Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Debate sobre cotas segue firme na Folha

Por Luiz Weis em 17/07/2006 | comentários

A discussão na mídia sobre os projetos das cotas raciais e do Estatuto da Igualdade Racial parecia ter culminado com os artigos e entrevistas publicados na Folha e no Estado do domingo, 9 de julho. Felizmente, não.

Louvados sejam os articulistas da Folha por manter o assunto vivo, com argumentos à altura de suas qualificações. Ontem foram dois textos, hoje mais um.

Dado que a Folha só dá acesso ao seu material na internet a assinantes do jornal ou do provedor UOL, transcrevo os três artigos, por merecerem a mais ampla divulgação.

O primeiro é do historiador Boris Fausto, presidente do conselho acadêmico do Grupo de Conjuntura Internacional (Gacint), da USP. Tem por título “O prisma desfocado”.

“Começo com duas certezas. Há um sério problema de discriminação racial no Brasil, e esse problema, embora tenha muitos contatos com o da pobreza e o da desigualdade social, tem marcas próprias. Convém lembrar, a princípio, que uma parcela considerável da população branca – e não apenas da elite branca – introjetou a noção de que o Brasil é um país em que há igualdade de oportunidades para todos. Não seria compreensível, assim, levantar questões em torno de diferenciações de raça.

Faço apenas breve referência a essa visão porque ela não integra o debate atual, embora tenha papel muito importante na ocultação dos problemas. Esclareço também, de passagem, que estou entendendo ‘raça’ não como realidade biológica, mas como construção cultural. Quando leio as linhas principais dos argumentos em confronto, me assaltam mais dúvidas que certezas.

Como desconfio que essa não seja apenas uma percepção individual, creio que vale a pena explicitá-las. Tomemos, por exemplo, a questão básica da diferenciação de categorias de cor. Segundo os críticos do Estatuto da Igualdade Racial e da lei de cotas, a tentativa de estabelecer uma diferenciação entre apenas duas categorias – brancos e negros – choca-se com a realidade do país, caracterizada por uma gradação de cores, gerada historicamente e assim percebida pela sociedade.

Os defensores da legislação promotora de igualdade racial estariam endossando, desse modo, uma rígida e artificiosa construção de duas raças, acabando por incentivar o que têm por objetivo combater. Na outra ponta, estão aqueles que defendem o estatuto em discussão no Congresso e a lei de cotas, sustentando que a divisão de raças já está profundamente inscrita em nossa sociedade, no acesso a empregos de média qualificação para cima, nas profissões de prestígio e em tantas marcas implícitas e explícitas que mancham nosso cotidiano.

A construção de um prisma de cores na sociedade brasileira, ao longo do tempo, é uma realidade tão incontornável quanto a da discriminação racial. Nunca se tratou de estabelecer um estatuto de sangue para distinguir entre negros e mestiços, como se fez no caso dos judeus, por exemplo, para separar cristãos de velha cepa e cristãos-novos, pois a diferenciação seguiu outros caminhos, que excluem a classificação explícita. Durante a escravidão, até certo ponto, a condição de escravo ou liberto estabeleceu uma fronteira.

Quando ela chegou ao fim, a diferenciação pela cor se tornou um critério informal, mas significativo, critério baseado na aparência, em que o ‘moreno’ se distinguiria do chamado ‘preto retinto’. Os defensores do Estatuto da Igualdade Racial tendem a encarar a gradação de cores e o tratamento diferenciado resultante dessa gradação como mais uma falsidade ideológica sobre as raças. Dizem também que nenhuma ação afirmativa será viável sem a categorização dual e o auto-enquadramento das pessoas em uma delas.

Na realidade, a legislação proposta está importando critérios válidos para outras sociedades, a dos Estados Unidos em especial, onde brancos e negros são duas raças historicamente distintas, na legislação e na percepção coletiva. Essa circunstância, em si mesma, não invalida a aplicação do modelo no Brasil, mas gera dúvidas quanto às suas conseqüências. Valeria a pena recusar o dualismo, como uma camisa-de-força que abriria caminho para novas posições racistas, ou valeria a pena ousar e tentar a experiência?

