Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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Demissões de jornalistas batem recordes nos Estados Unidos

Por Carlos Castilho em 23/02/2008 | comentários

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Desmond, Adrian e Moore, James – Darwin: a vida de um evolucionista atormentado. Geração Editorial; 2000.

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Gould, Stephen J. Bully for Brontosaurus: Reflections in Natural History, Norton & Company, 1992.

Gould, Stephen Jay – Dedo mindinho e seus vizinhos: ensaios de história natural. Trad. Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Larson, Edward J. – Evolution: The Remarkable History of a Scientific Theory. Nova York: Modern Library, 2004.

Lerner, Richard M. – Final Solutions: Biology, Prejudice and Genocide. Pennsylvania: Pennsylvania State University Press, 1992.

PINKER, Steven – A biological understanding of human nature: a talk with Steven Pinker. (website) (http://www.edge.org/3rd_culture/pinker_blank/pinker_blank_index.html)

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Os dois primeiros meses de 2008 já entraram para a história da imprensa norte-americana como os recordistas em matéria de demissões entre os principais jornais do país.


 


Em menos de 60 dias foram anunciadas quase 500 demissões de jornalistas em pelo menos cinco grandes jornais dos Estados Unidos, nos quais as receitas publicitárias caíram cerca de 7% no ano passado, a maior queda desde 2001.


 


O The New York Times anunciou, no início de fevereiro, a demissão de 100 repórteres, editores, correspondentes e fotógrafos, reduzindo em quase 8% o efetivo total de jornalistas, que passa a ser de 1.220 profissionais — a maior de todas as redações de jornais nos Estados Unidos.


 


Este é o primeiro grande corte de pessoal na redação do The New York Times, um jornal que é visto por 66% dos americanos como um dos quatro que deve sobreviver à atual crise na imprensa norte-americana.


 


Poucos dias antes do anúncio do corte do Times, a rede de jornais Tribune, admitiu que quase 150 empregos serão eliminados nas redações de publicações controladas pelo grupo, como o Chicago Tribune e o Los Angeles Times, respectivamente o segundo maior jornal dos Estados Unidos e o maior da costa oeste do país.


 


Em janeiro tornaram-se efetivas as demissões de 125 jornalistas do Boston Globe e do Telegram & Gazette, ambos publicados no estado de Massachusetts, e controlados pela cadeia Times.


 


Quase na mesma época, o San Diego Union demitiu 100 jornalistas (10% da redação) e o Chicago Sun avisou que vai também cortar funcionários, sem fixar o total e nem a data das demissões.


 


As redações dos jornais norte-americanos estão chegando perto do total de jornalistas profissionais empregados na virada do século. Para o professor universitário Mark Deuze, autor do recém-publicado livro Media Work, um em cada quatro jornalistas perdeu o emprego em jornais norte-americanos desde 2001.


 


É a maior crise de mão de obra na história da indústria de jornais dos EUA. As demissões se acentuaram desde 2006 quando o número de profissionais dispensados foi 88% maior do que no ano anterior.


 


Os jornais alegam que estão pagando o preço da migração publicitária para a Web e dos custos crescentes na produção de material jornalístico de atualidade, especialmente nas coberturas internacionais.


 


A questão, no entanto, é bem mais complicada, pois não se trata de uma conjuntura adversa e temporária. Os problemas que afetam a indústria dos jornais resultam de mudanças estruturais em curso na área da comunicação jornalística causadas pela massificação do uso de computadores e da internet, que tornou obsoleto o modelo atual de negócios da imprensa mundial.


 


A situação é mais crítica nos Estados Unidos porque foi o país onde a imprensa sempre gozou de extraordinárias facilidades econômicas, com uma lucratividade anual superior aos 20% e que hoje mal chega aos 9%.


 


Descontado o efeito da inflação, a receita líquida dos jornais norte-americanos é 20% menor do que no ano 2000, segundo a Associação de Jornais dos Estados Unidos (Newspaper Association of América). A associação também admitiu que a circulação média dos jornais está em queda desde 2003 e que nos últimos dois anos a evasão de leitores chegou aos 40%.


 


Para os jornalistas norte-americanos a situação é especialmente difícil porque os empregos perdidos na mídia impressa não estão sendo compensados por um crescimento da oferta de trabalho no jornalismo na Web. Segundo Deuze, para cada dois empregos perdidos na imprensa diária, apenas um é criado na Web. E, o que é pior, os novos empregos no jornalismo online têm um salário até três vezes menor do que num jornal impresso de porte médio.


