Do que será que estamos fartos de ler? | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Do que será que estamos fartos de ler?

Por Luiz Weis em 07/08/2008 | comentários

O atento correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, informa hoje que, segundo um levantamento do respeitado centro de pesquisas Pew, 48% dos americanos consideram que o candidato Barack Obama aparece demais na mídia – e se dizem cansados disso. Só 26% falam o mesmo em relação a John McCain.


Olhem que ainda faltam 18 dias para a convenção democrata – e, a contar daí, outros 71 dias até a eleição. Três meses mais, portanto, de cobertura por saturação da campanha do primeiro candidato negro com chances reais de chegar à Casa Branca.


Pode-se especular se o excesso de obamamídia pode enjoar uma parcela do eleitorado americano a ponto de fazê-la se desinteressar da eleição. Mas isso é lá com eles.


Aqui, seria o caso de saber de quantos assuntos o público se fartou de ler, ver ou ouvir, ultimamente.


Proponho que os eventuais leitores mandem as suas listas particulares – podem servir de guia para quem decide nas redações o que noticiar, como, quando – e quanto.


Haverá quem ache, por exemplo, que o Estadão está gastando espaço demais com a proposta do ministro da Justiça, Tarso Genro, de se criarem condições para levar aos tribunais os torturadores do ditadura de 1964.


Faz uma semana que o assunto não sai de cena no jornalão – em matérias, artigos, entrevistas e num dos editoriais de hoje.


E mais de uma reportagem sobre a reação dos militares a respeito resvala para o inflamatório, destacando os previsíveis arreganhos do pessoal de pijama.


Enquanto isso a concorrência informa que o presidente Lula não soube por antecipação da fala de Tarso, mas soube, sim, do “alto lá” do ministro da Defesa Nelson Jobim para tirar a questão da área do Executivo.


Para o bem ou para o mal, o que o Estado passou a chamar de “desanistia” perde gás a olhos vistos no Planalto, de onde parecem vazar insinuações sobre os motivos menos nobres que teriam levado o ministro da Justiça a levantar o caso.


E não há na opinião pública sinal de interesse pelo assunto, muito menos qualquer pressão perceptível da sociedade para pôr na agenda nacional o tema da impunidade dos torturadores.


Já seria alguma coisa se houvesse uma demanda pelo resgate dos arquivos do velho regime relacionados com a repressão. Mas o público e a imprensa não estão nem aí para isso.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/08/2008 Marcelo Soares

    Minha bronca vai um pouco mais longe. Até se vê algum debate sobre abrir arquivos da ditadura, mas como um debate fechado em si. Pouco ou absolutamente nada se fala sobre regulamentar o acesso a informações públicas de forma geral, tanto os arquivos da ditadura quanto os da democracia. Porque, mais absurdo do que a falta de acesso aos arquivos da ditadura (visto que quem escondeu tem motivos muito concretos para fazê-lo, pois eles podem revelar crimes dos seus), em minha opinião, é a falta de acesso aos arquivos da democracia. O acesso a esses, infelizmente, depende da boa vontade do burocrata de plantão e torna-se mais rarefeito conforme se descem as escadas da esfera federal para as dos menores municípios. Pouco ou nada se toca nisso na imprensa, mesmo que seja o tema subjacente de boa parte do noticiário dos últimos dias: anistia, mapa do crime, antecedentes judiciais de políticos, enriquecimento de candidatos, etc. Se for comparar o Estadão e a Folha nesta semana, a Folha ainda entra um pouco no tema, até em editoriais. Já o Estadão fica na questão da polêmica causada, sem entrar nem de longe na questão do acesso aos documentos. Há dois projetos de lei para regulamentar o direito de acesso. Um está parado na Câmara desde 2004 e o outro é da CGU. Eu já li o texto, o Lula prometeu em campanha mandar ao Congresso em 2007, mas oficialmente o governo não admite sua existência.

  2. Comentou em 12/08/2008 Marcelo Soares

    Minha bronca vai um pouco mais longe. Até se vê algum debate sobre abrir arquivos da ditadura, mas como um debate fechado em si. Pouco ou absolutamente nada se fala sobre regulamentar o acesso a informações públicas de forma geral, tanto os arquivos da ditadura quanto os da democracia. Porque, mais absurdo do que a falta de acesso aos arquivos da ditadura (visto que quem escondeu tem motivos muito concretos para fazê-lo, pois eles podem revelar crimes dos seus), em minha opinião, é a falta de acesso aos arquivos da democracia. O acesso a esses, infelizmente, depende da boa vontade do burocrata de plantão e torna-se mais rarefeito conforme se descem as escadas da esfera federal para as dos menores municípios. Pouco ou nada se toca nisso na imprensa, mesmo que seja o tema subjacente de boa parte do noticiário dos últimos dias: anistia, mapa do crime, antecedentes judiciais de políticos, enriquecimento de candidatos, etc. Se for comparar o Estadão e a Folha nesta semana, a Folha ainda entra um pouco no tema, até em editoriais. Já o Estadão fica na questão do Tarso, sem entrar nem de longe na questão do acesso aos documentos. Há dois projetos de lei para regulamentar o direito de acesso. Um está parado na Câmara desde 2004 e o outro é da CGU. Eu já li o texto, o Lula prometeu em campanha mandar ao Congresso em 2007, mas oficialmente o governo não admite sua existência.

