Dilma x Palocci - ou como a imprensa conta um conto e aumenta um ponto | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Dilma x Palocci – ou como a imprensa conta um conto e aumenta um ponto

Por Alceu Nader em 18/11/2005 | comentários


As manchetes de hoje demonstram alta ansiedade sobre o excesso e a falta de elogios que o presidente da República concede a seus ministros.

Com exceção da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, todos os demais jornalões – Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo e O Globo – tratam da pinimba entre os ministros Dilma Rousseff e Antônio Palocci.


O Estado de S.Paulo não se atém apenas ao desequilíbrio dos afagos presidenciais, e reproduz relatório da Casa Civil, no qual a pasta comandada por Dilma Rousseff critica o ‘estrangulamento’ que o ministério de Palocci submete os demais com a liberação em conta-gotas dos recursos previstos no Orçamento da União. Todos os demais refletem ansiedade do porquê o presidente da República massageou o ego da ministra, mas não fez qualquer menção ao ministro. Lula fez seis elogios a Dilma Rousseff e nenhum a Antonio Palocci, resumem, conduzindo para a conclusão de que o presidente pende para o lado da ministra no debate sobre política econômica.
A ansiedade criada pelo excesso ou falta de menção aos ministros deriva, em boa parte, como se verá a seguir, do hábito da imprensa de apimentar declarações de terceiros para, em seguida, comentar ou repercutir sobre a versão condimentada.


O noticiário sobre a dissidência entre os dois ministros nasceu na entrevista concedida pela ministra ao O Estado de S.Paulo, dia 9 de novembro passado. Desde então, duas palavras foram pinçadas da entrevista da ministra concedida às repórteres Suely Caldas, Patrícia Campos Mello e Renée Pereira: ‘desqualificado’ e ‘rudimentar’.
A palavra ‘desqualificado’ não está contextualizada nas perguntas e respostas da entrevista, e aparece na abertura da reportagem da seguinte maneira:



‘A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o plano de ajuste fiscal de longo prazo proposto pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é ‘rudimentar’, não está sendo discutido no governo e o presidente Lula o desconhece. ‘Esse debate é absolutamente desqualificado, não há autorização do governo para que ele ocorra’, disse Dilma, em entrevista exclusiva ao Estado.
(…)
Nas últimas semanas, Bernardo vem discutindo um plano que prevê rígido controle dos gastos públicos por um período superior a cinco anos e elevação do superávit primário. O objetivo seria chegar a uma queda sustentada dos juros e ao aumento dos investimentos em infra-estrutura. ´Essa versão (de que existe uma discussão) é absolutamente fantasiosa. Se alguém quiser fazer esse processo de ajuste, terá de apresentar e passar por todos os trâmites´, disse Dilma.’


A palavra ‘rudimentar’ apareceu no seguinte diálogo entre ministra e as repórteres:



‘Estado: Recentemente, houve uma reunião com o ministro Antonio Palocci para discutir o novo plano de ajuste fiscal de longo prazo, proposto pelo ministro Paulo Bernardo…
Dilma Rousseff: Essa discussão não está posta no governo. O que foi apresentado é bastante rudimentar, nós não consideramos que essa discussão teve início e transitou no governo. Não é considerada em andamento, não foi levada ao conhecimento do presidente. O fato de eu e mais três ministros tomarmos conhecimento não significa que existe discussão. Não existe proposta concreta. Eu acho que nem existe a colocação de um conceito de ajuste fiscal no Brasil.’


Já no dia seguinte – no processo de metamorfose que perdura até hoje – a repercussão sobre as declarações de Dilma Rousseff apresentou as seguintes variações:


Folha de S.Paulo, 10/11
Palocci critica Dilma e diz que crise pode levá-lo a deixar cargo, reportagem de Kennedy Alencar



‘Na entrevista, Dilma classificou de ´rudimentar` a proposta de ajuste fiscal de longo prazo capitaneada pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) com o apoio de Palocci…’


O ministro Palocci aparece dando ‘apoio’ à proposta que sequer é considerada ‘em andamento’ na entrevista.


