Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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Dois contextos da internet no jogo das eleições municipais

Por Carlos Castilho em 06/09/2008 | comentários

A internet está provocando nestas eleições municipais dois tipos de debate: um vinculado a questões jurídicas, constitucionais e técnicas, e outro ligado às conseqüências da exclusão digital.


 


As marchas e contramarchas dos tribunais na regulamentação do uso da internet aumentaram as incertezas e confirmaram aquilo que já era conhecido, ou seja, é uma missão quase impossível regular uma tecnologia radicalmente nova em matéria de comunicação usando ferramentas legais desenvolvidas noutra realidade.


 


A Justiça Eleitoral está diante de um dilema difícil porque a questão da internet é importante na definição da disputa pelo poder em âmbito nacional e regional. Só que nas circunstâncias atuais o debate acontece num clima político onde predominam os interesses paroquiais nas disputas pelos cargos de vereador e prefeito, nos 5.562 municípios brasileiros.


 


Este paradoxo coloca em evidência os diferentes contextos da internet no país, em especial quando a questão política é levada em conta. A exclusão digital joga neste ambiente um papel preponderante, mas não é só isto.


 


As classes A e B têm mais acesso à internet e a utilizam, prioritariamente, como instrumento para obter e disseminar informações de interesse pessoal. Neste segmento social é necessário distinguir os adultos, que usam pouco a rede como ferramenta para a interatividade, dos jovens, cujo maior interesse na rede é justamente o lado social.


 


Em matéria de política, as diferenças não são menos intensas. O grande diferencial da rede como ferramenta de promoção de ações coletivas funciona mal entre os adultos das classes A e B porque eles são individualistas, e é o grande atrativo no ambiente mais jovem, onde a política é malvista.


 


Numa eleição municipal, o principal papel da internet seria o de funcionar como articulador de interesses comunitários graças à interatividade, seu principal diferencial em relação aos demais canais de comunicação. A questão comunitária é especialmente relevante nas classes C e D porque a ação coletiva é a grande ferramenta que este segmento social dispõe para compensar sua debilidade econômica, em matéria de ação política.


 


Mas como a exclusão digital atinge de forma mais intensa justamente as classes C e D, isso acaba fazendo com que elas não possam usar a principal vantagem que a internet poderia lhes oferecer: a formação de comunidades usando ferramentas digitais. Esta é uma das principais razões da baixa utilização da rede nas campanhas de vereadores e prefeitos, na maioria das cidades brasileiras.


 


Nas capitais ainda é possível ver alguns candidatos usando o horário eleitoral gratuito para promover suas páginas web onde detalham seus programas políticos. Mas são raríssimos os que dialogam com eleitores usando a interatividade dos chats, fóruns e comentários.


 


Como os jovens das classes A e B fogem da política, e como a exclusão digital inviabiliza seu uso pelas classes C e D, a internet brasileira ainda é um território quase privativo do jogo do poder na esfera nacional e estadual.

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/09/2008 Jose de Almeida Bispo

    Meu caro Castilho, a internet, sob o ponto de vista político-eleitoral é exatamente aquilo a que se propunha ao seu início: uma biblioteca onde são encontrados assuntos e respostas a questionamentos pré-formulados pelos interessados afins; e não mais um meio de midia onde alguém impõe – como na TV – um pensamento único. A maioria adota o pensamento único por ser menos trabalhoso. E é aqui que entra a diferença proporcionada pelo advento da internet: a chegada do contraditório, livre dos vícios das redações, extremamente dirigidas e com objetivos expressos. O que a internet faz é jogar areia no jogo da turma do pensamento único que a todo o momento se vê questionada e a cujos questionamentos – aí, sim – parte substancial dos acomodados acabam por deles ter conhecimento, fomentando o enriquecimento político. Em si, a internet é pouco. Sua função é, de fato, restabelecer o ambiente democrático, perdido depois do surgimento das grandes cadeias fechadas de informação. Tá difícil a Veja – como exemplo – mentir sem que se saiba rapidamente.

  2. Comentou em 06/09/2008 j batista

    A internet é o meio mais democrático em que os todos os candidatos teriam acessos e poderiam expor seus planos de governo,bem como seus “curriculum”, evitando-se gastos com o dinheiro publico e os tais financiamento privados, já que é sabido que após as eleições os interesses destes últimos prevalecem sobre o interesse público.A mídia em geral são comprometidas com o poder econômico e no interesse quanto a determinados candidatos visando seus futuros interesses particulares e não o publico Políticos condenados antes ou durante a vigência de seus mandatos deveriam ser expulsos imediatamente da política.Políticos e mídias responsáveis devem observar: a ética, moralidade,os bons costumes e o patriotismo e não o sensacionalismo e imoralidades .O que se vê são leis absurdas ,imorais ;de distribuição de privilégios e impunidades.

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