Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Editoriais: como cada um dos jornalões viu o desempenho de Lula no Roda Viva

Por Alceu Nader em 09/11/2005 | comentários


Hoje é dia de repercussão da entrevista do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nos jornalões do eixo Rio-São Paulo. Os seis diários – Folha de S.Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico –, que efetivamente influenciam a formação da opinião pública, abastecem, por meio de suas agências, centenas de pequenos jornais do interior do Brasil e de outras capitais. A Gazeta Mercantil e o Valor Econômico, embora não enfoquem no editorial a entrevista de Lula no milésimo Roda Viva, transmitido anteontem à noite, entram na lista por conta de seus controles. A Gazeta Mercantil é controlada pelo mesmo empresário, Nelson S. Tanure, que é dono do Jornal do Brasil, ao passo que o Valor Econômico pertence às famílias Frias e Marinho, respectivamente donas da Folha de S.Paulo e do O Globo.


Todos os editoriais dos jornais – que refletem a opinião de seus donos – têm um traço em comum: descem o relho em Lula, fazendo eco às repercussões colhidas junto aos partidos de oposição que, em alguns casos, mereceram mais espaço do que o conteúdo da entrevista em si.


Abaixo, o panorama das opiniões de cada jornal sobre o programa:


Folha de S.Paulo – ‘A entrevista de Lula’


A entrevista não trouxe esclarecimentos definitivos sobre o escândalo de corrupção no governo e no PT, mas contribuiu para reforçar uma antiga reivindicação de diversos setores da opinião pública: a de que o presidente deveria submeter-se com mais freqüência à inquirição dos jornalistas. Até porque não lhe falta capacidade de tergiversar.
A estratégia de assumir a responsabilidade pela crise política -mesmo que afirme não ter conhecimento dos ilícitos praticados- mostrou-se até certo ponto eficiente para transmitir segurança e convicção nos rumos do governo. Para isso também contribuiu o formato do programa, em que a disputa dos entrevistadores pela palavra tende a beneficiar o entrevistado, facilitando a dispersão.


As diversas evasivas, contudo, não impediram que contradições viessem à tona. O presidente defendeu que um exemplo de transparência em seu governo é o fato de haver três CPIs em curso. Mas foi esse mesmo governo que travou batalha renhida para impedir a criação da CPI dos Correios. E, quando indagado a respeito dos resultados da apuração -os recursos do Banco do Brasil repassados ao PT por intermédio da Visanet e de Marcos Valério-, optou por desqualificar a evidência.
Lula mostrou-se também inconsistente ao condenar o uso de caixa dois como algo ‘intolerável’. Da primeira vez em que se pronunciou sobre o tema, limitou-se a tratá-lo como uma prática rotineira no meio político.


Apesar das reiteradas solicitações, Lula concedeu a primeira entrevista coletiva no Brasil dois anos e quatro meses após sua posse. Ainda assim, sob intenso auxílio dos assessores e com a condição de que não contestassem suas respostas.
Em que pesem os deslizes e os cuidados que cercaram o programa, a entrevista de anteontem mostrou que mais vale se expor aos riscos da controvérsia do que transmitir à sociedade a impressão de despreparo para se submeter a um mecanismo básico do jogo democrático.



Gazeta Mercantil – ‘Eleições 2006: novas caras, velhos estilos ‘


Jornal do Brasil Em campanha’


Para um homem público de credibilidade arranhada, um líder vergastado por sucessivas denúncias de corrupção, um gestor atormentado pelas fragilidades na maneira de administrar a equipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou a entrevista com empenho e perfil de um candidato à reeleição. Como de hábito, disparou trivialidades e raciocínios confusos, com os quais costuma revelar-se desconectado da realidade. Nas duas horas da conversa com seis experientes jornalistas, precisou esforçar-se para sustentar o equilíbrio preservado nos palanques e improvisos – com os quais ostenta a marca de até ´´oito discursos por dia´´, como o próprio admitiu no programa. Conforme escreveu Augusto Nunes, colunista do JB e um dos entrevistadores do presidente, poucas respostas foram plenamente satisfatórias, mas ao menos Lula ouviu ´´as mais relevantes questões acumuladas ao longo da crise´´.