  3. Comentou em 09/08/2008 Lau Mendes

    Desculpe Senhor Weis,nominei outro jornalista em sua matéria.

  4. Comentou em 09/08/2008 Lau Mendes

    Isto pode ser de mau gosto, humor negro ou politicamente incorreto, mas eu tenho a curiosidade de saber qual seria a reação do digníssimo G.Mendes ao obrigar-se à edição de sumula: a tortura é admissível quando…….ou não. Outra curiosidade; já que sabemos o santo, qual o milagre almejam as tais “insinuações menos nobres” ? Insinue também Senhor Dines. Afinal insinuar parece uma cadeira muito freqüentada nos bancos do jornalismo ultimamente. Não espere Obamamídia aborrecer mais.

  5. Comentou em 09/08/2008 Luciano Prado

    Estamos fartos do silêncio sepulcral da imprensa sobre os crimes do poderoso e endinheirado Daniel Dantas.
    Nesse caso ‘farta’ pauta e abunda safadeza.

  6. Comentou em 08/08/2008 Teócrito Abritta

    Depois de quase seis anos o governo Lula esconde os cadáveres dos desaparecidos políticos, desde o ‘bom moço’José Alencar ao ministro da Defesa Nelson Jobim, para não falar em Tarso Genro, Dilma Rosseff e seus antecessores como Dirceu e aquele entendido em segurança cujo nome a História já apagou. Portanto esta história cheira mais a marketing político do omisso Ministro da Justiça para tentar dizer que existe nesta vergonha toda, onde a segurança pública é uma das mentiras eleitorais do governo petista-pemedebista.

  7. Comentou em 08/08/2008 alfredo sternheim

    Sugiro um outro artigo : Do que Será que estamos Fartos DE NÃO LER. Sim, porque, ao o prazer dos editores e donos de jorais e revistas, certos assuntos ou seus encaminhamentos somem da mídia. Por exemplo, nunca o leitor ficou sabendo do que tratava o dossiê Vedoin que, agora, sumiu. Nunca ficamos sabendo porque aqueles que foram acusados de executar extorsão contra o padre foram absolvidos. Segredo de JUstiça? Não para a Imprensa que poderia ter entrevistado os acusados, saber como se sentiam por terem passsado um bom tempo na cadeia apenas como indiciados. Não ficamos sabendo no que deu os processos contra o cineasta-ator Guilherme Fontes. Não ficamos sabendo nem na época do mensalão o que Roberto Jefferson, do PTB, fez com os 4 milhões que ele disse ter recebido do governo. Não teve desdobramentos a crise entre o maestro Neschling regiamente pago 100 mil mensais) e o governador do estado (14 mil) ; o assunto sumiu. O caso Daslu, as acusações contra Maluf.os funcionários fantasmas do senado. A lista é longa.. Durante um tempo publicações martelam num só tema sem a preocupação de saber se o público está interessado (o casal Nardone). Depois esquecem e vão para outro que, de preferência, respingue em Lula. O diálogo imprensa-público precisa ser melhorado. Como a Folha, todo o veículo precisa de ouvidoria. Mas a maioria recusa. Inclusive O Estado de SP. Triste essa postura

  8. Comentou em 08/08/2008 Alberto Porem Jr.

    Isto se chama ‘matar o tempo’. É simples.
    As notícias que chegam às redações são ‘boas’ para o governo e’ruins para a mídia oposicionistas atual. Então o que fazemos?
    Criamos um fato apartir de chifre em cabeça de cavalo!
    Os grandes jornais estão tentando a todo custo ‘arrebentar’ com este governo e transformam qualquer coisa que possa criar embaraço ao governo em MANCHETE, ou seja, o governo vai ter que se explicar com esta notícia? Então publica e martela, martela e martela….Parodiando Lula: NUNCA NESTE PAÍS ANTES FALOU-SE TÃO MAL DE UM GOVERNO E PROCUROU A TODO CUSTO DERRUBA-LO, NEM NA DITADURA….

  9. Comentou em 08/08/2008 Nilton Bergamini

    O problema não é a insistência de um assunto e sim a insistência de um ponto de vista raso, repetitivo e sem novidades. A prática alienante da imprensa impede o leitor de formar um próprio ponto de vista e obriga-o, por martelamento e repetição, a assumir o ponto de vista dela, a mídia.
    Sem contar nas vezes em que tentam transformar o assunto em um réles folhetim, com capitulos intermináveis, tentando prender o leitor por seqüencias ‘continua no próximo capítulo’.

