Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Depois da CPMF, a moderação

Por Luiz Weis em 14/12/2007 | comentários

Os editoriais dos jornalões do dia sobre a derrota do governo na votação da CPMF deixam a pé os críticos de mídia acostumados a raciocinar em bloco, diria o velho Pasquim, quando falam das atitudes – perdão, da conspiração – da imprensa contra o presidente Lula.


Nem o Globo, que mais enfaticamente saudou o fim do imposto do cheque, se pôs a tripudiar sobre o vencido. O seu editorial, sob o título incolor “Ganhos e perdas”, termina com um apelo a Lula:


“Tudo depende de como o governo metabolizará a derrota. Se entender seu verdadeiro sentido, Lula terá condições de plasmar os três anos restantes de governo cumprindo a promessa feita ao tomar posse em primeiro de janeiro de 2003: governar para todos os brasileiros.”


Não deu outra no Estado. O título da Nota 1, como ali se chama o principal editorial de cada edição, é apenas enunciativo: “A derrubada da CPMF”. E o fecho vai igualmente na linha da moderação:


“Antes da derrota, Lula falou várias vezes em bom senso. Acreditamos que também no governo ele vai prevalecer.”


O Valor, que de saída sustenta que “a manutenção da CPMF não era desejável, pelo menos na sua atual alíquota”, bate no governo por sua “incrível dificuldade de negociar com outras forças políticas”, mas a maior parte do texto é uma especulação sobre os possíveis efeitos da votação perdida para o segundo mandato de Lula, já referido no título.


A Folha, enfim, deve ter surpreendido uma parcela dos seus leitores com as primeiras 12 palavras do seu comentário:


“O fim abrupto da cobrança da CPMF não foi o melhor desfecho.”

Coerentemente com essa posição, o editorial “Depois da queda” defende um diálogo que permita ao governo “recuperar parte do que perdeu na CPMF”. Seria a costura de um “pacto suprapartidário a fim de conter as despesas de custeio, mediante um programa para aumentar a qualidade e a produtividade dos serviços que o Estado presta à população”.


Exortações a “governar para todos os brasileiros”, ao “bom senso” e a um “pacto suprapartidário”, seja lá o que as tenha motivado, não são propriamente o que se esperaria de uma mídia “golpista”.

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