Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Depois da apelação, a omissão

Por Luiz Weis em 08/11/2007 | comentários

Na edição de 28 de outubro – um domingo, quando roda mais de 300 mil exemplares – a Folha de S.Paulo deu na primeira página:

“Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre” [ver neste blog o artigo “Sexo, dinheiro, padre: haja apelação’, em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id=
{38F65FC2-152E-403C-B2D4-F9C1EC2CDEBC}&id_blog=3].

Hoje, quando informa, dentro, que “Polícia conclui que padre Júlio sofreu extorsão” e que “Fim do inquérito leva ao indiciamento dos quatro suspeitos, que estão presos”, pode-se ler na primeira página da Folha – nada, nem uma única palavra sobre o caso!

Para comparar. Naquele domingo, “Polícia vai pedir quebra de sigilo de padre Júlio” estava na primeira do Estado. Hoje, “Padre sofreu extorsão, conclui polícia”.

Já a omissão da Folha agrava retrospectivamente o sensacionalismo da chamada que no 28 de outubro fez desse jornalão um jornaleco.

A Folha se pavoneia de ter “o rabo preso com o leitor” – sinônimo em publicitês de independência. Mas a expressão “rabo preso” também significa o compromisso de servir o leitor, chamando a sua atenção para as principais verdades do dia.

Neste episódio, é de perguntar com quem ou com o que a Folha está de rabo preso. Com o leitor é que não é.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/11/2007 emanuel lima

    Prezado Luiz,
    Sempre me pareceu ter havido uma ‘extorsão mais ou menos aceita’ se é que isso seja possivel.
    Não duvidemos! Temos visto coisas do arco da velha.

    É sem dúvida que o Jornal FSP se excedeu em seu ímpeto sensacionalista.
    Mas creio que o Sr. também está perigosamente tomando partido do Padre lancelotti, como se ele fosse uma ‘pobre vitima’ de crueis bandidos.
    Tudo indica que não é bem assim. Os fatos, as circunstâncias, os precedentes e sua propria narrativa não o ajudam…

  2. Comentou em 08/11/2007 salete pretto

    Não leio mais jornais nem revistas semanais. Me sentiria uma grande otária se pagasse para ler tantas bestialidades.

  3. Comentou em 08/11/2007 Norton Drongek

    Vai Cláudio, de novo essa história do ´de onde veio o dinheiro?´ O Alkmim tomou aquele sacolejo ano passado. A imprensa não engoliu e está batendo em tudo que soe PT. Cadê o Marcelo Beraba na Folha, ele ficou três anos lá e cornetava sempre. Será que ninguém aprendeu nada com ele?

  4. Comentou em 08/11/2007 Ibsen Marques

    Muita gente se pergunta porque o padre não denunciou essa situação logo de cara. O padre alega não ter acesso às contas das instituoções das quais participa. Obviamente isso deve ser confirmado. Agora, convenhamos, ele pode ter tentado como cristão convencê-los de que aquele não era o melhor caminho, mas certamente anteviu o linchamento prévio e tentou evitá-lo. Eu disse ao ombudsman da folha que eles estavam produzindo uma nova escola de base caso o padre fosse inocente. Ele concordou com o sensacionalismo da manchete, mas discordou do alcance. A falta de notícias do resultado preliminar do inquérito desmente sua opinião. Mesmo que se comprove cabalmente que todo o dinheiro era fruto das economias de uma vida ( para quem não sabe, a Igreja não sustenta padres seculares aposentados) e que ele realmente foi extorquido a divulgação dos esclarecimentos e desmentidos nunca têm a mesma força e sempre existirão aqueles que dirão: duvido muito que o padre não tenha culpa no cartório. Ficará sempre aquela névoa sobre seu caráter. O caso Ibsen Pinheiro é bem explicativo. Ele foi inocentado depois da cassação e do linchamento (políticoa e imprensa). A retratação nunca teve a mesma força. Muitos ainda hoje duvidam de sua inocência. É assim: uma vez maculada, a imagem nunca se restabelece, mesmo usando Easy off Bang.

  5. Comentou em 08/11/2007 Cristina Moreno de Castro

    O rabo sem dúvida está bem mais preso do que eles gostariam. Mas não só a Folha de S. Paulo: como Gabriel Perissé demonstrou muito bem em seu artigo, publicado neste OI, vários foram os veículos que, presos em seus respectivos rabos ideológicos ou comerciais, condenaram Padre Júlio em suas manchetes. O mais importante, neste momento, é perguntar o que você pergunta neste artigo, ou seja, qual o verdadeiro interesse de parte da mídia nesse revés dado ao caso, em que o padre passou tão subitamente de vítima a vilão? Sobre isso, escrevo hoje no meu http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br.

