Segunda-feira, 24 de Julho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº950

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E agora, Congonhas ficou seguro?

Por Luiz Weis em 31/07/2007 | comentários

Atenção, senhores passageiros. Deu pane no noticiário.

Os jornais de hoje informam, como não podiam deixar de fazer, que o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) definiu as novas rotas de e para Congonhas, todas em vôos ponto-a-ponto.

Serão onze, em vez de seis, como se antecipou. “Redução menor que a prevista”, assinalou a Folha no título da matéria.

O número de pousos e decolagens no até agora o maior aeroporto sul-americano diminuirá de 712 para 561. [Ontem, com o remanejamento de vôos para Cumbica e os cancelamentos, foram 196.]

Mas o que significa realmente esse corte para a redução das chances de acidentes ali?

Os jornais lembram que, antes da catástrofe que hoje completa duas semanas, o movimento de passageiros/ano em Congonhas era de 18,5 milhões – ou 6,5 milhões a mais do que os engenheiros chamam a capacidade instalada do terminal.

Embora a informação já tenha saído pencas de vezes na mídia desde a tragédia, vale neste caso a regra de que o excesso é melhor do que a escassez.

Mas nenhuma palavra sobre o principal.

Incomparavelmente mais importante do que a relação capacidade / usuários de um aeroporto é saber se, no caso de Congonhas, 561 vôos diários, em média, representam, ou não, um problema de segurança. Com 712, problema havia – e os profissionais do ramo não precisaram esperar o desastre do Airbus da TAM para saber disso.

Em suma: qual o ponto crítico? Acima de quantos pousos e decolagens por dia, hora ou minuto um campo de aviação como Congonhas se torna em algum grau inseguro?

Com essa resposta – que os jornais tinham a obrigação de buscar ontem mesmo junto aos aeroviários e outros conhecedores do assunto – o leitor teria meios de avaliar a decisão do Conac.

“Ainda não é possível saber qual será o impacto das medidas anunciadas ontem”, eximiu-se a Folha.

Ora, tenham a santa paciência. ‘Não é possível saber’ ou o jornal não tratou de apurar?

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 02/08/2007 Edvaldo Felix da Silva Felix

    O que mais me choca é uma entidade como OAB se meter numa fria, as outras não são velhas conhecidas do golpe 64
    Agora a insteria que tomou conta da Globo é uma indescencia, de 10 palavras 9 são contra o governo.
    Se querem tirar o presidente do governo espere a eleição o restm é golpe…..
    E o buraco do metro..todos já esqueceram…

  2. Comentou em 01/08/2007 Kleber Carvalho

    Cid Elias parece que as máscaras estão caindo uma a uma , ninguém vai aparecer para dizer: ERRAMOS, tiramos conclusões precipitadas, com exceção do Weis, ainda não vi nada parecido.

  3. Comentou em 31/07/2007 Ivan Moraes

    ‘Veja já contou pra todo mundo o conteúdo da Caixa Preta do Airbus, mesmo não sabendo de nada, como todos nós’: da mesma maneira que a media paulista e carioca colocou a culpa no governo primeiro pra depois quebrar a plastica, o Veja aposta agora na culpa do piloto e o resto da imprensa segue atraz porque entao o caso morre na media. Nesse meio tempo a TAM esta sendo processada nos EUA porque se os ‘acordos’ sigilosos ja comecaram a acontecer com as indenizacoes, esta obvio para o mundo que o ‘sigilo’ tem a funcao de proteger os ricos –que teem advogados pra negociar indenizacao alta e conhecem o preco do dolar– dos clamantes pobres, que nao teem nada disso e que sao facilmente intimidaveis. Ate muito depois da hora da morte o sistema colonial brasileiro discrimina entre ricos e pobres. No entanto, a ‘aposta’, vindo da Veja, esta um pouco meio muito esquisita, esquisitissima. Entre outras coisas eu simplesmente NAO acredito que o conteudo das gravacoes esta guardadinho e trancado em algum lugar de Brasilia. Pelo contrario, estou esperando agora o que estava esperando antes, que a gravacao vaze para o youtube pra fazer com sua presenca o que seu conteudo obviamente nao consegue: prejudicar Lula. Quanto a governo em si, tenho certeza que Veja tera muitas sugestoes daqui pra frente. De politicos, isso eh, nao de governantes. Veja NUNCA recomenda governantes.

  4. Comentou em 31/07/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    Os leitores e consumidores de mídia no Brasil estão passando por outro apagão: o da imprensa brasileira. Jornalistas de todos os calibres, tirando um aqui ou outro ali, estão interessados numa só coisa: derrubar, ilegitimamente, o atual governo, comandados pelos capitalistas donos de suas redações. Haja desinformação!