Folha de S.Paulo, 10/11
Rudimentar, coluna Opinião, assinada por Eliane Catanhêde:



‘Dilma Rousseff arrasou na entrevista publicada ontem pelo ´Estado de S. Paulo´, em que classificou de ‘rudimentar’ o plano de ajuste fiscal de longo prazo proposto pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com o beneplácito do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.’


Aqui, o plano também é dado como pronto e acabado e conta com o ‘beneplácito’ de Palocci.


Valor Econômico, 10/11
Conflito com Dilma recrudesce ameaça de Palocci deixar governo



‘A gota d´água para o desânimo de Palocci foram as críticas feitas pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à política econômica e ao programa fiscal de longo prazo que ele e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vêm elaborando. Ontem, em entrevista a ´O Estado de S. Paulo´, Dilma disse que a proposta é ´rudimentar` e que o debate é ´desqualificado´.’


Palocci ganha a co-autoria do projeto. Os adjetivos rudimentar e desqualificado são postos em seqüência como se o debate sobre o ajuste fiscal como é ‘desqualificado’ como um todo.


O Globo, 10/11
Guerra aberta, coluna Panorama Econômico, assinada por Miriam Leitão:



‘Em resposta à ministra Dilma Rousseff, que chamou de ´rudimentar` a proposta de um ajuste fiscal de longo prazo, o ministro Paulo Bernardo disse que se sente obrigado ´a pensar o Brasil´. Diz que sabe que ´tem de combinar com os russos, como diz a ministra Dilma, mas o desafio é esse´.
‘Numa entrevista publicada ontem no ´Estado de S.Paulo´, a ministra Dilma Rousseff voltou a atirar contra a equipe econômica, de quem ela se disse, na ´Folha de S.Paulo´, ´o contraponto´. A ministra-chefe da Casa Civil disse que o debate sobre ajuste fiscal de longo prazo é ´desqualificado´. A proposta dos ministros Paulo Bernardo e Antonio Palocci é pôr um limite ao crescimento das despesas correntes. Para ela, ´despesa corrente é vida´.’


Mais uma vez, a proposta é apresentada como pronta e acabada, e o debate é ‘desqualificado’ como um todo, e não porque está restrito à ministra e a ‘três ministros’, como ela diz na entrevista.


O Globo, 10/11
Palocci na berlinda, coluna de Merval Pereira:



‘Mas a ministra Dilma Rousseff não teve o mesmo cuidado ao atirar sem piedade na proposta de um plano de ajuste fiscal de longo prazo que vem sendo elaborado pela equipe econômica. Embora coordenado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o plano tem a assinatura do ministro Palocci, que já havia afirmado em discurso em uma assembléia do PT que o ideal seria que tivéssemos um superávit fiscal de 4,25% pelos próximos dez anos.
‘Dilma, em entrevista ao ´Estado de S. Paulo´, desqualificou os autores da proposta, dizendo que estavam baseando suas afirmações ´em planilhas´, esquecendo-se da vida real, e classificou o plano de ´rudimentar´, afirmando que nem o encaminhara ao presidente Lula porque não tinha as condições mínimas para um início de discussão dentro do governo.’


Aqui, a desalmada ministra exterminou a proposta, mais uma vez dada por concluída. De quebra, não é mais o debate que é desqualificado, mas sim ‘os autores da proposta’.


O Estado de S.Paulo, 11/11
Guerra à austeridade, editorial



‘Vem aí um ano de gastança eleitoral, a julgar pela encarniçada resistência, dentro do governo, à proposta de ajuste fiscal de longo prazo apresentada pelos ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Antonio Palocci. A oposição ao plano é liderada pela chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministra Dilma Rousseff, integrante do grupo mais envolvido no projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
‘Ao usar as palavras ´rudimentar` e ´desqualificada` para classificar o plano e sua discussão, a ministra levou a polêmica a um nível inaceitável em qualquer governo razoavelmente organizado – a menos que tenha refletido, em suas declarações ao Estado, publicadas na quarta-feira, a posição do presidente Lula.’