A pergunta exprime dúvidas e não uma posição de quem fica em cima do muro, mesmo porque quem levanta dúvidas nessa temática tende a receber lambadas de ambos os lados. Ao mesmo tempo, admitida toda a controvérsia em torno da desigualdade racial, há algo em si mesmo muito importante. A questão entrou na ordem do dia e veio para ficar, ao lado de outras que a antecederam, todas no sentido da promoção da igualdade de oportunidades, como é o caso das mulheres, dos índios, dos portadores de necessidades especiais.

Lendo as entrevistas da procuradora universitária Dora Lúcia Lima Bertúlio, do antropólogo Peter Fry, do historiador Luiz Felipe de Alencastro, nas páginas dominicais dos dois principais jornais de São Paulo (no domingo passado), combativas, mas não desqualificadoras, vi nascer um raio de esperança de que medidas contra a discriminação racial, de longo e médio prazo, com seus ensaios e erros, possam ser tomadas em outro clima, que não o do anúncio de catástrofes ou o da desforra.

Convém ressaltar que foram dados alguns passos para reduzir o alcance da discriminação, mas eles são ainda insuficientes. Para avançar, temos de abandonar a atitude, comum até os dias de hoje, de reconhecer a existência dos problemas, lamentar muito e passar a outros temas. Temos de reconhecer que a aplicação de critérios de mérito, em muitas instâncias da vida social, são truncados, quando não há igualdade de oportunidades para um contingente ponderável da população brasileira.”

O segundo artigo é do jornalista Marcelo Leite, doutor em Ciências Sociais e responsável pelo blog Ciência em Dia [cienciaemdia.zip.net]. O título é “Contra as cotas raciais, mas…”

“Em boa hora o governo federal ensaia desacelerar a tramitação do Estatuto da Igualdade Racial no Congresso, para aprofundar a discussão na esfera pública e possivelmente abrandar a exigência de cotas raciais no ensino universitário em favor de outro mecanismo de inclusão, talvez com base em critérios socioeconômicos.

Estão certos os que deploram no estatuto em exame um viés racificante (um neologismo para evitar a acusação fácil e envenenadora de que militantes anti-racismo seriam os ‘verdadeiros’ racistas). Seu artigo 23, que torna ‘obrigatória a inclusão do quesito raça/cor, a ser preenchido de acordo com a autoclassificação, em todo instrumento de coleta de dados do censo escolar promovido pelo Ministério da Educação, para todos os níveis de ensino’, fixa em documentos, para cada criança, um rótulo que hoje só existe culturalmente e só por isso carrega alguma esperança de superação na biografia.

O instrumento da cota racial, da reserva de vagas na universidade e no serviço público, também enfrenta dificuldade. Isso que está previsto no artigo 52 do estatuto jamais alcançará consenso, por afrontar o princípio do mérito individual. Tenta resolver a injustiça presente com mais injustiça (se tiver por base critério exclusivamente racial).

Mas… a questão não se resolve apenas propondo cotas socioeconômicas, nem defendendo a melhoria generalizada da educação pública. A primeira nada propõe acerca da discriminação adicional que sofre o negro pobre. A segunda joga a solução para as calendas e se mostra quase perversa, porque só um cego não vê que a educação caminha na direção oposta.

A insistência no mérito puro e simples – medido por essa coisa primitiva chamada vestibular – é insuficiente. Flagra-se não o mérito propriamente dito, mas um instantâneo do privilégio acumulado ou, inversamente, da sub-representação de negros no acesso dos pobres aos meios para… passar no vestibular.

O que espanta é o silêncio, na reação que se levantou contra o estatuto, acerca da experiência da Unicamp. Ali se concede um bônus médio de 5,6% na nota obtida no vestibular por alunos de escolas públicas, acrescido de menos de 2% para autodeclarados negros e indígenas. Isso elevou a participação dos alunos de escolas públicas de 28,7% para 33%, enquanto o número absoluto de negros e indígenas aumentava 57%.

Isso não fez despencar a qualidade do ensino universitário, como apregoam alguns fundamentalistas do mérito. Embora aprovados no vestibular com notas um pouco menores (com ajuda dos bônus), os favorecidos tiveram desempenho médio superior em 31 dos 56 cursos analisados num levantamento da Unicamp e empataram noutros quatro.

Eis uma alternativa às cotas raciais, enfim, que encara o mérito acadêmico como um processo, não como um ponto fixo a ser capturado só no momento do vestibular. Vários favorecidos provaram que eram de fato os melhores. É por esse tipo de solução criativa, generosa e construtiva que adversários dos absurdos do Estatuto da Igualdade racial deveriam bater-se, indo além da simples reação.”

