Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Droga quer calar imprensa no México

Por Mauro Malin em 10/02/2006 | comentários

O The New York Times avalia hoje (“A War in Mexico: Drug Runners Gun Down Journalists”) que o México se tornou, Iraque à parte, um dos lugares mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo.


Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas, com sede em Nova York, pelo menos quatro jornalistas foram mortos e um desapareceu nos últimos seis anos em represália a reportagens sobre tráfico de drogas. No La Opinión, de Los Angeles, que cita a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), os números são piores: oito mortos entre 2004 e 2005. O jornal noticia protesto da imprensa mexicana após recente atentado cometido na segunda-feira (6/2) contra o jornal El Mañana, de Nuevo Laredo (“Prensa de México pide garantías para hacer su trabajo”).


O La Opinión noticia documento publicado hoje por dirigentes de 42 jornais mexicanos, entre eles Reforma, El Universal, Milenio, El Economista e Excélsior, no qual denunciam: “Não apenas o direito à vida é revogado, mas também o direito à expressão livre de idéias e o direito dos cidadãos à informação”.


O vice-diretor do Comitê para a Proteção de Jornalistas, Joel Simon, ouvido pelo NYT, disse que a situação “é comparável à da Colômbia em termos de auto-censura e nível de violência”.


O declínio de quadrilhas colombianas de traficantes deu mais espaço a quadrilhas mexicanas que exploram o lucrativo tráfico na fronteira com os Estados Unidos, onde está o grande mercado consumidor. Seis mil caminhões por dia passam a fronteira em Nuevo Laredo e só 50 ou 60 são revistados. As quantias envolvidas no tráfico são astronômicas e mobilizam para a guerra dois grandes cartéis, o de Sinaloa e o do Golfo (do México). Muitos policiais são corrompidos. Outros se encolhem.


O editor do El Mañana, Daniel Rosas, informou ao NYT que o jornal tinha parado de fazer reportagens sobre os cartéis de drogas desde que, em março de 2004, o editor anterior, Roberto Mora Garcia, crítico destacado da corrupção policial, foi assassinado a facadas. Até hoje ninguém foi preso por esse crime. Rosas disse que o ataque de segunda-feira contra o El Mañana não foi antecedido de qualquer aviso. “Pode ser que queiram fazer de nós um exemplo para controlar toda a imprensa”, declarou Rosas. “É a mesma coisa que terrorismo. É terrorismo”.


O procurador geral de Justiça do México, Daniel Cabeza de Vaca, disse ontem que um suspeito do ataque de segunda-feira já foi localizado. O editor da revista Zeta, de Tijuana, Jesús Blancornelas, disse que “o governo não investiga porque é cúmplice”.


Ver neste Observatório, sobre o ataque ao El Mañana, “Jornal é atacado com granadas e tiros”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/04/2006 Deize Meireles

    A violência contra jornalistas está se tornando cada vez mais comum. Ela não quer calar apenas a imprensa mexicana. Quantos jornalistas, no mundo, já foram assassinados no exercício da profissão? Absurdo aceitar os crimes e continuar esperando que novos aconteçam. A liberdade de expressão está no limiar do silêncio. Devemos continuar na luta contra esse tipo de violência e exercer nossa função, o de intermediário entre a notícia e a opinião pública. O que está aí é pra ser dito. O jornalista deve apurar as denúncias e levá-las ao conhecimento público. Não devemos nos calar. A lei da mordaça já passou. Hoje, apenas nos resta a liberdade, mesmo entre aspas. Jamais calar. É absurdo pensar que as autoridades nada estão fazendo para inibir esse tipo de crime, contra a liberdade de expressão. Não há punição para os culpados, muitos deles estão à solta. Basta.

  2. Comentou em 14/02/2006 mariano capote

    É muito interessante,após ler o artigo’droga quer..’ fazermos uma analogia para entender o porquê a policia e sociedade são cumplices com esse tipo de violência contra a imprensa…,pela simples razão que o tráfico é,em várias culturas, uma industria que,sustenta várias famílias de classe média-alta ( vide o caso dos restaurantes Capricciosa no Rio que ficou comprovado ser parte da rota do tráfico internacional) É assim que milhares de adolescentes são sustentados com luxo e padrão quase ilusionário;com o dinheiro da indústria do tráfico. É inteligente ir um pouco mais longe e lembrarmos da Lei Seca nos E.U.A que ajudou um presidente indiretamente a chegar a White House. O que é mais forte nesse esquema é que todos comecemos a questiornar: O que é informar? Onde o denuncismo vira jornalismo e, o pior, até onde a nossa sociedade hedonista está interessada em ver a industria do tráfico acabar…

  3. Comentou em 13/02/2006 Maria Izabel Cabús

    Só posso dizer que isso é um absurdo! Sei que a libertade de expressao é algo que se escreve entre aspas (”), mas isso está passando dos limites.

  4. Comentou em 13/02/2006 Marco Vicente Dotto Köhler

    A imprensa está sob fogo. Além de pressões de congressos, bancos e banqueiros, leis, corporações, e outros mais, agora a imprensa está sendo assassinada, através de seus jornalistas. A liberdade de imprensa não é, em verdade, somente uma liberdade para a imprensa em si, mas representa a liberdade de um país, uma sociedade e seus cidadãos. Correto dizer que essa liberdade deve ser exercida com resposabilidade, podendo, justamente por defender a liberdade, ser criticada. Tais críticas, porém, devem ser feitas de forma civilizada e humana, com respeito e de forma limpa e não, como no caso em tela, através de assassinatos, pois, assim há violência não somente contra a imprensa e seus jornalistas, mas contra toda uma sociedade. É realmente lamentável.

  5. Comentou em 10/02/2006 Joao Carlos

    Para tanta violência só há uma razão: o jornal cumpriu sua missão de informar com a verdade.
    Os fracos respondem com violência quando acuados, tem medo da sociedade organizar-se e sair de sua inércia movida por notícias de policiais que nada mais são do que traficantes.
    Não é exagero dizer que tais jornalistas são verdadeiros mártires e heróis contra o sistema corrupto que impera em tantos países.
    Roberto Mora Garcia faz parte daqueles que fazem – ou fizeram – diferença.

  6. Comentou em 10/02/2006 Luiz Seixas

    O site do PT comenta a pesquisa Ipsos em nota de hoje, 10/2, publicada às 13:19. Serra apanha no primeiro e no segundo turno!

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