Da conclusão que o plano ‘rudimentar’ está concluído, o jornal deduz que haverá ‘gastança’ em 2006, ano eleitoral.


O Estado de S.Paulo, 11/11
Lula ordena fim do fogo amigo para segurar Palocci no cargo, reportagem de Vera Rosa



‘Na tentativa de conter o fogo amigo para baixar a temperatura da crise, o presidente também pediu à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que não faça mais críticas ao ajuste fiscal de longo prazo e ao aumento do superávit primário.
‘A ordem de Lula é para que tanto Dilma como Palocci parem com a guerra. ´Já temos muitos problemas´, afirmou o presidente. Em entrevista ao Estado, Dilma deu várias estocadas no plano de ajuste proposto pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Chamou o plano de ´rudimentar` e disse que esse debate é ´absolutamente desqualificado´. ´Para a dívida pública não crescer, é preciso ter uma política de juros consistente, porque senão você enxuga gelo seco´, comparou a ministra, provocando a ira de Palocci.
‘Sucessora de José Dirceu na Casa Civil, Dilma desculpou-se com Palocci e Bernardo, alegando que se expressou mal. Conhecida como dama de ferro, ela afirmou que, quando falou em ´rudimentar´, quis dizer ´incipiente´. Mas o estrago já estava feito.’


Com a crise fervendo, a ministra justifica-se dizendo que errou de adjetivo. A repórter pegou na veia, pois o ministro citaria, cinco dias depois, na audiência ao Senado, que ‘não estamos enxugando gelo’.



O Estado de S.Paulo, 11/10
Ministra diz a Bernardo que está sentida ´com tudo isto´, reportagem de Christiane Samarco:



‘A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, procurou o colega do Planejamento, Paulo Bernardo, para explicar o tom agressivo de suas críticas. Ela qualificou a política de Bernardo de ´rudimentar´. Em encontro rápido com o ministro, Dilma revelou que está ´sentida com tudo isto´, referindo-se ao adjetivo que ela própria usara em sua entrevista ao Estado. ´Achei ruim mesmo…. Precisamos conversar´, respondeu o ministro do Planejamento, sem dar prosseguimento ao assunto.
‘Um petista com trânsito no Congresso, que acompanha cada lance da rusga entre os dois ministros do partido, diz que não foi por acaso que Paulo Bernardo se recusou a responder à ministra.
‘Segundo este parlamentar, o alvo de Dilma na verdade não era o ministro do Planejamento, mas Antonio Palocci, da Fazenda, principal alvo das denúncias neste momento. Por isto, Bernardo não teria tirado satisfação com a companheira de ministério nem tampouco ficara ressentido com ela. A quem o procurou para falar do assunto, o ministro disse apenas que Dilma fora infeliz em suas colocações. ´A gente briga muito, mas é briga de amor´, brincou ele ontem.
‘Bem humorado, Bernardo é defensor da tese de que o governo pode compatibilizar uma política fiscal austera com um maior grau de execução orçamentária e um maior atendimento às demandas do Congresso’.


Aqui, ‘um petista’, parlamentar, esclarece que o alvo não é Paulo Bernardo, mas Palocci. A política do ministro do Planejamento, e não o projeto, que é ‘rudimentar’.


O Globo, 11/11
Risco fiscal, coluna Panorama Econômico



‘Na quarta-feira Palocci conversou logo cedo com a ministra Dilma Rousseff. Disse que com a entrevista em que chamou de ´rudimentar` a proposta de ajuste de longo prazo ela tinha exposto uma fissura interna do governo em relação à política econômica e criara uma tensão desnecessária. A ministra argumentou que não tinha noção de que a entrevista teria essa repercussão e admitiu ter sido infeliz em algumas expressões. Palocci pediu que ela conversasse com o ministro Paulo Bernardo para que não ficasse desentendimento. Ela ficou de ligar de manhã, mas não ligou. Paulo Bernardo e Dilma só foram conversar à noite. Ela não se explicou, apenas lamentou a repercussão.
‘O debate que a ministra Dilma Rousseff acha rudimentar está baseado em um fato concreto, começou há bastante tempo, e dele participou o presidente da República.’