A entrevista (a primeira sem normas restritivas desde que desembarcou no Palácio do Planalto, há um ano e dez meses) serviu para que telespectadores pudessem acompanhar um presidente sem a maquiagem publicitária de campanha e sem a proteção dos discursos sem réplica. Com a loquacidade habitual, Lula reafirmou o que vem dizendo espaçadamente desde o início do seu governo e, sobretudo, desde que estourou a mais séria crise política desde o impeachment de Fernando Collor. Em outras palavras, sublinhou os bons ventos enfrentados na economia, defendeu a excepcionalidade histórica de seu mandato, pontuou os êxitos internacionais e assegurou que nada das denúncias exibidas até aqui foi provado.


À retórica de auto-elogios, da qual os brasileiros já se tornaram espectadores freqüentes, acrescente-se a incapacidade do presidente de reconhecer erros ou máculas de sua gestão. Governantes, é verdade, costumam celebrar os ganhos e esquecer as perdas. Faz parte da gramática do poder. Trata-se, contudo, de uma estratégia arriscada quando confrontada com as evidências da realidade. O JB já analisou, em editorial, que os partidos oposicionistas erraram ao acreditar que Lula estava eleitoralmente morto. Não está.


Os bons resultados da economia, que sobreviveu aos ventos fortes decorrentes da turbulência política, somam-se à facilidade de comunicação com o povo, que conduzem o presidente ao páreo em 2006. Sem falar na constatação de que o PT soube, no poder, abandonar o idealismo infantil do passado e expurgar as viúvas de utopias caducas (ou deixá-las partir, para o bem de seus avanços). Resta saber se isso será suficiente para a aceitação do eleitorado diante da ruína moral em que o partido imergiu nos últimos dois anos.
Um dos graves aspectos da entrevista de segunda-feira, porém, é a demonstração de que Lula tirou poucas lições da avalanche de denúncias que quase derrubou a administração petista. Rumo às eleições, continua na busca para situar-se acima dos problemas, sobretudo quando responde às interrogações sobre a crise e suas raízes.


Espera-se que a participação no Roda Vida o ajude a descer à planície. Aderir à prática das entrevistas constituirá um bom sinal de mudança. O presidente Lula, afinal, teme as coletivas. Prefere os monólogos. Apesar do começo claudicante e de alguns deslizes, mostrou um razoável arsenal de defesa – para o bem e para o mal. Precisa agora convencer o país que seu governo é tão bom quanto diz ser.



O Estado de S.Paulo‘Um espanto de entrevista’

A entrevista do presidente Lula foi, como se sabe, gravada no Palácio do Planalto. Não menos gravado parece ter sido o seu pronunciamento, pouco depois, em um evento em Assis, no interior paulista. Foi como se ele compactasse o que há de ter considerado a essência de sua mensagem, na sabatina a que relutantemente aceitara se submeter, para marcar a milésima emissão do consagrado programa, e em Assis tivesse apenas o trabalho de apertar a tecla play do gravador – uma rotina que se repete discurso após discurso.


Não que as suas respostas aos entrevistadores já não fossem, elas mesmas, em boa medida, um replay dos bordões onipresentes em seus incessantes improvisos destinados a fazer praça de sua imaginária condição de mais operoso, compassivo e bem-sucedido governante brasileiro desde o tempo das capitanias hereditárias. E não fossem os bordões um misto de auto-endeusamento e de risonha e franca malversação dos fatos mais notórios. A começar da inverdade de negar que seja ´da turma do eu me amo´, como declarou na TV, para provável espanto dos jornalistas.


Afirmações espantosas não faltaram nas respostas do presidente às cerca de 50 indagações e réplicas que ouviu nos 100 minutos do programa (descontados os intervalos), cujo apresentador e pelo menos dois dos outros participantes fustigaram-no com questões contundentes sobre as denúncias de corrupção que envolvem o PT e o governo. Espantoso, por exemplo, foi Lula dizer que, sim, é responsável ´pelos fatos que escandalizam a Nação´, nas palavras do entrevistador, resumindo-se essa responsabilidade, porém, a ´mandar apurar` as acusações.