  6. Comentou em 08/11/2007 Jedeão Carneiro

    A mídia esta com o rabo preso no rabo do Demo.

  7. Comentou em 08/11/2007 alfredo sternheim

    A Folha pode ter errado em não colocar a notícia na primeira página. Mas, santa ingenuidade, a conclusão da polícia de que houve extorsão não encerra ocaso. Por mais simpatia que se tenha pelo padre Lancellotti e por sua obra (e por isso, ele é uma figura pública e exemplar), pairam dúvidas sobre a extorsão, por que ela se deu e por tanto tempo. E por que justificou tanto dinheiro? Em respeito aos admiradores do padre e aos que contribuem ou já contribuiram com a sua obra generosa, essa história precisa ser melhor esclarecida. A imprensa não pode blindá-la. Caso contrário, independente do comportamento da imprensa, as suspeitas desabonadoras vão continuar prevalecendo. Não falo do eventual aspecto erótico (esse só interessa a Igreja Católica), mas da eventual fraqueza de se ceder a chantagistas. Errar é humano. Mais grave que o erro da Folha é tanto Folha como Estado não noticiarem como andas as investigações em torno das 22 chacinas que, em 2007, maratam mais de 100 pessoas em SP. Sei que estou me repetindo como muitos dos articulistas aqui se repetem, principalmente quanto ao padre e ao caos aéreo. Mas essa omissão quanto as chacinas deveria chamar a atenção do articulista.

  8. Comentou em 08/11/2007 Allan dos Reis

    Comigo também ela não tem o ‘rabo preso’.

    Visite: http://www.viajanteurbano.blogspot.com

  9. Comentou em 08/11/2007 Giovanni Moscato Júnior

    Esse é apenas um dos muitos motivos que me fizeram a parar de ler todos os jornais publicados no Brasil.

  10. Comentou em 08/11/2007 Luiz Carlos Bernardo

    Entre uma manchete e outra restou caracterizado: dois pesos e duas medidas. A primeira, bombástica, detonou o padre Júlio Lancelotti. A segunda, ao que parece ignorando a primeira, apenas noticiou o relatório final do inquérito. Será que a primeira manchete teve um viés ideológico e a segunda somente jornalístico. A Folha deveria, por ética, aprofundar o tema fazendo uma mea culpa. Ninguém é infalível. Mas não, silenciou-se sem se importar com o inferno astral do ilustre padre. Enquanto muitos religiosos, principalmente os donos dos púlpitos, apenas pregam o evangelho só com palavras (não raras vezes mal e hipocritamente), o padre Júlio vive o evangelho, cuidando dos pequeninos e dos excluídos, pobres miseráveis desta nossa sociedade hipócrita e falsa. Ademais, releva acrescentar, quem não tiver pecados que atire a primeira pedra. As virtudes do padre Júlio superam, de longe, os seus defeitos, se é que ele os tem. Não andou bem a Folha, mais uma vez.

  11. Comentou em 08/11/2007 Rubens Gouvea

    Olhe, Weis, não é só essa a omissão da Folha. Li na Agencia Carta Maior que a PF implantou a Operação Rodin no RS, em 06/11/07 prendendo 12/14 suspeitos, gente ligada à Governadora do PSDB. Procurei a informação na Folha e …. nada, mas NADA MESMO, e a pergunta que me vem à cabeça é : será que se houvesse gente do PT, a Folha teria dado a informação ? Envolve o atual diretor do Detran, o anterior , e mais gente ligado à Governadora e de partidos de sua base; depois de 3 dias cadê a informação na Folha ?

  12. Comentou em 08/11/2007 Cláudio Dias

    Tá certo… Tá certo… Mas o que interessa é o seguinte: e o dinheiro repassado ao inconveniente Anderson, entre R$ 150.000,00 e R$ 700.000,00 (não se sabe o valor certo)? De onde veio?

  13. Comentou em 08/11/2007 maxwell medeiros

    A resposta está no palácio dos Bandeirantes.

  14. Comentou em 08/11/2007 Daniel Braga

    Fica claro o descompromisso com o leitor, e o descaso com o padre Júlio Lancelotti, que foi achincalhado duramente e não recebeu nenhum pedido de desculpas.

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