A coluna acrescenta que o presidente da República sabia do debate ‘rudimentar’. Na entrevista, a ministra disse que Lula ‘desconhece’ o projeto.


Veja, 16/11
Fecha-se o cerco contra Palocci, reportagem de Policarpo Jr. e Marcelo Carneiro



‘O ministro Antonio Palocci escorregou para o centro da crise que açoita o governo há seis meses – e chegou aí por dois caminhos distintos. Primeiro, atingido pelo fogo amigo, disparado pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na quarta-feira passada, a ministra chicoteou a política de superávit primário alto, classificando-a de ´rudimentar´, e declarou que o país precisava reduzir a taxa de juros para ´sair do atoleiro´.’


De novo, não é o debate, mas sim a política de superávit primário que é ‘rudimentar’.


O Globo, 12/11
Os espantos, coluna Panorama Econômico



‘A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sustentou que tropeçou apenas em uma palavra, ao explicar por que atingiu os colegas. Falou rudimentar no sentido de incipiente. Rudimentar é primitivo, tosco; incipiente qualifica o que está no começo. Mas, que fique o incipiente pelo rudimentar; o problema é onde pôr todas as outras palavras usadas por ela, substantivas, adjetivas e verbais, com as quais disse, em duas entrevistas e um jantar com políticos, que o ministro da Fazenda estava errado.
‘Diante dos ataques públicos ao seu ministro da Fazenda, que já está enfrentando um duro momento, o presidente Lula decidiu resolver tudo. Chamou Palocci e Dilma e deu uma bronca em ambos. Não resolveu coisa alguma. Palocci, que não respondeu publicamente a Dilma, nem a qualquer outro colega que o tenha criticado nesses 33 meses de governo, ficou mais fraco depois desta semana. Até porque o país ficou sabendo que a chefe da Casa Civil discorda inteiramente dele, acha que sua política é equivocada, conservadora, que ele só ouve sua igrejinha, que apóia idéias rudimentares, que está impedindo o Brasil de crescer.’


A palavra rudimentar ganha o plural e maior alcance.


Jornal do Brasil, 15/11
Levy sem destino certo, reportagem de Silmara Cossolino



‘Palocci também sofreu, na semana passada, duras críticas da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre a maneira como conduz a política econômica e seu plano de ajuste fiscal. Dilma afirmou que a política fiscal implementada pelo ministro da Fazenda é ´rudimentar´. A virulência das críticas repercutiu mal e a ministra acabou se retratando posteriormente, mas deixou clara a existência de cisões profundas na cúpula do governo federal.’


O ministro Paulo Bernardo desaparece e o que passa a ser ‘rudimentar’ é a condução da política econômica e o plano de ajuste fiscal, ambos atribuídos como de autoria exclusiva de Palocci.


Valor Econômico, 16/11
Saldo possível da crise: saída mais ortodoxa, coluna assinada por Cristiano Romero



‘Cobrada internamente a dar explicações sobre os ataques desferidos contra a área econômica, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ter criticado ´apenas` o programa fiscal de longo prazo em gestação no Ministério do Planejamento. Não é verdade. Dilma atirou na proposta e em dois dos três fundamentos da política econômica: os juros e a condução da área fiscal.
‘É evidente que a política econômica é passível de críticas. Na segunda-feira, o ex-presidente do Banco Central Afonso Celso Pastore, em artigo publicado no Valor, afirmou que existem todas as condições para o Comitê de Política Monetária acelerar a queda dos juros. O que é incompreensível é que, no momento em que o governo se encontra mais fragilizado, a chefe da Casa Civil critique publicamente a gestão econômica, usando adjetivos como ´rudimentar, fantasioso, desqualificado´.’