De espantar ainda mais foi o seu argumento para desmentir que evita a imprensa. Disse que fala diariamente – ´tem dia que eu me canso de mim mesmo` – e que as falas devem ser notícia! Peculiar, no mínimo, essa concepção segundo a qual a boa interlocução do governante com os governados, pela mídia, consiste em monologar, sem possibilidade de ser contraditado. E que dizer da mutante filosofia de Lula sobre o caixa 2? Há três meses, era apenas um pecadilho cometido ´sistematicamente no Brasil´. Agora, é ´intolerável´. Infelizmente, os entrevistadores deixaram passar o duplipensar presidencial.


Nessa matéria, aliás, o presidente tomou enorme distância da realidade tida, sabida e admitida pelos dirigentes petistas caídos em desgraça Delúbio Soares e Sílvio Pereira. Disse que lhe ´cheira a fantasia` que tenha havido caixa 2 na sua campanha (só nas eleições municipais de 2004), que não pode responder pelo que Duda Mendonça admitiu à CPI dos Correios (mas justificou a decisão de rescindir os contratos da administração direta com o ´suspeito´) e confundiu deliberadamente dinheiro real do PT para o PL com dinheiro fictício do PL para o PT.


A tal ponto chegou a enrolação que um dos entrevistadores não se conteve e afirmou: ´A discussão não é se houve ou não caixa 2. É quanto foi.` Lula não se deu por achado, como não se daria, em outro bloco, quando um jornalista desmentiu, com fatos, a sua risível versão de que o governo jamais tentou impedir a criação da CPI dos Correios. Uma escapatória que o presidente buscou a todo momento foi a de declarar, magisterial, que não se pode condenar quem quer que seja sem provas – como se já não houvesse uma pilha de provas – inclusive flagrantes – contra os seus companheiros e como se o mesmo princípio não devesse impedi-lo de absolver de antemão os acusados, tudo reduzindo a ´denuncismo vazio´.


Mensalão é ´folclore` desdenhou Lula. Fez pouco-caso da inteligência dos entrevistadores também quando falou que ainda não resolveu se concorrerá à reeleição, como se ignorassem que o substrato de todas as suas iniciativas políticas é precisamente o de mantê-lo no Planalto até 2010. Recorrendo a um velho truque de palanque, exaltou-se e qualificou com palavras duras a acusação – que jamais alguém lhe fez – de que comprara o ´Aerolula` como um bem particular. Significativamente, talvez, a esperteza o abandonou em um momento crítico.


Perguntado, já no final, sobre a denúncia dos dólares de Cuba para a sua campanha, não lhe ocorreu mostrar-se indignado com a mera idéia de que o PT e o seu amigo Fidel possam ter sido cúmplices numa ilegalidade capaz de levar à cassação do partido. Disse que não podia acreditar na história apenas e tão-somente porque conhece o ´miserê` em que vive Cuba.



O Globo – ‘Na contramão’


Com a crise política deflagrada pelas denúncias de um aliado — o deputado petebista Roberto Jefferson — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a distância que já mantinha da imprensa. Antes do escândalo, havia concedido uma entrevista coletiva, mas sem direito a réplicas. A descoberta do propinoduto do PT o fez recuar ainda mais. Optou por pronunciamentos inflamados proferidos de palanques quase eleitorais e por frases ditas no exterior, em corredores e saguões de hotéis, enquanto transitava entre reuniões protocolares.


Fez, ainda, um pedido formal de desculpas à nação, quando se declarou traído — mas sem revelar o agente da traição. Salvo a desastrada, mas reveladora, entrevista dada a uma freelancer brasileira em Paris, em que procurou desqualificar o crime de caixa dois político e eleitoral, o presidente Lula ainda não havia se colocado à frente de câmeras de TV para responder a perguntas.


A oportunidade surgiu com a comemoração pelo milésimo programa ‘Roda Viva‘, da TV Cultura. Gravada a partir do fim da manhã de segunda-feira e levada ao ar à noite, a minicoletiva de Lula, como na entrevista parisiense, gerou um resultado desastroso para ele. E, como daquela vez, também não deixou de ser uma entrevista reveladora.


Lula aproveitou a oportunidade para tentar reparar o grave erro de Paris, quando curiosamente antecipou a linha de defesa do companheiro Delúbio Soares e do financista e traficante de interesses Marcos Valério que eles adotariam dias depois ao depor na CPI dos Correios. Agora, o presidente voltou atrás e disse considerar inaceitável o caixa dois na política. Poderia também ter aproveitado para ser mais preciso sobre quem o traiu — embora a referência feita a companheiros que adotaram práticas que ‘não se coadunam com a história do PT’ já tenha sido um avanço.