  10. Comentou em 08/08/2008 José de Souza Castro

    Tenho lido muito, por dever de ofício, sobre um empresário brasileiro que, de escola formal, só fez até a sexta série do ensino fundamental e liderou a construção, em 47 anos, da maior fabricante de motores elétricos do continente. É um extraordinário autodidata e inovador em gestão. Uma das coisas que ele fez foi o rodízio dos diretores e gerentes por diversas áreas de sua empresa. Acho que está precisando disso também em nossa imprensa, o rodízio dos pauteiros. Eu conheço pelo menos dois que usam há anos uma mesma agenda para orientar a sua pauta. Assim, não há erro: os assuntos levantados pelos repórteres se repetem a cada ano, na mesma época. E há aquela pauta diária sobre como está o tempo, o trânsito, os acidentes e por aí vai. Não há como empolgar o repórter em seu trabalho e o leitor ou ouvinte na sua leitura da ‘realidade’ que lhe é levada pela imprensa. Para piorar, um pauteiro ainda se pauta nos colegas de outros veículos. O fastio com o que nós produzimos pode ser observado aqui mesmo, nos comentários dos leitores – e olhe que quem comenta aqui é gente que ainda não desistiu, é uma minoria. Já li em alguma parte para cada um que se manifesta há mil que não se dá ao trabalho.

  11. Comentou em 08/08/2008 Paulo de almeida

    Quando saiu o acordo p a anistia eu achei aquilo feio. Depois achei útil. Por fim vi que qualquer outro caminho seria e é perigoso. Como dizia o sábio diplomata J G Rosa: Quem julga, julga o passado.

  12. Comentou em 08/08/2008 Ivan Moraes

    ‘Do que será que estamos fartos de ler?’: qualquer coisa a respeito de loura burra espioa presidenta de tribunal falando do que c omprovadamente nada entende.

  13. Comentou em 08/08/2008 Ney José Pereira

    Aqui no Brasil há a pleitomídia. Num ano é pré-eleitoral noutro é eleitoral. De eleição em eleição o político é deputado federal, ministro de estado ( com e minúsculo, mesmo ) e governador ou prefeito. Tudo isso em 4 anos!. Ele pode ser até mesmo ministro do STF. Haja promiscuidade entre os tais ‘poderes´( com p minúsculo, mesmo )!. Ora, se algum dia tivermos eleições de 5 em 5 anos em todos os níveis sem direito à reeleição para o poder executivo (tudo minúsculo, mesmo), a tal mídia não saberá o que fazer. Nem os políticos. Nem a tal mídia nem os tais políticos estão preparados para a construção, o desenvolvimento e a civilização de um País como o Brasil. ( esses com p e b maiúsculos ). Mídia e política querem mesmo é se esbaldarem. Ou melhor, se chafurdarem. Na escória da história.

  14. Comentou em 08/08/2008 Carlos Lorenzo Stojkovic

    Sr. Weis, concordo com relação a impunidade. A anistia é um benefício jurídico que só deve ser outorgado àqueles que cometeram delitos políticos e nunca a pessoas que cometeram faltas de foro comum. Tortura, execuções, não importa a motivação, são crimes comuns, ou melhor, crimes contra humanidade. Agora, convenhamos: quando um integrante das Farc -o padre Olivério Medina, condenado pela autoria de um atentado contra civis inocentes em Bogotá- recebe do Ministério da Justiça o estatus de refugiado político, o governo não aparenta ser capaz de guardar distâncias iguais perante os protagonistas do período da ditadura militar. Os que participaram de seqüestros, assaltos a bancos, atentados, também precisam ser punidos. Estou usando o mesmo argumento do ministro Tarso Genro: crime político é uma coisa; delito comum é outra. Um morto não vale menos do que centenas de mortos. Pouco importa, nesse caso, se a luta armada matou menos que os militares. Justiça é justica! Vale pra todos! O Executivo não parece ser um ator neutral; tampouco o poder Judiciário.

  15. Comentou em 07/08/2008 marina chaves

    o que eu nao aguento mais ver na midia sao as manchetes sobre violencia…. estão em todos os lugares, na tv e nos jornais…. será que no país não acontece nada de bom, só assaltos, sequestros, crimes, mortes, exterminio?

  16. Comentou em 07/08/2008 Ivan Moraes

    ‘Mas o público e a imprensa não estão nem aí para isso’: eh pauta alheia. O cansaco nao eh do assunto, eh da pauta -nao acontece tanto com quem le jornais, mas eh rapidissimo com internautas, que frequentemente estao mais informados do que os ‘pauteiros’ e teem mais capacidede de argumentacao. Infelizmente, nem todos sabem que discutir com jornalista NAO eh discutir com pauteiro. Como ja dizia Clinton, ‘eh o pauteiro, estupido’: porque os pauteiros esconderam Daniel Dantas? O povo brasileiro esta tudo com cara de idiota?

  17. Comentou em 07/08/2008 João Paulo Kaviedes

    Chamaste o ministro Nelson Jobim de Danton Jobim por alguma ironia que deixei de perceber ou foi somente um ato falho?

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