Esculhambou geral. A qualificação original do projeto e todos os adjetivos ditos pela ministra na entrevista são transferidos para a ‘gestão econômica’.



O Estado de S.Paulo, 18/11
O insulto nosso de cada dia, coluna assinada por Dora Kramer



‘A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chama de rudimentar um plano de ajuste fiscal elaborado pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento – supostamente com conhecimento e autorização do presidente da República – e o gesto não merece reparo explícito.
‘Ao contrário, Palocci foi instado a ´parar` com a briga.’


Uma semana antes, o mesmo jornal publicara: ‘Na tentativa de conter o fogo amigo para baixar a temperatura da crise, o presidente também pediu à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que não faça mais críticas ao ajuste fiscal de longo prazo e ao aumento do superávit primário. A ordem de Lula é para que tanto Dilma como Palocci parem com a guerra’.


O Estado de S.Paulo, 18/11
Em discurso, presidente elogia ministra três vezes e não cita Palocci, reportagem de Tânia Monteiro, Vera Rosa e Leonencio Nossa



‘Na semana passada, Dilma criticou, em entrevista ao Estado, o plano de ajuste fiscal de longo prazo proposto por Palocci, que chamou de ´rudimentar´. Na CAE, Palocci não deixou por menos: disse que a colega estava ´errada´. Ela telefonou ontem logo cedo para o ministro e o cumprimentou pelo depoimento. Embora Lula diga que não viu nada, assistiu a parte da sessão em seu gabinete, ao lado de Dilma, que na noite de quarta-feira saiu do Planalto por volta das 23h30.
‘No telefonema, Dilma ponderou que entendia as declarações feitas por Palocci, rebatendo suas opiniões sobre equilíbrio fiscal e superávit.
‘A ministra comentou que ele precisava ´marcar posição´.
‘A portas fechadas, antes da cerimônia, Lula ficou contrariado com notícias de que não tinha mostrado solidariedade a Palocci, em discurso no dia anterior. ´Eu só tenho feito defender Palocci´, argumentou. Mais tarde, abordado por repórteres, ele não repetiu a afirmação. Indagado se apoiava a política econômica do ministro, o presidente, que já se retirava, não respondeu.’


O Estado de S.Paulo, 18/11
Relatório de Dilma a Lula: ação de Palocci pára ministérios, reportagem de Roldão Arruda:



‘Poucos dias antes de classificar como rudimentares as propostas de ajuste fiscal feitas pelo ministro Antonio Palocci e desencadear nova crise no governo, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tinha levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um relatório mostrando como a Fazenda estaria estrangulando as atividades de outros ministérios – com sua política de liberar verbas orçamentárias a conta-gotas.’


Nos dois exemplos acima, o mesmo jornal que publicou a entrevista original atribui a Palocci a autoria isolada do plano de ajuste.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/11/2005 maickon prebianca

    Oque estou fazendo contra esse tipo de manipulação é divulgar o blog e o Observatório como um todo, para o maior número de pessoas possíveis, para que assim como eu, elas possam constatar de forma prática o tipo de imprensa que temos no Lisarb, quer dizer Brasil.

  2. Comentou em 20/11/2005 Ggaleno de Almeida Pupo

    Nunca tivemos sonhos com a imprensa.Os meios de comunicação são parte essencial das ditaduras e do controle da opinião pública.A democracia, na verdade, morre na boca da imprensa. Observem hoje no Jornal O Estadão as criticas ao MST, ‘ensina-se a luta de classes!!!, mas o que é afinal esta conspiração dos editores e proprietários de jornais contra o governo democrático do Lula?
    luta de classes, travestida em liberdade de imprensa! Pela democratização dos meios de comunicação. Viva a luta de classes.

  3. Comentou em 19/11/2005 João Benedetti

    Parabenizo o repórter Alceu Nader, que deu luz e som a todos nós – simples mortais – mas que temos noção do papel ditatorial e servil que estes famosos jornais e revistas vem desenvolvendo. Pena que não aparece no ‘jornal das 8’ e nas primeiras páginas.
    Um abraço!