Por fim, o artigo “Os mitos raciais”, do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas.

“Dois manifestos dividiram a sociedade brasileira: um contra a definição de cotas para negros e índios nas universidades e a reserva de vagas para minorias no serviço público; outro, a favor. Nos dois manifestos, impressionam a falta de argumentos e a ausência de propostas alternativas dos adversários das duas políticas de ação afirmativa, a não ser a reafirmação da universalidade dos direitos -da igualdade de todos perante a lei.

Esse é um princípio fundamental da nossa Constituição, mas, sendo ela um documento do século 20, não é um princípio vazio de conteúdo social. No século 18, a igualdade de todos perante a lei representava um grande avanço político quando a burguesia liberal lutava contra o Estado absoluto: era a luta de uma classe média em ascensão contra uma aristocracia montada em cima de privilégios legais.

Depois disso, porém, o mundo avançou politicamente. Percebeu-se que não bastava a igualdade perante a lei, era preciso também a igualdade de oportunidades entre as classes sociais e entre as raças. No Brasil, preocupamo-nos apenas com a igualdade social. Alguns avanços foram alcançados nesse campo, embora o país continue um dos mais desiguais do mundo. No plano racial, porém, fomos incrivelmente displicentes. Apoiados no fato de que somos um país mestiço – e, de fato, somos -, supusemos que tínhamos aqui uma democracia racial – ou quase. Não a temos – nem quase. Caetano Veloso estava certo quando concordou que a democracia racial no Brasil era um mito e acrescentou: ‘Mas um belo mito’.

De fato, é um belo mito, no sentido de nos fazer orgulhosos de nossa mestiçagem e de nos levar a rejeitar toda discriminação racial. Mas a rejeição é teórica. Na prática, a discriminação no Brasil é fortíssima, conforme todas as pesquisas comprovam. Se o Brasil é injusto no plano social, é ainda mais no racial.

Nas universidades, por exemplo, há apenas 2% de negros estudantes e apenas 1% de negros docentes, embora eles constituam 45% da população brasileira. É por essa razão que há alguns anos surgiu o movimento no sentido de implantar no Brasil iniciativas de ação afirmativa. Quando o movimento começou, os nacionalistas de ocasião disseram que isso era invenção americana; alguns hesitaram em lembrar o triste argumento do branqueamento gradual; outros apontaram as dificuldades em distinguir as raças no Brasil; a maioria dos contrários argumentou que a definição legal de raças só agravaria a situação.

Por quê? Porque tornaria as diferenças raciais, que no Brasil são muitas vezes imprecisas, claras e, por essa razão, poria em cheque a ‘paz racial’ ou a ‘harmonia natural’ que regeriam as relações de raça no país. Vemos, assim, que há outras versões do mito da democracia racial: versões que colocam a ordem, transmutada em paz e em harmonia, no centro da questão. O conservadorismo de nossa sociedade reaparece assim com toda a força.

Além dos argumentos liberais da igualdade perante a lei, também os argumentos da defesa da ordem ressurgem no debate. A paz social é necessária, mas não é perpetuando a injustiça que ela será alcançada. Não basta que se almeje ‘um Brasil no qual ninguém seja discriminado’, como diz o manifesto contra. É preciso ter a coragem que 30 universidades brasileiras já tiveram e começar a adotar ações afirmativas contra a discriminação. As ações afirmativas que estão sendo propostas não são apenas justas: são razoáveis. Elas não ameaçam a ordem, apenas fazem avançar modestamente a justiça.

Têm razão os subscritores do manifesto a favor quando afirmam que o documento contra “parece uma reedição, no século 21, do imobilismo subjacente à Constituição da República de 1891: zerou, num toque de mágica, as desigualdades causadas por séculos de exclusão e racismo e jogou para um futuro incerto o dia em que negros e índios poderão ter acesso eqüitativo à educação, às riquezas, aos bens e aos serviços acumulados pelo Estado brasileiro.”

Ganhe o dia lendo esses artigos.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 18/07/2006 Sílvio Miguel Gomes

    Acredito que vai dar muito problema é o tal ensino religioso nas Escolas Públicas. Todos devem se lembrar de casos em que alunos evangélicos tiveram que sair da sala de aula. Eu me lembro do Tiro de Guerra quando o Sargento Instrutor perguntou quem era evangélico em razão da Missa no final de ano. O correto seria um Culto Religioso ecumênico. Mas nos tempos atuais os evangélicos cresceram muito11111???