 


Dados como esses mostram a intensidade das transformações em curso no ambiente da comunicação jornalística. Os grandes conglomerados da imprensa têm dado pouquíssima cobertura à crise nos seus negócios, aparentemente com o objetivo de tentar encontrar uma solução, sem a participação do público consumidor de informações.


 


Segundo o professor e escritor Robert McChesney, autor do livro Communication Revolution, esta é a quarta grande encruzilhada estratégica enfrentada pela imprensa norte-americana em 100 anos. A primeira foi durante a chamada Era Progressista (1890 a 1917)  quando os Estados Unidos passaram por um período de reformas políticas; a segunda, por volta de 1930, quando o rádio mudou os hábitos dos americanos em matéria de informação; a terceira encruzilhada aconteceu no final da guerra do Vietnã; e a quarta, agora, quando a internet colocou a indústria dos jornais de pernas para o ar.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/03/2008 Amanda Alves

    Desde que entre na faculdade ouço as discussões acerca do desemprego da profissão. Sou formanda e como devo encarar a atuação situação da categoria? Se é que existe esse grupo não é mesmo?
    A profissão precisa de tantas mudanças, que penso que um bom começo, a nível Brasil, seria rever nossa legislação de imprensa. É obsoleta.
    Temos uma rede mundial de pessoas, através de computadores sedenta por notícias. È um dos caminhos que vejo mais promissor para os jornalistas. Agora temos que pensar em como viver disso…

  2. Comentou em 25/02/2008 Fabiano Mendes

    Para o Eustáqio Fernandes. Vc que defende o PIG do mal, sim porque o PIG que vc está criticando é o do bem. O PIG do bem não esconde informações boas, não manipulam as ruins para torna las pior, não pinçam frases fora do contexto para inventar, delirar e caluniar.
    Para vc que é cego e surdo aconselho a assistir e ler alguns órgãos da sua imprensa(?). Ou vc nunca ouviu ou leu publicidade das estatais nesses veículos? Creio que não, vc está mais preocupado em dar uma de babaca e visitar e escrever asneiras em blogs que mostram a verdade.
    Carta Capital, PHA, Mimo e outros, não são vendidos como esses pobres coitados que pra sobreviver, se vendem aos pseudo coronéis da mídia. Ainda bem que a internet está acabando com essa raça.
    Um conselho pra vc que está desnorteado, desorientado como seus heróis Virgilios, FHCs, Serras, PIG, assista a NBR,se dominar o inglês leia o The Economist.

  3. Comentou em 24/02/2008 Ivan Moraes

    ‘grandes conglomerados da imprensa têm dado pouquíssima cobertura à crise nos seus negócios’: aquelas portas deslizantes de metal e vidro que todo mundo tem no Brasil, e aquelas janelas tambem (de ‘metalon’ salvo engano) fazem um barulho horroroso. Quem ja morou em casa com uma porta daquelas sabe que eh impossivel entrara ou sair de casa sem acordar todo mundo. Alem disso, quando elas estao velhas e o metal quebra ou pui de ferrugem, nao existe maneira facil de consertar las porque nao existe maneira facil de tirar las do lugar. E aqueles chuveiros com fios expostos na cabeca de todo mundo? A ninguem ocorre melhorar a tecnologia, seja mecanismo silenciador ou seja por exigencia legal de tomadas para chuveiros. A media internacional quer simultaneamente ‘melhorar’ a tecnologia de informacao e negar que informacao baixou de preco por algumas ordens de magnitude. Enquanto isso, a media brasileira, coronelizada, sem infraestrutura populacional por escolha propria causada pelos precos internacionais, sem sequer dizer a verdade em varios assuntos, quer sobreviver. Uma daquelas portas velhas e muito barulhentas que se quebram e a gente joga fora porque eh obvio que comprar uma nova eh mais negocio. Um daqueles chuveiros com fios expostos bem em cima da sua cabeca, que voce nunca sabe quando vao dar um curto. Ninguem gosta de tomar banho se preocupando se vai levar um choque…