  4. Comentou em 19/11/2005 Railton Melo Railton

    Imprensa sem credibilidade, o povo já compara a imprensa aos políticos ou seja todos desacreditados, antes da crise a sociedade tinha a imprensa para confiar, agora nem isso, todos comprados!!!!!!!11

  5. Comentou em 19/11/2005 Saulo Santos

    Parabens , Alceu Nader.
    Esta imprensa controlada por pessoas que não tem o menor interesse, em promover Brasil , somente avacalhar. Na maioria absoluta das manchetes , das tvs, jornais, revistas , percebe-se sempre o direcionamento das noticias para o lado sempre negativo.Exemplo :Manchete em letras garrafais : Lula fez isto , ou pior lula não fez isto. Sempre Lula ou governo .Não estou defendendo a banda podre da politica , errou tem que pagar e caro.
    Mas sem atropelar os direitos de cada um. Todos somos inocentes conforme a lei , até que se prove o contrario , inclusive somente o juiz poderá nos acusar ou inocentar que qualquer crime que somos acusados de cometer. Montaram o circo das CPIs , a do mensalão , já foi para o saco , dizem terminou em pizza, mas se prestar-mos um pouquinho de atenção , vamos ver que tratava do tal do caixa 2 ,que sempre foi usado por TODOS, digo TODOS os partidos,por isto não foi adiante . Afinal com certeza, iria acabar chegando também na Oposição , (vide Azeredo ) afinal eles iriam dar um tiro no proprio pé , deixaram prá lá.Agora estão Re-lançando CPI dos Bingos ,estão atrás de Palocci , para depor sobre o caso de Celso Daniel na CPI dos Bingos , Afinal desde pequeno aprendi que UMA COISA É UMA COISA , E OUTRA COISA É OUTRA COISA . Resumindo os deputados e senadores resolveram ditar as leis , eles acusam , julgam e condenam , sem provar nada ,na maioria das vezes , depois encerram a palhaçada sem mais nem menos , e tudo bem, imagine foram cento e tantos dias , Só se ouvia falar Mensalão neste Brasil.Acabou ontem e já não se fala mais nada , acabou , sumiu, findou-se .E quem em foi acusado injustamente ? e foi condenado pela IMPRENSA ? como vai ficar??? Agora vai começar a CPI dos Bingos , A camara dos deputados e o senado ,não faz nada , não se vota nada , o brasileiro está largado.Pois só assim nossos representantes aparecem na midia nacional , fiquei sabendo até da existencia da ZULAIê JARARACA ,Nunca vi tanto despreparo ,é o exemplo do politico brasileiro , completamente maluco , e o pior , foi eleita por voto direto,quando vê uma camera de Tv , fica transtornado , pira , endoida .Dá para se concluir que se imprensa fosse séria , (Felizmente ainda existem alguns profissionais )que mesmo não concordando , dá a noticia , conforme a Verdade.Infelizmente a maioria , não procede assim.São paus mandados.E o povo paga o pato , afinal já estamos acostumados ,né ??

  6. Comentou em 19/11/2005 Rosa Maria Cocco

    Penso que está na hora dos jornalistas sérios iniciarem um movimento pela liberdade de imprensa. Não é possível que se fale que o Brasil tem uma imprensa livre, quando o que existe, na realidade, é a mais alta submissão dos jornalistas aos donos dos meios de comunicação. Cabe, também, ao povo e à sociedade organizada deflagrar um movimento tipo ‘diretas já’, agora voltado à defesa intransigente da Constituição da República Federativa do Brasil, que foi e tem sido rasgada por uma minoria parlamentar com o apoio da mídia comprometida com a Ditadura.