Mas, como se tivesse entrado numa máquina do tempo, Lula retornou ao passado para rejeitar a existência do mensalão, termo usado por Jefferson nas denúncias e espertamente tomado ao pé da letra por petistas e aliados. Ao frisar que até agora não ficou provada a existência do tal mensalão, o presidente exumou uma discussão já soterrada pelas inúmeras provas e evidências surgidas no andamento das investigações.


E elas indicam o trânsito farto de milhões de reais em dinheiro ilegal através do propinoduto criado por Marcos Valério e administrado, entre outros, pelo companheiro Delúbio Soares, em direção ao bolso de políticos e ao caixa dois de legendas coligadas. Não se duvida mais já há algum tempo que esse dinheiro atraiu aliados na campanha de 2002, financiou gastos eleitorais em 2002 e 2004, comprou apoios em votações importantes no Congresso e azeitou trocas de legendas. O presidente repele — verbo da moda — que também sua campanha tenha sido abastecida por caixa dois, apesar de haver testemunhos (Valdemar Costa Neto) e fatos (pagamento a Duda Mendonça no exterior) que apontem nessa direção.


Seja como for, perdeu importância a questão de saber se o propinoduto abastecia as finanças dos beneficiários mensalmente. Bastaria uma única transferência de dinheiro ilegal para configurar crime.


Na entrevista, Lula assumiu a postura de militante do PT no poder, sem qualquer preocupação em manter-se à margem da crise e preservar-se na condição de presidente da República. Assim, mesmo considerando José Dirceu condenado, adotou o discurso de defesa do ex-ministro, autodeclarado vítima de perseguição política pela biografia e a história que tem, interpretação benevolente compartilhada por Lula. Escapa à compreensão do presidente aquilo que seu ex-companheiro Chico Alencar, deputado recém-chegado ao PSOL, bem resumiu: Dirceu é alvejado por causa dessa mesma biografia, pois seria impossível alguém como ele nada saber do que ocorria no PT.


Reapareceu na entrevista o Lula militante que, em reunião recente com a bancada do partido, procurou defender todos da acusação de corrupção. Ali, mais uma vez, pairava a idéia inaceitável de que há crimes maiores e menores quando se manipula dinheiro sujo na política.


Não faltou, também, a repetição do bordão de que ‘é preciso tudo apurar’, entremeado de acusações de ‘denuncismo’ contra as oposições e as CPIs — o que não deixa de ser um prejulgamento que inocenta os atingidos.
O pedido repetitivo de provas, outra tática petista, denota a intenção de desqualificar as evidências e os depoimentos já colhidos, com valor não apenas político mas também jurídico.
O presidente Lula entrou em rota de colisão com fatos apurados e indiscutíveis, e dessa forma voltou ao centro da crise.



Valor Econômico – ‘A ‘lei do silêncio’ da CVM cerceia liberdade de informar’