  4. Comentou em 24/02/2008 Warner Burchauser

    Aqui em Campinas o número de jornalistas nos jornais da cidade ficou reduzido a poucos redatores para os três veículos do RAC, depois da compra do Diário do Povo pelo Correio Popular o monopólio de diários da cidade se instalou e o empregos despencaram. Antes a cidade tinha dois grandes times de futebol (Guarani e Ponte Preta) e dois grandes jornais Correio e Diário; hoje tem meio time de futebol e meio jornal! Algum grupo de comunicação afim de investir em Campinas? Concorrência faz bem para todos, principalmente para os leitores, que ficaram carentes de jornalistas que gastam a sóla do sapato atrás das noticias da cidade. Até a Folha acabou com a redação regional da cidade. É uma vergonha uma cidade como Campinas ter apenas um grupo de comunicação impressa que publica jornais.VERGONHA!Não que eu esteja criticando o jornalismo do RAC, mas covenhamos, quando o Diário concorria com o Correio, o Correio era muita mais jornal do que é hoje! A pior coisa que aconteceu ao Correio Popular foi adquerir seu concorrete. A PIOR COISA! PARA O JORNAL, PARA A CIDADE E PARA O LEITORES!!!

  5. Comentou em 24/02/2008 eustáquio fernandes

    OH,não! Me esqueci, não é PIG é PIO (partido da imprensa oficial, mais um braço da imprensa ‘livre’, que não dá um pio sobre as mazelas do gov. federal).

  6. Comentou em 24/02/2008 eustáquio fernandes

    O PIG que o Eduardo cita é por acaso o Partido da Imprensa Governista, tipo Carta Capital (que vai bem porque virou outdor de empresas estatais)? Perguntar não ofende!

  7. Comentou em 24/02/2008 José Orair Silva

    ‘Descontado o efeito da inflação, a receita líquida dos jornais norte-americanos é 20% menor do que no ano 2000, segundo a Associação de Jornais dos Estados Unidos (Newspaper Association of América). A associação também admitiu que a circulação média dos jornais está em queda desde 2003 e que nos últimos dois anos a evasão de leitores chegou aos 40%’. A crer nos defensores da imprensa brasileira essas crises passam longe do Brasil, onde uma imprensa plural, democrática e isenta vem batendo recordes e mais recordes de tiragens e de credibilidade… Em favor da imprensa brasileira, peço licença ao eminente e conceituado Jornalista Ivan Berger para citar um belo trecho de seu artigo ‘A imprensa que o país merece’, publicado em 08/01/2008 no OI: ‘E quando digo que o país tem a imprensa que merece, talvez esteja de fato sendo injusto. Com a imprensa, bem entendido – reconhecidamente uma das mais capacitadas e plurais do mundo contemporâneo’. O que não compreendo é o extremo egoismo e falta de solidariedade dos jornalistas brasileiros com os seus colegas de outros países. Será que eles não poderiam repassar a fórmula do sucesso e ensinar o caminho das pedras aos seus colegas de profissão?

  8. Comentou em 24/02/2008 Célio Mendes

    Deus te ouça Ivan.

  9. Comentou em 24/02/2008 Thomaz Magalhães

    Pois é, sob o olhar do O Processo Civilizatório, do Darcy Ribeiro, estamos diante de uma evolução tecnológica, que resulta numa revolução. É óbvio que a internet causa mais produtividade e por isso menos postos de trabalho para produzir o mesmo tanto de informação. Nas redações, na administração, na parte industrial e na de logística. Cadê os pestapistas, por exemplo? Laboratoristas de fotografias?

  10. Comentou em 24/02/2008 Eduardo Conde

    OBA… começou. Dizem que tudo que acontece lá respinga aqui. Espero que não respingue mas que caia um toró como o que lamentavelmente deu enorme prejuízos a população de São Paulo e cidades adjacentes nessa semana.
    Aqui não vai demorar acontecer o mesmo, mesmo com a ajuda do judiciário brasileiro que segurou a lei de imprensa até o último minuto no intuito de usa la para se defender e quando descobriu que a população achou um meio de usa la contra o PIG , imediatamente a taxou de entulho da ditadura e teve apoio maciço do PIG e da OAB que só consegue enxergar os direitos dos vagabundos que seqüestram,matam e roubam, dos que caluniam, dos que assassinam a honra alheia. Os direitos dos cidadãos honestos e trabalhadores desse País que se danem.
    Viva a internet, somos o quinto pais do mundo em acessos. Vamos crescer turma e fazer acontecer o mesmo aqui no nosso País.

