trabalho, mas também os sindicatos e principalmente os pubs frequentados por jornalistas.


Há uma grande divisão entre os profissionais adeptos da chamada ‘redação fortaleza‘, aquela onde o leitor só entra através da cartas ou telefonemas geralmente não respondidos, e os seguidores da ‘redação transparente‘, onde o público não só entra, como opina e até colabora.


A discussão foi lançada há dois anos por Steven Smith , editor chefe do Spokesman Review , um jornal publicado na cidade de Spokane, estado de Washington e considerado um dos mais inovadores dos Estados Unidos.


Quando ninguém falava ainda em jornalismo cidadão, o Spokesman resolveu permitir o acesso de leitores às reuniões matutinas de pauta, depois criou também um conselho de oito pessoas para criticar o conteúdo das notícias e agora prepara-se para colocar na internet a transmissão das discussões sobre a pauta de assuntos do dia, permitindo que qualquer pessoa possa opinar.


Vários jornais brasileiros, como os do grupo gaúcho Zero Hora, criaram conselhos de leitores, mas as reuniões são basicamente consultivas.


No início a iniciativa de Steven Smith foi vista pelo restante dos jornalistas americanos como uma excentricidade de um profissional de uma cidade média. O estado de Washington fica perto da fronteira do Canadá no distante noroeste dos Estados Unidos. Mas a experiência acabou chamando a atenção de grandes centros de pesquisas sobre jornalismo como a Fundação Nieman  e a American Society for Newspaper Editors (ASNE).


Agora em novembro a dicotomia entre redação fortaleza e redação de vidro ganhou nova dimensão com as atitudes opostas dos editores chefes do The New York Times e do The Washington Post. Enquanto Bill Keller, do Times, se fechou em copas no caso Judith Miller, Leornard Downie, do Post, botou as cartas na mesa diante de todo mundo, no episódio envolvendo Bob Woodward . Os dois super-repórteres se envolveram em casos de divulgação de nomes de agentes secretos da CIA.


Os defensores da redação transparente afirmam que esta é a maneira mais eficiente de procurar reconquistar a confiança dos leitores, depois que eles passaram a descrer na isenção e objetividade dos jornalistas. Os adeptos da redação fortaleza acreditam que a participação dos leitores tumultua o processo de produção jornalística, sem necessariamente gerar beneficios concretos.


Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/11/2005 Euclides Silva

    Que os jornais discutam filosoficamente esses assuntos enquanto têm tempo, se é que o têm… até a hora em que a água bater no nariz e perceberem que já é tarde demais para mudar. Enquanto isso, o leitor vai substituindo o que não lhe satisfaz pelas alternativas que encontra.

  2. Comentou em 25/11/2005 Ary Carlos Moura Cardoso

    Isençao e objetividade, a meu juízo, em qualquer área da vida, é coisa para a literatura. Ora, o que move esse mundo senão as engrenagens dos interesses? Portanto, se as atividades de um jornal são públicas,a participação crítica de leitores há de ser, inclusive, um ‘imperativo categórico’. A ‘redação de vidro’, assim, é o futuro de uma imprensa séria e mais voltada para aquilo que Rui Barbosa cognominou de ‘vista da nação’.

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