  2. Comentou em 18/07/2006 Jorge Santos

    Bem, é verdade que a discriminação em qualquer instância é um desastre, e porque não afirmar que é um entrave ao progresso da nossa sociedade. O problema maior na minha opinião é sobre quem tem o direito à uma oportunidade de uma bolsa ou vaga na faculdade. Sou negro e vi muitas pessoas amigas, brancas inclusive, que não tiveram uma boa oportunidade de estudar e melhorar de vida. Razões? Poderia enumerar várias. O problema é social e geral, não é somente contra os negros. A verdade é que nós, o povo em geral, somos pilhados por essa meia dúzia de homens incompetentes e insensíveis aos verdadeiros problemas da sociedade.

    Não é o fato de ser negro. É o descaso geral e permanente dos gestores da nação. A pessoa até quer a cota, mas muitos não se querem se consider negros… E daí? Devem ser criticados por isso?

    Cotas na minha opinião nem amenizam e nem resolvem o problema. É mais um desses projetos de promoção política. Na verdade, vejo a falência da máquina pública e a ascensão dos serviços privados de terceiros… Quem quer educação, saúde, segurança… Que pague por isso… É lamentável, mas na minha opinião não há outra explicação para esse descaso canceroso das autoridades para com os serviços elementares da nação.

    Sou negro e pobre, e mesmo assim vou poupar recursos e pagar minha faculdade. Aos meus amigos brancos e pobres, oriento fazer o mesmo. Isso é Brasil

  3. Comentou em 18/07/2006 vincensini thomas

    par exemple l´acces aux universités doit être facilité (places, bourses…) selon plusieurs critères socio-économiques (revenu de la personne, revenu de sa famille, quartier ou il habite, situation familiale …) et la couleur pourrait être l´un de ces critères.
    l´idée est qu´il n´existe aucun critère qui assurera que les aides vont aux bonnes personnes mais si on créée un ‘coefficient d´aide’ composé de tous ces critères, les personnes qui auront le plus grand coefficient seront vraisemblablement celles le plus dans le besoin.
    car le danger de garder des places d´universités à certaines catégorie de couleurs est que ces places vont être prises par les noirs les plus riches (qui ont pu se payer des écoles privées) qui auraient de toute manière pu entrer à l´université. cela ne résoudra pas grand chose. c´est pourquoi il faut multiplier les critères objectifs, même si aucun d´entre eux n´est parfait.

  4. Comentou em 18/07/2006 vincensini thomas

    Pour moi, il n´y a pas de contradiction entre le principe d´égalité et l´aide spécifique aux défavorisés. cette aide est justement là pour compenser les inégalités. en revanche, une solution de quota sera forcément imparfaite, d´une part à cause de la définition des collèges (plus ou moins noir, plus ou moins riche…) et pour tous ceux qui se trouveront à la limite d´un groupe. cependant il faut sans doute agir avec pragmatisme : un systeme imparfait qui donnera quand même de bons résultats au niveau global malgré de multiples injustices est à considérer.
    Quant au probleme spécifique brésilien, forcément différent de celui des USA ou les ‘races’ sont plus facilement identifiables, il faut sans doute trouver un systeme ou la ‘couleur’ n´est pas un critère déterminant de quota, mais qu´il compte quand même. une méthode de faisceau d´indice me parait préférable.
    des quotas basés sur la seule couleur, dans un pays comme le Bresil, cela me parait complètement fou, ou tous les dégradés de couleurs existent, qui peuvent même varier entre freres et soeurs, suivant le bronzage à tel ou tel moment, suivant les maquillages….
    ce critère sera forcément imparfait et ne tient pas compte des inégalités sociales.