  5. Comentou em 31/07/2007 Cid Elias

    Como é bom quando a verdade começa a aparecer: Governo FHC AUTORIZOU O A-320 EM CONGONHAS. Foi a TAM quem pediu a autorização para operar com aeronaves Airbus A-320 nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas – informou a Infraero ao Conversa Afiada. . A TAM confirmou que o primeiro Airbus A-320 começou a operar em Congonhas e em Guarulhos em fevereiro de 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso. . A Anac confirmou que o foi o Departamento de Aviação Civil (DAC), extinto em março de 2006, quem deu a autorização para que aeronaves do tipo Airbus A-320 operassem em Congonhas em 2000. . Na época, o Ministro da Defesa era Geraldo Quintão e Geraldo Quintão foi empossado no dia 17 de janeiro de 2000. . Antes de assumir o Ministério, Geraldo Quintão foi Advogado Geral da União e o Major Venâncio Grossi era o diretor do DAC, em fevereiro de 2000.do PHA

  6. Comentou em 31/07/2007 César De Paula

    De fato, o acúmulo de vôos em Congonhas gera desconforto nos passageiros ou, mais do que isso, é causador potencial de acidentes? Se for isto, o que a quantidade de vôos têm a ver, tecnicamente, com o aumento potencial de acidentes?
    O problema é que a mídia, sedenta por colocar 200 vítimas no colo do governo não fez as perguntas que deveria fazer. A maior crise que este país vive, é a crise da informação.

  7. Comentou em 31/07/2007 Adriano Saores de Assis

    Não interssa ao jornal apurar nada agora. Êles não têm mais como dizer que a culpa é do govêrno. A Veja já contou pra todo mundo o conteúdo da Caixa Preta do Airbus, mesmo não sabendo de nada, como todos nós.

  8. Comentou em 31/07/2007 roelf cruz

    Ivan, iu ar a zinker

  9. Comentou em 31/07/2007 Alexandra Garcia

    Antes ou depois do acidente a questão era, e continuará, sendo técnica. Não cabe à imprensa, como fez desde os primeiros minutos da tragédia, culpar o governo, a pista ou o movimento do aeroporto e, no meu entender a diminuição dos pousos e decolagens e/ou eliminação das conexões têm muito mais a ver com as filas nos balcões (aquilo que mídia chama de apagão aéreo), do que com a segurança propriamente dita.

  10. Comentou em 31/07/2007 Lau Mendes

    Sr. L.Weis,ninguém no oi leu sobre a entrevista do sr.civita ? A titulação de observatório nesta página já deveria ter uma razoável apreciação de como é e como funciona e mídia brasileira. Tenho certeza que nenhum dos que aqui comentam a leitura oferecida pelo oi,precisão do atestado passado por tal ‘cidadão’ para sabermos a’éca’que a mídia brasileira faz quando isto possa render dividendo$. Mas para outros o caso é mais grave,os que se intitulam acima e independentes. Estes erram duas vezes. A primeira quando creditam algo de bom a esta mídia,e a segunda quando sobem no muro e ficam esperando a onda passar. Mesmo assim obrigado pelo espaço.

  11. Comentou em 31/07/2007 Ivan Moraes

    ‘movimento de passageiros/ano em Congonhas era de 18,5 milhões – ou 6,5 milhões a mais do que os engenheiros chamam a capacidade instalada do terminal’: mas se os empresarios paulistas sabotaram o resto do Brasil pra concentrarem o showbusiness da viagem aerea em sua detestavel capital e nao dao conta do tranco, o resto do Brasil paga o pato… por que razao?

  12. Comentou em 31/07/2007 Marco Antônio Leite

    Muito pouco, pouco mesmo ira mudar no aerotragico de Congonhas no que tange a segurança dos passageiros. Tira uma gordurinha daqui, uma dali, porém no geral o corpo sempre será o mesmo. Congonhas vai estar em forma, forma de balão de ensaio, para que outros acidentes ocorram em detrimento dos usuários do terminal de vidas humanas. Quem sempre saia vencendo nessa batalha inglória, são às empresas que exploram os serviços de leva e trás passageiros de todos os cantos e recantos da terra. Para as famílias que perderam seus pais, filhos, esposos, esposas entre outros, como consolo reclame na Justiça, quem sabe daqui uns vinte anos estarão recebendo algumas migalhas como forma de ressuscitar o defunto.

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