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  1. Comentou em 09/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    Quanto à questão da corrupção, eu concordo com o Mídia, dada as diferenças. Sou um militante da esquerda há muitos anos, e como toda a esquerda, me sinto enojado e triste em ver o mar de lama em que um governo – controlado por um partido que nasceu no seio do discurso da ética pública – chafurda. O que realmente me chocou foi o fato de que as pessoas anônimas que construíram o PT – que dedicaram boa parte de suas vidas ao carregar caixotes em dias de chuva para improvisar palanques e comprar camisetas e bottons para auxiliar nos caixas de campanha – descobriram, tardiamente, que o partido ao qual tanta se sacrificaram nunca foi delas. Nem sequer foi criado como porta-voz destes grupos excluídos; Este partido foi fruto de um projeto particular de poder de uns poucos membros dirigentes, que rapidamente se atrelaram ao velho costume de espoliação pública, tão característico de nossa elite ao longo destes 183 anos de história Independente.
    Mas frente à constatação, nossas intenções diferem. A grande imprensa não é de esquerda (No mundo atual, diferentemente do que é apregoado pela mídia, a divisão política entre jacobinos e Girondinos é mais atual que nunca.) e seu principal sentimento não é o de frustração e desapontamento. Abaixo do manto de indignação, ferve um sentimento de êxtase pela desintegração do PT. Para a mídia gorda, ou seus pequenos clonezinhos, a morte do PT significa o aleijamento da esquerda ‘autoritária’ nas palavras de Lúcia Hippólito e da ‘santidade hipócrita’ dos petistas nas palavras de Diogo Mainardi. A mídia canta e dança sobre o cadáver do PT, já que compartilha da opinião de Bornhausen: Nos livramos desta RAÇA!
    A intenção final de tudo isso não é achincalhar Lula. É destruir a esquerda no Brasil. O problema é que, quando se esfrega o rosto de toda a esquerda
    Brasileira na lama, não são apenas Dirceu e Lula os alvos. São também pessoas trabalhadoras – enfermeiras, professores, atendentes de creche, motoristas, metalúgicos, camponeses, ambientalistas, faxineiros, servidores públicos – que nunca sequer tocaram em um único centavo que não fosse seu. Pessoas que trabalham e pagam compulsóriamente seus impostos, já que estes geralmente são descontados na fonte, sem sequer esperar usufruí-los em benesses públicas. Pessoas que não merecem e não admitem serem chamadas de PeTralha ou corruptas. Me incluo aqui.
    Lula foi um covarde. Na cautela, refreou as tão necessárias transformações históricas, que há séculos este país precisa. Isolou-se das entidades civis que viam em sua figura uma possibilidade da tão sonhada transformação social. Contemporizou com os elementos mais nefastos da política Brasileira, ao tentar dar ‘governabilidade’ a um milésimo do que se esperava dele, os mesmos elementos que o sangram até a inevitável morte política. Ficará para a história como o homem que fez o que a mídia não conseguiu em oito anos de governo FHC: Imprimir na consciência nacional a idoniedade e responsabilidade pública do PSDB e PFL, conceitos violentados por crimes políticos BILIONÁRIOS como a privataria, o Banestado, a compra de votos para a reeleição, o caso MARKA, a quadrilha dos anões. Cada caso arquivado pela procuradoria da República e acobertado pela mídia Brasileira. Partidos que traçam sua história até a ARENA e a oposição do establishment, o MDB; Os velhos partidos do ‘sim senhor!’ e ‘sim, senhor’
    Mas talvez, se tivermos um tiquinho de memória, a mídia finalmente mostrará sua verdadeira face. A face golpista de uma corporação que, dadas as exceções, colaborou ativamente com um longo histórico de repressão aos movimentos sociais: Desde a Conjuração Baiana, passando por Canudos, Contestado, Revolta da vacina, Revolução Praieira, Revolta da Chibata. Mídia que sustentou ideológicamente toda a república velha, antro da mais vil bandalheira da elite brasileira e que sempre apoiou em altos brados cada documento falso que surgia para legitimar os tantos golpes de Estado que assolaram nosso país, desde ‘planos Cohen’ até ‘marchas com deus e pela família’. Sim, eu me lembro de Carlos Lacerda e sua Gazeta da Tribuna.
    Talvez, Talvez, saia algo positivo de tudo isso. Talvez a esquerda finalmente volte a pensar em novos projetos para se construír um país mais justo e humano. Talvez, finalmente, caia por terra o discurso hipócrita da imparcialidade jornalística, e os veículos finalmente se posicionem dentro de seus respectivos espectros políticos. Eu conheço a mídia de esquerda, pois ela declaradamente se posiciona assim. Falta ao Estadão. à Folha, ao Ig, ao JB, à Veja, à Globo, a mesma responsabilidade. Quando isso ocorrer, talvez o jornalismo nacional perca o seu caráter panfletário e, passe a ter, através da concorrência, seus limites institucionais e espaço para múltiplas vozes. Só vejo esta saída. A prática da censura de imprensa está morta e sequer merece uma lápide. Falta fazer o mesmo com a censura DA imprensa.

    Um abraço

    Pedro Ramos de Toledo
    Um professor que ainda nutre esperanças em seus país (E em Lula, por mais incrível que pareça…)

  2. Comentou em 09/11/2005 Goretti Oliveira

    Imaginem imprensa, mídia, os jornalistas e os donos da alma da Nação… ou o que for, mirando-se num balde de lixo com um espelho no fundo. É assim que concebo, hoje, este ramo de atividade no Brasil. Gostaria de informar a todos que algumas pessoas têm mais de dois neurônios.

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