  5. Comentou em 18/07/2006 douglas puodzius

    ‘Louvados sejam os articulistas da Folha por manter o assunto vivo, com argumentos à altura de suas qualificações. Ontem foram dois textos, hoje mais um’

    Weis. Primeiro recomendo que leia o editorial da folha de são paulo publicado em 05/06/2006. Sob o titulo: Cota de demagogia e subtitulo: Falta demanda qualificada para preencher 10% das vagas na Unifesp; que dizer dos 50% que o governo quer tornar obrigatórios?.
    É um compendio de embromação estatisca carregado de distorções e omissões de informação elaborado, como é costume na imprensa, principalmente neste jornaleco, para apoiar mais uma tese desqualificadora do sitema de cotas. A analise tosca de um universo infimo e de uma situação peculiar, que na verdade, nem é devidamente demonstrada quer levar ao desavisado o entendimento que, com 620 concorrentes a universidade não conseguiu preencher 46 vagas. mentira óbvia. Até porque, fosse verdade estaria ali exposta com clareza para os bons entendedores. Claro que para desvendar essa manipulação é necessário habilidade com os numero e, de maneira inversa, chegar a informação que a folha não quer revelar e que desconstróe toda a base de argumentação. É assim e por isso que a Folha mantem vivo esse debate: Quer engavetar. Alias, esse argumento sobre investir na educação de base é melhor que cotas é como a historia do bolo que precisava aumentar para depois distribuir. cota já!

  6. Comentou em 17/07/2006 MANOEL PINTO

    só agora descobriu-se ou descobre-se que o problema não está nas cotas; sim, no estudo fundamental e coisa e tal. Tudo bem, esta é a solução? Então, mãos a obra! E o futuro do País do Futuro (negros e brancos pobres, miseráveis brancos e negros) todos estarão seguros de um brilhante porvir. Tudo bem, tudo bem! Mas, e os que estão aí marginalizados, discriminados e excluidos, que fazer com esses infelizes brasileiros?! Deixar como está, até que a morte por drogas ou banditismo acabe com todos eles, enquanto uma minoria privilegiada se esbalde em superflua superioridade? Vão se dar muito mal! Que diabo de democracia é esta? Está claro que receberão o troco por suas irresponsabilidades! Não acredito em ‘incompetência!’. É descaso mesmo! é insensatez sim senhor! É pura sacanagem! Se querem acabar com a guerra civil que já se alastra em guerrilhas pelas diversas facções criminosas que surgem por esse Brasil afora, respeitem aos que ainda clamam por justiça e deem um tiro no saco do ‘problema social’ gerado pela desfaçatez, indiferença, desumanidade, ambição e corrupção. Sejam homens…. Sejam gente! Igualdade! Liberdade! Fraternidade! E as coisas se resolverão por si mesmas.

  7. Comentou em 17/07/2006 felicio camargo camargo

    Quando tivermos conciência que para tocar um pais. De educadores e Educando,precisaremos de trabalhar como a força geradora de eletrecidade fios negativos e positivos fazem a luz e movimenta a fôrça. Ou seja PRETO junto com BRANCO.

  8. Comentou em 17/07/2006 Eduardo Guimarães

    Weis, infelizmente ainda é muito pouco. Primeiro porque, entre os grandes jornais, só a Folha manteve o debate aceso. Segundo porque as revistas semanais e as TVs fogem do tema como o diabo da cruz. E a quase totalidade da mídia foge do assunto cotas porque sabe que os argumentos contra elas não resistem a 10 minutos de debate. Os argumentos contra as cotas precisam de um ambiente especial para subsistirem: a ausência de contraditório. Nesse e em outras questões o Brasil ainda encontra uma censura branca. A crise política é outro assunto que, se fosse debatido em igualdade de condições de todos os tipos de opinião, enterraria o complô da mídia para recolocar os tucanos de volta no poder.

  9. Comentou em 17/07/2006 Geraldo Magela da Silva Xavier

    Não resta dúvida que existe discriminação, também no Brasil. E vai continuar existir, pois o ser humano não é perfeito. Mas, a política de cotas raciais não é o antídoto para atacar a dificuldade de acesso do negro à universidade, e nem no serviço público. Pois o processo seletivo das universidades é feito tendo como base estritamente as disciplinas que devem ser ministrado no ensino médio e fundamental. Se os alunos de pele negra não estão sendo bem sucedidos em lograr uma vaga nas melhores universidades, isso se deve a deficiências na sua formação. Então, é esta questão que deve ser focada: propiciar meios para que esses alunos tenha acesso às boas escolas de ensino fundamental e médio. As cotas só atacam o efeito e não as causas. Está se responsabilizando a universidade pública por um problema do qual ela não é responsável. Aliás, paradoxalmente, elas estão sendo responsabilizada por serem eficientes, pois a qualidade de ensino dessas instituições é que faz com que a concorrência por uma vaga nelas seja bastante acirrada. Se não existisse concorrência essa questão não seria suscitada, haja vista o exemplo dos colégios públicos. Quanto ao acesso ao serviço público, é justamente nessa área que a população discriminada tem oportunidade de alcançar um emprego melhor remunerado, uma vez que a seleção dos candidatos é feita mediante critérios objetivos e não pessoais como na iniciativa privada.