  7. Comentou em 19/11/2005 Haroldo Mourão Cunha

    Que a imprensa ‘nacional’ sempre foi de direita, não se discute, mas burra é uma novidade. Infelizmente as pessoas que possuem computador e estão ligados pela rede em sitios verdadeiramente sérios, como o OI, são em número muitíssimo pequeno! Eu repasso todas as informações debatidas pelos jornalistas e colunistas do OI para meus amigos e quem quiser informações com bom senso jornalístico. Quem ler esse meu comentário e aceitar a sugestão…

  8. Comentou em 19/11/2005 Antonio Mello

    E a desinfoirmação continua.
    A imprensa hoje destaca que o presidente Lula fez elogios à ministra Dilma e nenhum ao ministro Palocci. O Globo chegou ao requinte de publicar numa mesma página uma série de fotos com o presidente sentado ao lado da ministra, com uma das legendas afirmando que Lula ‘ficou ao lado dela o tempo todo’…
    Será que não sabem que existe uma coisa chamada cerimonial? Uma solenidade em que comparece o presidente da República não é uma festinha de república estudantil, onde cada um senta onde quer – ou onde der.
    Além do mais, o ministro Palocci foi tão bem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que certamente o presidente quis dar uma força para a ministra para empatar o jogo. Assim é o Lula, que sempre decide…não decidir. No embate Dilma X Palocci, como no anterior Dirceu X Palocci, o presidente ora elogia um, ora outro, e deixa que o tempo faça o que ele não sabe fazer: decidir.
    É preciso também levar em consideração o local da declaração a favor de Dilma: a cerimônia sobre o projeto do biodiesel, que foi tocado pela ministra, quando ainda estava à frente do ministério das Minas e Energia.

  9. Comentou em 18/11/2005 Edson Pessoa

    Infelizmente são tantos os excessos que renomados veículos de comunicação praticam com fins políticos tendenciosos, com a nítida postura de manipular a opinião e a opção da sociedade brasileira. Dilma X Palocci é somente mais um exemplo. Estamos assistindo a esse ‘reality show’ desde que o governo Lula se instalou. Lembro-me que quando Lula procurou a imprensa e anunciou o que chamou de ‘espetáculo do crescimento’ os mesmos veículos em foco citados nesta reportagem promoveram um cenário de chacotas, ironias, deboches, etc que durou meses, só parando quando os resultados eram evidentes e inquestionáveis. Aí passaram a justificar alegando que os méritos eram devidos ao governo passado pois o governo Lula havia somente copiado a política economica do FHC. Tristeza… Na época das eleições todos os políticos possuem o mesmo discurso. Aquilo que nós queremos ouvir. Em síntese cuidar da melhoria do padrão de vida o povo. Agora assistimos diariamente uma verdadeira guerra entre ‘oposição’ e ‘situação’ e, com certeza, as necessidades do povo brasileiro não superam as intenções pessoais de cada político na tentativa de manter seu posto nas próximas eleições. Tristeza… Como se não bastasse, alguns veículos de comunicação extrapolam suas funções em indecente desrespeito aos cidadãos brasileiros.

    ´

  10. Comentou em 18/11/2005 Luiz Claudio Leão

    Brilhante o levantamento feito que mostra mais uma vez como estamos sendo manipulados. Confesso que eu não li a notícia original e não tinha noção do conteúdo original que está muito longe de ser ofensivo. Me causa preocupação a repercução causada e mais ainda pois comentaristas no nível de Mirian Leitão terem entrado nessa mostrando a mesma falta de informação que eu! Ouço diariamente a rádio CBN que considero contar com excelentes comentaristas mas fico muito triste pois este assunto não era para causar o burburinho que causou inclusive na referida rádio e pelos comentaristas de renome que lá trabalham. Só resta pensar que os jornalistas na necessidade de uma notícia quente falam qualquer coisa ou então são obrigados a isso pelos patrões. Pensem um pouco, quem deveria ser mais informado é capaz de gerar e aumentar uma discussão absolutamente sem conteúdo como esta. Onde vamos parar?

