Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

E quem corrige os erros do leitor?

Por Luiz Weis em 24/10/2007 | comentários

O problema existe desde que saiu a primeira carta de leitor num jornal – quem sabe no Times de Londres.


 


É quando o leitor manda a sua opinião sobre o que seja, baseado numa meia-verdade ou numa falsidade inteira.


 


Na blogosfera – confesso que tenho uma pinimba danada com esse nome, mas deixa para lá – isso acontece com a regularidade das noites que se seguem aos dias.


 


Até porque o meio estimula os seus frequentadores a atirar primeiro e checar depois.


 


Para os editores conscienciosos, quando entendem do assunto da carta o suficiente para distinguir fato de fantasia, é uma dor de cabeça. [Quando não entendem, aí não tem jeito.]


 


A dor aumentará se eles estiverem atentos para os efeitos, no jornalismo, da grande verdade enunciada pelo ministro da Propaganda da Alemanha nazista,  Joseph Goebbels, que era um fanático monstruoso, mas de burro não tinha nada.


 


“Uma mentira sucessivamente repetida”, dizia ele, no que viria a ser o mais famoso de seus ditos, “vira verdade”.


 


Fazer o quê, então?


 


Publicar a mensagem com erro e tudo, em respeito ao remetente e em prejuízo dos demais leitores eventualmente incautos?


 


Ou comunicar ao remetente que o seu argumento tem pés de barro, por isso o seu texto não será publicado na versão original?


 


Ou, considerando a mão de obra que isso daria – sem falar nas chateações que podem advir, se o leitor, além de errado, achar que está certo – simplesmente despachar a mensagem para o arquivo morto?


 


Ou ainda, expurgar do comentário a inverdade e manter o resto? Mas como, se o resto se baseia na inverdade?


 


Ou enfim, o que não se aplica à imprensa escrita, mas a sites e blogues, publicar a batatada e acrescentar uma nota esclarecedora?


 


Para sair do terreno das abstrações, eis um exemplo recém-saído das oficinas.


 


O Estado de hoje publica a carta do leitor Oswaldo Baptista Pereira Filho, de Campinas. Ele elogia o jornal pelo editorial do dia 20 contra a criação da TV pública brasileira, mas faz um reparo.


 


‘O brilhante editorial esqueceu um detalhe importante: na Inglaterra [a TV pública] é mantida por assinantes e, se eles não a patrocinarem, fecha.’


 


E arremata: ‘Diferentemente da nossa TV pública que está sendo criada para empregar os companheiros e florear toda a corrupção do governo Lula.’


 


Descontado o xingatório que não esperou nem a emissora revelar, ao vivo e em cores, com quem e a que veio -, é falso o que o leitor escreveu sobre a Inglaterra.


 


Ali a TV pública não é mantida por assinantes que podem deixar de patrociná-la se não gostarem do que ela mostra.


 


Por lei – que originalmente se aplicava a aparelhos de rádio, porque aquela era a sua era – o cidadão britânico de hoje, se tiver um televisor, pagará um imposto anual que serve para cacifar a BBC. Mesmo que não a sintonize. Mesmo que a abomine.


 


Não tem conversa. Comprou um receptor em cores, morre com 116 libras por ano, algo como 430 reais. Por um aparelho em preto e branco – se é que ainda existe -, a taxa fixada é de 38,5 libras, cerca de 140 reais.


 


Agora, quantos dos leitores do Estadão sabem disso? E quantos, na inocência do seu desconhecimento, não sairão dizendo que é aquilo mesmo que o outro escreveu? Que a TV pública brasileira deveria ser custeada pelos eventuais assinantes, “como na Inglaterra”.  


 


Haja.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/10/2007 Mauro Mendes Mendes

    A questão é uma só, pra quê torrar dinheiro público em uma emissora de TV pública, feita só pra colocar jornalistas ‘filiados’ ao PT?
    Ao invés de arrecadar mais deviamos gastar menos!

  2. Comentou em 29/10/2007 Carlos N Mendes

    Anonimato desperta impulsos ocultos. Quem nunca quis ser invísivel ? Por conta dessa terra-de-ninguém que é a internet, talvez em um futuro pouco distante tenhamos 2 tipos de cidadãos navegando : um, que se logou anônimo, que valerá pouco mais que um mendigo digital ; e outro, que possui uma hipotética identidade-digital, homologada talvez pela CIA, que, apesar de ter todos os seus passos virtuais registrados, terá credibilidade, pois será reconhecido como um cidadão de verdade.

  3. Comentou em 28/10/2007 antonio barbosa filho

    O mais interessante é que 950% das cartas de leitores do Estadão são violentamente contra o governo Lula. Não há leitorado tão homogêneo quanto o do estadão. Ou será que censuram cartas em sentido contrário – não acredito que o façam os destacados membros da SIP…

  4. Comentou em 26/10/2007 José Orair Silva

    Mentiras por mentiras, temos encontrado muitas proferidas por jornalistas de escol. A rigor também a blogosfera é uma ilha de poucas verdades cercada de mentiras por todos os lados. A vantagem, na blogosfera, é que se uns mentem, outros desmentem e o internauta sempre têm acesso ao contraditório. Já na mídia brasileira tradicional o leitor-telespectador têm basicamente três opções: pode aceitar as mentiras satisfeito, contrariado ou indiferente…

  5. Comentou em 26/10/2007 José Orair Silva

    Mentiras por mentiras, temos encontrado muitas proferidas por jornalistas de escol. A rigor também a blogosfera é uma ilha de poucas verdades cercada de mentiras por todos os lados. A vantagem, na blogosfera, é que se uns mentem, outros desmentem e o internauta sempre têm acesso ao contraditório. Já na mídia brasileira tradicional o leitor-telespectador têm basicamente três opções: pode aceitar as mentiras satisfeito, contrariado ou indiferente…

  6. Comentou em 26/10/2007 Norton Drongek

    Leithor erra, jhornalista também; o problema é quando todos os jhornalistas erram juntos e sentem-se justos. Em seguida quêm invariavelmente fica sugestionado pelo erro uníssono são os (e)leitores, mas aí a c***** está feita!Só que cautela nunca é demais, Weis; mais uma vez que diga e as verdades começarão a ser formadas..

  7. Comentou em 24/10/2007 marina chaves

    então , eu jamais seria proprietaria de um aparelho de tv…….. pois o imposto cobrado para a mautençao da rede publica de tv seria, para o meu padrao de salario, alto demais…… será que no brasil ocorrerá o mesmo?? vou /vender/ os meus aparelhos de tv….

  8. Comentou em 24/10/2007 Sostenes DA Silva

    Caro Weis, sao 131,50 libras para TV colorida para TV em cores, nao sei quanto ´e para tv P&B, mas se tibver radio paga-se algo como 50 libras. Tambem se tiver banda larga ou DVD player ou Video cassete tambem tem que pagar. Caso nao pague e for pego pela fiscalizacao, 1.000 libras de multa.

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