  10. Comentou em 17/07/2006 José Ayres Lopes

    Sou a favor da política de cotas raciais e faço minhas, as palavras da Procuradora Universitária Dora Lúcia Bertúlio: ‘Não penso que a política para combater a pobreza dará conta de resolver o problema dos negros. O conflito brasileiro é racial e social. Claro que um se locupleta do outro, mas eles não têm a mesma natureza e portanto não são combatidos pelo mesmo programa. No Brasil nascer negro limita as possibilidades de ascensão social de qualquer indivíduo, independentemente de seu talento. Se os brancos forem miseráveis aproximam-se da condição dos negros. Mas se não forem, saem dessa condição. Já os negros serão sempre negros.’

  11. Comentou em 17/07/2006 Carolina Schutt

    Cara Nadia, aqui mesmo no OI há um artigo que pode lhe interessar – ‘País apartado e ´racializado´ desde os primórdios’ em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=389CID001. Na Folha estão os dois manifestos (contra e a favor) em http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u18773.shtml

  12. Comentou em 17/07/2006 Swamoro Songhay

    As abordagens postadas permitem propiciar mais argumentos a todos que pensam sobre o tema. Contudo, no cotidiano, em experiências presenciais, notam-se que em alguns formulários para documentos, o quesito cor (pele). O funcionário que o preenche, preenche o quesito, sem a auto-delaração da pessoa solicitante. Aparecem, então, classificações do tipo pardo claro, pardo escuro, pardo, preto etc. Quando a pessoa é branca, só aparece branca. Para comprovar mais, basta ler uma certidão de nascimento de uma pessoa negra, com mais de cinqüenta anos e comprovar lá classificações do tipo: cor (cútis) preta, cabelo carapinha e outras classificações. Quesitos que tinham desaparecido e agora estão retornando. Há ainda um longo caminho a desbastar sobre o assunto, mas classificar seres humanos em raça e cor, ao bel-prazer não parece uma atitude digna. Tanto como colocar a questão de méritos e aspetos sociais, apenas como biombos a obstaculizar o avanço de propostas de inserção. Não seria necessário um estatuto de igualdade racial, caso que os preceitos constitucionais fossem respeitados, ou sabidos. Não podem prevalecer só como base para argumentos contrários às cotas ou ao estatuto. Deve-se combater a instituição de cotas de 100% para a intransigência.

  13. Comentou em 17/07/2006 Carolina Schutt

    Caro Weis, agradeço pelos artigos e mando como contribuição o texto do colunista Flavio Aguiar, da Carta Maior: http://cartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3246 que fala sobre a experiência da Unicamp que será adotada pela USP.

  14. Comentou em 17/07/2006 Nádia Chacra

    Excelente a exposição do autor mas gostaria de ouvir ou ler depoimento dos representantes dos movimentos negros institucionalizados por todo o país. Tenho certeza que eles querem e devem contribuir com o debate. Afinal, excluí-los seria mais uma vez atestar nosso crime. Outra alternativa é o Brasil pagar (com dinheiro mesmo) todo o trabalho escravo e a todos os descendentes de escravos no Brasil. Tenho certeza que se pagarmos essa dívida eles não precisarão mais desses debates ou migalhas (3 ou 5% da nota acrescida no vestibular). Eles certamente estarão, em futuro próximo, estudando na GV, na PUC na Europa etc.

  15. Comentou em 17/07/2006 Marco Antonio Rocha

    Boa, Weis. Parabens, mais uma vez, pelo esforço de esclarecimento da tal da opinião pública. Mas, os três artigos não bastam, a meu ver, para realmente formar opinião e suscitam mais dúvidas do que convicções.