  11. Comentou em 18/11/2005 Almy Da Silva

    Parabéns!
    Eu não tinha lido a entrevista, só a repercussão que ela causou…
    Estava refén da falta de profissionalismo, incompetência ou má fé mesmo…

  12. Comentou em 18/11/2005 Francisco das Chagas Alves

    Acho que há uma preocupação do jornalista – há sempre excessões – com a concorrência, mas é excessiva. Ser furado ou ficar para trás pode valer a ele o emprego. Tem que estar na onda do momento. E na tentativa de apimentar o assunto arrisca a até encher espaço simplesmente. A propósito, destaco a medalhista Miriam Leitão que, entrevistando o ministro Paulo Bernardo na Globonews, apelou: como não conseguia o troco do entrevistado, disse que ele estava sendo muito educado, enquanto a ministra tinha chamado ele de ‘rudimentar’.

  13. Comentou em 18/11/2005 milton milton

    Precisamos urgente de democratizar a imprensa, pois do jeito que esta, ideologico, partidario, enfim partidos politicos virtuais, lamentavel….

  14. Comentou em 18/11/2005 Iolando Fagundes

    Como sempre, repórter é um bichinho inconveniente. Em outro episódio, queriam que o presidente deixasse de atender outro chefe de estado para dar entrevista. E olhe sobre o que, a tal fábula do dinheiro cubano. Agora, em plena palestra sobre o Biodíesel, projeto coordenado pela ministra Dilma, queriam que o presidente fizesse elogios ao Palocci. Me poupem, mas não era hora nem o momento. Nem o presidente e nem qualquer cidadão está obrigado a dar entrevista e a falar na hora que a imprensa pede!!!Será que são os repórteres que passaram a ser ditadores, inquisidores? Sabemos ser lícito o papel de investigar(sem ser polícia) e de buscar a verdade (sem ser juiz), mas mantenham o respeito, o operário é o Presidente do País, queiram vocês ou não!

  15. Comentou em 18/11/2005 Iolando Fagundes

    Como sempre, repórter é um bixinho inconveniente. Em outro episódio, queriam que o presidente deixasse de atender outro presidente para dar entrevista. E olhe sobre o que, a tal fábula do dinheiro cubano. Agora, em plena palestra sobre o Biodíesel, projeto coordenado pela ministra Dilma, queriam que o presidente fizesse elogios ao Palocci. Me poupem, mas não era hora nem o momento. Nem o presidente e nem qualquer cidadão está obrigado a dar entrevista e a falar na hora que a imprensa pede!!!Será que são os repórteres que passaram a ser ditadores, inquisidores? Sabemos ser lícito o papel de investigar(sem ser polícia) e de buscar a verdade (sem ser juiz), mas mantenham o respeito, o operário é o Presidente do País, queiram vocês ou não!

  16. Comentou em 18/11/2005 EVANDRO DE ALMEIDA MARQUES

    no contexto em que foi usado pela ministra, o termo ‘rudimentar’ é perfieto sinônimo de ‘incipiente’ e, ainda, qualifica o estágio em que se coloca a discussão e não a proposta em seu conteúdo. inclusive o observador deixa passar esse detalhe que deu pano para todo bafafá em torno do que foi dito. a preguiça do jornalista colocou saia justa na ministra equivocadamente. e ela é que teve de se explicar. cést la vie.

  17. Comentou em 18/11/2005 Antonio de Padua Martins

    Excelente recensão de Alceu Nader sobre as barafundas ‘noticialeiras’ de temas a serem apresentados à ‘opinião pública’ em moldes ou conteúdos, que não demonstram verossimilhança com fatos concretos, apresentados aos leitores. Diante dessas atitudes de contar um conto e aumentar um ponto, fico persuadido, cada vez mais, qual não será a confusão, fervilhando em muitas mentes, para desgraça de uns e quase mórbido prazer de outros. Imagino situações , onde entram como luva, palavras de José Régio no Cantico Negro: …’Deus e o Diabo é que me guiam’… ‘Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, Sei que não vou por ai!’

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