  11. Comentou em 24/02/2008 Dulce Leão

    Olá Carlos. NOTÍCIA MUITO BOA! PARA SER MARAVILHOSA SÓ FALTOU DIZER QUE OS JORNALISTAS DEMITIDOS TRABALHAVAM EM JORNAIS BRASILEIRO. ‘Para os jornalistas norte-americanos a situação é especialmente difícil…Segundo Deuze, para cada dois empregos perdidos na imprensa diária, apenas um é criado na Web. ‘ IGNORAM O LEITOR, ENTÃO PORQUE NA WEB LHES DARÍAMOS GUARIDA? Enquanto o JORNAL/JORNALISTA NÃO DESCER DE SUA ARROGÂNCIA E PREPOTÊNCIA, TENTANDO TUTELAR O LEITOR COMO SE FOSSE UMA MASSA ‘BURRA’, A ÚNICA ATITUDE QUE PODE SER TOMADA É CAUSAR PREJUÍZO (MIGRANDO PARA FONTES CONFIÁVEIS NA WEB, E PROVOCANDO DESEMPREGO, PRINCIPALMENTE DOS PROFISSIONAIS VENAIS). QUEM NÃO RESPEITAR O LEITOR, COMO OBJETIVO MAIOR DE SUA PROFISSÃO, VAI ESCREVER PARA ‘ENROLAR PEIXE NA FEIRA’. AQUÍ NO BRASIL, VOCÊ ACHA QUE É MOLE ABRIR O JORNAL E SER TAXADA DE ‘BURRA, IGNORANTE, USUÁRIA DE BOLSA FAMÍLIA’, POR SUA OPÇÃO POLÍTICA, JUNTAMENTE com 63 por cento da população? MESMO QUANDO NÃO CORRESPONDE À VERDADE. Então, como BURROS QUE SOMOS, devemos procurar outras fontes de informações., e alimentar a ‘CRISE ‘ na ‘imprensa escrita’ DERRUBANDO SEUS ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE. LEITOR RESSENTIDO É LEITOR PERDIDO. LEITOR MALTRATADO É ‘CONTRA PRODUCENTE’. QUAL A EMPRESA QUE VAI ANUNCIAR EM JORNAL SEM LEITORES? ESTAMOS DANDO O TROCO! Belo artigo, Carlos. Parabens.

  12. Comentou em 24/02/2008 Ivan Moraes

    Ui, e eu tou com cara de quem vai perdoar a existencia da Veja ou dos ‘africanos’ da Abril??? Nao vou.

    http://www.youtube.com/watch?v=-UTwRU_uolQ

  13. Comentou em 24/02/2008 Ivan Moraes

    ‘The New York Times anunciou, no início de fevereiro, a demissão de 100’: e esse eh o futuro da media brasileira sem a massiva sabotagem ao governo pela qual se vendem e do qual ainda somente sobrevivem, e mal: http://finance.google.com/finance?q=NYSE:NYT ou seja, baixa de 10 anos ou mais nos stocks, e vai continuar baixando porque ACABOU –e em outras excitantes e espetaculares noticias, (http://finance.google.com/finance?q=NASDAQ%3ANAPS) uma baixa de +- uma decada tambem. O dominio acabou. Adeus. Get lost! Note que eu estou medindo a media pelo padrao mundial, pelo stock, porque nao sabia mas sou grande expert no assunto(!!!) (mas sei exatamente o que estou fazendo). Gostar como eu gosto do NYTimes, ele e todos os outros vao acabar sem o PROJETO 50 CENTAVOS. Que, vamos e venhamos, modificaria ate mesmo a bolsa de valores em sua essencia. O problema da identidade ainda nao esta resolvido. Como poderia estar quando -40 anos depois- nem sequer standards de controle remotos para tvs estao padronizados por insistencia das industrias? Nao, eu nao acho que eu mereco um OI so pra mim, de graca, semana apos semana. Nem tampouco um NYTimes, ou dezenas de outros. A ganancia das industrias, especialmente das infiltracoes bancarias e propagandisticas, nao me interessam. Que morram. O futuro agora e ja! (Alguem sabe dizer quanto esta o stock do Nabster brasileiro? Nao consigo achar!)

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