Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Davos curva-se diante da transparência mas ouve mais críticas que elogios

Por Carlos Castilho em 22/01/2007 | comentários


O Fórum Econômico Mundial, que há 35 anos reune a nata do capitalismo mundial na bucólica cidadezinha de Davos, na Suiça, introduziu na edição 2007 uma mudança radical na sua organização, ao convidar pessoas comuns para participar, via internet, nos debates.


Esta é a primeira vez na história do evento que a transparência diante do público ganha uma importância tão grande quanto a lista de figurões da economia e da política mundial inscritos para falar na conferência que acontece esta semana (24-28/1).


O tema central do chamado Fórum de Davos deste ano sera  A Nova Equação do Poder no Mundo e os organismos encarregados de viabilizar a participação popular são a BBC, o site Guardian Unlimited (do jornal ingles The Guardian), mais os blogs norte-americanos BuzzMachine e Huffington Post, apoiados pelo DayLife, um projeto experimental de página multimídia com notícias personalizadas.


A busca da transparência levou o Fórum a criar o seu próprio blog, bem como abrir um espaço multimídia para envio de comentários em video e desembarcou inclusive no badalado Second Life onde a agência Reuters criou uma versão da conferência de Davos para a realidade virtual.


Esta guinada cibernética do veterano concílio anual dos pesos pesados da economia capitalista, aparentemente, rompe com a proposta original de Klaus Schwab, o criador do evento, que pretendia reunir na minúscula e discreta Davos (12 mil habitantes) os principais líderes empresariais do mundo para uma troca de idéias informal sobre como maximizar a eficiência do sistema de livre empresa num ambiente de competição com o comunismo soviético.


Ainda é cedo para saber se tudo não passa de uma operação de marketing para atualizar o evento depois que ele passou a ser mundialmente contestado pelos organizadores do Fórum Social Mundial, criado em Porto Alegre, há seis anos, e que se apresentou como uma contrapartida democrática e horizontal à reunião de Davos.


Mas os primeiros resultados do chamado Fórum de Vidro não foram muito agradáveis aos organizadores. A maioria dos comentários postados desde que o Davos Conversation foi aberto ao público, eram mais críticos do que elogiosos.


Jeff Jarvis, autor do blog BuzzMachine publcou alguns comentários de cidadãos comuns nos quais é possível detectar um grande ceticismo em relação ao fórum que muitos já apelidaram de Davos Virtual. Há textos questionando a utilidade de uma reunião num mundo onde a economia funciona cada vez mais independente da política; outros afirmando que agora a reunião vai se transformar ainda mais num circo midiático; e que é impossível os cidadãos comuns terem suas vozes escutadas simplesmente porque os dirigentes empresariais e politicos não tem tempo para ouví-las.


Mas o economista inglês Seamus McCauley fez no meu entender a melhor contribuição ao debate sobre a guinada virtual no Fórum Econômico Mundial, mandar um comentário (reproduzido no seu blog Virtual Economics ) no qual ele afirma que a preocupação dos organizadores de Davos talvez tenha chegado tarde demais.


Segundo McCauley, ‘o pessimismo está tomando conta do mundo, apesar as inovações tecnológicas. Nada menos que 53% dos europeus acreditam que a próxima geração terá muito menos prosperidade que a atual e a maioria dos garotos de 10 anos no Velho Mundo, acredita que o mundo está com seus dias contados por conta da mudança climática’.


O pessimismo do economista inglês talvez não seja de todo justificável, porque a mesma pesquisa que indicou as expectativas sombrias de pouco mais da metade dos europeus mostrou, por outro lado, um marcado otimismo dos chineses.


A verdadeira questão parece ser outra. Os modismos tecnológicos já não são mais o fator determinante nas mudanças em curso no planeta. Cada vez mais os especialistas, como o filósofo francês Pierre Lévy e o escritor norte-americano Henry Jenkins, acreditam que uma mudança só acontecerá de fato quando forem alterados os paradigmas culturais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/01/2007 José Antonio Meira da Rocha

    Os chineses devem estar otimistas porque não dão a mínima para o ambiente.

  2. Comentou em 25/01/2007 Marco Costa Costa

    Senhor Rafael Chato, você é mais um bajulador gratuito do sistema capitalista. O mundo dos ricos é para poucos, para aqueles que não tem escrúpulos. Para o indivíduo que quer viver nababescamente às custas da miséria alheia.

  3. Comentou em 25/01/2007 Rafael Chat

    Fábio, tenta a sorte na Mega Sena. Quando finalmente entrares para o mundo dos ricos terás enfim a paz de espírito. Quem é tão materialista a ponto de odiar os que tem mais dinheiro deve fazer de tudo pra enriquecer. Pare de agredir os ricos e abraçe sua verdadeira vocação, que é ser um deles. Aceite isso e pare de sofrer. Não há nada que o impeça.

  4. Comentou em 25/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Você poderia tecer alguns comentários sobre a seguinte iniciativa:-Em 27/01/2007 será realizada em Washigton uma marcha pela pacificação no Oriente Médio e pela retirada das tropas americanas do Iraque. Se quiser aderir à marcha clique no link abaixo e mande uma mensagem para o governo americano:

    http://www.avaaz.org/en/global_peace_march/act.php

    Você pode escrever sua própria mensagem ao governo Bush, mas se quiser uma sugestão envie o seguinte:-

    “Dear Bush II

    Stop fuck the word now, please.
    I desire wish and deserve peace in Iraq.”

    –Eli Pariser
    MoveOn.org Political Action
    January 24th, 2006

    moveon-help@list.moveon.org
    http://www.avaaz.org

  5. Comentou em 24/01/2007 Paulo Bandarra

    O pessimismo em sí não é ruim. Deve levar pessoas a raciocinar que ter menos pode significar mas tempo de vida e mais segurança para a biosfera da qual dependemos mais do que ao progresso! Mas quando as pessoas elegem Bin Laden ou Hugo Chaves como personalidades do ano, parece que as chances de paz são pequenas!

  6. Comentou em 24/01/2007 Marnei Fernando

    Será que haverá mesmo transparência? ou será como fez a revista Time que ao constatar transparentemente que Hugo Chaves foi eleito a personalidade do ano em enquete on-line da própria revista preferiu divulgar outra coisa… Sob a alegação que comentários postados seja lá de onde for não teriam credibilidade…?

  7. Comentou em 24/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Ops. Acho que você cometeu um engano. Davos é aquele lugar onde os magnatas e governantes de primeiro mundo se reunem para comer fundi, beber vinho do Porto e fazer um monte de propostas que eles sabem que não irão cumprir ou que irão cumprir justamente porque são absolutamente irrelevantes. Se a imprensa dá-vos às costas eles reconheceriam que se reunem em razão do tédio e não mais iriam a Davos. A propósito, se o efeito estufa realmente aumentar o nível dos mares em 6 metros (e engolir as cidades portuárias, dentre elas o Rio de Janeiro rico), os caras em Davos se reunirão para comer fundi, tomar vinho do Porto e lamentar o ocorrido e discutir seus temores. Mas aí a agua já terá batido na bunda de alguns deles… :o) Sempre que a mãe natureza se sacode, provocando mortandade, destruição, migrações e conflitos, os ricos se lembram que são seres humanos. Lembram-se tarde demais, é claro.

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