  16. Comentou em 17/07/2006 Apolônio Silva

    Com a mesma ‘rationale’ dos defensores das cotas raciais, por intermédio de um ‘Estatuto da Igualdade Racial’, já se pode vislumbrar o próximo estatuto: ‘O Estatuto da Fraternidade Racial’…Por que não pensaram nisso ainda???

  17. Comentou em 17/07/2006 Maria Izabel Ladeira Silva Silva

    Caro Weis. Mais uma vez, você marcou um golaço. A selação de debatedores é excelente. Este debate deveria incendiar (no bem sentido)as universidades e outras instituições. Há que se discutir sim o problema das ‘cotas’. Eu, pessoalmente, depois de transitar por todos os lados, mudando de opinião todos os dias, como uma perfeita ‘barata tonta’, finalmente cheguei a uma opinião firme. SOU FAVORÁVEL A POLITICAS AFIRMATIVAS.Todavia, não pelo viés da cor da pele, mas pelo viés social. Como bem colocou o doutor Marcelo Leite sobre a experiencia da Unicamp. Sejamos claros e sinceros: precisamos de melhores oprotunidades para os pobres, não importa a cor da pele, não obstante a maioria ser mestiça e negra.

  18. Comentou em 17/07/2006 Dante callefi

    Não há raças.Somente cromatismo.Os não brancos,não tiveram a sorte de serem os descobridores do Novo Mundo.Possivelmente se assim não fosse,semelhantemente ao ocorrido na África,os nativos seriam igualmente cativos e eacravizados.Questões da cultura primitiva.Ao derrotado à servidão.Os mestiços nacionais,negros,índios,etc.,conviveram e sobreviveram (e como),num país rural,longo e demoradamente rural.A revolução industrial arribou aqui com um século de atraso.Consolidaram-se o preconceito,o desprezo,e a indiferença pelos enjeitados sociais.Estes escalaram os morros,aterraram mangues,estabeleceram-se nas matas,tentaram sobreviver,enquanto o país vacilava em seu crescimento.As últimas três décadas jogou-os nesta armadilha.De pobres a marginais. Mais uma vez,dependendo da generosidade da Casa Grande.Essa conta é grande e cara.E tem de ser paga.O arquétipo dessa desigualdade secular é o negro.Esta comunidade deve ser elevada de sua condição marginal para a plena cidadania.Que ocupem todos os espaços que lhe saõ devidos horizontal e verticalmente nessa sociedade desigual.
    Constituamos uma civilização brasileira digna desse significado, e, quem sabe possamos salvar este século tão jovem e de sombrios prognósticos .

  19. Comentou em 17/07/2006 albério filho

    Há limitações evidentes na exploração do tema em questão a se avaliar os artigos publicados pela imprensa. Não obstante, ajuda. Porém, nesta sua relação faltou o comentário, significativo, do Gaspari na própria FSP, de tão pouco material para ser lido ultimamente, neste domingo passado. Não fosse as implicações deste “comentario’ do Gaspari para o manifesto daqueles contrários ao Estatuto e as Cotas, poderia pensar em mero esquecimento. Todavia…

  20. Comentou em 17/07/2006 andrea decastro e vince

    O debate parece estar avançando, com a contribuição de vozes mais ponderadas e conectadas com a complexidade do problema. Gostaria de poder contribuir com um breve adendo, e argumentar em favor de uma discussão mais ampla e localizada, uma vez que são muitos os Brasis -daí que não me parece muito adequado que os problemas da desigualdade sejam resolvidos na base de canetaço ferderal. (Ouvi, certa vez, de uma turista brasileira, em férias no Rio Grande Sul, a declaração de que saíra muito bem impressionada com o Estado. Tudo lhe parecera tão ‘evoluído’, tudo ‘tão ‘europeu’, haja visto que ‘até os mendigos daqui tinham olhos azuis’. É fácil?).
    Parabens pelo acerto na abordagem e obrigad pela indicação de boa leitura.

  21. Comentou em 17/07/2006 Vera Borda

    Não sou asssinante da FSP, e agradeço a iniciativa do colunista de pôr à disposição esses artigos. Enfim, o debate se torna esclarecedor, com argumentos sólidos e fundamentados. Obrigada. Vera

  22. Comentou em 17/07/2006 Iolando Fagundes

    Fantástico. Você acertou em cheio ao colocar estes artigos em seu blog. Uma grande contribuição à reflexão e consciantização daqueles que ainda se acham pouco informados sobre a matéria.

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